quinta-feira, 7 de julho de 2016

Como acabar com os cabelos brancos


Hoje acabei me atrasando para o trabalho

Estava me penteando olhando pro espelho e vi ali
um 
dois
dez
novos fios de cabelo branco
que eu tenho a absoluta certeza de que há 2 meses já não estavam mais ali.

Nada contra os fios, que me dão sabedoria e a graça de quem bem sabe que 37 são os novos 27 - tamo aí, cada vez mais leve, dez anos colocando Saturno no bolso. 

Mas fato é que eles não estavam ali a agora estão.
Me atrasei por isso: De repente, me dei conta de que o mundo inteiro podia esperar pra eu parar pra pensar dias sim, dias não, estou aqui, sobrevivendo cheia de arranhão. 
Demorei porque, ao fechar os olhos pra agradecer cada um deles, acabei perdendo o relógio de vista.
E lembrei daquele texto de embalagem de xampú que acabei não escrevendo meses atrás: A melhor receita pra acabar com os cabelos brancos é mudar a forma que você vê o trabalho que você faz.

Às vezes, basta um novo olho.

Outras, é preciso matar o trabalho.

Foi isso.

Me atrasei. 
Não fui.
Não era eu. 

Eu era mesmo essa aqui.
Livre

E cheia de cabelo branco
Essa aqui, pé na porta. pé na estrada. pé de vento. 

Mão no leme, pé no furacão.
Mais uma vez 
Teimando em ser eu
Todo dia.

Ainda bem.

terça-feira, 5 de julho de 2016

O que você levaria para o fim do mundo?


CENA 1 / INT / NOITE


- Amor, acorda. Tá tocando o alarme de incêndio do prédio. Levanta agora,  que a gente tem que sair correndo daqui. Veste um casaco, que tá frio lá fora.

Não houve tempo para desnorteio. Levantei num pulo e a única coisa que fiz foi obedecer. Escolhi o casaco mais quente ~ nessas horas, recomenda-se estar preparada pra um frio polar ~ e enfiei correndo um tênis no pé.  Foram sete segundos, se muito. Abrimos a porta pro corredor. Nada. Somente um alarme ensurdecedor.

Olhei pra um lado, pro outro. Nada. Dei dois passos de volta pra casa, que eu que não vou sair assim. Bati o olho, vi no canto uma mochila. Enfiei correndo o meu computador. O outro. Nem pensei onde é que tava o carregador: Disso cuidamos depois. Mais seis segundos. Na saída, lembrei da maldita pasta - todo estrangeiro há de ter uma pasta com todos os documentos e mundo pode até pegar fogo, mas eu não vim até aqui para perder a minha identidade. Enfiei correndo a pasta na mochila entreaberta. Dois segundos a mais. Dois segundos a menos.

Saímos correndo de casa.

::

O que você levaria para o fim do mundo diz muito sobre a vida que você escolheu levar.

Esqueci cada um dos meus vestidos e toda essa maquiagem que eu teimo em continuar comprando.
Deixei pra trás todo o (pouco) dinheiro que eu tinha - inclusive o cartão do banco, que não teria sido nada mal lembrar.
Kiko se culpou por ter esquecido do cavaco, mas não pelas varas de pescar.

Dois computadores, todos os passaportes e o nosso amor. Ontem, isso foi tudo o que nos bastou.





PS: O suposto incêndio não foi nada além de uma boa história pra contar e dessa belíssima oportunidade de refletir sobre o que vamos levar daqui. 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Sobre aquela que passa, sobre aquele que senta



Na minha rua tem um mendigo.

Sem perceber, já estava eu começando mais um dia destilando todo o meu preconceito mundo afora.

Somos seres em construção. Me perdoe e me deixe recome
çar o dia. 

::

Na minha rua tem um cara que, ao que me parece, mora na rua. Ou, pelo menos, na minha rua tem um cara que, quando eu passo, está sempre lá. 

[sabe lá o que esse cara pensa de mim, essa mulher que, toda vez que ele senta, passa lá].

