sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

quem cedo madruga


Só porque hoje o dia amanheceu como um presente àqueles que se dispuseram a viver o momento.

Lindo. Lindo. Lindo.
Ou seria o novo olhar
através da nova janela?



Estou tonto,
tonto de tanto dormir ou de tanto pensar,
ou de ambas as coisas.
O que sei é que estou tonto
e não sei bem se me devo levantar da cadeira
ou como me levantar dela.
Fiquemos nisto: estou tonto.

Afinal
que vida fiz eu da vida?
Nada.
Tudo interstícios,
t
udo aproximações,
t
udo função do irregular e do absurdo,
t
udo nada.
É por isso que estou tonto ...

Agora
todas as manhãs me levanto
t
onto...

Sim, verdadeiramente tonto...
S
em saber em mim e meu nome,
sem saber onde estou,
sem saber o que fui,
sem saber nada.

Mas se isto é assim, é assim.
Deixo-me estar na cadeira,
estou tonto.
Bem, estou tonto.
Fico sentado
e
tonto,
s
im, tonto,
tonto...
T
onto.

[Álvaro de Campos]

2 comentários:

Anônimo disse...

Belo post Luana. Assim como vc!

Brasa disse...

Demais! saudades de fotografar no amanhecer!
Escolheu bem a poesia tb...

bj