quarta-feira, 25 de junho de 2008

não, não te quero mais

eu só precisava ser surpreendida por você.

não sei porque, já que você nunca disse que faria isto, não me deu garantia nenhuma, nada. você nunca disse que me queria, mas eu sempre fiz questão de ouvir nas suas entrelinhas.

mas aí a gente se beija e eu aí quero me perder entre seus lábios para sempre. e por isso sigo acreditando na gente ser uma possibilidade. pode ser teimosia, certamente é burrice.

outro dia me peguei pensando que não sabia qual sua cor preferida. e é triste e muito estranho concluir isto depois de tanto tempo. uma coisinha tão pequena, mas que naquele dia me doeu. tanta história vivida e tão pouco envolvimento. uma história que ficou sem coragem de se desenvolver.

escrevo então pra te dizer que estou cansada. que já não sei se sou apaixonada por você ou pela história que eu inventei pra mim mesma porque queria viver uma puta história de amor. estou cansada de ficar imaginando este lindo caminho pela frente sozinha. queria você no meu dia-a-dia. queria mais. queria conhecer sua vida, fazer parte dela. queria viver uma história. acredito nela. penso nela. penso em acordarmos juntos num domingo de sol e passarmos o dia cozinhando, lendo o jornal, rindo. descobrindo juntos quais os vinhos mais incríveis, perdendo horas e horas no fundo dos teus olhos pra entender o que é afinal este mistério que você tanto guarda neles.

e de tanto te querer, descobri que não te quero mais. que pra preservar este amor é preciso praticar um quase não-amor. sinto muito, mas não quero mais com a cabeça bem tranquila de quem sabe que fez o que podia. agora chega.

passar bem.
Isabella

::

simples assim.


terça-feira, 24 de junho de 2008

sobre a menina que mais acreditava no amor

não é que ela não acreditava mais no amor.

é que ela acreditava tanto, mas tanto, que ela sabia justamente o valor que amar tem. e por acreditar em toda forma de amor, ela sabia que às vezes o amor vinha com outras caras. que podia vir na forma de amigo, na forma de primo, na forma de um moço que tocava uma música bonita ao longe.

a única coisa que ela tinha certeza é que amor é amor enquanto durar o amor. e amor não dura para sempre. amor dura enquanto se acreditar no amor. pode ser um ano, dez, oitenta, uma noite. ainda assim vale, ainda assim é amor. mas só é amor se for amor.

e que o amor às vezes é paixão e ainda assim não deixa de ser bom só porque o sobrenome não é amor.

o problema é que as amigas delas cresceram, assim como ela, ouvindo que eram princesas imaculadas e que pra ser bom mesmo o príncípe tinha que matar um dragão por dia. que o reino só servia se fosse encantado, imaculado, com flores, cheiro de jasmim e música no ar.

não é que ela não queria viver num reino. ela até sabia que ia mais dia menos dia viver nele. mas ela também sabia que a música quem toca somos nós, e que as flores muitas vezes demoram a chegar. e que não é isso que faz do reino um lugar bom de se morar. bom mesmo é aquele reino construído nas batalhas, a quatro mãos. e que às vezes os reinos são conquistados de maneiras inesperadas, mas ainda sim são felizes os reinos.

e por acreditar tanto assim no amor, ela foi pra sempre aquela amiga que não acredita mais no amor.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

bilhete escrito num guardanapo de outrora


the ship didn´t came.

I was waiting for it, hopefull, but it never showed up. blame on me: why should I always believe things will work out in the end? sometimes the ships just don’t come, and the only thing that lasts is my endless and stupid hope.

I’ve tried, and this feeling almost makes me feel “I did my best”. bullshit. what I really wanted was to spend the rest of my life by your side. and you had the courage to tell me you’re afraid of diving on it. who’s the most stupid here? You or me?

I am sure I have kinda responsibility on it. I was supposed to give it up a long time ago but I just didn’t. I kept believing on it and now I’m disappointed like a small kid staring at the sea, dreaming something big is gonna happen. waiting for a enormous love that might be coming pretty soon, but this soon never come. I should have accept the ship wasn’t coming.

nevermind… I’ll be ok pretty soon. not so sure about you.

and this is the exact moment I’m giving up.

sobre o aqui e o agora

"A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais.

[...] A vida das gentes neste mundo, Senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; Pisca e brinca; Pisca e estuda; Pisca e ama; Pisca e cria filhos; Pisca e geme os reumatismos; Por fim pisca pela última vez e morre.

- E depois que morre? - perguntou o Visconde.

- Depois que morre, vira hipótese. é ou não é?

(Monteiro Lobato)

quarta-feira, 11 de junho de 2008

quase indo.


a primeira coisa a ser dita é: todas as pessoas que conheço deveriam, por favor, fazer esta viagem. nenhuma desculpa é possível: basta se organizar e ir. simples assim. poucos dos meus amigos tem filhos ou uma relação que nos impeça de realizar os sonhos. portanto, paremos de inventar desculpas que nos bloqueiem e sirvam de álibe para uma vida que não é exatamente a que gostariam. querem fazer algo? mas querem muito? então vão. simples assim. é só uma questão de prioridade. quanto de dinheiro vocês podem juntar por mês? 500 reais? 100 reais? ótimo. calcule o tempo que você precisa se planejar e juntar $, se organize, e vá.

viajar para a Europa amplia os horizontes de qualquer um. mas isso precisa ser feito com o coração aberto e disposto a aceitar as diferenças de cada lugar. parece simples e deveria ser óbvio, mas não é. muitas pessoas fazem uma viagem destas e voltam exatamente do jeito que sairam. não se sensibilizam com aquilo com o que entram em contato, não se emocionam, não transformam nada dentro de si. e isso, meus queridos, eu fiz muito. foi inevitável, por alguns momentos, sentir as lágrimas tentando se libertar do o corpo que tanto as reprime. estamos cada vez mais aprendendo a sermos “adequados” sem nos questionarmos muito a origem de tantas regras e costumes que só tentam nos enquadrar numa série de pressupostos que não são nossos. nos tornamos sérios e objetivos e passamos a dar valor a coisas que deveriam estar definitivamente em segundo plano.