Pois acontece que todos os dias em que passo, e lá se vão 6 meses, eu vejo ele sentado ali. Às vezes ele está com um cachorro, às vezes tem um amigo do lado, mas sempre me dá bom dia daquele jeito malandro californiano e me pergunta como é que eu estou.

Eu sempre sorrio e respondo de volta. At
é que hoje passei o dia pensando naquele cara.

O que faz uma pessoa de trinta e poucos anos dar checkout desse mundo cão? Qual será a história daquele cara? O que será de tão grave que esse mundo fez com ele pra que ele tivesse forças pra, ainda que do jeito dele e ainda que diferente do meu, dizer que "foda-se cansei dessa porra toda e tô saindo fora dessa maluquice" ?







E atravessei a rua correndo pra não perder o ônibus que vai me levar ao meu trabalho, onde passarei oito horas do meu dia, cinco dias da minha semana vendendo minha alma, a minha criatividade e o que ainda me resta dos meus sonhos de juventude pra uma empresa que tem 220 mil pessoas fazendo exatamente a mesma coisa que eu nunca jamais em tempo algum esquecendo de bater meu ponto na hora conveniente para poder estar em dia com as minhas obrigações enquanto cidadã.

Porque, né, imagina, passar por uma humilhação dessas.






Cada um de nós está passando por uma batalha sobre a qual você não sabe nada a respeito. Seja gentil. Sempre.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Passando do ponto


Era uma sexta-feira de maio.

Fazia frio, apesar do sol, e a minha alma carioca insistia em errar o figurino, como sempre, em dias assim.

Olhei no relógio e vi que ainda me sobravam 20 minutos pro trabalho, tempo o suficiente pra eu pegar um cafe bem quente pra me aquecer nessa bela manhã de Primavera. Fiz sinal no ônibus, que não parou pra eu descer.

Xinguei duas gerações do maldito motorista e desci no ponto seguinte. Mindfulness, Luana, numa hora dessas. Fui caminhando pelas vielas desconhecidas do centro de San Francisco meio frustrada por ter perdido o café.

Foi então que um pensamento me veio. Eu nunca tinha estado ali e lá estava eu, 6 meses depois de pisar nessa cidade, vendo tudo pela primeira vez.

E me senti feliz por conseguir enxergar a beleza do novo. Me lembrar que, quando a gente acha que já sabe tudo, vem a vida e faz a gente perder o ponto. E que, como diria Clarice, "Perder-se tambem eh caminho" e vai ver só não estávamos distraídos o suficiente pra chegarmos naquele lugar que a gente nunca viu.

Vai ver a gente tinha deixado a vida escapar pelas mãos e virado refém de uma invenção tão sem sentido como o relógio de pulso. Vai ver está um dia bonito hoje. Vai ver a gente ainda tem salvação.
Vai ver meu coração ficou quentinho agora ao perceber de que finalmente, depois de tanta tormenta, meu barco entrou no prumo e o vento tá bom.




Vai vendo.

Por Luana




quinta-feira, 5 de maio de 2016

Precisamos de líderes, não de políticos


Hoje, dia em que Cunha foi afastado do poder e dia 11, dia em que Dilma talvez saia para Temer assumir, penso sobre a política e para que ela serve, afinal?

Nossas vidas estão sendo manipuladas pelas grandes empresas para destruir o planeta. Os pol
íticos que conhecemos, nesta bancada que não nos representa, estão lá por interesse, organizados por companhias que enriquecem a cada dia, a nossos custos. Ganhamos "dinheiros" ou um mero pedaço de papel para trocar por comida, moradia, lazer.

O que realmente precisamos é da troca, cultivar a terra, conhecer lugares, pessoas, o mundo. A consciência humana precisa mudar, para que o amanhã exista para nós. Vamos nos conectar com o nosso corpo. RESPIRA! E percebe.

Segundo Platão, primeiro devemos educar a alma através da música. E a seguir o corpo através da ginástica. Segundo os gregos a educação baseia-se na ginástica, na música e na poesia.

Eu diria para educarmos a alma através da respiração, escuta-la através da música e a seguir o corpo através do Yoga. Assim, diria que, para evoluir, como seres humanos, devemos nos conectar com isso, em coletivos com um mesmo propósito de sobrevivência e depois de felicidade plena. 

