sábado, 27 de dezembro de 2008

um pouco de drummond pra enfeitar a alma

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

sábado, 20 de dezembro de 2008

tic-tac-tic-tac

- senti saudades do seu sorriso, dizia ele.

- te esperei todos os dias, respondeu Isabella.

e assim foram-se de mãos dadas, saltitanto aquela felicidade latente. como se queriam, e como queriam se querer.

como queriam aquele momento frágil, aquela felicidade fragmentada em abraços apertados.

como ela queria se perder no fundo do mar daqueles olhos negros. como ele queria capturar o suspiro dela até fazer o tal do tempo virar silêncio.

...


a verdade é que ando cansada do mantra "toca telefone, toca".

ainda não

te esperei por tantos e tantos minutos pra viver um momento em que todo este silêncio fizesse algum sentido.

e agora só resta este ainda não vivido, denso e seco.

então deixe-me andar, preciso ir.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

por não estarem distraídos

"havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. por causa de carros e pessoas, às vezes se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. como eles admiravam estarem juntos!

até que tudo se transformou em não. tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. então a grande dança dos erros. o cerimonial das palavras desacertadas. ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. no entanto ele que estava ali. tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.

tudo, tudo por não estarem mais distraídos".

[Clarice Lispector]

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

às quatro da manhã...

... eu só queria te abraçar até o tempo virar silêncio.

é que eu te queria ali, nas minhas fotografias

e,
sob a poeira de estrelas-cadentes,
eu só pedia pra em algum intervalo de espaço e de tempo
poder sentir aquela felicidade com você.


e continuo me perguntando qual seria a sua cor preferida.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

fragmentos

se a vida é, afinal, uma questão de coincidência momentos, que os nossos momentos se encontrem de novo no tempo da delicadeza :)