sábado, 31 de dezembro de 2011

Pela atenção, obrigada


E lá se vai aquele que provavelmente foi o ano mais difícil da minha vida.

Em 2011 a gente riu (pouco, mas riu), se abraçou (muito), sonhou (muito mais) e aprendeu debaixo de muita porrada, que é assim que se aprende lá em casa.

E o mais incrível é que me resta dizer: Muito obrigada pela oportunidade e por cada uma das cicatrizes. Elas são a prova de que sobrevivemos à queda.

Então, no fingir dos ovos, queria te dizer que, já que não tenho 7 ondas pra pular, esse ano resolvi não pedir e não prometer nada. Quero que continue assim, lindo, mas que consigamos ver a vida de um modo menos dolorido, aproveitando toda essa nossa dor e toda essa nossa delícia.

E que o mundo não acabe em 2012 pois ainda temos muito o que brindar.




E essa minha estranha mania de matar a vida no peito...

E que 2012 seja doce, seja bonito e que o Caio nos faça cada vez sentirmos nós mesmos. Porque o que viemos fazer aqui nesse mundo foi buscar um sentido.

<3


"Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa. Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.

Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?

A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar. Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?

E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”

Caio.

ou ainda




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Já tinha um post programado pro dia de hoje, que vai aparecer a qualquer momento por aí. É que achei bonito demais isso tudo e precisava botar pra fora.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Então é Natal...


Eu sempre achei que eu não gostava de Natal.

Quer dizer: Mentira. Qual criança que não gosta de Natal? Nunca ouvi falar.

Mas faz tempo que eu passei dessa fase. Da época das rabanadas roubadas à beira da mesa e das nozes quebradas no canto da porta. Os primos correndo eufóricos pela sala. E a magia da árvore de Natal.

Era maravilhoso quando, mesmo já sabendo que Papai Noel não existe, a gente ainda não tinha noção da finitude das coisas. A doce impressão de que aquela boneca duraria para sempre. Nada era impermanente e eu acho que nunca fui tão feliz quanto eu era naquelas noites de Natal.

Me lembro de chegarmos sempre atrasados à casa da minha Tia Marília: Meu irmão, minha mãe e eu. Depois veio a Clara e ainda assim nunca conseguíamos chegar na hora. Da porta eu podia ouvir - e ouço agora, no andar de cima - a gargalhada dos meus primos.

Lembro também da primeira vez que ouvi a frase "Natal é uma data muito triste" e não pude na época entender porque. Não sabia ainda que essa é a hora da saudade. Porque quando a gente é criança estão sempre todos ali e, se por acaso a saudade bater, basta um abraço apertado pra saudade ir embora. Mas hoje, 32 anos nas costas, penso que há mais de 10 o Natal virou a ausência daquele abraço e se tornou o dia em que eu não tenho mais a minha avó na cadeira de balanço e o meu avô me amando incondicionalmente com aquele copo de vinho na mão.

O Natal perdeu a graça quando os primos cresceram e meus avós foram embora. E hoje aquele abraço era o único presente que eu queria e, que ironia, a única coisa que dinheiro nenhum pode comprar.

Por tudo isso, pensei que não gostava de Natal. Até hoje. Até eu decidir passar o Natal sozinha na fria e charmosa capital francesa. Vir pra cá foi a escolha pelo silêncio. O Natal da reflexão, dos rabiscos no caderno, o Natal dos queijos e vinhos, o Natal do facebook. Que idéia genial e idiota essa minha de passar o Natal sozinha na Europa. Dava tudo pra tocar agora a campainha do 203 e virar a melhor surpresa da noite. E dizer a cada uma daquelas pessoas o quanto as amo e perceber o quanto eu me importo com o Natal. Mas a verdade é que eu precisava da minha companhia - e só dela - nesse Natal.

Porque Natal é o renascimento, é a hora de avaliar as mudanças no ano que passou. Se preparar para um novo ciclo que começa em 7 dias. Esse foi o ano mais difícil da minha vida e talvez aquele em que eu mais tenha aprendido. E é preciso olhar pra dentro e assimilar todas as mudanças. E por isso, após 33 vezes ter passado o dia 24 na companhia das pessoas que verdadeiramente importam, eu resolvi concentrar todo o meu amor e dar de presente pra pessoa que é a mais importante no mundo pra mim: Eu mesma.

Feliz Natal, Luana.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo*



Lá fora faz 2 graus.
E você não imagina o calor que eu sinto aqui dentro.

Ficamos então combinados assim: ‎"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro".

Porque às vezes só mesmo a Clarice pra esquentar o coração nesse dia frio, pra ter certeza de que estamos no caminho certo, ou, pelo menos, pra acalmar toda essa ansiedade que eu sinto de nós.



*Saramago.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Todos os caminhos levam a Roma


Esse post é especialmente para a minha Conhada.

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Dez horas mal dormidas num trem Calábria - Roma. Achei que era genial a ideia de viajar de trem noturno e paguei de bom grado pra dormir na couchette. Tinha tido uma experiencia tão boa na Alemanha. Rá. Aí começa a piada.

Primeiro que a Itália não é a Alemanha. E quando eu estava entrando no vagão e vi as duas senhorinhas mais estabanadas de todo o Império Romano vindo atrás de mim, pensei: ''Deus não faria isso comigo''. Ah, tá bom, Luana. Não deu outra: Entram as duas no mesmo ''quartinho'' que o meu e resolvem que era uma boa ideia passar as dez horas falando SEM PARAR. ''É que eu não consigo dormir, ainda bem que temos companhia''. Sorri e pensei ''a-ham, foda-se''. Virei pro lado e coloquei o travesseiro na cabeça. Doce ilusão.

As pessoas falaram A NOITE INTEIRA. Assim. Italiano não é alemão. Fica a dica.

Pra piorar, no meio da noite entra na Cabine uma quarta amiguinha, no caso, chinesa (ou japonesa, ou singaporenha, ou sabe Deus). Que, obviamente, não falava uma palavra de Italiano. E as velhinhas calabresas acharam que era uma boa ideia ficar puxando assunto com a amiga. Sem parar. E ela não respondia, afinal, oi, ela não fala sua língua. E as velhinhas começaram a reclamar sem parar da falta de educação da moça, que não respondia as perguntas das tiazinhas.

Meu Deus, eu mereço.

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Desci em Roma cansada e tonta. Ignorei os pedidos de ajuda das Italianas pra achar sei lá o que que elas queriam. Talvez eu vá pro inferno por isso, mas minha paciência tinha chegado ao limite. Fui procurar o próximo trem pra Florença quando de repente eu me dou conta: Perai! Eu tê em Roma!!! Vou dar uma volta pela cidade.

Deixei minha mala na estação e fui sorrindo em direção ao Coliseu. Não adianta, eu nunca deixo de me emocionar com essa cidade.

Conclui então que, depois do Rio, Roma é o lugar onde que eu me sinto mais em casa. É onde eu tenho o meu café preferido, o meu sorvete querido, é onde eu lembro de todos os caminhos. Fui caminhando pelas ruas que acordavam naquela fria manha de Outono e passei por todos os meus lugares preferidos: Desci a Cavour até o Coliseu, fui no Campo de Fiori, andei até a Piazza Navona e tomei com gosto o Café Sant Eustachio, também conhecido como O MELHOR CAFÉ DO MUNDO. E ali, tão cedo, tão inesperado, tão feliz, eu agradeci.



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Piadinhas Calabresas


E aí a pessoa está feliz e contente no sul da Itália, teve um dia especial e resolveu abrir um vinho pra comemorar.

Mas, peraí: Cadê o saca-rolhas?

Ah, gente. Pára. Que espécie de pessoa tem uma casa na Itália (ou na França, ou na Argentina, ou, sei lá, no Zimbabwe) e não tem um saca-rolhas?

"É que a gente sempre acaba comprando aquele vinho de rosca..."

Virei as costas e deixei o amiguinho com a frase pela metade, pra, tipo, não constranger. "Depois eu que sou a grossa". Eu nunca vou entender o porquê das pessoas virem morar na Europa pra, no fim, não deixar São Gonçalo sair de dentro delas.

E aí começa a amiga aqui a procurar no Youtube como abrir a garrafa com um sapato. Mas assim: Essa parada não funciona. Tentei até praticamente acordar o prédio inteiro. Tentei o vídeo primo, que é "Como abrir uma garrafa de vinho com uma lista telefônica". Nada.

Respirei fundo e olhei pro céu buscando uma solução. "Não beber o vinho caro que você comprou pra comemorar" não parecia uma idéia boa. Só restava uma alternativa.

10 da noite. Sul da Itália. 10 graus, ou seja: não haveria na rua viv'alma. Luana desce. Olha prum lado, olha pro outro. "Não existe violência na Europa", penso pra me convencer. E desço a rua correndo. E bato na porta da primeira Trattoria que eu vejo.

"Ciao, buonasera. P'uo apprire per me?"
(E AQUELE SORRISO BONITO DA MULHER CARIOCA NO ROSTO).

"Prego!"
(E GARGALHADA GERAL ANIMADA DOS AMIGOS GARÇONS TUDO)

Virei piada, mas consegui. Rá. Não contavam com a minha astúcia.

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Pra fechar, 3 perguntinhas básicas:


1) Se a pessoa compra o queijo "Fior de Fette" toda crente que tá valorizando o lanche com fatias delicadas de Queijo Feta, mas chega em casa e descobre que "Fette" é "fatia" em Italiano, ela é considerada muito burra?