é muito comum ouvirmos os amigos que voltam de uma viagem destas dizendo “agora que eu fiz isso, sou uma outra pessoa”. sempre acreditei que isso acontecesse, mas nunca entendi realmente o porquê. simples. entrando em contato com culturas radicalmente diferentes da sua e tendo maturidade para perceber algumas destas diferenças, você tem a oportunidade de ampliar seus horizontes e ver o mundo de uma nova maneira. entender que nossa cultura tem muitas coisas legais, mas que há muito a melhorar, também. procurar perceber de que maneira podemos nos apropriar de algumas destas características de cada lugar e transformar nosso dia-a-dia aqui. reconhecer o que é afinal que temos de melhor e valorizar cada vez mais a nossa casa, a nossa história, a nossa gente.

além disso, é muito muito bom nos distanciarmos um pouquinho da nossa vida como ela é pra podermos, olhando de longe, analisarmos o que vai bem e o que deve ser mudado. e isso a gente só consegue fazer quando se afasta, não adianta. vendo “de fora” a gente encontra dentro da gente, inclusive, forças pra definir o que quer e o que não quer pra nossa vida. como se a gente precisasse deste motivo pra tomar uma decisão que já podia ter sido feita há tempos, mas que não rolou porque precisamos da interface do “ser um motivo especial”. mas que seja, pelo menos. e que boa que é esta sensação de que a vida está andando. recomendo.



“voltar é uma ilusão. estamos sempre indo”.

planejando

o tempo necessário pra viajar varia da sua disponibilidade. o ideal são pelo menos 20 dias, sendo 30 bem melhor e 60 perfeitos. parece difícil conseguir tanto tempo sem trabalhar, mas mais difícil ainda é conseguir fazer isto de novo. então provavelmente vale a pena dar um jeitinho aqui, outro ali, pedir pra alguém te substituir etc etc etc e aproveitar ao máximo. acredite: por mais que 2 meses sejam dedicados a isto, quando a viagem estiver acabando, vai parecer pouco tempo. sempre há mais a ser visto, vivenciado, sentido. mais um museu, mais uma cidade, mais um bar. e dói ter que ir embora sem saber quando é afinal que você vai conseguir fugir outra vez.

passamos por 7 cidades em 5 países em 39 dias. queria ter feito muito mais, conhecido Berlim, Praga, a Grécia. queria não ter voltado. mas... ficar lá fazendo o que? pense nisso quando a vontade de ficar lá pra sempre bater. e ela vai bater muitas e muitas vezes. a possibilidade de trocar a violência e o descaso brasileiros por uma qualidade de vida baseada no respeito ao cidadão é tentadora. mas ela passa, dando lugar à sensação de que o Brasil é muito mais legal desde que continuemos vivendo dentro da bolha e sonhando ir pra lá outra vez – afinal, ainda faltaram Praga e Berlim.

optamos por ficar mais tempo nos lugares pra conhecermos as cidades em profundidade. Nas condições que tínhamos, sem tanta grana pra gastar e, principalmente, querendo ENTENDER qual é afinal a de cada cultura, acredito que fizemos o certo. penso que temos a vida inteira pra conhecer pontos turísticos muito óbvios, “que não vão sair de lá”, mas só agora pra curtir a juventude no local. claro, fomos a vários pontos turísticos e isso foi incrível, mas bom mesmo é poder aproveitar a cidade sem a obrigação de ir a 27 museus por dia. aliás, pelo amor de Deus: NADA DE IR A MAIS DE UM MUSEU POR DIA! NEM PENSAR! é cansativo e, principalmente, você deixa de desfrutar os locais. calma! a Europa não vai sair do lugar. escolha aquilo de que você não abre mão de jeito nenhum e deixe o amanhã pra mais tarde, como diriam os já saudosos Los Hermanos.

o ideal é pelo menos 4 dias em cada cidade. menos do que isso, você ainda não vai ter entendido como se locomover na cidade, vai estar cansado da viagem (cansa!), não vai ter tempo de conhecer ninguém e vai ficar fazendo programas turísticos demais. mais do que isso... depende da cidade. quanto tempo é necessário pra conhecer Paris e Londres? uma vida, né?! aí vale julgar quanto tempo você tem no total e se vale a pena ficar mais ou menos tempo em cada lugar.

voltando às origens


5 dias em Roma. talvez, precisando economizar tempo, 4 teriam sido suficientes. é muito linda, interessantíssima, tem muitos pontos turísticos, mas não tem vida noturna. é bem caro comer em Roma. a boa é comprar algo no supermercado e fazer no albergue e aceitar a idéia de que você pode viver de sanduiches. faça versões incrementadíssimas e seu problema está resolvido. e veja se no albergue onde você vai ficar não tem pasta ou pizza de graça à noite. Jà resolve uma refeição. o nosso, Hostel Alessandro downtown, tinha uma massa safada que quebrou um galho.

aliás, onde ficar é um mistério, mas ficar perto do Vaticano não é uma boa opção. é como vir ao Rio e ficar em Niterói. o nosso era legal por ser perto da Termini, a estação de trem, evitando grandes deslocamentos com a mala. além disso era bem legal de transporte, supermercado etc. o centro de Roma é do tamanho de copacabana, qualquer local serve.

dica: beba muitos muitos muitos muitos vinhos a 4€. você nunca mais vai ser tão feliz assim.

1 cerveja (birra) = 5€.

ah! E sempre, sempre, sempre, tenha uma garrafinha de água na mochila. cuidado para não desidratar.

obs: os tênis mais baratos da Europa são vendidos na Itália.

compramos um Roma Pass, que dá acesso a 2 atrações de Roma de graça e as outras com desconto. e você ainda pode usar o precário sistema de transportes de graça. é bem legal por isto, não valeu TAAAANTO a pena nos museus. na verdade saiu o mesmo preço e ganhamos o transporte de graça. vale por isto. Custa 20€ e você pode usar por 3 dias.

imperdível:

Coliseu: o melhor lugar para fazer fotos de todos os tempos. euros Incrível. dedique parte do tempo a ler as plaquinhas explicando cada parte pra entender. filas enormes, tenha paciência pois você está no Coliseu. grandionso, maravilhoso. com o ingresso você ganha entrada pro Paladino, que foi onde Roma foi criada. este é legal, mas dá pra entender pouco. é um bom lugar pra deitar na grama e pensar na vida. 8€.

