quarta-feira, 11 de junho de 2008

quase indo.


a primeira coisa a ser dita é: todas as pessoas que conheço deveriam, por favor, fazer esta viagem. nenhuma desculpa é possível: basta se organizar e ir. simples assim. poucos dos meus amigos tem filhos ou uma relação que nos impeça de realizar os sonhos. portanto, paremos de inventar desculpas que nos bloqueiem e sirvam de álibe para uma vida que não é exatamente a que gostariam. querem fazer algo? mas querem muito? então vão. simples assim. é só uma questão de prioridade. quanto de dinheiro vocês podem juntar por mês? 500 reais? 100 reais? ótimo. calcule o tempo que você precisa se planejar e juntar $, se organize, e vá.

viajar para a Europa amplia os horizontes de qualquer um. mas isso precisa ser feito com o coração aberto e disposto a aceitar as diferenças de cada lugar. parece simples e deveria ser óbvio, mas não é. muitas pessoas fazem uma viagem destas e voltam exatamente do jeito que sairam. não se sensibilizam com aquilo com o que entram em contato, não se emocionam, não transformam nada dentro de si. e isso, meus queridos, eu fiz muito. foi inevitável, por alguns momentos, sentir as lágrimas tentando se libertar do o corpo que tanto as reprime. estamos cada vez mais aprendendo a sermos “adequados” sem nos questionarmos muito a origem de tantas regras e costumes que só tentam nos enquadrar numa série de pressupostos que não são nossos. nos tornamos sérios e objetivos e passamos a dar valor a coisas que deveriam estar definitivamente em segundo plano.

é muito comum ouvirmos os amigos que voltam de uma viagem destas dizendo “agora que eu fiz isso, sou uma outra pessoa”. sempre acreditei que isso acontecesse, mas nunca entendi realmente o porquê. simples. entrando em contato com culturas radicalmente diferentes da sua e tendo maturidade para perceber algumas destas diferenças, você tem a oportunidade de ampliar seus horizontes e ver o mundo de uma nova maneira. entender que nossa cultura tem muitas coisas legais, mas que há muito a melhorar, também. procurar perceber de que maneira podemos nos apropriar de algumas destas características de cada lugar e transformar nosso dia-a-dia aqui. reconhecer o que é afinal que temos de melhor e valorizar cada vez mais a nossa casa, a nossa história, a nossa gente.

além disso, é muito muito bom nos distanciarmos um pouquinho da nossa vida como ela é pra podermos, olhando de longe, analisarmos o que vai bem e o que deve ser mudado. e isso a gente só consegue fazer quando se afasta, não adianta. vendo “de fora” a gente encontra dentro da gente, inclusive, forças pra definir o que quer e o que não quer pra nossa vida. como se a gente precisasse deste motivo pra tomar uma decisão que já podia ter sido feita há tempos, mas que não rolou porque precisamos da interface do “ser um motivo especial”. mas que seja, pelo menos. e que boa que é esta sensação de que a vida está andando. recomendo.



“voltar é uma ilusão. estamos sempre indo”.

4 comentários:

d! disse...

sim, eu realmente precisava ler isso hj.
teamo
bjs
di

Ursula Carvalho disse...

Eu vou. Qualquer hora dessas...
E vc, já foi ver o filme?
Beijo!

Julieta disse...

Adorei seu roteiro, Lu. Nessa minha quase ponte aérea Rio-Buenos ainda nao deu o espaço pra Europa. Mas chego lá!
Beso

Carol Carvalho disse...

Nossa, estou aqui planejando minha viagem pra Europa e de tanto fazer todo tipo de pergunta para o Google (tanta que se ele fosse humano já teria dito: para de me perguntar tanta coisa, vai lá e descobre!) encontrei o seu blog e me surge esse post que me fez ficar emocionada...é exatamente isso que quero, é disso que preciso, me ver "de fora"...vc conseguiu traduzir um sentimento...adorei, boa sorte pra vc=)