quarta-feira, 30 de setembro de 2009

a vida é um demorado adeus


Estive esquecendo de comentar que fui, com muito orgulho, assistir ao belo espetáculo "Viver sem tempos mortos", no Fashion Mall.

Eu não poderia passar por essa vida sem ver Fernanda Montenegro atuar no palco. E ela estava la, elegantíssima, linda. Na pele de Simone de Beauvoir ela passeia pelo romance com Sarte com a delicadeza e intensidade uma diva.

"O homem nasce livre, mas o acaso tem a última palavra".
Simone de Beauvoir.

::

28 dias pra viagem. countdown.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

and keep moving forward

essa frase tem me acompanhado desde que uma amiga muito querida, Caru, me apresentou a esse diálogo do Rocky. já andei comentando isso aqui.

mostra que a gente sempre aguenta um pouco mais do que pensa. Deus só dá cruz que podemos carregar e só dá o frio conforme o cobertor, sabe? só que eu nunca acreditei muito nele. nunca.

a verdade é que a vida nunca me foi muito fácil, fato. mas até que estamos nos saindo bem. eu diria que, com as armas que tivemos e as condições que nos foram dadas, estamos fazendo um bom trabalho.

hoje pensei nisso. parada, esperando o metrô, me olhei no vidro refletido do poster e me vi adulta, casaco gola alta, o cabelo especialmente comportado, iPod no ouvido. eu havia amadurecido. e percebi que estamos nos transformando em pessoas interessantes.

e me emocionei ao compreender, ali, naquele reflexo, que nós, seres históricos, somos o reflexo de tudo aquilo que a gente viveu. na alegria e na dor. cada um casado consigo mesmo, na batalha do dia a dia, dando o melhor de si.

e que a maturidade não nos tire o brilho dos olhos e essa ânsia de viver, essa sede de engolir cada pedacinho de ar como se fosse o último, mais esperado e melhor de todos.

::

porque ela anda moderninha, mas só ela sabe o que exatamente toca em seu iPod.

and keep moving forward.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

coisas obscuras II

pensando bem, tem coisas que as pessoas não fazem a menor idéia de que acontecem com você até descobrirem que:

- sou viciada em videogame, capaz de ficar horas e horas e horas jogando. mas só jogo tipo 1x por mês e só gosto de joguinho de bonequinho.

- tenho ortorexia. amena, de leve, mas sempre ali, pra manter a silhueta.

- acordo e faço 400 abdominais por dia. todo dia. hoje foram 500.

- amo Jazz. não sei o nome de ninguém.

- tenho o tímpano direito perfurado.

- perdi a ponta da língua quando tive uma convulsão dormindo.

- comecei a trabalhar aos 13 anos, como guia mirim do Greenpeace.

- meu 1º computador foi um MSX preto, que eu adorava e ficava brincando de paint e vendo receita de sopa de ervilha e filé de peixe a brasileira, que já vinha instalado.

- eu não sei dirigir.

- não saio de casa de jeito nenhum sem tomar café da manhã. e se não tiver fruta, não valeu.

- países que conheci: Brasil, EUA, República Dominicana, Argentina, México, Itália, Holanda, Inglaterra, FRança, Espanha. e a lista só tende a aumentar, já que a minha prioridade número 1 a vida é viajar.

- amo cozinhar.

- não tenho mão pra bater bolo.

- odéio cinéfilos. adoro cinema. não faço idéia de qual o último filme que assisti.

- como biscoito recheado de chocolate assim: 89, + 89, + 89... (mentira, eu nunca como 3)

- meu irmão me trancou na geladeira quando eu ainda engatinhava e tenho certeza de que é por isso que sou uma pessoa tão friorenta.

- meu 1º namorado hoje é jogador de futebol.

- leio muito e desde muito cedo. devoro livros.

- eu não sei perder no jogo.

- minha melhor amiga se chama Ursula e mora hoje em Araranguá, SC. ela já foi pra África do Sul.

- eu tenho 780 e poucos amigos no orkut. não é culpa minha. eu deletei todo mundo que não era meu amigo. é isso tudo mesmo que eu tenho de amigos no orkut. não na vida, não no dia a dia, não pessoas que eu posso contar sempre. mas aquele número é (sur)real.

- estudei em 8 colégios na minha vida.