Vaticano: Basílica de S. Peter, Musei Vaticani (11€, a Capela Sistina fica dentro)

Foro Italiano: de graça, incrível, o lugar onde mais sente-se na itália antiga. cheio demais.

monumento Vittorio Emanuele: perto do Forum, legal pra ver a cidade de cima e fazer fotos do Forum.

Piazza Spagna: cheio de jovens no fim de tarde, vale ir lá tomar um gelatto e ver pessoas. só turistas. onde ficam as únicas lojas legais da cidade. uma região bem cara, tipo Leblon.

Fontana di Trevi: esqueça as pessoas te esbarrando e você estará tomando um gelatto no lugar mais lindo que você ja viu. aliás, tome muitos gelattos em Roma pois custam 2€ e são os melhores que você já tomou.

Castelo de Santo Angelo: é lindo, mas não entramos. foi mais pra ver e fazer fotos de um castelo.

Piazza Navona: linda, legal ir no fim de tarde ver pessoas. Bem caro comer ali.

Basilica Santa Maria degli Angeli e degli Martiri: perto da Termini, foi projetada por Michelangelo e é imperdível. tem um orgão muuuuuito impressionante e é foda. vale muito e os prédios são lindos em volta.

Trasvedere: o bairro judeu, bem legal, comemos uma pizza muito boa. aliás, por toda Roma se come pizza a taglio (a quilo) muito boa, sabores interessantes, quadrada e barata.

Via Cavour: nada demais, mas legal de andar e ver comércio e pessoas. meio Av. N. Sra Copa, centralzona.


VENEZA – passamos 2 noites. chegamos à noite, fomos embora à 1 da tarde. 1 dia inteiro é suficiente pra conhecer bem. a cidade é linda, linda, linda, mas é um turismo meio “terceira idade”. ruazinhas lindas, pontes sobre canais, que vão dar em ruazinhas lindas que acabam em pontes sobre canais. depois de 8 horas vendo isto, estávamos satisfeitas. outra coisa é que é uma cidade caríssima! não há opção de comida barata, então é bom ir, curtir, e ir embora. se tiver um trem na mesma noite, aí é perfeito. Chegar de manhã, deixar a mala no locker da ferrovia, passar o dia em Veneza e pegar o trem pra ir embora na mesma noite. perfeito!

nos hospedamos no BB Rota: uma merda. não parecem haver hospedagens interessantes em Veneza. talvez seja bom ficar pertinho da ferrovia pra evitar o bizarro sobe-e-desce nas escadas com mochilão. há um HH pertinho, pega-se um acquabus, o que não é o fim do mundo. 5 minutos da ilha dentro do barco e compensa pelo preço: 20€ por noite (o nosso foi 35€ e era a 2ª opção mais barata). este HH tem curfew e isso é uma merda, mas de qualquer forma as luzes todas de Veneza são apagadas as 23h, então o curfew não faz diferença.

imperdível:

Ponte Rialto: onde podemos ter ma idéia de como é Veneza e fazer fotos clássicas.

Piazza San Marco: onde tem a igreja mais linda que vimos. a arquitetura toda do local é foda. a noite tem concertos de violino, valem muito a pena.

Bacaro Jazz bar: a 100 mts da ponte Rialto, mais ou menos. um bar de Jazz com decoração de soutiens de todas as partes do mundo. os garçons dizem que são de clientes que vão tirando e dando de presente pra aumentar a coleção. música muito boa. Endereço: S. Marco 5546.

Mercado de Peixe: se você tem um interesse mínimo por culinária, vai enlouquecer. muitos tipos de muitas coisas. legumes lindos, cenográficos. rende boas fotos e risadas melhores ainda. grátis. a noite, após as 23h, nesta região, ficam os únicos bares abertos da cidade.


FLORENÇA: linda. 30% de todas as obras de arte do mundo estão nesta cidade. a cidade é maravilhosa, apesar de ser um turismo bem “meia-idade”. não há muita vida noturna, então optamos por ficar só 2 noites também. foi o suficiente.

nos hospedamos no HH Villa Camerata, que fica a uns 20 minutos do centro no ônibus 17. bem careta, grandão, meio bizarro, sem muita agitação. mas vale a pena porque é bem barato (18€). tem a cerveja mais gelada do mundo e um café da manhã sarapa. É no meio de um vinhedo, num bosque verdinho, tem uma grama agradável... ou seja: tinha tudo pra ser o lugar mais lindo e é bem careta.

imperdível:

David, de Michelangelo: organize-se pra não perder de jeito nenhum. é linda demais. fica na Academmia, onde também estão os prisioneiros de mármore do mestre. não pode fazer fotos, mas eu, obviamente, fiz. lindo, lindo, lindo. 8€.

Il Duommo: igreja toda de mármore, fodaça. impressionante, parece ilusão de ótica. não fomos no domo, porque era pago e a fila era enorme. em frente fica a Porta do Paraíso, toda de ouro, impressionante.

Galerias Uffizi: 2 horas e 15 minutos na fila pra ver a Venus de Boticcelli. o quadro (assim como “A Primavera”, do mesmo mestre) vale, mas a fila foi insuportável.

Ponte Vecchio: incrível. grátis.

I amsterdam


Esqueça tudo o que você pensou a respeito. Não é nada, nada, nada disso. A cidade é maravilhosa e a parte menos importante é que a maconha é liberada. Não que sejam informações contraditórias, mas associar Amsterdam ao uso de drogas é como achar que o Rio de Janeiro são mulatas tomando sol em biquinis asa-delta na Praia de Copacabana. Uma ignorância. É realmente a capital da liberdade: você pode usar drogas, sim, desde que este teu direito não ultrapasse os limites do direito do seu semelhante. Se seu semelhante for uma criança, ele tem o direito de não ter contato com o seu direito, pois faria mal a ele. Logo, você não pode – MESMO – utilizar drogas onde este semelhante está. Nem pensar. Local de usar droga é no coffee shop. Ou em parques, desde que o exercício do seu direito não incomode ao próximo.

