quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

de outrora

A menina só queria brincar de casinha
E o menino só conseguia ver a sua bola
Então viveram cada um na sua esquina
E era assim que era pra ser

Só que a bola resolveu estragar a brincadeira da menina
E como o pai dela não estava mais em casa
A menina foi lá pro muro chorar sozinha
E o menino, que achava que o mundo era só sua bola
Não foi lá pedir desculpas pra menina

A menina cansou de esperar pelo pedido
Só que em vez de ir lá furar a bola do menino
Resolveu ir brincar de ser princesa
Num reino onde as meninas eram sempre felizes
Porque as bolas não conseguem destruir os castelos.

O mundo do menino era sua bola
O mundo da menina era o mundo todo.
Murcha a bola, murcha o mundo do menino.
E a menina?

A menina já estava brincando de ser feliz pra sempre sem aquele menino.

México, 22/07/2006

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

dois eles.

Era uma vez uma menina bem legal.

Só que ela queria se chamar Juliana, ou Isabella, com dois eles. Mas a mãe dela gostava mesmo era de nomes que remetessem aos tempos que a mãe dela morou perto da terra. E o pai dela não estava em casa, então foi assim.

Perto da terra tem formiga vermelha que pica e dói. A menina não gosta de perto da terra.

A menina que queria se chamar Juliana ou Isabella com dois eles era divertida, companheira, e até bem boazinha, às vezes. Mas às vezes não. Ela até que tentava ser só legal, mas os meninos da rua de baixo sempre que queriam chutar o castelo de areia da menina. E aí a menina só pensava em enfiar o dedo dentro do olho deles pra doer até gritar. E aí era bem mais legal.

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Se eu só lhe fizesse o bem
Talvez fosse um vício a mais
Você me teria desprezo por fim
Porém não fui tão imprudente
E agora não há francamente
Motivo pra você me injuriar assim
Dinheiro não lhe emprestei
Favores nunca lhe fiz
Não alimentei o seu gênio ruim
Você nada está me devendo
Por isso, meu bem, não entendo
Porque anda agora falando de mim...

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Tava há tempos pra me aventurar por aqui. Aguardem.