sábado, 3 de março de 2012

Tão bem


Lavou o rosto com água muito fria e riu ao se lembrar que nunca soubera se enxugar bem. Pequenas piadas internas, joguinhos que ela curtia brincar com ela mesma.

Esfregou com força os olhos de cigana dissimulada e fitou a cara cansada no espelho. Eram dez horas da noite e em quinze dias ela faria trinta e três.

Sorriu e se achou bonita por trás de todo aquele cansaço. O Retorno de Saturno lhe pesara tanto que no fundo, no fundo, ela estava bem melhor agora do que aos vinte e sete. A maturidade tinha trazido a calma. Hoje ela se sentia mais leve, mais bonita, mais feliz.

O que incomodava era aquele "Senhora". Ela não era uma Senhora. Não tinha cabelo de Senhora, não tinha cara de Senhora. Mas tinham dado pra isso agora: Bom dia, Senhora, obrigada, Senhora. Ela corrigia perguntando o porquê de toda aquela reverência e o interlocutor, constrangido, explicava ser somente uma questão de respeito.

Que me desrespeitem, pois. Ignorem os cabelos brancos da minha franja.

Eram dez horas da noite e em quinze dias ela teria trinta e três.

Que bom.

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"E ela me faz tão bem
E ela me faz tão bem
Que eu também quero fazer isso por ela".


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

You make me smile with my heart


De repente ela percebeu que estava feliz. Olhou no relógio, suspirou e sorriu ao se dar conta de que era terça-feira, que fazia um dia bonito e que mais 4 luas haviam se passado desde que ela havia submergido pra puxar aquele último ar antes de mergulhar de novo. Mais um mês no meio de todos aqueles em que ela tinha resolvido acreditar outra vez.



Já estava tão acostumada a vestir aquela máscara triste que sentiu uma ponta de medo no meio daquele amor: Talvez nunca tivesse acreditado tanto. Como essa felicidade havia sido anunciada e que perigoso isso de conseguir tudo aquilo o que sempre quis. Chegava a dar vontade de que fosse mentira: Ao menos assim ela não perderia a razão, pensou.

Era tão simples e era tão bom. Lembrou da frase da Clarice. Não, que nem ela nem ninguém se engane, só se consegue a felicidade através de muito trabalho, mesmo. Talvez o amor fosse preciso ser bem difícil pra ser bonito. Não sei. Ela nunca se encaixaria num comercial de margarina, mas eram tão bonitas as canções, eram bonitas. Mesmo e justamente por terem tido que errar tanto antes de aprender a fazer o outro feliz. Desapegar da forma e valorizar o conteúdo: Só assim, então, ela seria feliz, bem feliz.

.muito.

Ah, se ela soubesse antes. Teria errado tão menos. E com certeza não estaria tão bom.





Bendito 433.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Você passa eu acho graça



E, do outro lado da rua, lá estava ele. Havia muita fumaça e muita purpurina no ar, mas eu reconheceria todo aquele medo até de olhos vendados no meio de uma chuva de granizo, afinal.

Parecia triste. Cansado. Como havia envelhecido - pensei. E de repente eu senti de volta nos ombros cada um dos longos 9 anos que nos separavam daquele dia tão bonito, nós dois aplaudindo de mãos dadas o pôr de sol à beira do Guaíba. Parece que foi anteontem: O mesmo olhar distante, o mesmo sorriso tímido, o mesmo medo de se envolver. E agora todo aquele cansaço.

Quanta ironia. Tantos anos depois - cinco, seis? - e lá estávamos nós outra vez naquela mesma esquina, embriagados de confete, serpentina e daquele bendito líquido azul. Separados pelo mesmo Cacique. Aquele que foi um dia tão triste e hoje eu estava tão feliz. Porque eu nunca me esqueceria que foi bem naquela esquina que eu resolvi tirar você de mim. Quanto tempo perdido, quanto tempo passou. Mas hoje, no encontro de Rio Branco com Rosário, só me restava assinar o óbito desse amor tão bonito, desse amor tão maldito.

Não deixei ele me ver. A partida do amor que nunca foi seria suficiente pra deixar aquela tristeza ir embora do meu peito. Porque de repente tudo fez sentido pra mim. Então Isabella virou todo aquele sentimento num gole só e resolveu ser de fato feliz, agora nos braços do seu [novo] amor. E sorriu ao se dar conta de que queria ficar naqueles novos braços por muitos - e muitos e muitos - outros carnavais. Que era dali que vinha aquele sorriso, aquele calor, aquele suspiro e, principalmente, que era dali que vinha toda aquela paz, o tal amor tranquilo que sua amiga sempre falou. Quem diria que era por ele que hoje ela deixaria a terça-feira ir embora para todo o sempre de dentro de mim.