Lembre-se: o uso de drogas não é LIBERADO e sim tolerado. A polícia tem mais o que fazer e não vai ficar perdendo tempo dando dura em usuário, desde que ele não incomode o próximo. E nem pense, nem mesmo pense, em levar algo na mala quando voltar. É um sonho que deve ser vivido lá e nada mais.

Passamos 5 dias lá. Talvez 4 fossem suficientes. Mas não chegou a incomodar, só sentimos que perdemos um dia em outra cidade. Mas ok. É que depois de 3 dias naquela cidade limpa demais, organizada demais, com gente bonita demais, “deu”. Foi ótimo, só não precisava mais. Não há tantos museus nem noite que não seja clima “drogas”. E a noite é bem pesada, principalmente no Red Light District, que é o bairro onde ficam as prostitutas. Ah, sim! A prostituição é regulamentada lá. É interessante ir ver, mas eu achei bem pesado o clima SEXO E DROGAS do bairro.

O transporte é interessantíssimo. Há 400 mil bicicletas circulando pela cidade, mais do que 1 para cada 2 habitantes. Cuidado, portanto, pois parece que o ciclista, e não o pedestre, é quem manda por lá. Não há desnível entre a rua e a calçada e a ciclovia está na cidade inteira. Sem querer, mil vezes por dia, você estará no caminho de um ciclista velocíssimo. O transporte coletivo é feito por trams, uma espécie de bonde que anda por trilhos no chão. E eles andam em altíssima velocidade e passam o tempo inteiro. Procure comprar próximo a estação central de trem um stripe, que é um cartãozinho que serve como passe de tram e pode ser usado varias vezes por mais de uma pessoa. Custa 6€ e dá pra 7 viagens.

Nos hospedamos no STAYOKAY VONDELPARK, que é lindo, em frente ao parque, organizadíssimo, com o melhor café da manhã de toda a viagem. E bem careta até. Achamos isso bom, meio que num clima “onde se ganha o pão, não se come a carne”. Não se pode usar NENHUMA droga no albergue, o que foi meio chato pois estava um frio da porra e queriamos tomar um vinho no sofá quietinhas. Mas pode beber no bar do albergue, uma cerveja a 3 euros mais ou menos. Tem um horário de happy hour com bebidas a 50%, é legal se planejar pois assim você pode conhecer a galera do albergue também.

Ah, sim! Procure interagir o máximo possível com a galera do albergue. Façam programas juntos, conheça outras culturas, abra sua cabeça. É o melhor da viagem, se dúvida.

1 cerveja (beer, todo mundo fala inglês) = 5€

Imperdível:

Voldelpark no fim da tarde – free

Van Gogh museum (10€, se comprar no albergue é um pouquinho mais barato e você evita filas, o que é ótimo)

Rembrant huis ou Rijksmuseum – fomos no 2º, dizem que a casa do Rembrant é legal também, mas escolhemos o outro. Mesmo preço acima.

Heineken Experience – Parece show de mulatas, mas é legal. Por 10€ você conhece a história da cervejaria amsterdã (a-ha! Você também não sabia que era de lá!!!) e ganha 3 cervejas geladíssimas e 1 brinde. Dura umas 2 horas e é engraçado.

Coffee shops – Tem que ir e entender. Mesmo sem usar nada, até porque NÃO VENDE BEBIDA ALCOOLICA LÁ. 1g = 12€. Deu pra 1 pessoa 4 dias fumando algumas vezes por dia. Eles vendem também um cigarro de haxixe e tabaco por 4€, dizem que é uma merda. Quem diria que eu ficaria dando conselhos desta natureza.

Magic Mushroom – Lojas de cogumelos. Muito legal ir e ver. Não usamos pois não foram necessários, mas é legal ir ver e o cara ainda te dá uma aula sobre cogumelos, qual é melhor em que (visual, sensorial, pensamentos etc). Bem interessante.

london bridge is falling down


depois do atentado de 11 de setembro e a rigidez contra a obtenção de vistos para os EUA, Londres voltou a ser o most wanted destiny dos caçadores de novidades e tendências do mundo. Londres é uma capital que pulsa o tempo todo e impressiona pela oferta de atrações e pela convivência permanente das diferenças. se esta é pacífica ou não, é uma incógnita. ou não.

mas o fato é que as diferenças existem e isto já faz a capital inglesa uma cidade interessantíssima e destino certo dos que querem saber o que há de novo no mundo. pubs, bares descoladíssimos, museus gratuitos, a comida horrível, a monarquia, o melhor sistema de transporte do mundo.

sobre o transporte, aliás, tenho observações especiais. a idéia de viver em pounds é asssutadora, mas contornável. ficamos em pânico quando soubemos, por exemplo, que uma passagem de metrô custa 4£, que equivalem a 9 reais. mas descobrimos rapidamente o cartão Oyster, que funciona como um cartão recarregável. há duas possibilidades: você pode depositar um determinado valor nele e “ir gastando” ou pagar pelo passe semanal, que custa 23£ e pode ser usado à vontade em ônibus e metrô. esta última foi, sem dúvida, a melhor opção.

esqueça a idéia de comer bem em Londres. a comida é horrível e cara. Pagar mais não significa AT ALL comer bem. e descobrimos que é possível encontrar até Yakisoba ruim. restam duas opções:

- comprar comida e fazer em casa, que sempre funciona e é fácil encontrar comida de qualquer lugar do mundo;

- sanduíches de supermercado, a grande surpresa da viagem. há em todos os cantos bons supermercados com seções “to take away”, que vende comida quase boa e bem barata. um sanduíche custa menos de 3£: bom e barato. bonito... aí já não sei.

ficamos na casa do Bernardo, meu amigo de infância, o que foi ótimo pois parece que os hostels de Londres são caros e distantes. onde se hospedar? depende da estação de metrô. melhor algum lugar ao lado de uma estação que te leve rapidamente ao que te interessa. aliás, a vida passa pelo metrô londrino. anda-se nele pra cima e pra baixo. permita-se se perder e depois veja qual estação de metrô é mais perto de onde você está. é ótimo.