2) Se a pessoa está na Itália e, resolve, numa emergência, comer o miojo que ela trouxe na mala do Brasil, ela perde o direito à Cidadania Italiana?


3) Por que, OH CÉUS, a pessoa trouxe um Miojo na mala do Brasil?


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Atenção, passageiros


E de repente me pego olhando pra esse aviso luminoso e desavergonhado que me diz: 3 hours delay. E me pergunto se já deveria, então, começar a sentir saudades de você.

Os anos passam e vejo mudar em classe econômica a relação que eu tenho com esses malditos aeroportos. Seriam um porto seguro ou seriam a melhor saída? 'There's no place like home' mas eu nunca sei o que sentir em todas essas minhas idas e vindas. Eu não sou daqui, ainda que eu tenha amor. E não espere menos de alguém que se arrisca ao ter um blog “Quaseindo”. Sempre estive indo, sempre estive vindo. Sempre estive condenada a não pertencer a lugar algum. O que você não entende é que não sou pra não precisar não ser.

Mas eu vejo essas crianças correndo pelo chão do aeroporto e me lembro que nunca fui tão feliz quanto criança no Galeão. Me sinto em casa nesse chão tão cuidadosamente encerado, e me lembro de todas aquelas nossas corridas de carrinhos, daquela alegria familiar a cada chegada, a cada partida. Não existe felicidade mais genuína do que a infância que vivi aqui, eu e todos aqueles primos. A vontade de que a infância pare no tempo. Eu tinha 8 anos e nunca me lembro de ter sido mais feliz.

Mesmo hoje, naquele abraço espremido e querendo virar um só. E agora, esperando um vôo que já completa 3 horas de um atraso idiota, eu me pergunto porquê que eu resolvi de novo ir embora de você. Eu não tenho pra nunca mais ter que perder. E lá se vão 3 horas. “É a neve em Paris, senhora”. E eu com isso de ter neve em Paris, eu que nem estou indo pra lá. Eu, que já nem sei se estou indo ou vindo, eu, que já nem sei pra onde vou. Eu, que agora não consigo parar de pensar que estou Quaseindo pro resto de mundo sem você. Eu, e o que mais me impressiona é que nem quero mais conseguir te tirar aqui de dentro de mim.

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Tiquetaquetiquetaquetiquetaquetiquetaque. Faltam 2 semanas pra eu ser [mais] feliz de novo. E você? Tem coragem?

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É oficial: De uns tempos pra cá, os taxistas resolveram que agora me chamam de “Senhora”. Assim, eu não me vejo Senhora, eu não tenho cara de Senhora, eu não tenho cabelo de Senhora. Vamos parando com essa palhaçada. Grata.

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Pela atenção, obrigada. Nos vemos pelos aeroportos do mundo. Meu vôo está Quaseindo sem mim :)


domingo, 11 de dezembro de 2011

Matando um dragão por dia


Uma da manhã. Pensando no Cazuza e tentando tirar todo esse peso da mala entreaberta no canto do quarto. Viajamos pra isso, afinal: Fazer a vida parecer mais leve e nos encantar pelo desconhecido.

Ou viajamos para nunca mais voltarmos ao lugar de onde partimos.



E ainda:

"Pra quem não sabe amar / Fica esperando alguém que caiba no seu sonho".

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

De volta ao começo


Eu tinha tanta coisa pra dizer sobre o dia de hoje. Como foi bonito e estranho o último dia aqui sem você. Caminhando nessa praia eu percebi que o sol beijava as ondas de um jeito tão bonito que me fez sorrir tão feliz. Eu e todos esses meus símbolos: A minha última refeição aqui, a última cerveja tão gelada, o último gole de café. Podia te dizer que me despedi dos garçons, que afaguei um cachorro, que abracei aquela moça que passeia tão feliz e serena com o certo de frutas na cabeça.

O que seria mentira, você sabe, porque eu não fiz nada disso. Meu último dia aqui foi cheio de silêncio, de saudade, de gratidão e de suspiro. 2 meses sozinha numa praia deserta e eu nunca estive em melhor companhia. Como é bom constatar isso, mas agora acabou.



domingo, 27 de novembro de 2011

O quereres




Sabe, eu não queria ser assim. Eu sei que eu tenho coisas legais, tá, vai, todo mundo tem algo de que se orgulhar em si mesmo. Mas eu não queria ser exatamente assim como eu sou. Ou pelo menos não aos Domingos.

Eu não queria ser essa coisa frágil que se mostra forte. Queria que as pessoas me vissem como a princesa feliz, não como a fênix valente. Não queria mais guardar esse segredo. Malditas estrelas que não podiam estar em qualquer outro lugar do mundo naquele 15 de março. Mas tinha mesmo que ser assim e agora eu sou essa coisa que escorrega e aferroa, esse coração de maria-mole que se expõe com tanta bravura que afasta quem eu mais quero por perto. Maldito Peixes, maldito Escorpião.

Eu não queria acreditar tanto. Ou até queria, já nem sei mais. Mas eu não queria acreditar sempre. Trocava agora duas dessas minhas cicatrizes por meia pitada do cinismo daqueles que não conseguem mais achar que o amor é a coisa mais importante do mundo. Queria pensar que o que importa mesmo pra mim é a minha carreira, ou ter logo um filho, ou finalmente comprar meu apartamento. Eu não queria não estar nem aí pra cada uma dessas coisas, eu não queria estar aí só pra você. Eu não queria ter esse peso, eu não queria demandar toda essa atenção. Eu não queria saber contar o tempo em segundos.

Eu não queria que o relógio se arrastasse tanto. Eu não queria estar tão longe. Eu não queria que estivesse chegando o Natal. Eu não queria que esse ano tivesse começado. Eu não queria acreditar que esse ano só valeu a pena por ter [re]conhecido você. Eu não queria que você fosse o motivo da minha alegria porque eu não quero que minha alegria nunca mais vá embora de mim. Eu não queria ter essa visão além do alcance e essa mania de enxergar tudo o que vai dar errado lá na frente. Eu não queria que você lesse nada disso. Eu não queria que fosse Domingo, eu não queria que estivesse chovendo, eu não queria ter que levantar dessa cama, eu não queria nunca mais dormir nela sozinha. Eu não queria pensar tanto - abençoada seja a ignorância, maldita seja toda a falta que você me faz agora.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

I would like to say "Thank You"


Primeiro Thanksgiven. Nunca tive um Dia de Ação de Graças porque vivo num país onde esse feriado não existe e sempre achei meio esquisito esse feriado. No fundo eu pensava "americano não tem mais o que inventar". Será? De uns tempos pra cá, me peguei pensando como é legal ter um dia como esse.

Sinto falta desse dia para as pessoas se encontrarem sem uma figura religiosa em torno. Tá certo que poucos de nós comemoram o Natal pela figura do Menino Jesus em si. Mas acho tão bacana isso de simplesmente agradecer.

E fiquei pensando que tenho mais é que agradecer, mesmo. Por tudo o que aconteceu esse ano que passou, por mais complicado e doloroso que tudo tenha sido. E como tudo mudou. E o quanto eu tenho aprendido, ainda que a solavancos, com esse tudo.

Queria começar agradecendo à minha família. Nós somos o que somos e isso que somos no fundo é tão bonito. Uma história que começou há algumas gerações atrás e vem se construindo de forma tão sólida, tão diferente, tão melhor do que todas as outras. Porque é a nossa e ponto final.

Agradecer aos meus amigos, a minha segunda família, pela escolha. Por fazerem a diferença. Por me darem a mão e não soltarem nunca. Por todo esse nosso cuidado. Por me trazerem de volta para o melhor de mim mesma.

Agradecer a "Sabe Deus que força é essa" por ficar me dando sempre novas chances de acreditar que ser feliz é possível.

E, claro. Queria agradecer especialmente à minha amiguinha tão linda que sabe bem quem ela é. Por ter me dado a oportunidade de me transformar numa pessoa tão melhor. Por tudo o que ela me ensinou nos últimos meses, mesmo às duras penas, mesmo sem que ela consiga agora perceber. Pela integridade, pela capacidade de se reinventar e por toda essa coragem que me consola e me devolve o fôlego depois de cada onda.

<3

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Caderninho



E não é preciso dizer mais nada.

:-)

domingo, 20 de novembro de 2011

Sobre toda essa saudade


Acordei achando esse quarto tão vazio.

Sinto tanta falta daquela sua respiração curta e apressada, nunca mais me deixando ir embora de você. De deitar no seu colo em silêncio - você não ia me deixar falar mais nada, mesmo. Sinto falta do seu riso bobo e acho até que sinto falta de todo aquele seu silêncio que tanto me incomoda[va].

Mas hoje, mais do que tudo, acordei sentindo falta de você no meu sorriso. No final das contas, parece que nos apaixonamos não tanto pela figura do outro e sim por aquele lugar encantado que ele nos leva dentro de nós mesmos.


"A saudade que dói mais fundo – e irremediavelmente – é a saudade que temos de nós". Quintana, claro, me lembrando que faltam 15 dias pra eu voltar a ser o melhor de mim mesma.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Casa

E agora esse vazio que preenche esse quarto. Ele parece branco demais e deixa em carne viva a pergunta do que é que eu vim fazer nessa ilha que me parece cada vez mais deserta agora que você foi embora.