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E, pensando na música que fizeram pr'aquele outro amor de verdade, ela sorriu.

"É você que tem
o colo que eu
deito e descanso
E é tão teu
Meu coração aflito e manso"

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- Essa sua fantasia é de Alice?

- Hã?

- Essa sua fantasia é de Alice?

- Como assim, meu querido? Pirou? É de Branca-de-neve, né?

- Ué, mas então cadê os 7 anões?

- Tão em casa, dormindo, que amanhã cedo tem bloco. Hoje eu vim com o queijo. Alí, ó, tocando no samba.

- Ué. Tá traindo os 7 anões com um queijo? Achei que você era Branca de Neve e não a Magali.

- Sabe como é, tem muita Minnie por aí, preciso ficar de olho.

- Larga ele e vem embora comigo.

- Ah, mas não vou mesmo. Eu nunca estive tão feliz :)

- Tá feliz mesmo? Vai até dispensar os 7 anões? Tô achando você uma Branca de Neve meio fajuta. Aposto que nem sabe o nome de todos eles.

- Claro que eu sei (e conta nos dedos): Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso... Peraí. Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso. Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso. Porra. Tô esquecendo de um anão. Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso. Gente, como pode, tô esquecendo de um anão.

- (risos)

- Pára de me zuar, porra. Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso. Tá, desisto, vai. Qual que tá faltando?

- O "Feliz".

- [...]

- Minha filha, desculpa, mas acho que você tá precisando entrar pra análise.


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baseado em fatos reais.

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Aceita, gente. O carnaval acabou. Ou você aprende a ser feliz no dia a dia ou, como diria a plaquinha, leve o carnaval pra sua vida real.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Toda mulher hoje é um pouco viúva do Wando

Toda mulher se sente um pouco viúva no dia de hoje.

A viúva do Wando é a mulher tijucana que perdeu o seu amante, é a mulher [da] mordida, a mulher do esmalte vermelho descascado, a mulher dos quilinhos a mais, a lady na mesa e a louca na cama. A mulher do beijo doce e do puxão de cabelo. A Mulher Maravilha ansiosa pra que desamarrem o seu cinto mágico e desabotoem os botões do vestido dela. É aquela mulher chorando no canto da cama: Hoje, ela perdeu aquilo que ela nunca teve.

Porque só o Wando sabia como é que se deve tratar uma mulher. Como é que se faz a mulher se sentir a única, a mais gostosa, a mais especial. Como é que o cara ama e respeita a sua mulher pelo simples fato de que aquela ali é a mulher que ele tem. É com ela que ele fica feliz então ele vai fazê-la a mulher mais feliz do mundo todo dia. Porque, no fundo, o que toda mulher quer é um homem que a faça calar a boca.

Hoje chora o meu coração.
Hoje cada uma de nós queria ser aquela Moça.
Hoje toda viúva-negra se transforma em viúva-carmim.

Wando´s princess

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sobre as coisas

5 da manhã e essa insônia que teima em não ir embora. Talvez seja a hora de começar a falar sobre isso.

Fui assaltada num trem na Europa. Tá, eu não queria contar isso assim, mas acho melhor contar de uma vez antes que isso vire um câncer.

Justo eu. Tão espertinha, garota carioca, 32 anos de praia. Essa é a graça da coisa. A única. Foi a pior experiência da minha vida e eu estou há 3 semanas matutando se escrevia sobre isso ou não. A minha vontade de que esse post ajude alguém me fez sentar hoje nessa cama, no meio da madrugada, olhos bem abertos, e pensar: tá, Luana, é hora de falar sobre isso.

4a vez na Europa. Cidadã Européia e manjando tudo de trens, vôos lowcost, albergues, mapas e timetables. "Justo eu, que trabalho com isso" (com isso o que, gente?). E a frase que eu mais ouvi nesses 20 dias foi: "Poderia acontecer com qualquer um". É. Mas eu não queria que tivesse acontecido comigo.

Resumindo: Eu estava no fim da viagem e "não dava mais pra pegar avião". A mala vai ficando pesada, eu tinha um passe de trem: Pra quê gastar tanto dinheiro com um vôo, e daí que eu vou cruzar meia Europa - eu tenho um passe de trem.