Acordamos todos os dias, para fazer as mesmas coisas, repetir tarefas e viver O MESMO. Que bom seria se pudéssemos nos ouvir mais, dançar mais, ler mais, plantar mais. E trocar, distribuir, presentear para vivermos o diferente, conhecer coisas novas, de maneira curiosa, que nos desperte para algo maior.

O planeta existe há bilhões de anos e continuará aqui. A Terra sempre encontra uma forma de se reinventar. O que sofre perigo é espécie humana

Portanto
vamos nos conectar para a mudança. Precisamos de líderes que possam comandar a transformação que estamos vivendo. Nao é mais a Era da Mudança: Estamos numa mudanca de Era. E vamos transformer tudo sem armas, sem ódio, sem guerra. Basta apenas querer e acreditar que UM NOVO mundo é possível.

Seja a diferença. Começa por você. AGORA.

 

Se tiver 10 minutos para parar e refletir, use 1 para meditar: respire 10 vezes, longamente (dica do meu amigo João Cavalcanti), os outros 8, use para assistir esse vídeo. Mas um livre para você fazer o que quiser ;-)
 

Por Beca
 

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Canção do Exílio



Nasci em 15 de março de 1979, uma quinta-feira, dia da posse do Presidente Figueiredo, no apagar das luzes de uma Ditadura Militar que acabou no dia do meu aniversário de 6 anos.

Sempre mexeu muito comigo a questão da Ditadura e hoje sonhei com uma palavra: Pátria. 

E acordei me perguntando que sentimento é esse que nos faz voltar sempre pra casa, ainda que não entendamos muito o porquê. Que não reconheçamos mais os quadros na parede. Que não pertençamos mais nem lá, nem aqui e o nosso coração nos faça querer seguir sempre em frente, ignorando a redondisse da Terra que no final sempre vai nos levar pro lugar de onde viemos. 

Qual o sentido de uma fronteira física em tempos de amores líquidos e valores flexíveis? 

Como posso declarar amor à Pátria nessa sexta-feira de sol quando eu olho, olho e me envergonho de quase tudo que vem dela? Que pátria é essa que segue torturando uma mulher que deu o sangue em nome do seu País e de cada um que lá morava? Até quando segurar-se em seus ideais com tanta força que eles não escapem por entre os dedos? Até quando amar sem ser correspondida?

Quando eu era criança eu achava chiquérrimos aqueles que tinham sido exilados. Eu brincava de faz-de-conta e tinha certeza de que, se preciso fosse, pegaria em armas para lutar pelo meu País.

Hoje eu me sinto assim. Impotente por não poder salvar a minha Pátria ao mesmo tempo que entendendo que antes da gente se arrumar para salvar o mundo, é preciso que a gente vista a nossa capa vermelha e comece a salvando a gente mesma. E aí a gente percebe que pra conseguir a paz dentro de casa, pode ser preciso derrubar as paredes que ela tem.

Lembrei agora da minha Tia, que um dia me disse estar feliz por eleger uma Presidenta que dizia: "Fui torturada, e nunca entreguei os meus".

É isso. Pátria é onde estão os meus.


(Maria) Betânia
Please send me a letter
I wish to know things
Are getting better


Por Luana



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Como um filme pode mudar sua vida - indagações num domingo de chuva