- nunca repeti uma matéria na faculdade e meu CR foi 9.4. não, eu não sou CDF. é que era a 1ª vez na vida que eu estudava algo de que eu gostava.

- eu nunca fumei maconha e provavelmente nem vou.

- eu não bebo mais Steinhäger. nunca mais.

::

acho que é isso. e acho que a medicina anda estudando isso. chama-se TOC.

coisas obscuras


Coisas obscuras, sabe? Que estão escondidas dentro da sua cabeça e simplesmente pulam de dentro do seu cérebro. E tem coisas que estão na ponta da língua e não vem.

Sabe quando simplesmente te dá branco? Odeio essa sensação.

Ontem estava vendo Friends. Ross se mudava pro apartamento do Peladão. Em 25 minutos, faz inimigos no prédio. O síndico, no caso, interpretado pelo XXXXXX, que faz o melhor amigo da Carrie, essa, por sua vez, de Sex and the City, a.k.a minha série favorita de todos os tempos, que eu sei todos os episódios na ponta da língua e na ordem, todos os carinhas pra quem a Carrie deu, em que cena ela se decepciona com o personagem do Bon Jovi e o porquê.

Eu lembro tudo, menos o nome do melhor amigo da Carrie.

E aí me dei conta: Acho que envelheci.

::

Digitei "Carrie Bradshaw best friend sex and the city bald".

Stanford Blatch.

Porra.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

comédias da vida privada





CENA 1 - PORTA DO CONSULADO ITALIANO - EXT - DIA

irmãos na fila do consulado. irmã ansiosa, irmão de saco cheio. 7h27 da manhã

- porra! eu não acredito que você me fez acordar as 5 da manhã pra ficar aqui nessa fila.
- é que eu sempre sonhei em ser a 1ª da fila em alguma coisa.
- ai, só tu mermo.
- bom, eu vou aproveitar que o consulado só abre daqui a 1h e vou ali comprar uma parada pra comer.

CENA 2 - LANCHONETE - INT - DIA

- moço, me dá uma limonada suíça sem açucar e um pão na chapa com pouca manteiga?

(...)

o celular dela começa a tocar loucamente. ela resolve dar uma esticadinha com o pescoço em direção à fila do consulado só pra ver se está tudo ok. então ela enxerga seu irmão gesticulando loucamente com o segurança. ela corre pra entender, suco numa mão, pão na chapa na outra.

CENA 3 - PORTA DO CONSULADO ITALIANO - EXT - DIA
- poooooooooorra Luana! tá maluca?! isso é hora de comprar comida? o consulado abriu, ja tão chamando as pessoas.

ela entra no consulado correndo, toda errada. dá bom dia pro moço do raio-x.

- desculpa, moça, mas você não pode entrar bebendo.
- ai meu deus, moço. peraí então. glubglubglubglub.
- calma, filha. bebe devagar. você vai se afogar.

o irmão com a mão no rosto, sacodindo a cabeça com ar de reprovação. "foda-se", pensa ela. ela passa pelo raio-x, vai até o moço da senha, dá a identidade, sorri (terapia do sorriso funciona sempre). sobe no elevador.

CENA 4 - DENTRO DO CONSULADO ITALIANO - INT - DIA

irmãos sentados na fila, esperando. ele ansioso, ela meio afogada pela limonada suiça (que não deu tempo de adoçar), acabando de comer o pão na chapa. respira. o tempo passa. espera. o tempo que demora a passar. o irmão se vira pra irmã:

- Luana, por favor, me diz que você sabe onde colocou a senha do consulado.

ela tinha jogado no lixo junto com o guardanapo do pão na chapa.

::

deu tudo certo. contagem regressiva. and keep moving forward.

:)

um passarinho me perguntou

eu gostaria de saber porque o Blogger está dizendo de tempos em tempos que eu tenho conteúdo impróprio, se, coitada de mim, nem conseguir escrever eu consigo.

alguém tem algum palpite?

