terça-feira, 15 de junho de 2010

sintra



ainda em Portugal, fomos conhecer Sintra, a 50 min de trem de Lisboa. eu já havia lido sobre a cidade algumas vezes e o que encontrei foi ainda melhor do que esperava.

pegamos o trem no Rossio, estação meio central em Lisboa. 1,70 Euros cada trecho. se você usa o cartao VIVA LISBOA, todo o transporte (trem, metro, bonde) sai ainda mais barato. vale super à pena.

chegamos a Sintra meio cansados e com objetivos bem definidos: queriamos conhecer o Palácio da Pena e a Quinta da Regaleira. Se desse tempo, iríamos a mais lugares. e terminaríamos nosso dia comendo os famosos Travesseiros de Sintra, do mais tradicional ainda restaurante Periquita.

eis que um erro banal quase acaba com o nosso dia: nos julgando jovens, atléticos e cheios de saúde, resolvemos (ideia minha) subir a pé ate o Palácio. quem ja foi, nesse momento, deve estar rindo de mim. quem nao foi imagine caminhar ate a putaqueopariu durante horas, por uma estrada onde não passa vivalma, onde nenhum desgraçado pára pra te oferecer carona, simplesmente porque você, gênio, optou por economizar 2,5 Euros so pra mostrar que é jovem.

tipo... NUNCA MAIS.


chegamos ao topo (sério, era muito alto, tipo subir ate o Corcovado desde Laranjeiras usando sapatos equivocados e, chegando la em cima, descobrir que tinha um ônibus por 5 reais) exaustos, de mau humor, querendo ir embora. mas aí tudo se acalmou. o Palacio da Pena eh muito, muito, muito bonito. residência de verão da Corte portuguesa até décadas atrás, o prédio mistura uma série de estilos no mesmo lugar (arquiteturas árabe, bisantina, indiana, rococó, vitoriana, sei lá mais o que...) e, contrariando todas as expectativas, o resultado fica LINDO!


2 horas e mil fotos depois, criamos coragem e subimos mais um pouco até o Castelo dos Mouros. lindo, vista linda, tudo lindo.


malandros que já somos, pegamos o ônibus pra descer até a cidade e terminamos o dia com os tais deliciosos, imperdíveis, incomparáveis e inesquecíveis Travesseiros de Sintra no Periquita. não sei como explicar. é uma massa folhada, com recheio de amêndoas, ovos, açúcar e muita alegria.


ai, ai. volto ao Brasil direto prum spa. mas bem feliz. como se come bem nessa terra. Jeová!

domingo, 13 de junho de 2010

ora, pois


de volta ao Velho Mundo. sempre em busca de um novo olhar.

chegamos a Portugal em plena época de Santo Antonio. Meu Deus! que coincidência incrível!

vou então engrossar o coro de muitos brasileiros que se surpreendem ao chegar aqui: Portugal é lindo e damos muito pouco valor a essas bandas d´Alem Mar. não sei exatamente porque, se é por um orgulho bobo, ignorância ou burrice mesmo, mas o fato é que não aproveitamos o melhor que nossos bravos descobridores tem a nos oferecer: a beleza e a simpatia.

a gente passa a vida contando piadas de português e os gajos estão aqui, de braços abertos, amando o Brasil. vá entender.

Lisboa é uma cidade linda e interessantíssima, que combina muito bem o charme do Velho Mundo com a loja moderninha. nos hospedamos no Chiado, em um hostel fofo e super bem localizado que havia sido indicado pelo Tiago, da Rio360. melhor impossível: estamos entre a Baixa, que é onde a cidade acontece de dia, com lojas, transporte, o mar etc, e o Bairro Alto, que é onde a cidade FERVE a noite. pode melhorar? pode. Chiado é o charme em pessoa e é onde ficam os melhores restaurantes da cidade. com refeições a 15 Euros, vinho incluso, para 2. ouié.

andamos, andamos, andamos pela cidade. como se anda. e quanta ladeira, pelamordedeus. só mesmo andando muito de bonde, ou elétrico, pra aguentar. ou comendo muito pastelzinho de Belém (ou caldo verde, ou pastéis (bolinhos) de bacalhau, ou tudo junto) para estar repondo ascaloriatudo - e umas a mais, ora pois...


