sexta-feira, 31 de julho de 2009

Eu não sei se eu vou ser mãe

Me dá muita preguiça quando ouço comentários do tipo "mas você já tem 30 aaaaaaaaaanos... Quando vai querer ter filho?!". Chego a ficar ouriçada, com alergia no ouvido, de ter que aturar esse tipo de barbaridade.

Cara, eu não sei se quero ter filho em um mundo tão violento. Eu me incomodo verdadeiramente com a possibilidade de colocar mais uma criança numa realidade tão injusta e cruel. Ter filho? Eu? Aqui?

Vai ver que tem gente que sobrevive sem se pensar tanto. E é fato que pensar dá trabalho. Mas eu sou questionadora e a idéia me incomoda.

Junte a isso duas pitadas de falta de vontade mesmo, um punhado de curiosidade de como seria a vida adulta cuidando só de você (e não me chame de egoísta: eu nunca cuidei só de mim!) e peneire por cima um pouco de medinho, claro, do que seria a nossa vida quando cada coisas tomasse o gostinho de a última vez. Esse é o sentimento que me bate. Porque eu não teria filho pra cuidar dele como se ele fosse um saco de pedras. Quer ter um filho? Então prepare a sua vida para isso.

Sempre que vejo uma mãe brigando com filho na rua eu penso que tem gente que não tem mesmo vocação pra ser mãe. Não é todo mundo que serve pra isso e ponto. Em contrapartirda, quanta gente que é amarradona pra ser mãe, tem uma super vocação, paciencia... Virtudes que eu considero fundamentais para colocar um filho no mundo. Acho um absurdo quando vejo crianças na rua até tarde, crianças sem viver vidas de criança. Criança não é pra ficar até onze da noite em bar - e não me venha com essa de que ela acha maneiro. Nunca perguntaram pra ela - e nem pra mim.

Mas que fique claro: eu amo criança. AMO. e talvez eu até venha a ser mãe. mas NUNCA agora e não sem estrutura - familiar, financeira e emocional. Se tivesse pelo menos duas e meia dessas exigências, a única coisa que me incomodaria é o medo da última vez. E, olha... eu tenho mó vocação. Quem sabe? Quem sabe em 5 anos eu não vou estar amarradona, Valentina no colo, laço de fita na cabeça, confessando que era tudo medinho???

Por enquanto, me encontro ao ler "Comer, rezar, amar". É isso.


Esse post é uma resposta a http://carolesuasbobeiras.blogspot.com/2009/07/eu-vou-ter-um-filho.html

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Açucena versus Pucca


Eu preciso dizer que não aguento mais esse tom amarelado que pairou como uma nuvem negra acima de nós.

Cariocas são bonitos, bacanas, sacanas... Mas ultimamente não andam nada dourados. O Rio de Janeiro vive um inverno sem sol, carrasco, cruel. Faz uns 3 meses que ninguém vai à praia e a minha pele parece ter assumido para todo o sempre um tom amarelo-cinzento anêmico e sem graça.

E todas as cenouras e abóboras do mundo não serão suficientes. ando sentindo falta de sol, de dias lindos com céu azul, de respirar mais ar puro e trabalhar [muito] menos.

E não me venha com essa de câncer, envelhecimento precoce e todos os males causados pelo astro-rei: uma proposta Açucena imprime muito mais saúde do que essa coisa Pucca.

cariocas definitivamente não gostam de dias nublados.

terça-feira, 28 de julho de 2009

bisou, m´appelle






ontem fui ver Paris.

eu nunca fiz desse blog um diário do que se passa ou deixa de se passar no meu dia-a-dia (que vai perder o hífen, mas até 2012 eu acho bem melhor assim), só que, hoje, pensando no filme de ontem, cheguei à seguinte conclusão: eu posso, sim, comentar sobre o meu cotidiano, desde que tenha acontecido algo que transforme meu coração num orgão melhor, maior, que pulse com mais e mais força, para o alto e avante.

então fica combinado assim: ontem fui ver Paris. tava querendo ver há semanas e nada como uma segunda-feira chuvosa pra enfeitar nossos olhos com o dia-a-dia (viva!) da Cidade Luz.

