quinta-feira, 8 de outubro de 2009

por um mundo sem carros



eu não sei dirigir. não tenho carteira, não pretendo ter carro.

sei lá, não acho prioridade. nunca precisei e acho que carro polui e faz dodói nas pessoas. eu não sou nem um pouco acomodada, fresca, não tenho cabeça de gordo. adoro andar. não preciso de carro.

é um conforto. mas o táxi também é super confortável. e pra quem mora numa cidade como o Rio de Janeiro, carro é totalmente supérfluo. a menos que você more na Barra. ah, mas também, na moral: quem mora na Barra tem mais é que se f*** mesmo. mas o fato é que a oferta de transporte aqui é tão grande que precisamos de carro mesmo é pra ir pra Búzios. só.

e não adianta: eu dou valor à experiências vividas, e nada mais.

meu pai questiona muito isso. "filha, e a carteira?". eu desconverso sempre. não quero, mas não sei também dizer: "olha, nunca terei. vamos mudar de assunto?".

mais de 5 batidinhas de carro traumaLIzaram meu coração. junte a isso 2 amores de adolescência que se foram pelo mesmo motivo. carro dói.

vindo pro trabalho hoje pensei nisso. taí: uma das grandes vantagens de ir pra Europa é parar essa palhaçada de engordar a bunda num banco de carona. libertem-se disso! andem a pé. patinem. andem de bike.

e sempre haverá "Last Kiss" pra me lembrar de que carro dói. e sempre haverá a lembrança daquele show do Pearl Jam, sozinha, debulhando-me em lágrimas que teimavam em não parar.

hoje concluí que é a música que mais me parece triste. de todas. em mim.

"we were out on a date in my daddy's car,
we hadn't driven very far.
there in the road straight ahead,
a car was stalled, the engine was dead.
I couldn't stop, so I swerved to the right,
I'll never forget the sound that night.
the screaming tires, the busting glass,
the painful scream that I heard last.

oh where, oh where, can my baby be?
the Lord took her away from me.
she's gone to heaven so I've got to be good,
so I can see my baby when I leave this world.

when I woke up, the rain was pouring down,
there were people standing all around.
something warm flowing through my eyes,
but somehow I found my baby that night.
I lifted her head, she looked at me and said;
"hold me darling just a little while."
I held her close I kissed her - our last kiss,
I found the love that I knew I had missed.
well now she's gone even though I hold her tight,
I lost my love, my life that night.

oh where, oh where, can my baby be?
the Lord took her away from me.
she's gone to heaven so I've got to be good,
so I can see my baby when I leave this world"

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em tempo: só o amor não realizado pode ser romântico.

3 comentários:

Rodrigo disse...

dá quase pra ouvir você falando na frase "ah, mas também, na moral: quem mora na Barra tem mais é que se f*** mesmo"

Carlos Aranha disse...

perfeito! olha meu último post, falo um pouco sobre isso (http://aranhanaeuropa.wordpress.com/) ah, e obrigado pelo link! :)

rafaelfortes disse...

Concordando no atacado e discordando no varejo: "pra quem mora numa cidade como o Rio de Janeiro, carro é totalmente supérfluo" quer dizer na Zona Sul e adjacências, né, Lu?

Afinal de contas, "escolher" entre andar ou não de carro só faz sentido para quem tem um. Ou seja, minoria.

A maioria não mora a distâncias ou lugares que permitam escolher entre várias formas de deslocamento, inclusive bicicleta e caminhada. E, diariamente, se ferra levando chibatadas e pagando caro nos ônibus, supervias, metrôs e barcas da vida.

Beijo!