andamos pelo Castelo de São Jorge, Torre de Belém, Oceanário (virei criança outra vez), Baixa, Chiado e principalmente pelo Bairro Alto, que é onde a cidade FERVE entre as 18h e sabe-se lá que horas. é engraçado, aliás, porque Lisboa tem uma cara de dia, com seus cafés, suas lojinhas, seus eléctricos... e a noite começa a aparecer tanta, mas tanta, mas tanta gente bebendo cerveja nos Miradouros e pelas ruas do Bairro Alto, que fiquei me perguntando: onde, meu Deus, esse povo se esconde durante o dia? porque, JURO, parece Lapa em sábado de Carnaval, sabe? incluindo a cerveja, o barulho e o xixi. ok, um pouco menos de xixi.


aliás, para nossa surpresa, escolhemos passar um final de semana em Lisboa justamente no meio do feriadão da Noite de Santo Antônio. se você, como eu, não fazia idéia do que é, saiba que é o dia mais importante para Portugal, quando o país inteiro (Lisboa, pelo menos) sai de casa para comemorar, beber vinho e comer pão com sardinha. simples, barato e delicioso. nos esbaldamos.


missão quase cumprida

como perceberam, estou de volta ao Velho Mundo. delícia. habituada, já :)

passagem ultra express pela Itália. se tudo der certo, oi pro advogado, entrada na documentação e tchau pro advogado.

ok, amo a Itália, sou muito feliz com as minhas origens... mas foram 30 dias pela Itália há menos de 6 meses, né? vamos estar dando um sossego pra pança, inclusive.

a documentação sai em 15 dias e conto pra vocês. em breve, com fotos dos docs :)

enquanto isso... ALEMANHA!!!!!!!

aguardem. se a weissbier permitir.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Para o orgulho de toda uma geração



A amiga dona de casa deve estar se perguntando se a foto aí de cima é mesmo verdade ou se trata de uma alucinação. Acredite: Depois de tantas e tantas viagens, dores nas costas, arrependimentos e promessas, eu consegui: vou viajar pra Europa por 20 dias com essa malinha de mão aí da foto + uma bolsinha de mão.

Eu juro. todas essas milhas na bagagem não poderiam ser em vão. Finalmente eu aprendi como fazer uma mala objetiva e útil para um verão no Velho Mundo. Pois é; é verão e eu resolvi aproveitar a leveza que ele permite, já que o mínimo que pegarei é 15 graus. E decidi não sofrer carregando a vida nas costas.

Ela foi pensada, na verdade. Dentro dela entrou toda a experiência adquirida nas viagens anteriores: Eu que tenho que carregar; nunca usamos tudo mesmo; sempre usamos aquilo que a gente gosta mais; é fato que alguma coisinha a gente vai comprar (Primark, aqui vou eu!); roupa se lava. Tô levando basicamente:

5 camisetas "dia"
3 blusinhas "night"
1 short caqui
1 short molinho tipo "dormir ou descer ali no bar do albergue"
1 camisola (só dormirei em quarto double dessa vez...)
1 saia jeans
1 saia preta
1 calça jeans
2 casaquinhos "Zara fininhos tipo 18-20 graus"
1 blusa/casaco de plush
2 vestidos
1 vestido/casaco
1 blusa térmica
1 legging
1 necessaire muito, mas muito, mas muito bem pensada
calcinhas e soutiens
1 melissa
1 all star
havaianas e biquini, afinal, carioca, tamo aí, né...

