segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

disseram que eu voltei americanizada


Dizem que tudo o que é bom dura pouco, né? E acabei achando a viagem meio curtinha demais. Ok, eram os 7 dias que eu tinha, havia toda uma felicidade a ser buscada aqui no mundo real... Mas fim de viagem sempre dá uma pontinha de dor no coração. Pelo menos pra mim.

Último dia de intensas emoções na Big Apple. Acordei cedo e fui encontrar a Cla Paiva para irmos ao Harlem assistir a uma missa Gospel, coisa que eu não consegui fazer há 13 anos atrás, quando estive em NYC. Naturalmente pegamos o metrô errado (na verdade era domingo e as linhas não funcionavam direito) e acabamos indo parar na 125th st, na meiuca do Harlem, 10 ruas acima de onde queríamos ir.

Estávamos em cima da hora então começamos a descer as quadras loucamente, pensando "porra, não acredito que vamos perder essa parada". Não dava tempo, eram quase 11:00 e íamos perder o programa. No meu último dia; que saco.

Até que eu parei na porta de uma igrejinha qualquer e falei: "Será, amiga, que a gente tenta aqui mesmo?". Nessa mesma hora uma senhorinha negra fofa com um casaco de pele chiquérrimo chegou perto de mim e disse: "C´mon in! You´re more than welcome here!". Nos olhamos e entramos.

E aí que a missa foi SUPER emocionante e me fez chorar copiosamente durante os hinos. Simples e especial, justamente como a vida deve ser. Passamos quase 2 horas na igreja (no final foi meio over e tivemos que fugir da missa sem fim). Chorei metade do tempo. Pela alegria de estar ali, pela tristeza pelos que não estavam, pelo já conhecido sentimento de realização por estar conseguindo realizar cada um dos meus sonhos, pelos difíceis momentos que passei, por cada uma das voltas por cima que eu dei. É a dor e a delícia, não tem jeito. Mas estar ali, naquela igrejinha tão fofolucha, eu e Cla, abraçando aqueles negões enormes e com aquele vozeirão que me diziam: "May the peace of God be with you" olhando no fundo do meu olho, realmente querendo que eu tivesse um pouco de toda aquela paz... Fez toda a diferença. Saímos de lá de alma e coração lavados.


(Momento recadinho: Manela, como quisemos que você estivesse aqui com a gente, morrendo de tanto chorar).

Fomos andar um pouco pelo Harlem, falando sobre vida, Deus, paz, amor. No fundo, é tudo uma coisa só. E aquele momento, naquela igreja inesperada, sem dúvida foi para me mostrar que às vezes a vida não sai exatamente como a gente planejou. Mas que pode haver a sua beleza no inesperado. E que a vida, definitivamente, é uma só. Pense bem em com que olhos você vai querer enxerga-la.

Descemos para o Rockefeller Center, porque eu queria ir à loja da NBC uma vez mais. E ficamos passeando por ali, comemos um cheeseburguer INCRIVEL no Five Guys, com direito a cogumelos e cebolas carameladas. Delícia, delícia.


Depois, pra gastar as calorias, andamos, andamos, andamos, me despedindo de Manhattan. E então fomos ao Brooklyn encontrar a Cla Lyra, afinal era meu último dia e queria aproveitar até o final. Passamos na loja do Daniel para nos despedirmos (que gente boa ele!) e ficamos ali passando pelas ruazinhas de Cobble Hill, rindo, falando besteira, já com saudades desses últimos momentos mulherzinha antes de pegar o táxi pro JFK.

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Foi fundamental ter vindo e vai ser muito bom voltar. E que venha então essa ofegante epidemia que se chamava Carnaval.


domingo, 27 de fevereiro de 2011

manela´s american day

e os dias em NY vão (se) acabando. eu sabia que ia ser assim, mas sempre dá uma dorzinha no coração, sabe? tenho que voltar pra casa, eu sei. trabalho, casa, vida, carnaval. mas ficou pendente uma temporada em Nova York no verão, calor, juventude, Central Park no sol.

engraçado aliás como a nossa relação com o tempo muda. ontem estava uns 3-4 graus. andamos no sol e comentamos: "ai, que bom que não tá muito frio, né?". OI? tá frio pra caraaaaaaalho, meu bem. estamos falando de 3 graus. mas o corpo se acostuma e a gente passa a relativizar... agora, dizer que é "tempo bom", não, né?