E o debate começa depois do filme com os diretores Jorge Furtado e José Pedro Goulart. Grandes cineastas gaúchos que mudaram, de certa forma, minha vida.
Jorge começou falando que este filme, em 1986, mudou a deles.
Fico imaginando como, iniciado a abertura pós golpe, que O Dia em que Dorival Encarou a Guarda foi feito.
Estes dias escrevi sobre um palavrão que ouvi nas ruas, quando foi preciso gritar alto para tirar Collor do poder e que senti o poder da palavra ao cantar contra alguém acima de mim e de todos.
Lembro de assistir Dorival, talvez na mesma época em que vi Ilha das Flores. Eu tinha 9 anos.
As frases destes dois filmes me impactaram imensamente.
"Milico e Merda pra mim é a mesma coisaaaaa! - num grito alto e raivoso de um Negão deste tamanho!, que fomos descobrir que nem era tão alto assim e precisou de uma "três tabela"pra alcançar nas grades da cela carcerária e que lia histórias infantis com voz doce num programa de uma tv paulista.
Como, saindo deste momento importante, eles tiveram o culhão pra fazer um filme deste. Sabe aquela sensação de sair do cinema com a alma lavada, de ter se contorcido na cadeira e querer gritar ainda mais alto e cuspir junto com Dorival na cara dos que executam ordens sem saber o por que o fazem.
Um filme impecável, com diálogos perfeitos, uma decupagem de tirar o chapéu e atores escolhidos a dedo.
Que bom ter estes professores para minha formação.
Ilha das Flores, com seu primeiro lettering, em letras de um computador arcaico: Deus não existe. Não sei se lembro ou se me contaram que meu avô saiu da sessão assim que o filme começou...
Poder escrever sobre um momento político, e conseguir tirar sensações da plateia que se exalta, ri e aplaude de pé todos os diálogos é de uma sutileza e requinte que sempre vou lembrar.
Jorge ainda comentou que sua filha Alice um dia chegou em casa perguntando indignada se seus pais tinham vivido na Ditadura, ela chocada indagou: vocês viveram naquela época e não fizeram nada?? - Jorge pensativo: fizemos filmes.
Colocaria nesta mesma  lista o belo e imperdível Deu pra ti Anos 70. Um filme de Nelson Nadotti e Giba Assis Brasil, sobre juventude e tudo aquilo que vivemos neste momento de transformações internas e externas desta época. - saudosismos meu? Bairrismo portoalegrense? Uma identificação ou uma projeção do que fui ou queria ter sido?
Deu pra Ti Anos 70
Escrevo isso porque estou aqui, no momento político em que estamos vivendo, pensando nos belos filmes que deverão vir junto com esta revolta e insatisfação política dos dias de hoje.

Neste último Festival de Tiradentes tive a honra de assistir a estreia de Jovens Infelizes ou Um Homem que Grita Não É Um Urso que Dança, vencedor da Mostra Aurora (seção competitiva de longas-metragens) de Thiago B. Mendonça e fiquei feliz em poder estar naquela plateia, exaltada, com aquele tipo de filme que estava sendo mostrado e que, sem dúvida, era o melhor do festival.
Escrevo isso pensando que para alguma coisa boa deve servir este momento vergonhoso que estamos vivendo. Que seja para ir às ruas e gritar o que vem de dentro. Que a gente possa mostrar nas telas o que revolta e está entalado na garganta.

Escrevo apenas para dizer muito obrigada. Somos nós que mudamos com filmes como estes.
Fiquem aqui com Dorival, este homem que só queria tomar um banho, que deve ser visto e mostrado para todos aqueles que querem entender um pouco sobre o Brasil e seus 52% de negros que o habitam. Aproveite! - o deleite é de graça.
O Dia em que Dorival encarou a Guarda

domingo, 24 de abril de 2016

Respira! -que tá tudo bem

Nestes tempos de corrupção, aonde tenho vontade de cuspir 342 vezes, até minha saliva dizer chega, resolvi agir. Não se preocupem, não estou inventando uma máquina de cuspes, apenas resolvi perceber meu corpo e como ele reage a tudo que está a minha volta.

Entender o verdadeiro significado de estar aqui hoje, viva, fazendo parte deste mundo, desta cidade, do lugar que habito. E todos sabem que habitamos dentro de nós, esse corpo frágil que aos poucos vai acumulando energias de coisas boas e ruins que vivemos. Na verdade, acho que as energias que são acumuladas são as que, por alguma razão, ficam conosco como memória. Memória de corpo, sem o fluxo necessário para a expansão como universo... complicado?

Comecei a me escutar (feche os olhos, repire fundo, perceba o ar que entra, tire todos os pensamentos da cabeça, desligue-se dos sons externos) e descobri a energia sutil, algo que fica entre a pele que nos protege e os orgãos que nos fazem funcionar. Alma? Fluxo? Energia?

Não é algo que possa ser racionalizado, então não adianta muito pensar, apenas sentir. E é por isso tão difícil de colocar em palavras ou poder contar para alguém de forma clara e que não me achem "louca". Entendo que, para as pessoas começarem a relacionar o que escrevo como algo irracional, é difícil. Uma vez escrevi sobre a evolução dos seres vivos e cheguei a conclusão (totalmente particular) de que ter cérebro é algo pouco evoluído, porque  usamos da forma errada - os homens transformaram em algo involutivo e destrutivo. Ao invés de percebermos, através da razão, que temos esse corpo sutil que nos leva além, usamos nossos neurônios com coisas inúteis e desimportantes. E é nesse mesmo contexto que percebo que "os opostos se atraem" e são a mesma coisa: o que é bom, também é ruim na mesma proporção e é por isso que prazer e dor andam juntos, o certo e o errado só dependem do ponto de vista, de quem quiser achar o que bem entender.

E é assim que começo a querer sentir esse equilíbrio total para que o corpo funcione, sem energias acumuladas nas arestas. É por isso que medito, bebo água, faço yoga,  repiro, faço reiki, escuto música (de qualidade!), uso pedras,  roupas leves, como pouco (deveria cortar o glúten, a carne e a lactose) e gostaria de fazer todo tipo de ação que possa ajudar a equilibrar essa energia que vive dentro de mim e que me faz viver em harmonia também fora. Um espelho.

E é nesse contexto que acho que o mundo se divide em dois: os que dizem SIM e os que dizem NÃO!
Uma pena eu NÃO estar do lado dos que dizem SIM, por ser uma palavra mais harmônica e que não carrega raivas e rancores e que não ficará acumulado nos cantos da casa deste meu corpo.
Mas nesse momento preciso dizer não. Não ao capitalismo burro, aos políticos corruptos, não ao golpe, a todos aqueles que tentam deixar a balança em desequilíbrio: precisamos da horizontalidade para evoluir ou ficaremos aqui, num ciclo vicioso de decadência, acumulando energias que carregaremos pelo resto de nossa vida. Os que dizem sim, sim, sim! estão atualmente numa inversão de valores, e acho que nosso equilíbrio está ao avesso, e por isso esse pensamento que se vive melhor com MUITO - muito estress, um cancêr formando em seu estômago ou na sua cabeça. Porque é fácil dizer SIM. É difícil dizer não. Dói, custa caro (não estou falando em dinheiro) e talvez seja duro ter que dividir, viver aonde tudo é de todos, sem dono, sem escassez, apenas com abundância. Somos talvez o país mais rico e mais pobre do mundo. Porque nos deixamos roubar, e está tudo bem, porque moramos bem, comemos de tudo, temos escravos que nos servem (já que não temos tempo de cuidar dos nós e de nossos filhos) e temos a ilusão de que as crianças precisam de alguém para seguir e se fechar em quatro paredes para aprender. Entendo precisar de foco e concentração, de facilitadores que mostrarão caminhos possíveis para uma jornada, mas digo com toda certeza que uma cabeça arejada, com uma cachoeira e ar puro, ensina muito mais o que ela bem entender  do que o aprisionamento que a revolução industrial criou, mentes burras, formatadas, para criação de um capitalismo que nos separa ao invés de unir (poderia unir?)

Não sei se temos solução, se pensarmos que não somos únicos, fortes e estamos indo na mesma direção.
Queria deixar o peso do meu corpo, na mesa de um massagista, que tire todas as dores, impurezas, energias duras que carrego em  meus ombros.
Quero a leveza de poder perceber o sutil, no equilíbrio exato, com todos os chakras alinhados, num corpo com a força necessária para movimentar meus 50quilos, por músculos e órgãos que funcionem para sobrevivência em grupo. Não somos individuais, não devemos ser.
Quero viver entre homens que saibam usar a inteligência para o bem, ou que apenas pastem como vacas e não incomodem o mundo e o livre arbítrio. E que existam muitos "cristos" para lutar e que um dia o homem entenda o verdadeiro sentido da vida (explicar o inexplicável), sem crucificar, enforcar ou colocar na fogueira, sem poderes extremos para puxar a guilhotina, com a harmonia que precisamos para ser o AMOR, e que tenhamos a força e a coragem para chegarmos lá. Respira que tá tudo bem.