Priorizei os trens Eurostar, claro, mais pensando no conforto do que em qualquer outra coisa. São bem mais rápidos, são bem mais confortáveis. E assim eu fui, Paris-Milão, Milão-Roma. Tudo certo, aqueles trens lindos, aqueles trens incríveis. Eu ia passar 24 horas viajando, mas e daí? Eu tinha um passe de trem.

E daí que eu estava indo até a Calábria e no último trem não havia tempo para Eurostar. Ou havia, sei lá. Eu poderia ter ido no dia seguinte, dormido uma noite em Roma, mas eu não quis. Tinha tantos motivos pra chegar logo, já dormiria vários dias em Roma na volta. Fui fominha, estava exausta, eram 4 meses fora de casa pelos mais diversos motivos e eu queria voltar pro Brasil. E por isso eu resolvi ir logo e entrei naquele maldito trem Expresso. Que não tinha couchette. E eu viajaria 9 horas sentada, num trem desconfortável, à noite.

Falando assim eu me sinto uma idiota, mas muita gente teria feito o mesmo. Você está ali, a mala, a estação. Você quer ir embora. Você mora há 32 anos numa cidade perigosa, é fim de viagem e você simplesmente acha que é mulher maravilha. Quantas vezes eu já tinha lido sobre isso? Várias, mas nunca dei a menor importância. Carioca tem essa mania de pensar que já viu tudo. E aí começa uma sucessão de erros que poderiam acontecer com qualquer um. Mas não comigo.

Eu fico pensando que o problema de quando você está aprendendo a dirigir não é quando você começa, mas justamente quando você adquire um pouquinho de confiança e pensa que já sabe - é aí que você bate. E aí que eu já estava na minha 4a viagem pelo Velho Mundo, tinha visto tanta coisa e, na boa, eu não sou uma idiota. Mas estava com muitas coisas de valor na mesma mochila. Que eu estava abraçada. Até a hora que eu dormi e a mochila não estava mais.

Eu não dou mole, eu sou bastante espertinha e eu não ostento nada. Eu nem tenho nada pra ostentar. Pois é, mas ali eu tinha. E perdi tudo o que eu tinha - ou tudo o que eu tinha de valor.

Acordar num trem no sul da Itália sozinha e se dar conta de que perdeu tudo é uma sensação que eu não recomendo a ninguém. Nem o meu pior inimigo merece experimentar tamanha solidão. E é por isso que eu escrevo, porque eu me dei conta de que ainda não tirei isso de mim. Porque acordo assustada. Porque não posso perder a fé nas pessoas. Porque eu fico virando e revirando cada minuto daquele dia tentando entender o que eu poderia ter feito de diferente. Eu poderia não ter entrado naquele trem. Só isso.

E de repente eu me vi sem passaporte e sem dinheiro nenhum num país que eu tento sentir que é meu, mas mal falo a língua. Nem no meu pior pesadelo eu conseguiria me ver assim. E nunca na minha vida eu me senti tão só. E não aguento mais me culpar por isso, ainda que eu saiba que eu não tive culpa, que eu dei azar de ter um ladrão no meu vagão. E eu sei quem foi e eu espero que seja quem eu acho que foi, porque eu quero que esse filho da puta morra. E eu não queria me sentir assim, queria deixar esse sentimento ir embora, mas eu ainda não consigo.

São coisas. E eu sou tão pouco apegada às coisas. Mas eram as minhas coisas. Era tudo o que eu tinha de valor. E eu sei que vou comprar tudo de volta. Mas eram as minhas coisas. Computador, câmera, ipod, passe de trem, dinheiro e passaporte. Quem viaja sem isso? Justo naquele dia eu esqueci de colocar a bolsinha do passaporte na cintura. E aí que estava num trem bizarro e não quis expôr a bolsinha ali. Poderia ter ido no banheiro colocar. Volta a história de quem está aprendendo a dirigir.

São coisas. Coisas vêm e coisas vão. Eu nunca pensei diferente. Mas estar sozinha num país estranho sem nenhum dinheiro pra comprar uma água faz você entender quem e o que você verdadeiramente tem. E parte de mim entende que no fundo foi importante passar por isso pra me reconectar comigo mesma, com os meus e com aquilo que verdadeiramente importa. Entender porque eu tenho um blog que se chama quaseindo e pensar até onde eu vou nessa minha vontade de entender quem eu sou. E acho que eu descobri. Então, o que são coisas? Eu perdi as minhas coisas, meu ex-namorado perdeu o pai, pessoas queridas perdem o filho. O que são coisas? São nada. Agora eu consigo ver que nada disso importa pra mim.

