terça-feira, 4 de maio de 2010

O primeiro buzz a gente nunca esquece


Eu tinha uns 15 anos. dividia meu tempo entre a matinê de sábado e tarde e o namoradinho da porta da escola. Eu tinha todo o tempo do mundo naquele dia em que eu morri.

Foi de repente, e começou com uma brincadeira pelo telefone: Luana morreu. Sem dimensão de aonde aquilo poderia parar, uma amiga contou pra uma amiga que triste, coitada, me deu a maior prova de amor que poderia vir: Contou pra todo mundo. E, de repente, o “Luana morreu” foi saindo do nosso controle. Era gente chorando na praia, abraços apertados de amigos, ex-namorado esquecendo o passado e ligando pra minha mãe, cheio de lágrimas e pesares. Bem feito pra ele, aliás.

Soube de um amigo que chorou tanto, tanto, tanto, coitado. Nem sabia que ele era tão meu amigo.

Eu não tinha morrido e a idéia nem foi minha. Uma brincadeira boba foi tomando uma proporção tão grande que tive minha primeira prova de até onde o boca-a-boca alcança: Depende da importancia do alvo e da relevância do assunto. Nesse caso, foi longe. Passei meses enfrentando as surpresas na rua (“ué, mas você não tinha morrido?) e tentando puxar o fio do meada que fez o roteiro da minha vida ter um final tão triste – eu, cheia de vida pela frente, de repente, morta.

Eu juro que não tive culpa. Eu tenho muitos amigos e, pelo visto, eles gostam muito de mim. Mas, desde esse dia, procuro tomar cuidado com o que falo. Vai que acreditam.

Engraçado essa história ter voltado hoje. É que recebi um telefonema tão feliz ontem... E resolvi escrever no Facebook: “Muito feliz com a notícia que recebi por telefone”. Só isso.

Imediatamente foram vindo tantas especulações que resolvi puxar o freio de mão, já imaginando as consequencias: Calma, gente, não é o que vocês estão pensando. Ou quase é: Minha melhor amiga, aquela do jardim de infância, aquela tão especial, aquela de todos os momentos... Vai ser mamãe. E a gente nunca está totalmente preparada para isso.

Ontem mesmo eu pensava tanto nela, e mandei email, e escrevi um post, e coloquei uma foto... E, horas mais tarde, no telefonema veio a pergunta: “Tá preparada pra ser titia?”

Não. Acho que, por mais que adoremos, por mais que esperemos, 100% preparada a gente nunca está. O sentimento é tão novo que precisei de um tempinho pra ficha cair. Caiu. Estou muito feliz por ela e por ele, esse santo homem que fez o coraçãozinho dela se aquietar. Vivendo aquela sensação de que uma das pessoas que você mais ama NO MUNDO está no momento mais feliz da vida dela. Salve, salve, que isso não tem preço.

Um comentário:

Marcelinha disse...

Eu recebi a mesma notícia!!! Que feliz!!