1 cerveja (beer, óbvio) = 2,5£ por um pint. com dois, fica-se quase bêbado. ótimo e com cervejas de altíssimo nível.

imperdível:

Hyde Park, ou qualquer outro. aproveitar o sol o máximo que puder quando ele aparecer um pouquinho. é um momento tão raro que os parques se enchem de gente livre e feliz.

Oxford Street e Regent Street: as melhores ruas para compras. procure as redes Primark e Top Shop. bom, bonito e barato.

Absolut Ice Bar: perto da Regent Street. 15£ para entrar, com direito a um drink delicioso. caro e divertido. depois de vestir uma roupa de esquimó, você entra numa camara resfriada com temperatura de 6 abaixo de zero onde tudo, tudo, tudo é de gelo. muito legal, rende ótimas fotos. o curioso é que só permitem que você fique 40 minutos lá dentro... mas depois de meia hora ninguém aguenta mais e vai embora na hora!

pubs: delicia-se com a melhor cerveja do mundo. Guiness, 1664, Grolsh, Kronenbourg... Todas são ótimas.

Big Ben: lindo. ficamos bem felizes por estar ali. o vitoriano prédio do Parlamento também merece atenção especial. lindíssimo.

Camdem Market: o bairro é bem legal todos os dias, mas no fim de semana ele ferve com roupas e cabelos multicoloridos e todo o tipo de gente andando pra lá e pra cá. muito legal.

Bricklane e Spitalfield: mercados de fim de semana, pertinho um do outro. aliás, Londres PRECISA ser visitada num fim de semana pois é quando as coisas acontecem. vale muito a pena dar uma andada despretensiosa por lá.

Notting Hill: esqueça o Hugh Grant. O melhor do bairro é a feira que acontece na Portobello Road no final de semana. Lojinhas de toyart, brechós, barraquinhas, comidinhas, feira de roupas incríveis. o máximo.

Tate Modern: IMPERDÍVEL. maneiríssimo. um dos museus de arte moderna mais completos do mundo. e de graça.

National History Museum: dinossauros, mamíferos, insetos... permita-se ser criança outra vez.

oui, oui, Parri.


A cidade mais romântica do mundo. Linda, espetacular. Vale a visita, vale perder-se pelas lojinhas dos seus 18 arrondisements por dias, meses. Cada bairro com suas particularidades e todos com este inegável charme que os amantes da cidade-luz não cansam de ressaltar.

A verdade é que Paris é uma cidade que suspira e talvez seja preciso estar apaixonado pra aproveitar ao máximo o que a cidade tem a oferecer. Àqueles que ainda não encontraram sua alma-gêmea fica meu conselho de encantar-se pela cidade e seus chamosíssimos moradores.

Paris é dividida em 18 arrondisements, ou regiões, que crescem numéricamente como um espiral a partir do Louvre (4éme, 16 éme). Cada um é mais lindinho do que o outro e os bairros são bem diferentes, então vale definir quantos dias você tem pra aproveitar na cidade, saber bem em qual éme você vai se hospedar, definir quais os pontos turísticos você quer ver de qualquer maneira e de quais você não abre mão... E FLANAR pela cidade, andando sem rumo, sem se preocupar... Porque para isto Paris foi feita.

Ficamos em Montparnasse, 14éme, um bairro bem legal, cheio de artistas e com uns bares interessantes. A estação de metrô era Pernerty, na linha 13, uma linha interessante pois nesta mesma linha ficam as estações Montparnasse Benvenue e Invalides, duas importantes estações com um grande número de linhas.

O metrô de Paris é muito bom, ainda que não tão limpo e organizado como o de Londres. Tem umas 300 estações e algumas delas fazem interseção com o RER, o trem que vai para os subúrbios mas corta a cidade em locais estratégicos. Compramos a carte orange, um passe semanal que funciona de segunda a domingo e torna passagem de metrô um pouquinho mais barata. Vale a pena se você for usar o transporte público inúmeras vezes e se você for ficar, como nós, uma semana na cidade. Custa 16€ mas concorre com o bilhete de 10 viagens + 2 grátis na preferência dos turistas. Se você não for ficar 1 semana, esta segunda é, sem dúvida, a melhor opção.

Atenção: não tente bancar o malandro no metrô. Quem for pego sem bilhete válido, como qualquer outro lugar da europa, paga multa que varia de 40 a 120€. Além do contrangimento. Não vale a pena. Não dá pra querer ser malandro demais, sabe?

1 cerveja (biérre) = Absurdos 5€, assim como o chopp (Demi). Nem pensar. Beba vinhos – muito bons, muito baratos. Mas procure os vinhos de 5 a 10€ pois aí sim você está diante de uma oportunidade de negócio, pois estes certamente custam mais de R$100 aqui.


Imperdível:

A Torre Eiffel. Tem que ir. É linda, enorme, impressionante. Custa 11€ pra subir e passamos 2 horas e meia na fila, então, dependendo do tempo, do dinheiro e da paciência, não é necessário subir. Basta ir lá, fazer fotos, e mais fotos, e mais fotos, e ir embora. É igualmente emocionante. Mas se tiver disposição, é legal subir também pois a vista de cima é maravilhosa. Ficamos no 2º andar. O 3º, além de ser mais caro, não foi necessário.

Beber muitos vinhos Borgonha e Bordeaux de altíssimo nível e muito baratos. Opte pelos de 5€ e não pelos de 2€. A diferença será enorme e você estará pagando R$12 em um produto que aqui custa mais de R$100. Delicie-se. Nossa média foi duas garrafas por dia. Até porque a cerveja é sempre quente e a mais cara da Europa – descabidos 5€.

Beber Champagne verdadeira por preços que variam de 5 a 30€ a garrafa. Compramos uma Veuve Clicot, que no Brasil custa R$246, por 29€. Não é exatamente a melhor, mas eu precisava de algo simbólico. Uma de 15€ deve estar de bom tamanho.

Tentar perceber o charme e as peculiaridades de cada bairro. Descobrir o significado do verbo “flanar”. Andar sem rumo, mudando de idéia, permitindo-se vasculhar tudo. Você não vai acreditar no quão incrível este garimpo será.

Comer crepe da rua, enroladinho, caminhando. De Nutella também.