penúltimo dia, sábado. acordamos meio ressaquentos (eu não, na verdade) e cansados. mas tínhamos combinado de passear no Upper West Side, onde o Steve mora. e aí fomos.

andamos pela rua e de repente paramos na frente do... Tom´s Restaurant. do Seinfield. como as coisas na vida se encaixam, não? fiquei felizinha, entramos e tomamos um superbrunch com torradas, ovos, chocolate quente e meia panqueca, porque pelamordedeus como esse povo come.

vale dizer que uma coleguinha minha comeu 3 PANQUECAS, feliz como se não houvesse amanhã. um dia essa conta vai chegar, meu bem. rá.

saímos de lá, andamos pela vizinhança. paramos no West Side Market, tipo o supermercado mais incrível do mundo (eu e minhas superlatividades). mas eu realmente gostaria de ter à minha disposição um mercado com, sei lá, 100 tipos de queijo? e 30 tipos de mostarda? 10 tipos de cogumelo? cada um que busque a sua felicidade nas pequenas coisas. felicidade pra mim também seria ter toda essa orgia gastronômica ao alcance da mão. e sem precisar comer no Mc Donald´s.

descemos até o West Village e encontramos a Crystal, amiga da Cla Lyra. que nos levou pra pra passear no Hudson River Park, que é o calçadão do outro lado, de frente pra New Jersey. fiquei fotografando e vendo o povo correr. peguei um pouquinho de inveja, mas, cara, não dá pra correr nesse frio. não tenho roupa pra isso. e nem tempo. corro no Rio.

subimos pro High Line Park, que todo mundo já tinha falado e eu achei tão legal. certamente é melhor no verão, mas em compensação não estava tão cheio como em Julho. é um lugar super legal, em Chelsea, onde a prefeitura pegou uma linha de metrô na superfície desativada e fez um calçadão de frente para o pôr do sol, com espreguiçadeiras, quiosquinhos e gente bonita em clima de paquera. fica a dica.

de lá fomos andando HOOOORAS até o East Village buscando o bar onde íamos encontrar o Szapiro, meu amigo da escola que está morando na Califórnia e veio me encontrar. ok, ele não veio só por mim, mas deixa assim que pareço importante :)

o bar estava muito cheio e acabamos indo ao Mono+Mono, um coreano moderninho e incrível no East Village. adorei o lugar. comemos chicken wings e bebemos uma cerveja ótima, Blue point. lá o Szapiro encontrou a gente, conheceu as meninas, matamos as saudades e colocamos as muitas fofocas em dia, com direito a telefonema surpresa pros amigos no Brasil. demais.

andamos até o Fat Cat, um bar super legal no West Village (75 Christopher Street). pagamos 3 dólares pra entrar, levamos mais um carimbo na mão (tá foda isso, tô parecendo baladeira master) e lá dentro rola uma galera jogando sinuca, pingue-pongue, bocha (tá supercool jogar bocha, eu achei que só velhinho podia), totó etc. quem não quer jogar pode assistir a um showzinho incrível de jazz. passamos horas lá dentro, conversando e rindo com a colegagem. voltamos pra casa numa NY fria e feliz.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

moving on

e aí que ela tinha tantos amigos em NY essa semana que estivemos precisando de um schedule pra conseguir fazer tudo o que ela queria em apenas uma semana. mas ficou impossível encaixar tantos interesses em um espaço de tempo tão curto, então deixamos alguma coisa para a próxima.

mas é tão bom matar saudades. primeiro da Carolina, minha prima linda que eu não via há tanto tempo que já nem sei. 6 anos? talvez mais. oh, God.


e ela num ritmo louco de trabalho, então tivemos apenas um encontrinho rápido pra matar as saudades, comer um japonês incrível em Midtown e chegar à conclusão de que, nessa roda da fortuna louca, acabamos parando no mesmo degrau. como a vida dá voltas. e aqui estamos nós, em momentos intensos, complicados e felizes. ninguém disse que seria fácil.

saí de lá ouvindo poesia no iPod e pensando na vida. é mesmo muito bom se afastar da rotina de vez em quando pra ver a vida de longe, colocar os pensamentos em ordem e entender os próximos passos a serem tomados.