Mr. Blogger, I´m a nice girl. I promise. I´m cleanny (=limpinha?)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

nada de morango

ouvi uma frase no corredor agora que me deu uma microinspiração pra um micropost. tô tão sem tempo que, se eu sentar pra me dedicar ao blog, isso aqui vira uma sessão de análise.

voltemos à frase:

- eu não como nada de morango!

ouvi aquilo e saí do banheiro rindo. como assim? EU não como nada de morango!

eu amo morango - a fruta. como uma caixa mole. bebo caipimorango como se fosse água - ok, aí não só por gostar da fruta. mas.. gente, quer algo mais enjoativo do que coisas de morango? ai, ODEIO. aquele cheiro enjoativo de infância. waffer de morango. biscoito recheado.

o terço que sempre sobra no pote de napolitano.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O poder do rimmel

Eu amo maquiagem desde sempre. Pegava o batom vermelho da minha avó e passava nas bochechas que ficava uma beleza. Assumo: eu era a Viúva Porcina Mirim, mas não era culpa minha. E eu SEMPRE quis saber usar a porra do delineador (desisti) e coisas tipo se a base vinha ou não antes do corretivo.

Aí fui pro México e fui tomada por aquela onda Maria del Barrio e resolvi que a partir de agora eu era uma mulher que se maqueia.

AMO. Fico passando mal de vontade de viajar só pra passar horas no free-shop e não posso me conter enquanto não conheço qual é exatamente o último lançamento da MAC e seus inimigos. mas a minha paixão MESMO é o rimmel. Até comentei sobre isso AQUI.

Rimmel é atitude. Rimmel é poder. Night sem rimmel é "fuialiejávolto", não imprime glamour algum. Amo e tenho de vários tipos, motivos, pincéis.Todos pretos, claro. Rimmel azul imprime loirice, não glamour. E rimmel transparente não imprime.

Tudo isso porque estava eu conversando no trabalho e uma delas estava chateada porque na noite anterior não conseguiu sacar $ pra sair com as amigas. Frustrada, niteroiense e então pobre, teve que voltar pra casa e se conformar em passar a noite no twitter.

Nessa hora você se conforma e tira o rimmel.

Cara, nada no mundo é mais deprimente do que tirar um rimmel não usado. Dá uma trabalheira danada, suja, a cara fica toda borrada... Pra nada?! Ali você se dá conta de que sua vida é uma merda mesmo e você é uma looser, sem amigos, sem vida social, que DESISTIU de sair. Colocou aquela porra preta no olho à toa.

Um minuto de silêncio em solidariedade à amiga.

sábado, 12 de setembro de 2009

10 anos hoje.

hoje faz 10 anos que meu avô morreu e minha vida se transformaria para sempre.

não é um dia triste. nunca foi. mas faz 10 anos que ele me faz falta todo dia. e resolvi escrever aqui em homenagem a ele, com todo esse simbolismo que o 10 anos nos traz.

há 10 anos eu ingressaria de fato na idade adulta e teria que aprender a cuidar de mim. era por isso que ele não queria ir embora. mas acho que fizemos um bom trabalho.

Ulisse. VôLisse. ele era o meu avô. há 3652 dias eu sinto a falta das respostas que só ele me daria. ele era minha figura masculina, meu conselheiro, minha alma-gêmea, meu herói. a gente se falava no olhar e só a gente sabia o quanto que aquele amor era. meu avô era minha retaguarda. era isso. meu avô era minha retaguarda.

sinto tanta falta e tanto me dói quanto sinto uma alegria pollyana por ter tido a chance de dividir um espaço de tempo com uma figura tão íntegra. ele tinha defeitos? vários. não me dava limites, bebia demais, era caótico na bagunça. mas ele era tudo o que eu tinha.

e é pra não perder tudo o que eu tinha que eu sigo levando ele aqui no meu coração, sem esquecer nunca, nunca, nunca. parece estar presente quando ainda sinto o suor do seu abraço num sonho em que ele sempre me aparece sorrindo e dizendo que não, ele não morreu. mas que ele precisava sumir pra que as pessoas resolvessem seguir adiante. porque ele carregou uma família toda no colo e agora, aos trancos e barrancos, a gente tem aprendido a viver sem ele.

e eu vou conseguir. por mim e por ele.

te amo, vô. sinto sua falta todo dia. todo dia. todo dia.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

do lado de dentro


porque no fundo s
ó a gente sabe o gosto que aquele cheiro tinha.

e eu me queria ali, no lado inverso da tua fotografia, para sempre capturada no frame do fundo do seu olho enquanto aguava pra grudar em mim aquele teu cheiro de café fresquinho.