quinta-feira, 7 de maio de 2009

a dor e a delícia

Cada vez mais acho que a menininha aqui é uma mimada profissional.

Sabe? mimada profissional? Daquela que até adora trabalhar, mas desde que as coisas sejam no meu tempo, do meu jeito?

É foda. a pessoa trabalha desde os 13 anos - sim, Ciro Darlan que não me acompanhe - pra conquistar seu lugarzinho no mundo. Ok, com 13 eu não precisava propriamente trabalhar. era mais pra ter o meu dinheirinho e sempre eram coisas legais (guia do barco do Greenpeace, aulinha de inglês pras minhas amigas etc). Mas aí começou. Notaram? Sempre coisas legais. porque desde então, como trabalhar era opcional, desde sempre teve que ser legal pra valer a pena.

E 17 anos depois estou aqui, sentada em frente a esta tela de computador, questionando todos os porquês de ter chegado até aqui e de continuar sentada na frente deste email produzindo coisas que às vezes não têm o menor sentido pra mim. E agora eu só quero do meu jeito ou não quero mais, sabe? Naquela marra de quem sabe que posso dar linha na pipa com alegria que outras coisas legais vão surgir. Mas até quando o próximo vai ser legal? E até quando vou querer o próximo? O outro? Qualquer outro? Será que todo mundo enlouqueceu ou fui só eu?

E a eterna dúvida do que eu quero ser quando crescer.
E a eterna dúvida do que eu quero ser quando crescer.
E a eterna dúvida do que eu quero ser quando crescer.

É. definitivamente eu sofro de cronic insatisfaction. Thank´s woody.

Ai que saudades da aurora e da ignorância da minha vida, quando eu não tinha o menor preocupação com a verdade ser ou não absoluta e queria só "ser feliz", achando que a felicidade era um lugar aonde eu chegaria, em breve, se me mantivesse no caminho certo. Hã? Caminho certo? Qual deles?

Hoje, quantas vezes me pego pensando qual o sentido de tudo isso. "Porra, é só um programa de tevê. Não estamos acabando com a fome na África então... Pra quê o escândalo?". No momento, nem isso. Ando me dedicando profissionalmente a um blog que, contrariando as expectativas desta ferramenta, anda me dando muito mais dor de cabeça do que prazer.

E era pra ser tão legal...

Mas... era mesmo? Não seria mais fácil o conformismo? Não seria mais confortável pensar que trabalho é trabalho, é aquilo que nos dá a maior quantidade de dinheiro possível no menor tempo dispendido que conseguirmos? Que trabalho é aquilo que temos que fazer para podemos nos finais de semana ter prazer? Ou... imaginem só: Trabalho é aquilo que a gente faz durante 11 meses pra depois viver em 1? Férias? Hã?

Não, produtora freela não tem férias. Não tem vida. Tem mais é que se fuder. Esta é clássica. Mas vive num mundo encantado e alegre. O mundo encantado de Manoel Carlos, vivendo intensamente os risos e as lágrimas e se apaixonando loucamente no próximo set.

Mas aí faz coisas assim e tudo vale a pena. Acho que é isto que anda faltando na minha vida. Mais pimenta.

Enquanto isto, os conformados continuam se esquivando do salto-alto e do nó da gravata em salas sem janela.

3 comentários:

Ciana Lago disse...

é isso
é isso
é isso

lipeburger disse...

faça como eu, entregue-se aos prazeres escapatórios como...hummm...chocolate cai bem.

Paula Leite disse...

EU QUERO SER JORNALISTA DE NOVO

E será pq q nós temos q saber responder tudo aquilo q perguntamos?
Vc já percebeu q depois q entramos na chamada "idade adulta" nós não podemos mais fazer perguntas? E ao mesmo tempo, somos obrigados a ser especialistas nos assuntos dos outros? Como assim?!
Tenho saudades da tal "ignorância da minha infância"(e adolescência) quando respondia com a propriedade de quem não sabe mas com a convicção de um especialista. E ainda ouvia o burburinho, "nossa, como ela é inteligênte..." De lançar uma afirmativa polêmica e deixar os outros complementarem o argumento ou derrubá-lo sem ser taxada pelo q disse. Só pra estigar o pensamento, nada fechado, um pensamento pós-moderno q se constroi atravéz do debate. Easy.
Pois é, quero ser jornalista de novo! Quanto mais se sabe, mais se precisa saber e menos se é confiado! Q ABSURDO! Quero ser de jornalista de novo e publicar em páginas nacionais tudo aquilo q não sei, com a certeza de um especialista e pronto!