Pra verem que não é caô, fiz uma foto da mala com seu mais novo amigo, o ventilador de 40 Cm


Depois eu conto como foi :)

terça-feira, 1 de junho de 2010

pobre, mas aristocrata


relembrando os nossos velhos tempos na Itália, eu e minha cunhadinha querida Mileshe resolvemos fazer um risotinho hiperdelícia pra passar o tempo e o frio que se estabeleceu no Rio de Janeiro.

como não tinha quase nada na pobre geladeira, aderimos ao freestyle e fizemos um risoto de parmezão com limão tahiti, já que siciliano tem, mas acabou. nós duas adoramos cozinhar e, desde a Itália, nos apaixonamos pelo risoto. qualquer hora é hora pro exercício da criatividade.

fizemos uns 200g de arroz arbóreo + 100g de grana padano + 1/2 limão tahiti. o caldo (sim, todo cozinheiro que se preze sabe que o segredo do risoto é um bom caldo) fizemos com 2l d'agua, 1 colher de massaroca de alho espremido, 2 caldinhos de galinha e 1 colher de café cheia do tempero siciliano que eu trouxe de viagem e ainda resta. não tínhamos vinho branco, então escaldamos o arroz com um cálice de cerveja belga Leffe. doeu, mas era preciso pra liberar o amido... e pelo menos sobrou metade dela pra eu beber. e aí aquilo: risoto. vai regando o arroz com o caldo fervente bem devagarzinho em panela quente, fogo médio... até dar aquele ponto caldaloso e o arroz estar aldente e ter dobrado de tamanho. acrescentamos o queijo e...

contrariando as expectativas pela safadeza do caldo, não é que ficou INCRÍVEL? eu sei, o melhor tempero para a comida é a fome. mas ficou bom, mesmo. o ponto certinho entre o limão, o sal, a pimenta do tempero siciliano, o caldo e o arroz. ai, ai... e ainda esteve sobrando um bocado, mesmo com a fome de Mileshe.

beijovemalmoçarcomigohoje.

momento "vamos colocar um pouquinho mais de caldo?"


visualize a cara de alegria da pessoa. óbvio, ela repetiu.

cidadania italiana diretamente na Itália


eu vinha há tempos querendo escrever sobre isso. mas, sabe como é: os dias passam, a gente se mata de trabalhar, entra na Roda da Vida e acaba passando o momento. mas agora resolvi falar.

pouca gente sabe, mas o motivo que me fez passar quase 2 meses da minha vida na Europa no fim do ano passado foi bem definido. dessa vez eu não ia conhecer o velho mundo, fazer amigos, me apaixonar por novas pessoas e suas culturas, nada disso: fui obter minha cidadania italiana diretamente na Itália. uma decisão difícil e acertada. por isso escrevo.

escrevo para ajudar àqueles que estão na mesma situação em que eu me via até meses atrás. àqueles que depositam suas esperanças na chance de uma vida melhor no Velho Continente… ou simplesmente querem ter as portas abertas para você. não era o meu caso, nem um nem outro. ou era o meu caso, cada um: eu queria um backup plan. sabe? se algo não saísse como planejado? se eu resolvesse mudar de idéia, de ares, de vida? foi pra isso que eu fui atrás.

ter reconhecidos seus direitos de cidadão europeu não é fácil, nem aqui nem lá fora. é muita mão de obra, muito $, muita bateção de cabeça, muita burocracia e, pior: muito tempo. sempre demora.

mas… como fazer?

nesse caso eu falarei somente pelo processo italiano, que é no que me especializei. mas tem uma coisa que vale pra todos os países da Europa: o primeiríssimo passo é descobrir se você TEM DIREITO de ter cidadania europeia.

e como saber?

bom, se você leu até aqui é porque se interessa pelo assunto ou porque pelo menos acha que tem. basicamente tem direito a cidadania por JUS SANGUINIS todos os cidadãos italianos nascidos fora da terra dos carcamanos, desde que fujam de algumas exceções e respeitando algumas regrinhas:

- acredito que até umas 4 gerações se tem direito, ou seja: se o seu tataravô era italiano, você pode ter direito à cidadania.

- não pode ter mulher na linha de descendência, se elas forem nascidos até 1948. isso porque até a Constituição desse ano as mulheres não tinham os mesmos direitos dos homens… então nem adianta: se alguma mulher na sua linha de ascendência nasceu antes dessa data, você não tem o direito.