E você não imagina a falta que me faz o sorriso que você me devolvia a cada manhã. E aquele abraço longo, apertado e apressado naquela esquina qualquer. A vontade de virar um só e que o tempo parasse e eu me perdesse pra sempre no melhor lugar do mundo que é esse seu abraço.

E eu fico aqui, contabilizando xiszinhos no calendário da parede. Coração apertado, mas feliz. E a ponta da língua que não para de cantar a última música que ouvimos juntos: "Home is wherever I'm with you". Deus não poderia ter sido mais irônico.

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não me falta casa
só falta ela ser um lar
não me falta o tempo que passa
só não dá mais para tanto esperar

para os pássaros voltarem a cantar
e a nuvem desenhar um coração flechado
para o chão voltar a se deitar
e a chuva batucar no telhado

a casa é sua
por que não chega agora?
até o teto tá de ponta-cabeça porque você demora

a casa é sua
por que não chega logo?
é que nem o prego aguenta mais o peso desse relógio

[Arnaldo Antunes marcando sua presença no ano internacional da reflexão sobre a palavra "casa"].

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Tratado de Tordesilhas


Pensei tanto em como desenhar isso.

Imagina assim: A gente era uma coisa só. Aliás, não, a gente não era, por mais que a gente, bobo e sem saber, pensasse assim. A gente era um mais um. A gente era uma soma de coisas. Uma coisa do lado da outra, uma mais bonita que a anterior. E assim tentavamos fazer com que aquilo que teríamos fosse uma coisa forte. E era. E foi.

Foi, mas não foi tanto. Ou não foi enough. Que saco isso da vida sempre ser tão mais simples em Inglês. Aí é preto no branco, pá-pum, foi, não foi. E o fato é que deixou de ser. De repente. Ou não. Ou deixar de ser foi uma sobreposição de coisas não sidas. Não mais somando, não mais lado a lado: Quando eu percebi, nosso amor virou uma subtração de tudo aquilo que a gente já não era.

E, sabe? Às vezes não é mais. Tava há tempos pra dizer isso. Não foi você, não fui eu, foi essa soma de fatores. Ou substração. Eu nunca fui mesmo boa em matemática. Ou fui, já não lembro mais quem eu era. Sei que essa que eu era agora eu já não quero mais. Ou já não posso mais. O fato é faz tempo que eu não sou.

E já deu, e eu tava há tempos pra pegar no telefone e te dizer isso. Falar que cansei dessa sua névoa no olhar, de toda essa sua tristeza, desse seu romantismo barato de me-dá-mais-uma-chance-que-te-faço-de-novo-a-mulher-mais-feliz-do-mundo. Bullshit. A gente é cristal quebrado, é página arrancada do caderno esquecido no canto desse quarto.

E quanto mais você me pedir perdão mais vai machucar tudo isso que doeu em mim. E eu não vou mais querer ouvir e vou me cansar de te pedir pra ir embora com todas essas flores que você não me deu quando ainda havia tempo pra esse nosso amor. Porque eu nunca achei bonita a solidão à dois, eu não vivo no what if?, eu me cansei de mim com você.

Mas. Espera.

Não fica assim. Vai passar. Confia em mim agora, já que você não confiou quando devia. Eu também não queria nada disso, mas foi assim que isso foi e é assim que isso é. Então pode ficar com os quadros, pode ficar com as paredes. Fique com as panelas e todos os almoços que não faremos mais em todos esses domingos.
Pode ficar com a nossa cama, pode queimar os nossos lençóis. Esvazie as gavetas e entorte os garfos dessa sua cozinha. Ou compre garfos novos. Mas apague as velas acesas. E vá ser feliz sem mim.

De nós eu só quero as taças, meus livros, a minha capacidade de sorrir de novo e esse meu coração velho e cansado. Porque esse, meu bem, não adianta, is mine.

sábado, 22 de outubro de 2011

Impermanências

O céu estrelado sobre o mar cristalino. O coração batendo no compasso da espera. Eu e toda essa minha ansiedade que me acorda agora, duas da manhã, pra pensar em você.

Eu sou essa minha mania de querer que se mate um dragão por dia. Eu sou essa angústia, eu sou essa alegria boba pelas coisas tão pequenas, eu sou todo esse seu desconforto. Eu sou essa mania de acreditar sempre, eu sou esse abandonar o passado, eu sou esse nosso medo do futuro. Eu sou toda essa minha dúvida, eu sou isso de não querer ser exatamente o que se é sem perceber que às vezes era justamente esse defeito que sustentava a casa inteira.

Eu sou essas palavras doces num guardanapo amassado no canto desse quarto de hotel. Eu sou a mocinha que cansou de esperar pelo bandido. Eu sou todo esse vem bater aqui na minha porta, eu sou esse caminhar em círculos, eu sou esse falar baixo, eu sou uma monte de átomos em permanente ebulição.

Eu sou isso de nunca querer a vida em fade. Eu sou esse ou é ou não é, eu sou essa coisa matemática, eu sou o final feliz, plano e contraplano fora de sinc no roteiro de um filme barato que você ainda não assistiu.

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"How people treat you is their karma; how you react is yours".
[Wayne Dyer]

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Day off


"Faz que desamarra o peso das botas e fica feliz".
[Tiê, sempre contundente]

domingo, 16 de outubro de 2011

A mais bonita da cidade


Hoje acordei com isso. Novas descobertas musicais, sempre forçando o nosso olho a pensar diferente.

"Nunca se esconda assim
Eu não vou saber te falar, te explicar que
Eu também me assusto muito
Você nunca vê que eu sou só um menino destes tais
Que pensam demais
Logo mais, vou correr atrás de ti."

Lindo.

sábado, 15 de outubro de 2011

Cabarete

Não sei o que foi.

Sei que não foi a lua cheia, gorda e amarela que me incomodou.

Não foi a viagem, não foi a distância, não foi a saudade.

Não foi o cansaço.

Não foram os macaquinhos que cismam em conversar dentro da minha cabeça, fazendo o pensamento toda hora mudar de direção.

Não foi a chuva de estrelas cadentes que só ouviam de mim aquele mesmo pedido.

Quem me matou ontem a noite foi a Adele, que surgiu de repente e mudou tudo, invadindo minha alma naquele bar vazio daquela praia deserta.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Piadinhas Caribeñas


Quando chega o dia em que a sua música preferida de todos os tempos vira a trilha sonora da sua vida real, das duas uma: Ou tem alguma coisa muito errada, ou tem alguma coisa muito certa.



Tanto clichê, deve não ser. Ou será?
Será possível?

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Fora isso, estar na praia mais bonita do mundo e não poder postar nada sobre isso, uma vez que você assinou um contrato de confidencialidade, me faz sentir-me como o cara que comeu a Sharon Stone numa ilha deserta e não tinha ninguém pra contar isso.

Nem uma linha aqui sobre o tema, nenhuma foto no facebook. Oh, God. Dói o coração. Mas tudo bem, vou deixando os posts prontinhos e posto quando o programa for ao ar. Por enquanto, no ar, só pistas da locação paradisíaca.

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Piadinhas caribeñas: E aí que você e seu colega de trabalho estão numa cidade próxima checando uma locação. Resolvemos voltar pro hotel quando, DO NADA, vem um carro preto e atravessa o nosso a mil por hora. Loucamente.

Nossa culpa, nenhum dos dois viu o carro preto. Em nossa defesa, temos a dizer que ele vinha rápido demais. Esse povo dirige como se não houvesse amanhã.

Bater de carro é sempre um horror e a nossa caminhonete destruiu a porta do Durango zero-quilômetro. Em 30 segundos o circo estava armado: Milhares de coleguinhas surtados gritando e dando opinião de quem estava certo. Abre a porta do carro e de dentro sai um sujeito de cavanhaque a cara de mafioso. Pronto. Fudeu. Meu coleguinha Joe, americano e sem falar uma palavra de espanhol, em estado de choque.

- Hola. Buenos dias, perdón, no lo vimos.
- Que pasó, estan locos?
- Lo siento, señor, no lo vimos. Es nuestra culpa, que devemos hacer?
- Bueno, vamos todos a la policia. No lo puedo creer, hace solo un mes que he comprado este veículo.

Merda.

Vamos todos pra delegacia. Que, veja bem, não é que seja uma delegacia maneira: Um cacareco caindo aos pedaços comandada por um xerife mão-de-ferro. Saímos do carro e o cara de cavanhaque entrega ao policial a carteira de motorista, o passaporte italiano e a licença de porte de arma. Ah, que ótimo: Destruímos o carro novo de um mafioso qualquer que veio se esconder numa praia paradisíaca do Caribe. Cena clássica de filme bang-bang barato e eu só pensava putaqueopariu eu não vou morrer aqui nesse fim de mundo.

Acabou que o mafioso era fofíssimo, gente boa, falou mil vezes que "No passa nada" e que poderia acontecer com qualquer um. Meu amigo americano tremendo, mudo. Fez merda, bateu o carro da produção e, por mais que tenha seguro, por mais que nada aconteça, é um saco essa sensação, né? Imediatamente lembrei da minha infância desastrada e todo aquele pesadelo de querer morrer porque quebrou qualquer coisa na casa da mãe da nossa amiguinha do primário. A vontade de virar avestruz.