Paris é legal, mas não é lá essas coisas. o filme, não a cidade, que, óbvio, é o xodó de toda peixescomescorpião (chorona que ama viver intensamente) como eu. a cidade é tudo. o filme é bacaninha.

amo esses filmes parisienses com meninas de beleza nada óbvia que eu sempre acreditei serem mais interessantes do que o óbvio. o ideal de beleza que eu sempre busquei ser; "não é um cabelo, é o jeito de mexer o cabelo". sempre com cara gatíssimo, mas meio gay, típico de Paris - a cidade, não o filme. boa música. o mau humor tipicamente parisiense - insuportável, mas auto-explicativo. a imigração. a Sorbonne. bicicletas. cafés. o Jardin du Luxembourg. o coroa em crise se ainda pode ser bon-vivant numa cidade hedonista como só ela. Montmarte. seus pães incríveis. o amor do casal maduro, provando que a vida é possível depois dos 40. tudo isso regado ao melhor vinho tinto possível, bom e barato, como nunca deveria ter deixado de ser. Paris in an ode to joy.

o filme é fofo, mas se perde quando vira clichê. o difícil desafio de fazer um filme sobre Paris depois de Amelie Poulin. mas eu, fã de carteirinha de todo e qualquer cinema francês, sempre consigo amar um filme sobre Paris. sempre e para sempre consigo me transportar para a tela, me intercalando entre a crêpe du nutella e taça de bordeaux.

eu um dia ainda vou trabalhar no Studiocanal. prontofalei.

bisou, m´appelle.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

estive emocionando


Meio da tarde, hora do café, o telefone toca só pra ouvir um elogio da ex-assistente em busca de ajuda:

- ai, Luana, você é melhor do que o google!

em casa de vó é sempre domingo*


eu até que gostava da minha avó.

é que minha avó nunca foi uma avó daquelas tradicionais, de coque e de bolo, que enchia a cozinha com a sua alegria e a sala com o seu abraço. eu não tive narizinho arrebitado e, talvez por isso, nunca tenha sido a neta da Dona Benta.

lembro que minha avó era animada e gostava de cantar. era briguenta. amorosa, do jeito dela. eu tinha uma avó de sangue quente.

eu até gostava da minha avó. é que meu avô era meu xodó. eu sempre fui a neta preferida e meu avô sempre foi meu superhomem que aparecia num piscar de olhos. sempre.

que mais fácil era a vida com ele na minha retaguarda. que feliz eu sou por tê-lo tido. e eu o levo, sempre e para sempre, dentro de mim.

por isso, ontem, no dia da avó, me peguei um pouco triste por não ter dito à minha avó que eu a amava e que feliz eu era por ser sua neta. na verdade, sempre esperei pelos seus laços de fita e talvez tenha me faltado explicar isso a ela. eu era uma menina, a preferida, e acho que estávamos lutando pelo amor do mesmo homem. era minha rival, mas era a minha avó.

eu até gostava da minha avó. ela era engraçada. mas nunca tive isso de casa de vó. a frase da ponta da língua sempre foi: "mãe, quero ir pra casa do meu avô". acho que sempre precisei mais de um superherói do que de um bolo de fubá.





*livro clássico da infância 80´s, do qual tive a alegria de conhecer a autora, marina, avó de um grande amigo meu.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

borboletas no estômago

sempre gostei de amores pé na porta. sempre achei que melhor era a recuperação de um coração partido do que o vazio de nunca ter vivido um grande amor.

porque bonito mesmo é construir junto, e nada como uma dor de amor pra sentir que o que corre ali é sangue quente, é respiração acelerada, adrenalina a mil por hora, é coração com vontade de bater junto, tic-taqueando alucinado, querendo virar um só.

que tristes aqueles que vivem a vida sem a coragem de se jogar e viver até a última gota. que tristes aqueles que nunca choraram de alegria quando perceberam que o jogo da conquista - um jogo onde todo mundo SEMPRE sai ganhando - estava dando certo. que pena tenho de quem nunca se entregou, nunca acreditou, nunca engoliu o orgulho e escolheu ser feliz em vez de ter razão.

um brinde então aos primeiros momentos do romance, quando a gente se permite se encantar pelo outro e se apaixona dia a dia, pouco a pouco. um gesto, um sorriso, uma mão dada que nos sustenta na hora certa. tem coisas que não tem preço.

que as borboletas no estômago incomodem. sempre.

terça-feira, 21 de julho de 2009

para o alto e avante!


e sinto que hoje dei dois pulinhos em direção àquilo que tanto quero.

não sei se quero ser, sentir ou ter. quero viver, plena e exaustivamente, toda a felicidade e a paz que tanto busco.

e, por mais difíceis que os obstáculos se apresentem, eu sei que me farei mais forte sobre eles, porque estou no caminho certo.

é que fui educada no mantra "aquilo que não me mata, me fortalece".

tentando ir


Eu nunca quis ser italiana. Não pedi para nascer nessa família que tanto amo, mas que me confunde e com a qual poucas coisas em comum tento ter. Não me encontro no falar alto, na burocracia, no carboidrato.

Foi isso que veio à minha cabeça quando entrei hoje de manhã na sala do consulado italiano e vi que tinham 30 pessoas à minha frente. Eram 9 da manhã e os meus futuros conterrâneos trabalham às 2as e 4as e só atendem 15 pessoas por dia, o que eu pensei que devia ser ótimo para não cansar. Porque deve ser ruim isso de ficar cansado.