Por Beca Furtado

quarta-feira, 6 de abril de 2016

O mundo precisa de REIKI


Ficamos alguns dias sem postar porque estamos realmente passando por processos de mudança de vida. E, para isso, o virtual não cabe.

Mas vamos lá, porque também é bom despertar e plantar uma sementinha, nem que de açaí (que acho bem pequena) nesse mundo tão desacreditado e sem escrúpulos dos dias de hoje.
Não sei se realmente vivo numa bolha, se estou conhecendo pessoas diferentes, se meus amigos são os melhores do mundo, se todas as alternativas estão corretas, ou se realmente o planeta está mudando, o Brasil está mudando e vejo uma luzinha no fim do túnel.
Sabemos que, em todos os momentos históricos mundiais, depois do grande apogeu e ápice das civilizações, sempre veio o declínio. Lembro bem dessa aula de história, e da corcunda do camelo - ou seria dromedário? - que chegava ao topo... e caía bruscamente tempos depois. Os anos passam, a linha do gráfico fica estável, e depois de um tempo os homens acordam, tomam um Nescau e começam a crescer de novo. Lembram das cidades arruinadas na Alemanha? Estão todas lá, lindonas, como a segunda maior economia do mundo, segurando com unhas e dentes a Europa e o EURO 4 por 1.
Houvi/li também sobre o momento do nosso país, em que somos jovens na história (já que os índios não contam), ainda naquela euforia adolescente, em que os hormônios a mil se multiplicam e atrapalham sensações e sentimentos que afloram e morrem rapidamente.
Será que conseguimos sobreviver ao caos, sendo tão jovens? Acho que nessa idade, ou cortamos os pulsos ou construímos uma força tamanha que saímos do buraco a escalada, desbravando o lado escuro da força, de pés descalços e feridas ainda não cicatrizadas.
Como eu acredito na força do amor e que meus amigos são f. pra caralho, acho que sobreviveremos. Pelo menos os que devem sobreviver. Deixe que os leões se devorem, que rodem a baiana em pleno planalto. A ditadura já existe, não precisamos de golpe pra saber disso.
Mas não é sobre isso que quero escrever.
Ontem ouvi um grande amigo falar sobre amor: o máximo a você chamar de AMOR é conhecer de fato aquela pessoa. Quando você diz: eu te conheço, é porque entendeu lá no fundo o significado do amor. E nesse mesmo dia ouvi de uma amiga querida à milhas: Conheço até o formato da tua unha. Poderia te desenhar agora, cada dobra do seu corpo. Acho que ela me ama.
Assim como sei de seu cabelo, de sua unha, de como pisa e como engasga com os olhos que lacrimejam e a boca que suavemente morde os lábios.

