quinta-feira, 25 de novembro de 2010

sobre a violência

Últimos dias de tensas emoções na Cidade Maravilhosa.

Quem me conhece sabe que ando bem cansada de tudo isso. É fato que a cidade é linda, quiçá a mais bonita do mundo. Mas anda malcuidada há tempos.

A minha relação com o Rio de Janeiro anda estremecida e não é de hoje... Mas me entristece bastante ver que nos últimos dias a coisa saiu do controle, ver o Governador perder a mão e perceber a sensação de pânico que se instaurou no ar.

Mais ainda me incomoda saber que ninguém aqui é santo e não existe ponto sem nó. se as coisas acontecem dessa forma e nesse momento, algum motivo tem. Ah, tem! Sem Teoria da Conspiração; não precisamos dela. Mas o fato é que nada é em vão.

Nunca conseguimos perceber as grandes transições enquanto ainda estamos dentro delas. Mas foi assim, ó: a cidade foi abandonada, o tráfico se instalou, a polícia resolver cobrar, o pau comeu. Ainda vai demorar algum tempo para entendermos quem é o bandido e quem é o mocinho aqui.

Agora, o que incomoda mesmo são os terroristas de classe média que ainda pioram a onda de terror que domina a cidade. Protegidos atrás dos seus computadores, estão disseminando o pânico através das redes sociais. Realmente a cidade está péssima, existem várias ações ISOLADAS responsáveis pelo medo no ar. mas combinemos de uma vez por todas: o crime no Rio de Janeiro nunca foi organizado. Aprendam a fazer uma leitura crítica antes de soltar por aí mais uma barbaridade "aconteceu com o primo de um colega aqui". Pelamordedeus, né?

Tá incomodando, é? Ah, que pena! Mas a verdade é que a violência sempre esteve aqui. Ah, não sabia? Essa sensação sempre estave ali, latente. Só que não te incomodava. Há tempos que eu penso nisso todo dia e sou tratada como idealista. Mas nada como fazer meia dúzia de terrorismos na Zona Sul pra molecada facebuquiana se contorcer na cadeira. Me poupem, por favor.

Fica então aqui a melhor reflexão que li sobre o tema, feita pelo querido Bruno Moreno:

"Hannah Arendt fala que o medo é racional. Reagimos diante de uma ameaça iminente e real. O terror, no entanto, é quando irracionalmente nos paralisamos porque a ameaça está em lugar nenhum e todos os lugares. Não o vemos... E ele está aqui, mesmo não estando (e principalmente por não estar). O terror em "tempo real" é tão mais fácil quanto aumentado artificialmente. Fale mal da imprensa mesmo. E falemos mal de alguns de nós, que reproduzem as falas irreais das globos da vida e contribuímos para esse terror panóptico.".

Nenhum comentário: