sábado, 16 de maio de 2009

Transbordando

Da série "coisas que eu queria muito ter escrito".

Ganhei o livro "sobre (o) tudo que transborda" de minha amiga Julinha com os dizeres: É a sua cara. Vai doer. Você vai se ver em cada texto.

Ainda não consegui sair da segunda página. Li e reli, e me doeu tanto, e foi tão bom, que sigo lendo e relendo até que entre na minha cabeça o quanto aquilo que me dói é justamente a parte mais significativa de tudo aquilo que sou.

O blog da moça, Paula, entrou pros meus me gustas. Se você passar por aqui, Paula, seja minha amiga. O que você escreveu é tão bonito que a lágrima segue ali, equilibrista.


"Procuro nos búzios e no horóscopo o resto da minha dignidade. Tento ser mais cética, mais durona, mas sou totalmente tendenciosa quando alguma coisa diz que eu posso ser feliz. é sempre mais fácil culpar o autosabotamento com signos do zodíaco ou algo que se preze, do que entender que você, independente de onde marte esteja neste exato momento, gosta de arrancar as próprias penas apenas para ver aonde dói.

Gosta de se cutucar para ver aonde sangra, aonde incomoda, que parte do seu corpo sente mais falta dele, em que momento do dia você perde a razão, fica sem ar, o porquê grita tanto internamente ao ponto que se deita exausta de tanta coisa que é sua, mas que você não sabe lidar, e por isso é fácil apelar para o impalpável e para todas as superstições existentes para que tirem a culpa que você carrega de querer tanto ser como os outros, mas não é.

O amor que tanto se proclama, dessa busca e espera infindável, "que chegue e será bem vindo, que será esperado" que some em alguns meses, que se sobrepõe na esquina por um outro qualquer, por essa falta, esse buraco no estômago, essa fome de se sentir amado, de se sentir querido, de se sentir seguro, quando amor é nada além da sensação de estar caindo e não saber onde se segurar.

E por isso eu culpo toda e qualquer manifestação esotérica, pelo meu amor volúvel que vai para qualquer pessoa que me desperte algo que valha terminar o dia, e sendo assim é mais fácil despejar em alguma coisa impalpável a minha incapacidade de ser como o resto das pessoas.

Porque eu nunca tive motivos para acreditar em nada que dure para sempre. Porque eu sempre fui tocada pelas mais diferentes formas de vida e por qualquer frase um pouco mais inteligente, porque dói entender que a posição da lua não interfere no quanto eu morro um pouco todos os dias. Porque eu acredito em tudo e isso de não descartar nada, me faz voltar para casa depois de me apaixonar a cada esquina, e querer uma cama só.

Eu me machuco pra saber onde dói, mas hoje sei exatamente que parte de mim sente mais falta dele.

Tudo."

Ui.

Um comentário:

bruno_fiuza disse...

sempre que eu leio alguma coisa com a qual me identifico assim dá uma vontade de sair correndo sem saber pra onde. um meio termo entre fuga e comemoração de gol.

e o "buraco no estômago"...