quinta-feira, 12 de março de 2009

âmago

"como são estranhas as noites que não dormes comigo, noites brancas, como aquelas russas noites narradas pelo Homem Doente dos subterrâneos gelados de Bem Longe, como o sol se põe mais tarde tão-somente para tingir de paixão roxa a minha miopia e o meu astigmatismo, aquele degradè borrado por melancólicos nanquins na chuva de san pablo derretendo sobre mis gafas-parabrisas, como são atípicas não pelo costume, mas pelo desproveito do calendário, a folhinha do quando, que não marca dia santo nem feriado para o desejo, como são estranhas as noites riscadas pelos relâmpagos do ciúme e como são lindas as madrugas e manhãs entorpecidas pelo amor-de-muito que ficou guardado nas dobrinhas, glândulas, suores dos corpos e das roupas vagabundamente atiradas sobre os tacos de todos os “últimos tangos”, como enfio as pernas entre os lençóis tentando achar o que quero para sempre hoje".


[chico sá]

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