E quando eu mais precisei eu pude entender quem eu de fato tinha. Entender qual era a minha retaguarda. Eu nunca me senti tão sozinha, mas em nenhum momento eu me senti desamparada. Nos primeiros 30 segundos em que eu tive acesso à internet, tudo se resolveu. E uso esse post pra agradecer à Michelle, essa irmã que a vida me deu. Com ela a vida ficou mais divertida e, depois dessa, mais segura.

Além disso, no momento em que eu mais precisei, eu conheci pessoas incríveis, que me deram o colo e me deram a mão. "As grandes almas sempre se encontram" ou a vida é a arte do encontro, certo? Eu nunca poderei agradecer o suficiente aos dois. Pessoas que te conhecem quando você não tem nada pra oferecer além de toda a sua tristeza e toda a sua desilusão. Toda a ajuda que eu tive - emocional, principalmente, porque o $ pouco importa - foi fundamental pra eu não enlouquecer.

Eu não contei isso antes porque não dava pra mim. Mas a verdade é que minha família e meus amigos foram a minha retaguarda emocional, que é o que importa. Segurar pra não cair. Porque o resto, eu nunca pensei que não ia resolver. Volto a dizer: eu me senti sozinha, mas nunca me senti desamparada. Entendi o que eu tinha, entendi o que eu não tinha e entendi o que eu ainda não tinha, mas precisaria ter. Basta colocar a cabeça na linha reta, respirar fundo e fazer o que tem que ser feito. Em poucas horas, graças ao Western Union, ao meu pai e à minha Conhada, eu estava com $ na mão.

O passaporte foi pior. O consulado brasileiro em Roma é um lixo. Um telefone que ninguém atende, um email que ninguém responde. Eu estava sozinha, sem passaporte e sem $ nenhum. No sul da Itália. Sou uma cidadã de bem, pago os meus impostos em dia pra sustentar a farra do boi que é a vida consular fora do Brasil. E até hoje não responderam meu email.

Ainda fico um pouco triste porque minha viagem foi tão linda. Encontrei e conheci pessoas incríveis. Comi, rezei e amei. Não aprendi a esquiar, mas bebi vinhos tão bons. E ficou essa coisa pesada e agressiva no final que vai fazer essa viagem sempre ser "a viagem em que eu perdi todas as minhas coisas". Mas fica a experiência, né? E é isso aí: São coisas. Coisas vem e coisas vão. Nada disso importa pra mim, ainda que fossem as minhas coisas (e as minhas músicas, e as minhas fotos)... Hoje vejo que precisei chegar até aqui pra entender isso.

E vai passar.
A tristeza e as coisas.
Nunca a minha retaguarda.
E nunca a minha gratidão.

Por isso, meninas, cuidado. Sim, meninas, porque com a gente é sempre pior. Não relaxem. E não entrem nesse trem.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Côncavo e convexo

Eu morro de medo de que o mundo acabe.

Pensei em mil formas de te contar isso de um jeito mais bonito, mas a verdade é essa: Eu entro em pânico cada vez que eu penso que podemos estar chegando ao fim.

Leio tudo sobre os Maias e seu fatídico 21 de dezembro, Nostradamus, bomba atômica e relógio do apocalipse. Sinto uma mistura de medo e excitação ao pensar que cada uma daquelas vezes poderia ter sido a última e que toda essa nossa insegurança não passa mesmo de uma grande bobagem. Me dá vontade de sair correndo e te arrancar um beijo no meio da chuva. Sorrir de um jeito que eu pareça linda e suspirar tudo isso que você guarda no peito. Não dormir e acordar ao seu lado, daquele jeito que a gente combinou. E esperar o fim do mundo vendo enroscar as nossas meias, tomando Danete e [te] fazendo cafuné.

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E aí me deparei com essa fofíssima matéria aqui que me deixou pensando. São essas as 5 coisas que as pessoas mais se arrependem antes de morrer:

1. Não de ter tido a coragem de viver uma vida fiel a si mesmo em vez de atender as expectativas dos outros.

2. Ter trabalhado demais.

3. Não ter tido a coragem de expressar os sentimentos.

4. Ter passado menos tempo do que deveria com os amigos.

5. Não ter permitido a si mesmo ser mais feliz.

Soco no estômago, meu bem.

Depois dessa, só me resta pensar que o mais sensato a fazer seria a gente ser feliz pra sempre a partir de amanhã, antes que o amanhã acabe.

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Faltam 8 dias pra amanhã.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Pela atenção, obrigada


E lá se vai aquele que provavelmente foi o ano mais difícil da minha vida.