Duas horas depois, cinco minutos de papo furado com o italiano [já não tão paciente, já não tão mafioso] sobre as belezas da Toscana, espera, ansiedade, e interrogatório, voltamos pro nosso hotel 5* com um belo esporro, mil recomendações de "draivi querfol" ao amigo americano e mais essa boa história pra contar.

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15 days. Tomorrow will be 14. Can't wait.
<3

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Despedida

_Então tá, Lindinha. Boa viagem. A gente se vê.

_Mmmmm

_Mmmmm o que? Você é tão engraçada.

_Mmmmm não quero ir. Vem cá, me dá mais um abraço antes d'eu ir.

_Dou vários. Mas não fica assim, vai passar rapidinho.

_Vai nada. Vai demorar pra cacêta.

_Ah, um pouquinho, 2 meses. É bom, sentir saudade é bom.

_É nada. Sentir saudade é péssimo, você tá louco (...)

_Poxa. Não fica assim. Para com essa cara, que carinha é essa? Vai ficar tudo bem.

_Vai. Eu sei. Ou não vai. Ou não sei. Vai passar rápido porra nenhuma. Eu sei o que vai acontecer: O tempo vai se arrastar. E cada dia eu vou acordar me perguntando what the hell eu deixei meu trabalho, minha casa, meus amigos e fui fazer naquela praia do Caribe sem você, e cada noite vai ser tão ruim dormir, e eu vou sentir tanta falta do seu abraço, da sua cara de bobo, do seu silêncio. E eu vou aprender a contar o tempo em segundos, só pra ter a impressão de que ele passa mais rápido. Só pra voltar a ver esse seu sorriso bobo e cheio de medo. Medo de mim. Medo de você. Medo de ser feliz de novo. Mas vai passar. O tempo. O medo. Mas não o sorriso.

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"Fica feliz que vai funcionar". E não é que era mesmo?

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PS: Tô pensando em Inglês, que engraçado isso.

domingo, 9 de outubro de 2011

Jobs

"... have the courage to follow your heart and intuition. They somehow already know what you truly want to become. Everything else is secondary.” Steve Jobs.


Praticamente o "Aponta pra fé e rema" do Vale do Silício. Só pra não dizer que não falei de flores.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Feelings

Definitivamente, basta trocar a trilha sonora que, just like that, tudo muda.



E aí você não prestou atenção e a vida ficou completamente diferente do que você imaginava. E tão mais bonita. Justo quando você pensava que 2011 seria um ano perdido, vem Deus e pronto: bleft na sua cara, assim, pra você aprender. É. Vai ser difícil à beça ficar melhor.

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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Última chamada

E depois de 9 anos, estava ela de volta àquele lugar onde não pensava em voltar. A vida e as voltas que o mundo dá.

Lembrava como se fosse ontem daquele aeroporto. Aquele silêncio pesado e dolorido. Os olhos cheios de crença na vida que estava por vir. Seria feliz, ela sabia, correndo pra sentar na primeira cadeira da montanha-russa.

Tantos anos depois a vida já imprimia marcas no seu cansaço. Já não tinha 23 anos e toda aquela esperança, mas ainda carregava consigo o seu baú secreto cheio de todos os sonhos do mundo. Viajava pra ter certeza de quem ela era e que tudo aquilo que ela planejou lá atrás ainda era possível. "Conquistar a Ásia, a Oceania e um terceiro continente à sua escolha", seguia repetindo como um mantra. E por isso ela estava de volta: Precisava ao menos convencer a si mesma da importância daquilo tudo.

Porque havia deixado tanto pra trás. Tanto que ela nem esperava. Aconteceu de repente. Num dia ela estava triste e de repente ela estava tão feliz. Ela, que tinha tudo, tratou de buscar o que tanto lhe faltava. O tal sorriso maroto no canto da boca. Ela, que tanto queria viver aquilo. Ela sabia que estava fazendo a escolha certa.

A sexta hora de espera naquele aeroporto começava a impôr o peso em seu já não tão frágil corpo. Não conseguiria dormir e aqueles pensamentos que teimavam em não ir embora. "Você pensa demais", não cansava de ouvir. Talvez.

Tentou ler um livro, ouvir uma música, caminhar, tentou deitar. Não se encontrava ali. Era o Tom Hanks naquele aeroporto: Ela, que queria ser cidadã do mundo, de repente já não pertencia a lugar nenhum. Foi então que a inevitável pergunta veio. "O que foi mesmo que eu vim fazer aqui?". Silêncio. Euforia. Tristeza. Cansaço. "Eu moro dentro de mim mesmo". Eu e Quintana. E vamos fazer tudo isso valer a pena.

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Acordou de sobressalto: "Atenção passageiros com destino..."

Achou sua poltrona, sentou e entregou seus olhos àquele cansaço que já não podia mais. Ainda escutava o burburinho dos passageiros apressados quando sentiu uma mão suave em seu braço.

"Perdón, senhorita?".
Era só o que me faltava, pensou.
"Si?", de mau humor.
"Te importas de cambiar conmigo? Es que estoy con un amigo y quieremos platicar".
Ah, putaquemepariu, era mesmo só o que me faltava. Sorriu, falsa.
"Claro, no pasa nada".
"Entonces. Toma: 3F, allá, adelante. Muchas gracias!!!"

Pegou aquele bilhete de Primeira Classe. Não podia acreditar no que estava acontecendo. Olhou pra cara do maluco, olhou pra mão, olhou pra cara do maluco e riu.

Tá bem, Deus. Já entendi.

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Mas, assim: Eu nunca mais vou querer viajar de Econômica. Grata.

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Em tempo: "E até quem me vê / lendo o jornal / na fila do pão / sabe que eu te encontrei".

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Presente

E, de repente, recebi essa surpresa hoje de manhã. Daquele tipo que transforma a vida, traz a gente de volta pro centro e larga um sorriso no canto da boca.





Obrigada, pra dizer o mínimo.

"I wanted someone to enter my life like a bird that comes into a kitchen and starts breaking things and crashes with doors and windows leaving chaos and destruction.

This is why I accepted her kisses as someone who has been given a leaflet at the subway.

I knew, don't ask me why or how, that we were gonna share even our toothpaste.

We got to know each other by caressing each other's scars

Avoiding getting too close to know too much

We wanted happiness to be like a virus that reaches every place in a sick body

I turned my home into a water bed and her breasts into dark sand castles

She gave me her metaphors, her bottles of gins and her North Africa stamp collection.

At night we would talk in dreams, back to back and we would always, always, agree.

The sheets were so much like our skin that we stopped going to work.

Love became a strong big man with us, terribly handy, a proper liar, with big eyes and red lips.

She made me feel brand new.

I watch her get fucked up, lose touch, we listened to Nick Drake in her tape recorder and she told me she was a writer.

I read her boook in two and a half hours and cried all the way through as watching Bambi.

She told me that when I think she has loved me all she could, she was gonna love me a little bit more.

My ego and her cynicism got on really well and we would say "what would you do in case I die" or "what if I had Aids ?" or "don't you like the Smiths" or "let's shag now".We left our fingerprints all around my room, breakfast was automatically made, and if it would come to bed in a trolley, no hands, we did compete to see who would have the best orgasms, the nicer visions, the biggest hangovers.

And if she came pregnant we decided it would be God hand's fault.

The world was our oyster. Life was life.

But then she had to go back to London, to see her boyfriend and her family and her best friends and her pet called "Gus".

And without her I've been a mess. I've painted my nails black and got my hair cut.

I open my pictures collection and our past can be limitless and I know the process is to slice each section of my story thinner and thinner until I'm left only with her, I've felt like shite all the time no matter who I kiss or how charming I try to be with my new birds.

This is the point, isn't it ? New birds that will project me along a wire from the underground into the air, into the world".

[Peraí que eu vou ali fora tomar um ar]

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Rock in Rio feelings

E se a vida começasse agora?





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Post com amor e carinho pra Livia Marques, que, sem querer, mudou tudo hoje <3

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Dicotomia





Mas é assim que eu sou. Eu fantasio coisas. Eu e esse meu complexo de Cinderela. Eu só queria ser a Bela de alguém. Eu, que dou a minha vida por mais um punhado de pirlimpimpim.

Aqui sigo achando que a vida é tão simples, it's just to love and be loved in return. Só me diz se você quer, que eu continuo acreditando que quem quer, faz. Ou toca, ou não toca. Aponta pra fé e rema. Eu virei uma colagem de frases de efeitos em todos os livros que eu ainda não li.

Mas sorrio tentando manter a pureza e o brilho no olho. Eu sou só um peixinho no meio de todo esse seu oceano de medo e de dor. E, no meio disso tudo, eu fico tão feliz quando vejo algo que eu acho bonito. Sou leve, sou simples, sou pequena. Eu não tenho muitas cores, mas ainda assim sou cheia de vida no olhar. Mas sou um peixe, lembra? Não adianta você me segurar assim tão forte: Eu vou escorregar de você [para] sempre. Por que você não tenta me pescar, eu tô aqui, meio Beta, meio Palhaço. Eu sou esse cabo de guerra - dois peixes nadando, focada e desesperadamente, cada um pro seu lado. Sempre [se] procurando. Nasceram pra nadar e serem pescados por alguém. Basta você jogar a isca certa.