- para saber se tem direito, procure o consulado italiano mais próximo e se informe. aproveite e já veja quais documentos você precisa apresentar para ter a cidadania reconhecida.

se o seu caso é um daqueles fortuitos de alguém da sua família já ter conseguido a cidadania através do consulado daqui, meu bem… o que está esperando? consiga os documentos que faltam e mãos à obra. demora pouquinho pra sair.

mas não é o caso da grande maioria e a frase mais ouvida por quem está no processo é: cada caso é um caso. e é. essa lição eu aprendi na marra. então na verdade não adianta tentar copiar o processo de um amigo que deu certo. nada diz que o que funcionou com ele vai ser igual com você. mas, basicamente, o que você precisa ter de documentos são TODOS os que provem a linha genealógica do Italiano até você. TODOS: nascimento, casamento e óbito. tem todos? ótimo. providencie 2a via de todos eles EM INTEIRO TEOR, uma modalidade meio diferente de certidão, que, em linhas gerais, contém mais informação do que a certidão convencional. se você respondeu sim até aqui, que sorte a sua. avance 10 espaços.

a piadinha é porque, óbvio, dificilmente esse caso vai ser o seu. ninguém tem essas certidões todas, e pouquíssimas pessoas (como foi no meu caso) tem sequer a informação de onde o italiano veio, onde casou, se aqui ou na Itália, etc, etc, etc. essa lista de etcs é gigante e já aqui dá vontade de desistir. e ainda falta, viu?

então, a primeira coisa a fazer é conversar com sua família. toda. eu aproveitei um Natal e expus o que pretendia pra ver quem lembrava do que. onde casou, onde nasceu, se tem mais filhos etc. vale uma visita à tia-avó caduca, uma conversa com a mãe, tudo. e aqui o processo já fica interessante porque nada mais é do que uma busca das origens. no final, todo mundo sai ganhando.

eu não sabia nem a cidade exata onde meu bisavô havia nascido. data, nada. mas tinha uma força de vontade que não me deixava desistir. e, se escrevo esse longo post hoje, é porque consegui: sou finalmente cidadã italiana.

além disso, vale ler TUDO sobre o assunto. Google, Orkut, sites, blogs. tem muita informação por aí e só vai te ajudar a entender o processo.

pra quem não tem informação nenhuma, a busca é praticamente impossível. você precisa saber onde buscar as certidões. eu, no meu caso, não sabia direito a cidade natal (descobri, é Capannori, Toscana) e nem a data e não tinha a certidão de casamento dos meus bisavós. não sabia onde eles casaram. mas fui no rastro. e consegui, pé ante pé, ir descobrindo, refazendo o caminho deles, retomando forças, rezando (sim, rezando), chorando (sim, chorando), me frustrando, me alegrando com cada pequena descoberta. não me arrependo.

provavelmente seu antepassado entrou no Brasil por Santos ou Vitória. existem alguns lugares para procurar informação: o Memorial do Imigrante, em Sampa, a Curia Metropolitana, o Arquivo Nacional ou o Consulado Italiano mais próximo (duvido que adiante algo) ou… cada caso é um caso. no meu caso, pra se ter uma ideia, eu abri duas frentes: contratei um advogado na Italia para achar a certidão de nascimento do meu bisavô (esse serviço custa entre 300 e 500 Euros e vale cada centavo) e, em paralelo, levantei todas as igrejas e todos os cartórios que existiam em São Paulo na década de 20, porque, se meus bisavós se casaram, lá estava a chance de encontrar. tirei 1 semana de folga e fui pessoalmente a 19 cartórios da maior cidade do Brasil em busca da certidão de casamento deles.

tem os documentos italianos? mole! encontre no Google os contatos do cartório (ou da paroquia) que os expediu, ligue pra lá ou mande um e-mail e peça uma 2a via. não fala italiano? ahhh meu bem. nem eu. quem disse que ia ser fácil? nesse caso, viva o Google Translate… ou ligue e pergunte: PARLA INGLESE? provavelmente a resposta será não. talvez seja mais fácil escrever pro cartório, esperar uns 4 meses e rezar para a certidão chegar aqui.

voce vai precisar também provar que o italiano não se naturalizou brasileiro. isso é muito fácil: pelo site do Ministério das Relações Exteriores você consegue imprimir na hora. basta digitar "CERTIDÃO NEGATIVA DE NATURALIZAÇÃO" no Google.