Imediatamente lembrei o que me trouxe até ali e qual o verdadeiro motivo de eu querer ir embora. O fato é que continuo precisando saber o que é que pulsa pra que tudo isso que eu tanto busco faça algum sentido, afinal.

::

A fila andou rápido. talvez seja esse o desafio e Deus esteja querendo me testar. Talvez eu mesma precise saber o quanto quero e até onde posso aguentar para provar que quero.

Vamos ver quem ganha.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

e a pergunta que não quer calar...

"mas... embora até quando?"

e o pulso ainda pulsa.






ai, gente... já deu.

estou há tempo demais aqui parada. preciso ir. preciso de ar. preciso respirar novos ares. é fato: está chegando aquele momento em que eu preciso viajar.

você vê que é viciada mesmo na transformação quando, mesmo sua vida estando certinha, encaminhada, feliz... você quer ir embora.

e os desavisados seguem perguntando: "mas... embora pra onde? embora por que? embora até quando?".

a verdade é que eu sinto o mundo inteiro quicando ali na minha frente, cheio de cores, sabores, pessoas, lugares. momentos. deles é feita a vida.

beijo, não me liga. me manda email, que eu não desapego.

talvez eu precise ir embora pra conseguir continuar voltando.

will you still love me tomorrow?

Ando com uma questão martelando meu coração nos últimos tempos: O quanto nossos traumas de infância são responsáveis por aquilo que somos hoje?

Ok que todos nós passamos por isso, que todo mundo precisa de análise, blablablá... Mas é fato que algumas pessoas são muito mais afetadas por isso do que outras.

Quantas vezes dissemos que não íamos repetir o exemplo e, quando vê, você se transformou em tudo aquilo que tantas vezes você prometeu que NUNCA? Quantas vezes você se pega fazendo exatamente igual e repetindo em ciclos o exemplo que teve? Quanto de você é seu? Quantas vezes você já questionou o modelo sem ter outro pra colocar em troca?

Quantas lágrimas você já derramou sem saber bem o porquê, e, quando foi lá no fundo tentar entender, fazia tanto tanto tempo que nem é possível que o motivo estivesse ali, desde sempre, se fazendo presente, sem você deixar, invadindo a porra toda e misturando suor com lágrima?

Eu só queria a certeza de que o amanhã vai estar aqui pra mandar a angústia embora.

shhhhhhh!

é só porque eu tenho essa verborragia inerente que faz as palavras escorrerem pela ponta dos meus dedos enquanto os seus beijos cismam em queimar a ponta da minha lingua...

então cala a boca e beija logo, que já esperamos tempo demais.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

visitas especiais


Resolvi movimentar o blog. eu ando sem saco, sem inspiração, tentando não configurar o blog como isso ou como aquilo... E aí passo tipo 1 mês sem assunto.

É, acho que ando sem assunto. Estranho, porque a vida anda ótima. A casinha tá fofa, ando bem com os amigos e o coração está repousando em mãos carinhosas.

Ops. O trabalho anda uma merda. Mas é um processo. E esse é assunto do próximo post, então não vou ficar aqui gastando assunto depois de ter feito todo um discurso sobre a falta dele. E já que ando meio reflexiva, por isso não tenho lançado palavras ao vento. Vai saber pra onde o vento vai ventar. Mas vou estar mudando essa vibe já já.

Vamos à movimentação bloguística, então: Fim de semana de visitas surpresa de minha amiga Ciana Lago. Pois é, coloquei o link aqui, mas nem adianta se empolgar: Ela não atualiza essa merda nunca. Mas, apesar de relapsa com seu blog, ela é uma amiga tão tão querida que fez nosso sábado ser o mais animado. Não, não é o programa da Maísa. É sábado MAIS animado.
aliás, momento palavras ao vento: essa moçoila aí da foto não parece PERFEITAMENTE com esse demoniozinho AQUI? prontofalei.

Mas enfim, voltando. Ciarah Lake é daquelas pessoas que NÃO DÁ pra passar pela vida sem compartilhar a risada. É uma unanimidade. amo de paixão, não vivo sem, sinto falta da gargalhada INCONFUNDÍVEL nas minhas rodadas de chopp. É o nosso encosto de chacrete que nunca sai de moda.

Ela está sempre ali. Preciso dela ali, a um clique do mouse. Ela mora longe, mas nunca estivemos tão próximas. E estaremos.

Não importa quando.
Não importa onde.
Não importa como.
A gente sabe.

Te quiero, amiga.
Nos vemos.
Ojalá que sea pronto.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

então fica combinado assim


if you´re still in
I´m still in.