Comecei falando de princesas, terminei falando de peixes. É assim que eu sou: Uma confusão. Essa coisa de começar pensando uma coisa e [a vida] acabar indo por um caminho completamente outro. Eu sou essa mistura de tudo, eu, que tenho todos os outros dentro de mim mesma. Eu sou essa urgência, esse falar baixo, eu sou esse nadar em círculos. Eu sou a profusão dos pensamentos que não param de pular agora... E em todos eles só me vem você. Eu sou a soma de tudo o que [des]aprendi desde o primeiro dia - eu nasci pra hoje, então bate aqui na minha porta e me faz morrer pela boca.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Paciente

Consultório médico, INT/DIA.
Segunda-feira, 9 am. Consulta marcada há 30 dias.
Secretária (mongolóide) e Paciente (Darth Vader)


"Senhora, eles não mandaram o seu preventivo"

"Como assim? Mas eu fiz dia 14 de junho"

"Pois é, é que às vezes eles não mandam" (a culpa é sempre do outro amiguinho)

"Bom, eu entendo, mas eu acho que vocês deveriam conferir se todos os exames do dia seguinte foram entregues... Ontem, não? (1a patada do dia)

"É que quem faz isso é a outra menina (rá). E ela esqueceu".

"Mas... Esqueceu desde 14 de junho?"

"Desculpa, Senhora. Mas volta amanhã que eles vão mandar hoje sem falta".

A paciente respira fundo. Quer resolver o problema. Prometeu a si mesma que, a partir de agora, tentaria ser uma pessoa mais tolerante.

"Tudo bem, eu volto amanhã". Esboça um sorriso e sai.

Dia seguinte.
Consultório médico, INT/DIA.
8:30 am.

A amiguinha olha pra paciente e imediatamente fica VERDE.

"Senhora, seu preventivo não chegou ainda (cara desesperada de quem esqueceu)"

A paciente sorri, senta e cruza os braços.

"Tudo bem, eu espero, ele vai chegar, eu tenho certeza" (debochada).

A Secretária se desespera. Outras pacientes se entreolham. Bafão. A mocinha liga pro laboratório.

"Senhora, o rapaz que analisa o seu exame ainda não chegou"

"Ué. Liga pra casa dele. Se ele não estiver em casa, liga pra casa da AVÓ dele." (A mão começa a ficar mais pesada)

"Senhora, eu não posso fazer nada, a culpa não é minha".

Rá. Era a deixa que faltava.

"Querida, veja bem. O meu trabalho às vezes é um inferno, também, olha, mais que o seu. Mas eu tenho um caderninho onde eu anoto tudo o que eu tenho pra fazer, porque, aí, eu não esqueço de nada, entende? A culpa não é sua, mas eu, no seu lugar, teria ligado umas CEM VEZES (a paciente praticamente grita, nesse momento, pra enfatizar quantas vezes a mongolóide da secretária deveria ter ligado) pro laboratório, até que eles me entregassem. Ou eu teria ido lá buscar. Ou teria dormido aqui, até resolver. Mas claro, CAMILLA, a culpa não é sua. Me diga, então: o que você acha que eu devo fazer?

"Volta amanhã que vai estar pronto"

"Pois é, você me disse isso ontem!"

"Mas amanhã vai estar, eu te garanto"

Quá-quá.

A paciente respira. Nunca um termo fez-se tão necessário: Paciente.

"Então faz assim, CAMILLA. Eu vou esperar você me ligar dizendo que o meu exame está aqui, e é bom mesmo que esteja. Porque eu não posso ser a maluca que todo mundo aqui nessa salinha acha que eu sou (constrangimento na salinha) em vão. Mas, veja bem, CAMILLA. 14 de junho. Vocês só podem estar de sacanagem. Se o meu exame não estiver aqui amanhã, eu vou tacar uma bomba na Unimed. Tudo bem? Tenha um bom dia"

Sorri e sai.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Os primeiros 30

Hoje faz 1 mês que eu tive a chance de nascer de novo. Que aprendi o valor do [meu] sorriso. Que fiz as pazes com o destino e assumi o compromisso [que reafirmo todo dia, um após o outro] de ser uma pessoa mais feliz, mais íntegra, mais bonita. Cada dia melhor. Um após o outro.

Por tudo isso, e pra dizer o mínimo, obrigada <3

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Copy-paste

"Na parede de um botequim de Madri, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: Ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca."

Eduardo Galeano, sempre contundente. Principalmente nessa segunda-feira fria, preguiçosa, mas tão leve, tão feliz.

domingo, 11 de setembro de 2011

Pensamento dominical

O inimigo número 1 da mulher pós moderna é a tecla SEND.

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Felicidade tem gosto de pão com ovo.

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Eu estava distraída, olhando pro lado, aí ele veio e fez um 11 de setembro em mim.

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Eu não voltava pra você nem fudendo.

Isomeria


"Por mim tá tudo certo, eu só não quero jogar sozinha. Nunca gostei muito de Squash, afinal. Se bem que Squash pode ser de dois. Ou não? Ah, você entendeu"

Eu espero.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Dos encontros


Porque são poucas e boas as coisas nessa vida que importam e fazem cada minuto valer a pena. A vida é mesmo a arte do encontro. E alguns encontros dessa vida simplesmente acontecem na esquina certa.



Mudam o seu percurso, mudam o nosso olhar. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós. Fragmentos de sorriso roubado que fazem toda, toda, toda a diferença.

Amo vocês.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Simples assim

Só pra lembrar, todo dia, que a felicidade muitas vezes vem do que é simples. E mais uma vez vem a vida e mostra como importa o sentimento de urgência pra tal menina ficar alegre. É só mudar o foco, direcionar pr´aquilo que te faz bem, continuar acreditando e, mais uma vez, aponta pra fé e rema.



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"Só desejar o amor pra bem amar" é praticamente o "Love and be loved in return" da Bahia. Continuamos não trabalhando com Djavan, by the way.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Reset


Já fazia uns bons meses - mais da metade de um ano, contou - que ela entoava aquele mantra: Tudo é impermanente.

E pra se distrair ela calçava os seus pés de vento e colocava aquela música no ouvido. Que era sempre a mesma e, Deus, como ela queria mudar aquele tom.

Ela, cuja trilha sempre esteve mais pro Camelo do que pra Piaf, adorava aquele maldito iPod de tal maneira que uma vez precisou troca-lo 5 vezes até fazer a coisa andar. E agora ela se deparava de novo com aquele maldito botão travado no Hold. E não havia menu+pause+play que fizesse sua vida andar.

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Até que um dia ela perdeu toda a paciência que cabia nela e tacou aquela merda no chão, pegou de volta toda a sua alegria, sua liberdade, sua licença poética e foi ali do lado ser feliz.

Ainda que pra isso precise aprender a conviver com a função Shuffle.

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Abre essa porta
Que direito você tem de me privar?
Desse castelo que eu construí
Pra te guardar de todo mal
Desse universo que eu desenhei
Pra nós, pra nós

Abre essa porta
Não se faz de morta
Diz o que é que foi
Já que eu larguei tudo pra ti
Já que eu cerquei tudo ao redor
Abre essa porta, vai, por favor,
Que eu sou teu homem, viu?
Que eu sou teu homem, viu?

Cala essa boca, que isso é coisa pouca
Perto do que passei
Eu que lavei os teus lençóis
Sujos de tantas outras paixões
E ignorei as outras muitas, muitas

Vai, depois liga
Diz pra sua irmã passar
Que eu vou mandar
Tudo que é seu, que tem aqui
Tudo que eu não quero guardar
Que é pra esquecer de uma só vez
Que este castelo só me prendeu, viu?
Mas o universo hoje se expandiu
E aqui de dentro a porta se abriu.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Corte seco


"O seu problema, meu bem, é que você não quer viver um amor de verdade. Você quer alguém que te dê um plano de filmagem e um cronograma. E isso simplesmente não vai acontecer".


Nada como ver a vida no zoom out.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Futuros amantes


Foi um daqueles sonhos tão presentes, tão vivos, tão reais, que acordei num sobressalto e precisei esfregar os olhos pra entender que você não estava ali, deitado, lindo, dormindo ao meu lado.

Olhei através daquela janela fria e sorri ao me lembrar de cada frase, cada olhar, cada vez que você me fez suspirar naquela noite. Você estava aqui comigo e eu nunca vou me esquecer a sua respiração ofegante durante aqueles 30 segundos antes de me arrancar um beijo naquela esquina qualquer. Era primavera em Paris e aquilo parecia tão real que queríamos gritar embaixo da Dama de Ferro num misto de medo, alegria, êxtase. Estávamos tão felizes. E era tão bom estar de novo assim.

Eu e essa minha mania de querer que a minha vida venha sempre com uma pitada de pirlimpimpim. De insistir em ver a beleza obrigatória das coisas que são pequenas. E de teimar em acreditar, sempre... E de ficar tão feliz, ainda que num sonho [tão bobo, tão simples, tão curto].

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Acordei tão serena. Com a certeza de que ser feliz era urgente. Ainda que fosse preciso esperar, não se afobe não, que nada é pra já.

Ainda bem.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Pronome oblíquo átono


Questão nº 3
Preencha a lacuna, se necessário:


"... Se eu soubesse que todo aquele seu silêncio era fome, teria te convidado pra vir até aqui ____ comer".


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Sempre ele


‎"O médico perguntou: o que sentes?
E eu respondi: sinto lonjuras, doutor. Sofro de distâncias."

