estou tonto,
tonto de tanto dormir ou de tanto pensar,
ou de ambas as coisas.
o que sei é que estou tonto
e não sei bem se me devo levantar da cadeira
ou como me levantar dela.
fiquemos nisto: estou tonto.
a final
que vida fiz eu da vida?
nada.
tudo interstícios,
tudo aproximações,
tudo função do irregular e do absurdo,
tudo nada.
é por isso que estou tonto ...
agora
todas as manhãs me levanto
tonto ...
sim, verdadeiramente tonto...
sem saber em mim e meu nome,
sem saber onde estou,
sem saber o que fui,
sem saber nada.
m as se isto é assim, é assim.
deixo-me estar na cadeira,
estou tonto.
bem, estou tonto.
fico sentado
e tonto,
sim, tonto,
tonto...
tonto.
[Álvaro de Campos]
2 comentários:
Belo post Luana. Assim como vc!
Demais! saudades de fotografar no amanhecer!
Escolheu bem a poesia tb...
bj
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