Ir a um supermercado e comprar muitos e muitos e muitos queijos incríveis ridiculamente baratos. Dar um jeito de trazer alguns (que tenham a embalagem bem durinha) pro Brasil. Acredite, você não vai se arrepender.

Passear no Marais, o bairro cool gay. Um quê de Ipanema. Bares ótimos, lojinhas idem. É onde fica o Museu Picasso, que é... Legal.

Centre Pompidou: o mais incrível museu de arte moderna do mundo. Ok, a Tate Modern também é a mais incrível. Mas lá é foda, tem instalações incríveis, quadros da Bauhaus, salas do Philippe Stark... Imperdível. Dedique horas a isso. Três, no mínimo. Em frente tem umas papelarias com postais e posters bem legais e bem pertinho umas lojas que vendem malas, caso já seja necessário rsrsrs. Ah! E a lojinha do museu é a mais legal de todas. Umas promoções inacreditáveis de livros e posters de todos os quadros que você viu lá e em outros museus. Muito melhor do que a lojinha do Louvre.

O Louvre. Um problema. Lindíssimo, mas grande demais e, convenhamos, a Maria Madalena não está enterrada lá. Mas temos que ir, né... Então minha sugestão é: pegue o metrô, desça no Carrousel de Louvre, compre o bilhete, pegue o audioguia (!!!), vá DIRETO à Monalisa e “resolva o problema”. Sim, a Monalisa está a 5 metros de distância, sim, é impessoal... Mas o quadro é foda e você estará diante da mais importante obra de arte do mundo. Depois veja a Venus de Milo, talvez a arte egipcia, algo mais que te interesse... E vá embora.

OBS: Audioguias, se você estiver com uma folguinha de $, sempre valem a pena. E sempre, sempre, ao entrar em um museu, pegue primeiro o folder e mapa e decida o que vai fazer. Dedique 5 minutos preciosos a isso. Vale a pena.

Musee D´Orsay. Talvez o mais legal de todos. É onde estão todos os Mestres do Impressionismo, e talvez os melhores quadros deles. A lojinha é uma merda, mas o Museu é maravilhoso. Tem muita coisa que vale a pena.

Musee Rodin: Maravilhoso, com todas as obras importantes de bronz e mármore. Rende ótimas fotos. Perto do Invalides, que vale dar uma olhada.

Um passeio pelas Ilhas do meio do Sena. Faça tudo junto: Notre-Dame (o Quasimodo não mora mais lá...), as duas ilhas, Saint-Chapelle. Caríssima pra entrar e confesso que não me agrada a idéia de pagar pra entrar só pra ver uma igreja. Mas esta merece, com um segundo andar inacreditável, com vitrais em todas as paredes contando a história da Biblia. Linda. O ingresso dá direito à Conciergerie. Não vale a pena perder tempo lá, é uma prisão enorme, mas totalmente fake, tudo meio maquete, meio show de Mulatas pra gringo ver.

Loja Pylones. Foda, com coisinhas lindas e inúteis pra sua casa. Vale a pena dar pelo menos uma olhada.

Caminhar a beira do Sena e pensar: puxa, que incrível eu estar aqui. Fazer uma foto bem romântica, bem piegas, de sobretudo e cabelo esvoaçante... Bem parisiense.

Fazer um pique-nique com vinho. Economico, muito delicioso e muito legal. Sorria, você está em Paris, este é o melhor pão do mundo (baguette ou Pain, que é a bisnaga) e os queijos são incriveis. Aproveite e saboreie a vida neste momento.

Montmatre. O bairro no alto da cidade, com a Sacre-Coeur, uma igreja lindíssima. Rende boas fotos e dá pra ver a cidade de cima. Tente ir num domingo, quando os artistas vão estar na pracinha à direita da igreja (lá no alto) e as ruas cheeeeias de gente. Maravilhoso. Metrô: Abesses ou Pigale. Compre um crepe e caminhe horas pelas ruas.

Chateau de Versailles. É um local importantíssimo historicamente, blablabla. Oegue o RER C (amarelo) até o ponto final. Cuidado, tem que pagar um complemento no RER pois você sai da área que o cartão do metrô cobre. É lindo, os jardins são incríveis... Mas só dá pra ir se tiver uns dias a mais na cidade. Perde-se pelo menos 5 horas no passeio. Vá no fim da tarde, quando tem menos gente, chegando lá faltando 2 horas pra fechar. De manhã não dá pra andar, de tanta gente. O Castelo é lindissimo, as paredes têm história, o quarto da rainha e do rei são foda, o salão dos espelhos é maravilhoso. Sentar nos jardins de versailles, à beira do lago, é muito legal. Mas só vá até lá se tiver tempo. Você terá toda a sua vida pra ir lá depois. E, se for, não dispense o audioguia.

OBS: Compramos o Paris Pass, que dá direito aos museus por X dias e custa X €. Só vale a pena se você visitar mais de um museu por dia, o que ja concluimos que não é bom. Se você for a Versailles, que é bem caro, vale. Mas a fila não é taaao maior assim nos museus sem o passe e não vale a pena fazer nada correndo pra “gastar” o passe. Além disso, a Torre Eiffel não está incluída no pacote.

Experimentar alguma coisa incrível da gastronomia francesa. As comidas são muito caras, é verdade, mas alguma coisa dá pra provar. E você terá a vida inteira para dizer que comeu.

la barceloneta




Foi a única cidade onde eu pensei “é... acho que aqui eu moraria e seria feliz”. Barcelona é uma cidade que pulsa juventude. Cheia de jovens, muitas opções de bares, boates, a obra de Gaudí, pessoas bonitas, praias, cerveja barata... Ai, ai. É praticamente impossivel não se encantar pela cidade.

Capital da Catalunha. Os habitantes sequer se consideram espanhóis e é bem difícil conhecer nativos de lá. É verdade que algumas pessoas podem se incomodar com isso, porque a cidade é lotada de gringos e o catalão é pouco falado. Mais se fala Espanhol... e Ingles. É um lugar pra você conhecer pessoas do mundo inteiro, todas em busca de diversão. Passamos 8 dias, queríamos muito mais. 5 bastam. Menos de 3, nem pensar.

A melhor época pra conhecer Barcelona, sem dúvida, é quando ainda (ou já) estiver quente. É uma pena ir pra uma cidade que pulsa “férias” sem poder usufruir ao máximo o que ela tem a te oferecer. Bom mesmo é ir pra Barcelona pra andar de havaianas, ir à praia, finalmente sair na Europa sem casaco a tiracolo e não se preocupar com isso. Mas o verão é cheio demais. Se possível, procure ir um pouco antes ou um pouco depois. Mas vá.

Comparada à outras cidades européias, Barcelona é super barata. É possível tomar uma cerveja com 2€, (5€, se dentro de uma boate). Você começa a achar o máximo pagar 5 reais em uma cerveja. Atenção: a cerveja local, Estrella, é uma merda. Melhor se garantir em marcas conhecidas e boas.

Não vale a pena comprar o passe de museus. Acho que Barcelona é bom pra relaxar sem o compromisso de ir a tantos museus.

O aeroporto, como em todas as cidades da Europa, fica meio longe do centro. Você precisa pegar um tunelzinho que liga o terminal à estação final de trem. O trem é barato e sai tipo a cada meia hora no máximo. Vai lotaaaaaaaado. Um saco, principalmente porque está TODO MUNDO com muitas malas. De táxi até o centro custa uns 30€, então se estiverem 2 pessoas é um caso a pensar.

De trem descemos na estação SANTS, onde se faz a baldeação pro metrô. Aí depois se vira.

O metrô de lá é bom, comparado ao Brasil, mas bem inferior ao transporte coletivo londrino ou francês. Funciona até a meia-noite, o que é o máximo, e é 24 horas de sábado para domingo. É muuuuuuuuuuito mais barato do que em outras cidades européias, custando ridículos 7€ o cartãozinho de 10 viagens; portanto, use-o! Funciona no ônibus também e é esta a opção de transporte na madruga se você por acaso quiser voltar “cedo” para casa e estiver hospedado longe do Centro. É muito comum as pessoas esperarem o primeiro metrô na balada e depois irem pra casa. Barcelona dorme tarde. Ou cedo.

A cidade é cortada pelas RAMBLAS, que é uma rua enorme e larga com lojas e restaurantes nas calçadas e muitos artistas de rua durante o dia. Em frente aos artistas, uma HORDA de turistas e garçons gritando “Paella! Paella!”, o que faz dali um lugar insuportável se você estiver de ressaca. Uma maldição, mesmo. É bom dar uma voltinha, mas fuja de lá se quiser andar tranquilamente pela rua. Inevitavelmente, em algum momento você passa lá, até porque a vida noturna rola por ali, nos bares e nas boates.

Mas bom mesmo em Barcelona é gastaaaaaaaaaaaaaar o dia. Começar na praia - não na Barceloneta, que é cheia de gringos demais. Cool mesmo é ir em Bogatel, uns 10 minutinhos pra esquerda. Dá pra ir andando. É uma caminhadinha, mas dá. Aí depois de ficar hoooooooooras tomando sol, de topless ou não, vá direto pra Champagneria comer uns bocaditos baratos e tomar Champagne quase de graça. Imperdível. Aí ir pra casa trocando as pernas depois de 2 garrafas por pessoa, tomar banho, descansar um pouco e de repente sair às 2h pra entrar em algum lugar... Ou não. Estes lugares custam tipo 10€ e lá dentro a bebida é meio cara... Mas rola música eletrônica boa e gente bonita. Um dia, pelo menos, vale a pena. Porque Barcelona é voltar à adolescência. E isso não tem preço. Então aproveite enquanto ainda não somos chatos demais pra isso.

Imperdível:

La Champagnaria Casablanca: Carrer Bonavista, 6. É um lugar MINUSCULO, entre a Barceloneta, onde tem a praia, e o Bairro gótico, onde tem as lojinhas incriveis de roupas modernas e toy art. Na verdade é um bar de cava. Um barzinho minusculo, com uma portinha, que fica numa ruazinha minuscula. E dentro tem muita, muita gente. Muito mais do que no carmelitas no carnaval. Muito mais do que na entrada do Maracana na final do brasileiro num fla flu. No comeco é bem estressante, mas depois de um tempo você entra no esquema e passa a achar o máximo. A GARRAFA de champagne lá custa 2,80€. Que tal? Num lugar cheio de gente bonita. Você só pode comprar uma garrafa acompanhada de bocadillos, o que acaba sendo bom pra não ficar bêbado demais. E fica, viu? A boa é chegar tipo 18h30 e sair às 21h. Depois das 19h30 você não consegue mais entrar. E FECHA às 22h. Mas é imperdível.

Casa Batlló. Elegemos o lugar mais legal da viagem INTEIRA. Um prediozinho contruido pelo Gaudí como “a moradia perfeita”. Ali tudo tem uma explicação, o corrimão é assim porque a mão encaixa melhor deste jeito, a janela é uma guilhotina pra ocupar menos espaço, o azulejo é assim por isso, a telha é assim pra economizar energia, tal coisa pro ar circular melhor... GENIAL. Custa meio caro, 16€ pra entrar, mas vale MUITO a pena. Estudante tem desconto. Fica na estação PASSEIG DE GRACIA. Endereço: Pg. de Gràcia, 43. Ao lado, uma livraria com os melhores preços da cidade. Aliás, Barcelona é um ótimo lugar pra comprar livros.

La Pedrera: subindo a rua da Casa Batlló. Outra obra incrivel de Gaudí. Um prédio todo arredondado, com um terraço incrível... Mas não entramos. A obra anterior ja tinha sido suficiente pra nós. Mas é foda, linda, linda. Vale pelo menos olhar e fazer umas fotos.

Parque Guel: outra obra de Gaudí, no alto da cidade. Fomos andando da Casa Batlló até lá, é legal, mas bem longe. Tipo mais de uma hora caminhando. É legal pra conhecer a cidade como um catalão faria. No parque foi filmada a cena de “Albergue Espanhol” onde o Javier leva a amante pra ver a cidade em cima do jardim suspenso. É lindo, todo cheio de mosaicos e com os famosos lagartos de Gaudí. Vale muito a pena a visita, principalmente porque é de graça!