nesse momento você já deve estar se dando conta de que o processo cansa e é caro. pense bem se vai querer encarar.

já sabe onde está tudo? ok, 2a via de inteiro teor de tudo. caso não seja na sua cidade e você não conheça ninguém por perto, basta você ligar para o cartório, explicar a situação, passar os dados todos do que você quer (nome, ano, data, folha, livro, o que souber) e pedir ou uma busca (no caso de você não ter uma certidão velha em mãos), combinar como será feito o pagamento (entre R$10 e R$20 cada certidão + correio…) e esperar.

chegou? ótimo. veja onde esses tabeliões que assinaram as certidões tem firma registrada na sua cidade, caso você more em uma cidade grande. senão, já veja quando pedir onde eles tem na cidade deles mesmo… você acha isso num CARTÓRIO DE REGISTRO DE NOTAS. se ele não tem firma na sua cidade (são umas 10 certidões que passam por esse processo), já consiga um motoboy que busque o documento no cartório da cidade em questão, leve pra reconhecer firma e despache pra sua casa via correio. se toda a sua família nasceu, casou e mora onde você mora, sorte a sua. duvido.

está com tudo nas mãos? encontre o tradutor juramentado mais próximo da sua casa. essa informação você encontra no péssimo site do consulado da sua cidade. precisa traduzir todos os documentos em português para levar ao consulado. depois disso, você deve ir no Ministério das Relações Exteriores, num departamento que no Rio atende por ERRE-RIO e fica na Rua Marechal Floriano, no Centro, para carimbar que aqueles documentos ali são válidos.

e aí vem a questão:

dar entrada no processo aqui ou fazer como fiz e reconhecer a cidadania direto na Itália? eu defendo aqui a difícil 2a opção. mas é uma decisão muito pessoal.

fazer o processo no Brasil, começando do zero, demora no mínimo 10 anos. sim, DEZ ANOS. eu não dispunha desse tempo porque queria fazer o processo justamente ainda jovem, para aproveitar. eu tinha um trabalho que me permitia passar alguns meses lá. mas isso eu acho que qualquer um tem se tiver o 3o pré-requisitos: eu queria mais que tudo fazer. trabalhei igual a um camelo por quase 2 anos, juntei $, pedi demissão e fui. mas aqui entra a realidade de cada um. e a partir daqui eu falo só do meu caso, de fazer na Itália, porque sei pouco da outra forma.

cheguei no Consulado antes das 6h da manhã. precisava LEGALIZAR esses documentos brasileiros para dar entrada diretamente na Itália. é um direito seu, não ache que está enganando ninguém. mas prepare-se para te tratarem mal. não sei porque, maluquice de Italiano. esse processo de legalização não demora nada se for no Rio. 15 dias. em Curitiba, dizem, anos. Porto Alegre é ainda pior. mas você precisa provar que mora naquela jurisdição através de um documento que a sua ZONA ELEITORAL te dá informando seu endereço. então, ou você dá um jeito de ter 6 contas de luz com um endereço de outro estado no seu nome, ou você espera. ou você paga.

sim, paga. claro. vivemos no país do jeitinho. certamente um jeito deve ter. eu não precisei, logo não conheci. mas fica o touch, se alguém achar que deve. e, falando em pagar, vem a 2a difícil decisão e talvez a mais importante: fazer o processo na Itália por conta própria ou contratar um advogado para fazer isso por você. eu pensei no assunto por 5 minutos e resolvi ceder ao advogado. eu não falo quase nada de italiano, não sei direito os detalhes do processo, não queria perder tempo demais num país estrangeiro, sozinha, batendo cabeça. custa caro? custa. vale cada centavo simplesmente porque você vai ter alguém fazendo o processo por você. se burocracia aqui é difícil imagina em outro país, outra língua, com outras leis??? pra mim, não deu. esse advogado vai te cobrar entre 2 e 3 mil euros. é, meu bem. é caro. mas ele vai fazer acontecer o seu processo. é o trabalho dele. achei melhor pagar e ter do que não pagar e nunca ter. mas o principal motivo que me fez procurar um advogado nem foi esse. todos os depoimentos que li na internet de pessoas que tinham ido por conta própria mostravam que a pessoa tinha se arrependido. gasta-se tempo, dinheiro e, muitas vezes, ela acaba contratando alguém. não dá, pelo menos pra mim. resolvi não arriscar.