à noite fomos jantar no Daniel, o amigo-mais-incrível-do-mundo da Clarissa Lyra. da série "pessoas que passam, pessoas que ficam". tão gente boa, fez um jantarzinho delícia pra gente. passamos a noite bebendo vinho de altíssimo nível, falando da vida e rindo. gostoso como a vida deve ser.

dia seguinte intenso, viu? acordei cedo pra ir encontrar a Marina, minha amiga da FACHA que eu não via há 10 anos, no Chelsea Market. que lugar i-n-c-r-í-v-e-l. é tipo tudo aquilo que a Cobal gostaria de ser um dia, com mil delis e cafés deliciosos, pessoas bonitas e elegantes, lojinhas e mercados incríveis, onde parei e contei QUINZE tipos de cogumelos diferentes. é impossível ser infeliz nos mercados de Nova York.

andamos, andamos, andamos. bom pra queimar as calorias do post anterior. e foi ótimo porque a Marina mora aqui há 10 anos e conhece cada quebradinha da cidade, o que faz toda a diferença num dia no East Village, onde resolvemos passear depois.


primeiro fomos ao Max Brenner, uma espécie de confeitaria Colombo só de chocolate que fica em Union Square. maravilhoso lugar, tipo o paraíso e o inferno na mesma colherada. comi um hot fudge que era uma espécie de combinadinho com uma torta quente com recheio de chocolate amargo molinho, um copinho de chocolate quente, uma bolinha de sorvete e mais calda de chocolate amargo pra colocar por cima depois. incacreditavelmente delícia. carinho, tipo 15 dólares a gordice. mas vale cada centavo e, afinal, foi esse o almoço :)


depois fomos ao Mc Sorley´s, o bar mais antigo de NYC, que existe desde 1854. uma taverna super legal que fica na E7th st e tem uma cerveja deliciosa compre1-leve2. na foto abaixo você vê o lustre nunca limpo, com direito a wishbones (como dizer isso em português? ossinhos da sorte?) ainda pendurados, deixados ali há um século pelos soldados que não voltaram da guerra.

dividimos a mesa com uns coroas da Virginia que trabalhavam com estaleiros. papo louco, eles achando que estávamos falando algo entre russo e francês. e a gente só queria falar mal dos outros em paz :)



saindo de lá fui ao Moma. sexta à tarde com entrada grátis, em vez dos 20 dólares obrigatórios. encontre seu lugar entre todos aqueles japoneses obsessivos (piadinha interna pra Michelle, Uirá e Marcelinha) e consiga ver seu Van Gogh feliz. desencontrei da Mary, amiga da minha mãe, e fiquei andando por toda aquela arte moderna pensando na tal da roda da fortuna. pensativo esse day.


sexta-feira é sexta-feira em qualquer lugar, então fomos ao famoso karaokê "killed the cat",do Union hall, no Brooklyn, onde as meninas já queriam me levar há tempos. que divertido! dançamos e cantamos a noite inteira, bebendo cerveja artesanal e fazendo amigos "Yo!". com direito a gritinhos "I will survive" no palco e "The time of my life" no fim da noite. saímos de lá as 4h, congeladas (esquentou, mas ainda estamos falando de... 2 graus?) e felizes.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

supersize me

olha... esse negócio de viajar prum lugar frio 1 semana antes do carnaval nao é bom não, viu? esse povo só come, come, come... Jeová! e, sabe como é, carnaval é a festa da carne, então a carne tem que estar boa. fecha a boca já, Luana!!!

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esse pensamento começou porque muito me impressiona como americanos são gordos. acho que isso de medir o peso em pounds faz com que os coleguinhas daqui de cima percam completamente a noção do ridículo. e aí fica isso de tudo ser sempre grande, double, tudo meio gordo, e a coragem de hoje será o arrependimento de amanhã. não duvide.

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e aí que eu resolvi comprar os famosos bons-e-baratos-lençois-400fios aqui. e aí procura, procura, procura, e descubro que tem pouquissímas opções para o meu tamanho, "cama de casal normal", que aqui atende pelo nome de "full". 3 lojas, horas de busca, e nada muito bom. e aí me dou conta de que eles só tem queen ou king size na prateleira. é, realmente eu acho ótimo que a cama seja enorme, principalmente com um lençol incrível. mas vamos estar combinando que a cama é giga porque vocês são um bando de gordos que não cabem numa cama normal. prontofalei.