Caio Fernando Abreu

Closer

De repente ela sentiu aquela dorzinha leve e chata preocupando a sua cabeça - sempre isso, agora - e tudo pareceu confuso e embaçado. Precisava rever aqueles óculos, ela sabia.

Levantou, olhou através da janela cinza e fria os carros que desfilavam em câmera lenta por aquela bucólica rua do Leblon. Se serviu de um chá qualquer - o que importa é o calor da alma, o gosto parece sempre o mesmo, afinal - e bebericou lentamente, querendo que o frio demorasse a ir embora justamente agora que ela pudera tirar aquele casaco novo do cabide.

E se perguntou porque é que ela tinha aquela mania de brigar com o relógio. Que uma vez que eles tinham percebido o quanto poderia ser interessante a troca de olhares de longe - o prazer da sedução às vezes parece estar mais na demora do que na conquista - eles talvez tivessem perdido a mão e a distância focal: Estavam perto demais.

E ficou triste ao pensar que depois de toda aquela longa conversa over a wine naquela fria madrugada de sábado talvez já não fosse possível se enganar. Que uma vez exposta uma certa dose de cretinice e todo aquele cansaço que tornava evidente a sua falta de fé no amor [eterno], talvez os dois tivessem que aceitar que aquela não era a hora, por mais que eles gostassem de estar juntos, por mais que se fizessem rir. Que se não se pudessem ter por inteiro, não se teriam pela metade. Esfregou os olhos e enxergou tudo isso assim: Pá! Simples e sem dor.

Porque, lá no fundo, alguma coisa dizia que aquele riso em breve daria lugar a um certo vazio. E, por mais que ele falasse exatamente aquilo que ela queria ouvir e por mais bonita que fosse aquela boca, no fundo ela sabia que talvez não fosse agora, ou talvez fosse ainda. Ele olhava o que queria ver, ela passou correndo e nunca o via. E, mais uma vez, a pressa os faria perder a hora.

E por estarem tão perto não entenderam que talvez não fossem. Ou talvez não agora. Ou talvez não ainda. Ou talvez fosse medo. Ou talvez fosse só vista cansada e no fundo ela talvez precisasse de novos óculos, principalmente agora que a sessão já ia começar e ela bem sabia, no fundo, que o melhor do espetáculo às vezes são aqueles 5 minutos antes da estréia. Depois é ação, é reação, é repetição de texto, é matemática: tentativa e erro, sempre. É dançar conforme a música, um pra frente, dois pra trás, come a little bit closer and so it is just like you said it would be.

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Beijos pra Luiza.

:-)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Comédias da vida privada





9 pm, o interfone toca.

- Tá esperando alguém?

- Tô esperando um amigo meu, deve ser ele, vou atender.

Uma voz feminina fala do outro lado.

- Oi, é aqui que está hospedado o Esteban?

Era.

- É. Mas ele não tá. Viajou 2 dias.

- É, eu sei. Pode dar uma chegadinha aqui embaixo?

Fudeu, pensei. O amigo gringo viajou pra Buzios, fez merda e de repente morreu. Merda. Por que esse tipo de coisa acontece comigo? Passam aqueles filminhos na nossa cabeça: eu nem sei o nome da sua mãe. Como é que eu resolvo isso? Até que seria bem interessante voltar à Cidade do México, mas, assim?

O elevador que demora demais. Tic tac.

Cheguei na portaria e vi 2 meninas, uns 25 anos, cabelão e roupitcha.

- Oi. O que houve com o Esteban?

- Então. Desculpa te fazer descer assim.

- Tudo bem. O que houve com o Esteban?

- Então. A gente ficou.

Arregalo o olho. Não tô acreditando.

- E aí ele não tem meu telefone. E se ele quiser me ligar, e se ele quiser me ver? Ele foi mesmo pra Búzios? Sabe quando ele vai embora do Brasil?

Caralho. Não tô acreditando.

- Querida, eu achei que ele tinha morrido. Não interfona assim pra pessoa, que você assusta.

- Ah, foi mal, é que eu não sabia o que fazer. Você é mulher, me ajuda, estou desesperada. Vim da Tijuca até aqui. Olha só como eu tô.

Pego na mão dela. Gelada. E começo a rir.

- Gente do céu, mas mulher é muito burra mesmo, né? Que foi? Apaixonou?

- Ai, cara, ele é tão lindo, né? E aí minha amiga veio comigo pra eu não estar sozinha aqui, porque eu não sabia o que ia encontrar.

- Ah, claro. Entendo. Eu podia ter uma 45 na minha bolsa. E você, hein, amiga? Nem pra dar uns conselhos bons pra ela. Como assim vocês vieram até aqui procurar um cara???? Piraram? E se ele fosse meu namorado? Já pensou?

- Pensei, mas se ele fosse seu namorado ele não teria me dito que estava hospedado aqui. Eu acho.

Coitada. Tá precisando viver mais um bocadinho pra aprender sobre homens. Mas whatever; era só meu amigo, mesmo, azar o dele.

- Tá, mas e aí? Preciso sair, tô esperando uma pessoa.

- Então. Eu queria deixar meu telefone pra ele. Dizer pra ele me ligar. Eu preciso MUITO vê-lo antes dele ir.

- Querida, veja bem: ele não vai CASAR com você, ok?

- É, eu sei, mas nunca vivi isso. Me ajuda?

- Ué. Escreve o bilhete que eu entrego.

- É que eu não falo a língua dele. Aliás, eu não entendi nada do que ele fala. Só que ele estava hospedado aqui. Escreve pra mim?

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Lição #1: Se estivesse numa novela do Maneco, era fake.

Lição #2: Homens não fazem a menor idéia do que a gente é capaz de fazer.

Lição #3: Se algum dia eu chegar a esse ponto, peloamordedeus, não deixa eu tocar o interfone e pode me internar.




terça-feira, 16 de agosto de 2011

Make it worth


Acordou cedo naquela manhã de sol. O calor tinha voltado - para o bem e para o mal. Bebeu lentamente aquele café incrível e se perguntou como era mesmo a vida antes do Google, do celular e do café expresso. Percebeu que estava bem cansada da sua relação com os dois primeiros.

Resolveu colocar Adele pra acordar aquele dia. Bendita hora em que resolvi mudar essa trilha sonora, pensou ela. She and Him tocaria em seguida, adequado, aliás, depois de tanta Amy rolando por ali.

E percebeu que deixara passar tempo demais até que percebesse: Estava feliz. A tormenta havia sido cruel e ela ainda sentia na alma os sinais de cansaço a cada tentativa de retomar o ar. De repente ela se deu conta de que finalmente, passada toda aquela angústia, respirava fundo e podia sentir seu coraçãozinho pronto pra descansar e bater em paz. De novo.

E então ela se deu conta de que não adiantava nada tatuar certas coisas no braço se aquela vontade de mandar o cinismo embora não viesse de dentro pra fora. Viver era cada vez urgente, ela havia entendido. Por mais cruel que tenha sido aquela rasteira, ela havia compreendido que determinadas coisas são fundamentais pra aprendermos a colocar a vida em perspectiva. E decidiu que até na queda ela aprenderia a perceber o lado bom.

Era preciso ser feliz enquanto é tempo. E então ela foi.


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Em tempo:

Eu tenho bons motivos pra me resguardar
Estou tão certa de você
Mais fácil me perder do que te achar

O meu desejo sempre foi contracenar
Um longo filme de amor
Mas não vou legendar o seu olhar
Focado em mim direto assim

[taquipariu, Tiê]


domingo, 14 de agosto de 2011

Enquanto é tempo.


... e eu nunca vou conseguir te explicar a pessoa em que me transformei quando você abriu os olhos ontem e sorriu pra mim. O que senti ao ouvir aquela voz que saiu doída: "Oi, Lulu". Não adianta: eu nunca vou conseguir te explicar.

Você milagrosamente acordou e quem nasceu de novo fui eu, e ainda com a chance de fazer tudo de novo, de consertar tudo, de me tornar uma pessoa bem melhor. De ver que ainda dá tempo.

Obrigada, obrigada, obrigada.

O maior amor do mundo


Só pra dizer que eu amo muito, muito, muito meu pai. Foi um presente que a vida me deu. Mas hoje eu queria agradecer a esse cara aí da foto. Dizer que senti sua mão me embalando ontem e que isso fez toda a diferença.

Obrigada, meu avô, por fazer a minha vida bem mais bonita desde a primeira vez em que eu te vi. A vida é a arte do encontro e esse nosso me lembra todo dia que devo ser a melhor pessoa que eu conseguir. E obrigada pela chance que tive de enxergar isso enquanto é tempo.

Te amo como se você estivesse aqui. Porque é aqui que você está. E ontem eu vi isso. Obrigada.


<3

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Tudo e nada




Curtíssima, numa semana longa. Só pra registrar que não pode existir nada nesse mundo que seja melhor do que isso aqui.



Então é isso, para o alto e avante, aponta pra fé e rema <3




quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Curtinha

"You´re just as pretty as I remembered" é, definitivamente, um daqueles elogios gratuitos que vem de onde menos se espera e fazem a gente ganhar o dia.

Tiquetaque

Era quinta-feira e fazia aquele sol tímido e bonito de final de inverno. Acordei, olhei praquele céu azul e sorri. Mas senti falta de você aqui.