Fundació Museu Miró: na estação final da L4 do metrô, Paralel. De lá, você pega o Funicular (um plano inclinado) até a parte alta da cidade. É legal pra ver Barcelona de cima e pra respirar um pouco de ar puro, sentar na grama etc. E o museu... É foda. Muitas esculturas de Miró e paineis lindos, lindos. 8€.

O Bairro Gótico: IMPERDIVEL. Dedique tempo a caminhar e se perder por ali. Uma arquitetura única e sensacional, com ruelinhas cheias de surpresa. É onde fica a Catedral, que é linda. É onde você se sente em Barcelona, mesmo. Tem lojinhas incríveis (e caras) com sapatos maravilhosos e roupas modernas e exclusivas (e caras). Tem lojinhas de toyart (a melhor: Falbalas, na Carrer Stand, 284) que te enlouquecem. Tem os bares mais legais da cidade à noite. É foda o lugar.

Plaza Cataluña: meio N. Sra. da Paz. Perto das Ramblas, é onde pega-se o ônibus pra voltar pra casa caso não queira esperar o metrô. Tem muitos restaurantes, tem a FNAC... É um lugar bom de comércio, em geral.

Comer Tapas. Dos mais variados tipos. Um bando de porcariazinhas deliciosas e engordativas... E incrivelmente baratas. Experimente as patatas bravas. Cheeeeeias de pimenta, ótimas. Além disso, os mais diferentes tipos de embutidos, que eu dispenso.

A Barceloneta: a Ipanema local. Praia meio bizarra, mas é um bairro bem charmosinho. Vale a pena dar uma andada despretensiosa e ficar com invejinha das pessoas felizes que moram ali.

Lojas mais legais: Custo (roupas), Desigual (quase incrível, tem coisas legais) e, principalmente, Camper – a loja de sapatos incrível de toda a Europa... E caríssima! 100€ o sapato, infelizmente. Melhor comprar aqui na Sollas ou na New Order. Não vale a pena. Infelizmente.

La sagrada familia: a famosa igreja inacabada de Gaudí. É linda, macabra, sombria... Está sendo concluída de acordo com o projeto original. Na verdade, há mais o que ser visto de fora do que dentro, o que faz você economizar 11€.

Praia: em Bogatel, a praia dos modernos. Bom também pra descobrir o que fazer a noite. Quase o coqueirão J

Bares e boates: Ficam em volta das Ramblas, indo pro Bairro Gótico. Tem muitos, são ótimos. Não deixe de entrar um dia pra dançar e se acabe na música eletrônica. Nada como estar em um lugar onde ninguem te conhece. A gente foi num lugar chamado Moog (Arc Del Teatre, 3) bem legal.

La Boquería: Um mercado público com as coisas mais incríveis e mais bizarras. Ótimo pra comprar coisas “de comer” pra trazer pro Brasil. Rende boas fotos, de frutas bizarras a cabeças de cordeiro congeladas. Tem comidas do mundo todo, inclusive Matte Leão – mas não de garrafão.

trem ou avião?

TREM OU AVIÃO?


Taí uma pergunta que devemos nos fazer sempre. Depende. Fizemos quase tudo de avião porque compramos as passagens com tanta antecedência que acabou sendo uma oportunidade de negócios fazer desta maneira. Gastamos em 5 trechos de avião + 1 de trem a bagatela de 230€. Assim, saiu muito mais barato fazer quase tudo de avião do que comprar um passe de trem. Acho que depende do tempo, das cidades e do trajeto que você pretende fazer.

Se você vai a capitais de países fronteiriços, o passe de trem é uma boa opção. Os trens são de alta velocidade, limpíssimos, muito mais confortáveis do que o avião e você evita 3 coisas:

- Despachar sua bagagem e correr o risco de perdê-la
- Perder horas indo ao aeroporto, que sempre fica a pelo menos 1h de trem da cidade, e ainda ter que chegar 1 ou 2h mais cedo pra fazer o checkin e procedimentos chatos de alfândega
- O trem que você vai pegar pra chegar ao aeroporto custa em média 10€ cada. Então, não se iluda: a passagem de avião custa X + 20€, pois você vai pegar um trem em cada aeroporto. Se você fizesse tudo de avião, já sairia da estação central de uma cidade e chegaria à outra.
- A viagem de trem é muito mais bonita, agradável. Você pode ver uma paisagem totalmente diferente e isso compensa.

Mas o trem também tem algumas desvantagens:

- Se você comprar um passe de trem, vai precisar fazer RESERVA do assento que você quer naquele trem específico. Este procedimento custa 15€. Não se iluda.
- Se o seu trajeto não for tipo Madrid-Barcelona-Paris-Amsterdam, ou qualquer outro em linha reta, não vale a pena pois você paga o passe de acordo com os países nos quais você vai passar, independentemente de descer nele ou não.
- Companhias aéreas de low fare são realmente muito baratas e é irresistível comprar um bilhete de 1€.

A principal questão, então, é financeira. Avião ou trem: depende. Pesquise muito e decida.

o último adeus

PERMITA-SE.


Meu roteiro acaba aqui. Demorei mais de 2 meses pra escrevê-lo e fiz com carinho cada dica, cada detalhe, pra fazer parte um pouquinho da sua viagem. Em vários momentos deixei ele descansando. Talvez por sentir saudade, talvez por excesso de emoção, talvez porque a gente sempre vai deixando o dia-a-dia atropelar nossos planos. Queria mesmo era não ter conhecido nada disso, pra poder sentir tudo outra vez.

Espero ajudar bastante com isso. As dicas são quentes. Mas lembre-se que são percepções minhas, bastante pessoais. Cada viagem é uma viagem. Permita-se conhecer os lugares, tente desbravar detalhes, tente não planejar tanto e principalmente... mude de opinião.

Que sua viagem mude para sempre a sua vida, assim como aconteceu comigo. Que te faça feliz, que te faça valorizar o lugar e as pessoas de onde viemos. Que você não tire mais a palavra “incrível” da ponta da língua. E que ela te ajude a entender um pouco nosso papel neste mundo e de que forma podemos torna-lo um mundo melhor.

BOA VIAGEM!