Em 2011 a gente riu (pouco, mas riu), se abraçou (muito), sonhou (muito mais) e aprendeu debaixo de muita porrada, que é assim que se aprende lá em casa.

E o mais incrível é que me resta dizer: Muito obrigada pela oportunidade e por cada uma das cicatrizes. Elas são a prova de que sobrevivemos à queda.

Então, no fingir dos ovos, queria te dizer que, já que não tenho 7 ondas pra pular, esse ano resolvi não pedir e não prometer nada. Quero que continue assim, lindo, mas que consigamos ver a vida de um modo menos dolorido, aproveitando toda essa nossa dor e toda essa nossa delícia.

E que o mundo não acabe em 2012 pois ainda temos muito o que brindar.




E essa minha estranha mania de matar a vida no peito...

E que 2012 seja doce, seja bonito e que o Caio nos faça cada vez sentirmos nós mesmos. Porque o que viemos fazer aqui nesse mundo foi buscar um sentido.

<3


"Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.

Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?

A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?

E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”

Caio.

ou ainda




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Já tinha um post programado pro dia de hoje, que vai aparecer a qualquer momento por aí. É que achei bonito demais isso tudo e precisava botar pra fora.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Então é Natal...


Eu sempre achei que eu não gostava de Natal.

Quer dizer: Mentira. Qual criança que não gosta de Natal? Nunca ouvi falar.

Mas faz tempo que eu passei dessa fase. Da época das rabanadas roubadas à beira da mesa e das nozes quebradas no canto da porta. Os primos correndo eufóricos pela sala. E a magia da árvore de Natal.

Era maravilhoso quando, mesmo já sabendo que Papai Noel não existe, a gente ainda não tinha noção da finitude das coisas. A doce impressão de que aquela boneca duraria para sempre. Nada era impermanente e eu acho que nunca fui tão feliz quanto eu era naquelas noites de Natal.

Me lembro de chegarmos sempre atrasados à casa da minha Tia Marília: Meu irmão, minha mãe e eu. Depois veio a Clara e ainda assim nunca conseguíamos chegar na hora. Da porta eu podia ouvir - e ouço agora, no andar de cima - a gargalhada dos meus primos.

Lembro também da primeira vez que ouvi a frase "Natal é uma data muito triste" e não pude na época entender porque. Não sabia ainda que essa é a hora da saudade. Porque quando a gente é criança estão sempre todos ali e, se por acaso a saudade bater, basta um abraço apertado pra saudade ir embora. Mas hoje, 32 anos nas costas, penso que há mais de 10 o Natal virou a ausência daquele abraço e se tornou o dia em que eu não tenho mais a minha avó na cadeira de balanço e o meu avô me amando incondicionalmente com aquele copo de vinho na mão.

O Natal perdeu a graça quando os primos cresceram e meus avós foram embora. E hoje aquele abraço era o único presente que eu queria e, que ironia, a única coisa que dinheiro nenhum pode comprar.

Por tudo isso, pensei que não gostava de Natal. Até hoje. Até eu decidir passar o Natal sozinha na fria e charmosa capital francesa. Vir pra cá foi a escolha pelo silêncio. O Natal da reflexão, dos rabiscos no caderno, o Natal dos queijos e vinhos, o Natal do facebook. Que idéia genial e idiota essa minha de passar o Natal sozinha na Europa. Dava tudo pra tocar agora a campainha do 203 e virar a melhor surpresa da noite. E dizer a cada uma daquelas pessoas o quanto as amo e perceber o quanto eu me importo com o Natal. Mas a verdade é que eu precisava da minha companhia - e só dela - nesse Natal.

Porque Natal é o renascimento, é a hora de avaliar as mudanças no ano que passou. Se preparar para um novo ciclo que começa em 7 dias. Esse foi o ano mais difícil da minha vida e talvez aquele em que eu mais tenha aprendido. E é preciso olhar pra dentro e assimilar todas as mudanças. E por isso, após 33 vezes ter passado o dia 24 na companhia das pessoas que verdadeiramente importam, eu resolvi concentrar todo o meu amor e dar de presente pra pessoa que é a mais importante no mundo pra mim: Eu mesma.

Feliz Natal, Luana.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo*



Lá fora faz 2 graus.
E você não imagina o calor que eu sinto aqui dentro.

Ficamos então combinados assim: ‎"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro".

Porque às vezes só mesmo a Clarice pra esquentar o coração nesse dia frio, pra ter certeza de que estamos no caminho certo, ou, pelo menos, pra acalmar toda essa ansiedade que eu sinto de nós.



*Saramago.