Porque eu sempre preferi a beleza pouco óbvia de onde a gente menos espera: O tímido calor do inverno, aquele primeiro beijo roubado, o café da manhã na cama, as cartas de amor (sempre elas) escondidas no bolso encardido da tua mochila, o samba raiz no botequim vagabundo.

A vida e essa minha teimosia em fugir dos comerciais de margarina. Talvez por saber que a Delícia está muito mais para o nervosismo antes do primeiro beijo do que para o cheiro do Bom Ar no canto da sala. Eu nunca quis ser perfeita, apesar dessa sua mania de me achar linda e cismar em não prestar atenção quando eu falo que sou de carne, osso, sonhos e de um passado tão pesado que acho que tudo o que eu precisava agora era daquela sua massagem nas minhas costas.

E se você ainda estivesse aqui eu te faria aquele carinho demorado e leve que você tanto gostava e me arrepiava inteira. Teria passado muito mais tempo velando seu sono e sorrindo ao perceber cada uma dessas pintinhas que só chegando bem perto pra eu contar. Justo agora que eu voltei a sorrir você foi embora levando meu relógio, meu beijo, meu ar e todos os meus pensamentos.

Que direito tinha você de aparecer assim, justo agora que eu estava até gostando de ter aquele olhar meio triste e distante, me achando a mais charmosa e melancólica das pessoas pela mala suerte que não era pra ter sido minha? Quem disse que podia aparecer metendo o pé na porta dizendo que esperou tanto tempo por isso, mas que vai ter que ir embora e que eu te espere, você volta só pra fazer meu brilho voltar de vez e você jura que me faz a mulher mais feliz do mundo daqui a pouco.




Eu estava quieta na minha tristeza e você apareceu com seu sorriso vagabundo e determinado a me fazer ser leve. Me deixa ser pessimista em paz ou volta aqui e me belisca pra eu ver que essa felicidade que eu sinto é mesmo de verdade.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Boas novas

Foi num domingo estranhíssimo. Fazia frio e quase chorava aquele céu pesado cheio de nuvens que teimavam em esconder o brilho das estrelas. A vida e seus altos e baixos.

Mas foi cheio de acordes aquele domingo. E ela, que tanto gostava de Ré Menor, lançou um novo olhar sobre o Si Bemol. Justo ela, que nem esperava. Embriagados de vinho, jazz, risos, lágrimas, amigos e aquele samba antigo no lugar novo. Foi de repente. Sem perceber ela se deu conta de que voltara a engatinhar com aquelas asas tão cansadas. Justo ela, aquela que [nada] sabia.

Graças a Deus.

Um dia a gente aprende a acreditar.





"Foi como tudo na vida que o tempo desfaz
Quando menos se quer
Uma desilusão assim
Faz a gente perder a fé
E ninguém é feliz, viu
Se o amor não lhe quer
Mas enfim, como posso fingir
E pensar em você como um caso qualquer
Se entre nós tudo terminou
Eu ainda não sei mulher
E por mim não irei renunciar
Antes de ver o que eu não vi em seu olhar
Antes que a derradeira chama que ficou
Não queira mais queimar
Vai, que toda verdade de um amor
O tempo traz
Quem sabe um dia você volta para mim
E amando ainda mais"

[Paulinho, aquele]

domingo, 31 de julho de 2011

Sobre o vento

É como dizem por aí: nos últimos tempos, não existiria nada, nada, nada que me fizesse mais feliz do que um show dos Los Hermanos.

Camelo e Rodrigo: Ah, se vocês soubessem... Paravam com isso. Aposto. Porque às vezes eu acho que é só uma questão de mais poesia e menos medo. E penso que é simples. Ou deveria ser simples.

Simples como o vento.

Ah, se tudo fosse fácil, bonito e cheio de esperança como nas canções do Amarante.

"Posso ouvir o vento passar,
assistir à onda bater,
mas o estrago que faz
a vida é curta pra ver...
Eu pensei..
Que quando eu morrer
vou acordar para o tempo
e para o tempo parar:

Um século, um mês,
três vidas e mais
um passo pra trás?
Por que será?
... Vou pensar

Como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?
Não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi,
o vento leva!
Não sei mais
sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer...
E isso por que?
Diz mais!

Uh... Se a gente já não sabe mais
rir um do outro meu bem então
o que resta é chorar e talvez,
se tem que durar,
vem renascido o amor
bento de lágrimas.

Um século, três,
se as vidas atrás
são parte de nós.
E como será?

O vento vai dizer
lento o que virá,
e se chover demais,
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz".

::

Ah, se vocês soubessem.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Brilhos

E nos alfarrábios da vida, achei esse texto de que gosto muito. Não é meu, é da Marla, de quem, ela sabe, sou fã.

Um brinde aos que conseguem não deixar que os trancos e os barrancos da vida os brutalizem a ponto de todos nos tornarmos um bando de cretinos. Que vejamos beleza nas pequenas coisas e que nunca, nunca, nunca deixemos de acreditar na delícia do brilho no fundo do olho.

"Eu não tenho medo do amor. Eu tenho medo é de amar quem tem medo dele. Amar quem teme o amor é como se apaixonar por uma sucessão de desistências. É como viver apenas a possibilidade de algo, mas com a sensação de que ela nunca se estabelecerá. É ficar intranqüilo não com o amanhã, mas com os próximos minutos. Quem teme o amor vai embora antes de fazer as pazes com ele.A ntes de saber que surpresas ele reservava. Quem teme o amor teme caminhar de mãos vazias em direção ao desconhecido. Está sempre baseado numa repetição do passado. E acha que a vida será como todos aqueles dias idos. Quem teme o amor não vê a pessoa que conheceu, não se dá a oportunidade de ser amado de outra forma. Quem teme o amor se envolve é com o drama de todas as feridas que vieram à tona porque ele não se permitiu ficar sozinho e confuso o suficiente para curá-las. Quem teme o amor não aprendeu a pedir ajuda nem a receber a cura do Universo. Ele se acha maior que o amor e não conjuga o verbo. Quem teme o amor consegue ser mais perverso do que quem o magoou".

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Faltam 157 dias para 2012. Ou não. Não importa. É só uma questão de brilho no olho.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Mão no leme, pé no furacão

E, numa sexta-feira estranhíssima, mas feliz como todas as sextas devem ser, tomo conhecimento dessa pérola de Caetano, aquele de quem eu não sou fã, mas merece todo o meu respeito.

Especialmente depois disso:

"Ué, mas você não conhece 'Branquinha'? É a sua música".

Ouvi umas 3x e me encantei. Faz total sentido, é bem esse o momento. Um brinde àqueles que vivem com a mão no leme e o pé no furacão assim como nós e àqueles que, definitivamente, nos conhecem mais do que nós mesmos.

"Eu sou apenas um velho baiano
Um fulano, um caetano, um mano qualquer
Vou contra a via, canto contra a melodia
Nado contra a maré
Que é que tu vê, que é que tu quer,
Tu que é tão rainha?
Branquinha
Carioca de luz própria, luz
Só minha
Quando todos os seus rosas nus
Todinha
Carnação da canção que compus
Quem conduz
Vem, seduz
Este mulato franzino, menino
Destino de nunca ser homem, não
Este macaco complexo
Este sexo equívoco
Este mico-leão
Namorando a lua e repetindo:
A lua é minha
Branquinha
Pororoquinha, guerreiro é
Rainha
De janeiro, do Rio, do onde é
Sozinha
Mão no leme, pé no furacão
Meu irmão
Neste mundo vão
Mão no leme, pé no carnaval
Meu igual
Neste mundo mau"

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Ouça, porque vale.






quinta-feira, 21 de julho de 2011

A vida é tão rara


Lembro do meu primeiro Dia do Amigo. Descobri por acaso e resolvi fazer uma festa lá em casa. Era uma quarta-feira, 4 apartamentos atrás.

- Mas comemorar o que?
- Hoje é o Dia do Amigo!
- Ah, Luana, fala sério. Que porra é essa de Dia do Amigo?
- Sei lá, mas é um bom motivo pra comemorar.

Quase 10 anos se passaram desde aquele primeiro porre. Lembro de cada um. Ainda lembro das risadas e das conversas. Os assuntos e as companhias mudaram um pouco de uns meses pra cá.

Ontem, pela primeira vez, não foi na minha casa que se riu desse dia. Ao longo dele, aliás, eu até esqueci do motivo do brinde. E não foi por conta dele que eu peguei aquele táxi - já passava das onze - pra ir lá te dar um beijo. Eu precisava te ver e te mostrar que eu te amo, que estou contigo e o quanto eu me importo.

E que eu preciso de você ainda mais do que você anda precisando de mim. Que eu preciso do seu sorriso largo. Dia a dia, ombro a ombro. Vamos batalhar por ele.

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Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

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Somos um time. E não entramos em campo pra perder. Definitivamente eu sou o que vocês são / não solta da minha mão.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

EatPrayLove

A vida imita a arte imita a vida. E de repente ela se deu conta do que de tão forte chamava a sua atenção naquela cena em especial.



“We can just acknowledge that we have a screwed up relationship. That is not taking us anywhere. Accept that we fight a lot and barely have sex anymore... But we don't want to live without each other. And that way we can spend our lives together... Be miserable... But happy not to be apart...”

Apertou o pause, respirou fundo, caminhou até a cozinha, passou um café. Olhou pro relógio, já passavam das onze e meia. Ficou olhando através daquele líquido espesso que escorria bem devagar e foi aí que ela entendeu tudo.