Escrevo tudo isso pra falar de reiki, ou tentar falar. Porque REI significa "divino" e KI que significa "energia vital". E que conheci esse tal de "reiki" um dia quando caminhava na minha arborizada rua de um Porto um pouco mais Alegre. E aquelas senhoras empostavam as mãos perto do corpo de outras desconhecidas que eram convidadas a sentar-se em cadeiras colocadas no meio da calçada. Eles ficavam ali por alguns minutos. As pessoas saíam felizes e ainda ganhavam uma plantinha em um vasinho.
O que era aquilo que acontecia ali, na minha rua, tão perto e tão longe de mim?
Mas saía alegre/satisfeita ao ver a imagem, e a lembro com um sorriso do canto da face. 
E os anos passaram, e minha casinha continua lá protegida e bem cuidada pela minha irmã e sua energia boa.
E cá estou eu no Rio de Janeiro quando essa força, sem eu mesmo saber muito bem por quê, me chama. E diz para eu estender as mãos e curar. Curar os amigos, os desconhecidos, ou mais próximos, os "a distância", os do outro lado do oceano. Eu imagino uma luz dourada, e faço os símbolos que aprendi, peço proteção, rezo, lembro da face, da unha, do corpo e protejo todos aqueles que necessitam deste cuidado.
E penso que o MUNDO precisa deste amor, de conhecer ao próximo. De saber de fato como as pessoas andam, além do bom dia, tão simples, e mesmo ignorado pela maioria nas filas, caixas de supermercado, elevador.
Quero saber como você está, se precisa de algo. Talvez um abraço?
Li esses dias sobre uma profissão, acho que na China, que se ganha muito bem para abraçar os ursos. Sim, os animais também precisam de carinho no momento do abandono. 
Assim como crianças, que, em orfanatos americanos, e mesmo no Brasil, pedem ajuda para pessoas que tem tempo e um abraço de doação. Cuidar do outro, carinho, afago: é apenas disso que o mundo precisa.
Ser pego no colo, ganhar um pouco de atenção e receber AMOR.
O que ando aprendendo no REIKI é que a energia do mundo, esse DEUS maior, existe na forma que você quiser imaginar e acreditar. E que apenas somos canalizadores dessa energia; para que venha a terra com força e ilumine os seres com a maior frequência que os cientistas possam medir. Sim, porque precisa ser comprovado em laboratório, para que todos acreditem.
Mas enquanto isso, vamos levantar as mãos, abraçar por mais de 10 segundos (experiências científicas comprovam que pessoas que são abraçadas por mais tempo, vivem mais felizes e morrem depois dos 100).
Sim, o mundo tem cura, e não é um papo de quem quer mudar o mundo, é um papo de quem já está mudando.
E começa aqui dentro. Um abraço? 

por Beca Furtado

quarta-feira, 23 de março de 2016

Produzimos sonhos, viagens, filmes,

... e, de quebra, casais felizes e a mudança no mundo.


(na foto, Fábio e Roberta)

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Outro dia, numa dessas voltas pra descobrir o sentido da vida, me fizeram uma pergunta:

- Qual a sua arma secreta?

A gente sempre fica querendo responder tão bonito nessas horas como se a vida fosse uma eterna entrevista de emprego. Disse que eu era boa num monte de coisas. Não soube tangibilizar esse momento de tanta busca.

Acordei com essa foto e a ficha caiu pra mim.

Eu sempre tive o dom de conectar pessoas, e não acho que caiba modéstia aqui. Cada um é bom numa coisa, e eu sou péssima em ficar acordada de madrugada. Eu não sei me alongar direito. Não sei dirigir. Odeio esperar e minha memória já foi bem melhor.

Mas, olha... Vai ver eu sou mesmo ótima em colocar as pessoas certas em contato uma com as outras. Fico pensando que é uma coisa de olhar o próximo. Não há de ter sido a toa que eu tatuei no braço que a vida é a arte do encontro.

Ou vai ver mesmo eu sou uma apaixonada pelo amor.

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Era uma vez uma amiga, lá atrás, estava tendo um dia ruim. E era uma vez um outro amigo que estava vivendo um momento incrível. Eu tinha acabado de encontrar com ele em Vegas quando ela me ligou. Ele estava dando a volta ao mundo e ela estava vendo o mundo girar.

Nem tudo que acontece em Vegas fica em Vegas.

Eu só fiz o encontro acontecer. Eles foram lá e fizeram um filho.

Até hoje eles me agradecem por eu ter proporcionado o encontro dos dois quando, mal sabem eles, eu vejo essa foto e me sinto muito honrada de fazer parte dessa história. Vai ver ela já ia acontecer de qualquer maneira e eu só tive a chance de ser a fada-madrinha.

Vai ver chega uma hora da vida que a gente tem que pegar a bola e dizer pro mundo sair da frente que agora sou eu quem vou bater esse pênalti.

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Foi a segunda vez que eu tive uma oportunidade de fazer algo bonito assim. O primeiro casal segue junto, leve, lindo e feliz.

Vai ver eu sou mesmo boa nisso.

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Quem quer ser o próximo casal da Happiness Factory?