o advogado vai basicamente conferir os documentos, te orientar, te receber na Italia, te explicar em linhas gerais e, o principal, alugar um apartamento (ou uma vaga em um) pra você. essa é a parte mais difícil de quem decide fazer por conta própria: conseguir um imóvel pra chamar de seu… lá. se alugar um apartamento aqui é difícil, imagine lá, sem CPF, falando línguas que ninguém fala (português, inglês…), sem lenço e sem documento. mais um latino. imigrante. ilegal. eu nem tentaria.

demorei até achar um advogado que me dava o que eu precisava. demorei a confiar nele. claro. cresce a cada dia o número de brasileiros que caem nas mãos de oportunistas nesse processo. por que? provavelmente porque nós, brasileiros, cultivamos essa cultura do jeitinho, de querermos nos dar bem sempre. e acabamos nos precipitando e fechando a proposta mais barata, mais fácil… sem ter nenhuma referência da pessoa, sem garantias, sem nada. eu, pelo menos, nunca soube de ninguém que tenha feito o processo direitinho, com alguém recomendado, e tenha se dado mal. quem quiser dicas de advogado, basta perguntar para quem já passou pelo processo ou deixar um comentário aqui.

fazer o processo na Itália muda um pouco de comune para comune. eu fiz em Ardore, sul do sul da Itália, perto de Reggio Calabria. vantagens: era um comune pequeno, logo, o processo é bem mais rápido do que em um grande centro. assim como no Brasil, a política nas cidades pequenas funciona muito através do tráfego de influências. os caras fazem tudo dentro da lei, mas… é mais rápido. o cara conhece o prefeito, que é amigo do dono da casa onde você se hospedou… e tudo acontece rapidinho, porque eles são os principais interessados em te tirar dali e colocar outro cliente no lugar. a desvantagem? não há NADA a fazer em uma cidade assim. nada… NADA. e isso pode te enlouquecer um pouco, principalmente se você viveu, assim como eu, numa cidade grande por toda a vida.

Ardore é uma cidade com 1000 habitantes no Sul da Calábria. tem ideia do que esse número representa? é como morar num FEUDO onde a vida não passa, o relógio não anda, todos controlam cada passo da sua vida. e a única diversão que você pode ter é decidir se vai à sorveteria (que não abre todo dia) ou ao supermercado (que fecha das 13h as 16h todos os dias).

mas isso, na verdade, faz pouca diferença. reconhecer a cidadania na Itália implica em provar que você mora lá. como? no meu caso, com um bom advogado. que te recebe na estação de trem, te leva pra casa que ele alugou pra você e onde você vai morar por um período de 15 dias a 4 meses. então, os processos são:

- em até 8 dias depois da sua entrada na Itália, fazer a declaração de presença.

- fazer o código fiscale, uma espécie de CPF de lá.

- ir ao Comune (prefeitura) fixar a residência. Chama-se inscrição anagráfica. você dá entrada nos seus documentos provando que mora lá. quais documentos? depende do Comune. por isso, recomendo o advogado. pra te poupar tempo, principalmente se você não fala italiano.

- se tudo der certo, entre 8 e 15 dias depois, o Vigile (uma espécie de guarda X9) passa lá para checar se você de fato mora naquele endereço.

aí vem a pior parte: até isso acontecer, você não deve sair de casa entre as 8h e as 21h. sim. na Itália, sozinho e praticamente em um Big Brother. e a internet funciona como uma carroça e resta a você comprar comida no supermercado (o momento mais legal do seu dia), jogar cartas com outros brasileiros que estejam lá com você, passar o dia tentando se conectar à internet e… pensar na vida. parece fácil, mas só estando lá pra saber que serão as semanas mais longas da sua vida. se eu fosse novamente, teria levado 2 livros a mais, alguns jogos, palavras cruzadas e o que mais viesse à minha cabeça. e olha que eu tinha meu irmão e minha cunhada juntos. é difícil fazer esse tempo passar. mas aí o Vigile passa e a alegria é geral.

a partir daí, fica a seu critério decidir se você vai esperar o processo ficar pronto na cidade onde deu entrada, viajar pela Europa ou voltar para o Brasil. sim, é possível. você deixa uma procuração no nome do seu advogado e ele "toca" o processo pra você de lá. provavelmente o Vigile nunca mais vai voltar para ver se você continua morando lá. se ele voltar… bem, aí seu advogado te avisa e você vai ter que pegar um avião e voltar à Itália. mais uma vantagem do trafégo de influência do Comune pequeno: isso nunca vai acontecer.