Tic-tac.

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Sexta-feira e esse sentimento na ponta da língua de que o céu é o limite e é tempo então de libertar as amarras, com carinho especial àquelas imperceptíveis que teimam em se esconder no canto do cisco do canto do olho, impedindo que ele volte a brilhar e que a dança continue.

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And, over a wine, she laughted. Wait for her comeback.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Sem palavras


Ela girava lentamente a taça de vinho, tentando buscar num último suspiro as palavras que não conseguia pra dizer tudo aquilo que sentia falta neles dois. Olhou mais uma vez através daqueles olhos que a deixavam muda e ela tanto odiava. Ele sorriu. Ela não conseguiu acreditar. Estava cansada. Estava certa.

Tanto já foi dito entre eles, pensou. Não queria mais insistir naquilo. Não havia sorriso que salvasse aquele desencanto. Fechou os olhos. Tic-tac. Não queria que tivesse sido assim. Mas fora. Ela deixara, também. E pensou nos vinhos que não beberiam mais. Nos sorrisos que ela sentiria falta. Na falta que já sentia daquele último sorriso, tempos atrás.

Pensou no tanto que não foi dito entre eles. Em tudo aquilo o que ela tanto precisava ouvir. Nas bobagens que ela nunca mais ouviria. Na escolha absurda que ele fizera pela surdez. Confortável e egoísta. Sentiu saudades da alegria do começo. Lembrou daquela briga idiota que tiveram na última viagem de férias. Estava cansada daquelas brigas. Respirou aliviada, afinal. Estava triste, mas tranquila ao ponto de quase se sentir feliz.

Virou aquele Malbec em um só gole e percebeu que já não estava mais ali. Que para sempre então eles seriam o casal do dito-pelo-não-dito. O casal que já não era. O casal do "e se". "E se é o caralho", pensou. Covarde. Balançou a cabeça e olhou pro relógio. "Que foi?". Nada. Sorriu, entregue. Adorava aquele "que foi?. Queria ter dito isso pra ele há anos atrás. Mas já passava da meia-noite. Respirou fundo.

Ele levantou e se olhou no espelho. Sempre adorou espelhos, pensou ela. Ela também, mas o motivo era outro. Se olharam no espelho, os dois. Ele sorriu e ela pensou que talvez eles fossem apenas um reflexo bonito no espelho do elevador. E como seriam chamados desde então? Aqueles dois. O casal que se cansou. O que nem chegou a ser. O que nunca seria mesmo. O casal que não teve mais forças pra acreditar. O casal que se cansou de ouvir, o casal que se cansou de falar. Aquele cara, que namorava aquela menina do vestido colorido. O casal do apartamento em frente, o casal daquela mesa ao lado, aqueles dois que pareciam tão felizes, aqueles dois que estavam sempre dançando, aqueles dois que estavam sempre rindo, aqueles dois.

O casal do what if.

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Ela partiu, partiu, e nunca mais voltou. É o que dizem.

domingo, 10 de julho de 2011

Postcards from Italy


E as nossas vidas nunca mais foram as mesmas depois daquelas revoadas de pássaros que nos pegavam de surpresa no outono europeu. Cada vez mais eu me dou conta de que algumas coisas são tão singelas que precisamos mesmo ter muita simplicidade na alma pra conseguirmos perceber. E não dá pra explicar. Os momentos mais bonitos das nossas vidas são assim: sem explicação.

E que disso sejamos feitos, afinal: Plano e contra-plano de momentos bonitos.




Que saudade que me deu.

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"Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz."

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sobre as cicatrizes


- I´m so scared.

- Don´t be.

- It´s gonna hurt.

- I know. But don´t be afraid. Scars are good.

- You´re insane.

- They don´t seem to be good. But they are. They mean you made it. You got over it. Survived. And learned something. But yeah, they hurt. Specially the invisible ones.

(…)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sobre vinhos, carregadores e cigarros


Senti uma falta bizarra de você puxando meus cabelos ontem à noite.

Acordei e vi que suava frio, tremendo de medo e de saudade. Parei em frente ao espelho pra encarar aquelas olheiras tão doídas e senti um pouco de pena. E de repente me dei conta de que nem mais sabia quem você era. Mas confesso que me senti um pouco mais leve. Ainda que as partidas doessem, como me dizia às vezes o Caio. Eu tinha certeza que era bom viver e, se necessário fosse, eu aprenderia a viver feliz sem você.

Lembrei de como era reconfortante a companhia dos cigarros que eu já não fumo mais e pensei porque diabos eu fui parar de fumar logo agora que você foi embora de casa. Tive vontade de te ligar, mas não consegui achar o carregador e pensei que, no fim das contas, isso deveria ser um sinal. Me senti igual aquela minha amiga que você odeia, que vive dizendo que geralmente tinha cigarros, mas nunca encontrava os isqueiros.

Coloquei um disco de Jazz pra ouvir e tentei me lembrar porque mesmo eu fui jogar aquela velha vitrola fora há anos atrás. Parei pra pensar na quantidade de músicas que não ouviríamos mais e me senti tão triste. Se eu soubesse, teria te concedido uma última dança em vez de querer ir embora daquela festa. Nós e os nossos descompassos.




(Suspiro)

Olhei pro céu naquela noite fria e senti ciúme de quem quer que fosse a tua companhia agora. Quis te xingar, mas lembrei do cigarro, do carregador e que eu havia tomado uma decisão. Justo eu, que estava leve e feliz. Decidi não ia cair mais nas tuas armadilhas e finalmente eu consegui sorrir.

Abri uma garrafa de vinho e bebi ele a seco bem daquele jeito que você sempre brigava comigo. Eu e essa minha mania de querer engolir o mundo. Abri o livro do Henry Miller justamente naquela frase que você tanto gostava: "Quando não se há mais o que fazer, Paris é o lugar certo". E pensei em todas as viagens que não faríamos mais juntos. E todos os risos que não seriam mais por sua causa. Eu e essa minha mania de achar que poderia te salvar. Mas, pelo menos, pensei também em todas as vezes que você não ia nunca mais me ver chorando. E fiquei feliz por conseguir então ir embora com essa minha mania que você tanto odeia de querer controlar as horas e a temperatura do corpo, como se isso possível fosse numa noite tão fria.

Resolvi então dormir e tentar mergulhar de volta no meu mundo dos sonhos onde eu finalmente posso ter paz e ser feliz sem você. Onde eu posso viver pra sempre entre as margaridas no vestido, os puxões de cabelos, os carregadores de celular e, definitivamente, entre todos esses malditos cigarros que eu nunca mais ia precisar se estivesse ao seu lado.

domingo, 26 de junho de 2011

Espera


- Peraí.

- Ai, porra. Quê que foi agora?

- Peraí, ainda não tô pronta.

- Porra, como assim, não tá pronta? Eu vim até aqui pensando que...

- Peraí, também, que drama. Só tô dizendo que não tô pronta. Que eu tô me aprontando...

- Se eu soubesse que você não tava pronta, eu ainda não tinha vindo.

- Ih, pronto, começou.

- Comecei nada. Você que veio com esse papinho de não tô pronta. E desde quando tem que estar pronta?

- É que eu quero que dessa vez dê certo. Você não entende. Aliás, você nunca me entendeu. Eu preciso que tudo esteja certinho, sabe? Mas ainda não tá pronto. Pô, não tô te pedindo nada, só tô te pedindo pouquinho de paciência. Eu ainda não tô pronta.

- Eu acho que é frescura, mas tudo bem. Ffffffff. Ô mulé difícil. Na moral: Você perde muito tempo com essa sua mania de querer que saia tudo do jeitinho que tem que ser. Deixa a coisa ser do jeito que é, sabe? Que mania de querer controlar tudo. Já tá bom...

- É, tá bom, mas pode ficar melhor.

- Eu acho besteira, mas enfim, você que sabe. Eu acho que tá bom. Que mania de querer fazer tudo direitinho, perfeitinho, que saco.

- Me deixa.

- Eu deixo, se você quer assim...

- É, quero.

- Claro que quer. Você sempre quer tudo do seu jeito.

- Hã? Quê que você falou?

- Falei que você quer tudo sempre do seu jeito.

- Não, senhor. Eu quero tudo do jeito certo.

- (impaciente) Tá bom, meu amor. Ai, ai. Se você estivesse se arrumando durante todo esse tempo que você fica falando nãotôprontanãotôprontanãotôpronta, você já tava pronta.

- Vem cá, vai ficar falando assim? Então foda-se, não quero mais ir. Grosso pra caralho, não fode.

- Ah, claro. Eu. Olha quem fala: a pessoa que coloca 3 palavrões numa frase só. E depois eu que sou o grosso. Aliás, tu tá falando palavrão pra caralho, hein? Tava reparando nisso outro dia.

- Eu não sou grossa. Eu sou grossEIRA. Você que tá me atrasando. Vem cá, vai deixar eu me aprontar ou vai ficar aí enchendo a porr... o saco?

- (risos) Vai, se arruma. Eu espero. Mas você já tá linda assim.

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E numa bela manhã de sol, de repente, ela olhou para o nada e se deu conta de que já estava feliz novamente.

"Mas um velho me falou / que Jana jamais bancou / vinganças no desamor e então / voltei ao mesmo lugar / com peito aberto sem dor / aí o meu coração sarou".