terça-feira, 24 de junho de 2008

sobre a menina que mais acreditava no amor

não é que ela não acreditava mais no amor.

é que ela acreditava tanto, mas tanto, que ela sabia justamente o valor que amar tem. e por acreditar em toda forma de amor, ela sabia que às vezes o amor vinha com outras caras. que podia vir na forma de amigo, na forma de primo, na forma de um moço que tocava uma música bonita ao longe.

a única coisa que ela tinha certeza é que amor é amor enquanto durar o amor. e amor não dura para sempre. amor dura enquanto se acreditar no amor. pode ser um ano, dez, oitenta, uma noite. ainda assim vale, ainda assim é amor. mas só é amor se for amor.

e que o amor às vezes é paixão e ainda assim não deixa de ser bom só porque o sobrenome não é amor.

o problema é que as amigas delas cresceram, assim como ela, ouvindo que eram princesas imaculadas e que pra ser bom mesmo o príncípe tinha que matar um dragão por dia. que o reino só servia se fosse encantado, imaculado, com flores, cheiro de jasmim e música no ar.

não é que ela não queria viver num reino. ela até sabia que ia mais dia menos dia viver nele. mas ela também sabia que a música quem toca somos nós, e que as flores muitas vezes demoram a chegar. e que não é isso que faz do reino um lugar bom de se morar. bom mesmo é aquele reino construído nas batalhas, a quatro mãos. e que às vezes os reinos são conquistados de maneiras inesperadas, mas ainda sim são felizes os reinos.

e por acreditar tanto assim no amor, ela foi pra sempre aquela amiga que não acredita mais no amor.

2 comentários:

caru andrade disse...

e de tanto acreditar no amor, não sei se ela sou eu ou se é você.

e por acreditar TANTO assim, eu podia ter escrito esse texto.

só que por te amar assim tanto, preferi ter lido.

só porque o texto tá liiiiiindo, amiga!

Ciana Lago disse...

tá lindo mesmo o texto, amiga!

E acreditemos no amor que existe né, minha gente?