- dar entrada no pedido de cidadania. o Comune vai pedir ao consulado brasileiro que ele confirme a Mancata Renuncia, que é nada mais do que o consulado italiano onde você deu entrada no Brasil confirmar que nenhuma daquelas pessoas na sua linha de ascendência renunciou à cidadania italiana. e é justamente essa a parte que demora.

resta então esperar entre 2 e 5 meses para o processo sair. geralmente você vai precisar voltar ao Comune para assinar e receber a cidadania. GERALMENTE. torçam para serem a exceção dessa negrinha acima. mas é raro, viu.

e aí, cidadania europeia na mão, você pode dar entrada no seu passaporte lá mesmo naquela região administrativa (provavelmente em 15 dias). senão, basta dar entrada nos documentos em qualquer consulado italiano do mundo e fazer o tão sonhado passaporte vermelho.

e aí… aí vem o começo de tudo. mas isso é assunto para o próximo post. esse ficou enorme, né? mas espero ajudar alguém com isso.

::

pessoal,

desde que postei esse texto já ajudei muitas e muitas pessoas. eu tenho o maior prazer em ajudar porque passei muito perrengue pra conseguir meu passaporte.

se você precisa de ajuda, faça um comentário aqui e deixe seu email (sem email, não tenho como ajudar). funciona muito me adicionar no skype também: luamaislegal. facebook funciona, mas as mensagens vão pra caixa "outros" e demoro a ler. mas funciona.

uma coisa que sempre falo foi que durante meu processo eu me estressei bastante com o dia a dia. é um jogo, você só ganha se estiver muito bem preparado pra ele. tive várias divergências com meu advogado porque o processo demora e você está numa situação muito vulnerável.

se você leu até aqui certamente está em busca da sua cidadania, ou jamais perderia seu tempo com isso. escrevi tudo isso porque sei que é muito difícil estar na sua situação. no entanto, se você quer somente o contato do meu advogado, eu não vou poder ajudar. é muito fácil você conseguir isso sozinho: basta digitar cidadania+italiana+itália no google e vão aparecer mil opções.

escrevo isso porque muitas vezes recebo um email "oi, me dá o contato do seu advogado?". e, honestamente, não trabalho com isso, não posso me responsabilizar pelo trabalho dele, não quero me envolver. 
sei que é difícil esse momento e nos sentimos muito inseguros. e eu mesma queria um contato "de confiança". mas, como disse, tive muitos problemas durante o processo. você também vai ter os seus. não acredite em tudo que ouve - que são 2 meses, que é tudo lindo, que é fácil. não é. 

se quiser conversar sobre o processo, tirar dúvidas que eu saiba a resposta e, quem sabe, precisar de um contato de advogado, eu posso indicar. mas se quer só um contato, vai no google.

escrevi esse texto e venho há 4 anos ajudando pessoas que vivem esse mesmo perrengue de buscar a cidadania italiana pelo simples fato de que, quando eu precisei, não tive ajuda. não encontrei um texto como esse em lugar nenhum. escrevo isso porque, quando eu estava na Itália esperando meu passaporte, comecei a me questionar "o que é ser cidadão europeu?". e você? já pensou pra quê você quer ser cidadão italiano? o que é ser cidadão? claro que a jornada é individual e não existe resposta certa pra essa pergunta. mas vale se perguntar.

existem vários advogados e o processo é caro mesmo - hoje deve estar entre 2500 e 3500Euros. precisa se planejar muito pra embarcar nessa. 

mas, por favor, SEMPRE deixe seu email aqui.

obrigada :)
Luana