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em homenagem ao post gordo, ontem foi o dia internacional da pizza em NYC, data inventada por mim.

passeando pelo Village, de repente parei em frente a Joe's Pizza, que é tida como a melhor pizza de Nova York. eu nem estava com tanta fome, mas tive que comer uma fatia entre as muitas fotos de atores famosos que compram ali. US$ 3,75 a fatia e vale cada centavo, delícia máxima. acabei a minha e fiquei triste olhando pra pizza do coleguinha do lado.

andamos, andamos, andamos pelo Soho, conversando, comprando (também foi o dia internacional do surto psicótico das compras, by the way) e rindo. já tinhamos começado o dia passeando num Central Park geladíssimo, então isso mostra que ontem foi também o dia internacional do pé doendo no fim do dia. e aí os amigos da Cla ligaram dizendo que estavam num bar super legal no Brooklyn e logo depois iam comer... A MELHOR PIZZA DA CIDADE (ué, mas não era a outra?) e perguntaram se a gente queria ir. ué, queremos, então. e lá fomos.

e aí que a melhor pizzaria de NYC se chama Lucali, fica na 575 Henry st. no Brooklyn e só não foi a melhor pizza da minha vida porque já comi a verdadeira melhor pizza do mundo, a Da Michele, e nada no mundo pode superar aquela sensação. mas a pizza que comemos ontem, sinceramente, é muito boa. no fim deu 15 dolares pra cada um (e comemos até morrer) e ainda veio de brinde o sorriso satisfeito no rosto.

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Luana, você esta em NYC, sai dessa porra desse computador.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

bom humor de volta depois do post mal criado


e aí que salvamos o dia com um passeio pelo Brooklyn Heights, esse lugar super charmoso que eu não conhecia. caminhamos no frio fazendo fotos lindas e falando sobre a dor e a delícia dessa vida.

vida cíclica.


que lugar charmoso. e aí andamos até a Promenade, que é basicamente o lugar mais fofo que já vi aqui. ok que faltam as Torres Gêmeas na paisagem, mas... que lugar bonito. aquele monte de gente correndo, o friozinho, o sol. e concluí que, definitivamente, é impossível ser infeliz ali.
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pausa para o comentário caipiranacidadegrande: estávamos saindo de lá quando vimos aquela movimentação típica de uma equipe de filmagem. eu toda trabalhada na minha timidez, mas a Clarissa fez questão de ir perguntar o que era.

e aí que era a Sarah Jessica Parker. e aí que, oi, eu vi a Carrie (que não era a Carrie, mas, whatever).

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fim de noite com amigas, vinho e risos. como a vida deve ser.
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deu saudade.

alegria de pobre

em todas as últimas viagens eu tenho tido dias surtados de compras que são bons no começo mas depois me deixam profundamente irritada.

em NYC, a Meca do consumo, não poderia ser diferente.

vim pra cá meio "pagando de maluca", com pouquíssimo $ no bolso, com um cartão de crédito suspenso na véspera pelo Santander (oi?) e a certeza de que a alegria ia ser muito mais pelo "estar" do que pelo "ter". comprei uma passagem ridiculamente barata, consegui uma semana de férias, estava realmente precisando ver a vida de longe, tenho 5 amigas morando aqui, peguei e vim.

mas ninguém viaja pra NY sozinha, afinal. e aí passei quase o dia inteiro numa função shopping pros outros e, na boa, QUE ESTRESSE. pobre não pode ver um amigo viajando pros States que já vai logo pedindo coisa, né? sei que algumas pessoas vão rir e outras se incomodar com esse post. azar.

na boa, gente: não. se o coleguinha vai viajar, deixa ele ser feliz na viagem dele. ok, o tom tá meio grosseiro. mas é que, dos 7 dias que a amiguinha tem, quase 1 inteiro ela perdeu em função de compras epara os outros de coisas que nem eram lá tão importantes assim (ou eram, ou não me custava nada e, nesse caso, eu compro). e isso irrita profundamente. é uma coisinha aqui, a outra ali. e o volume aumentando. e eu, Madre Teresa, sem saber dizer não para coisas que não me custam nada (se custasse, eu não faria). e aí que fiz as contas e onze pessoas (oi?) vieram me pedir coisinhas. que nem todas eu levarei. família grande, muitos amigos. não dá.

vamos combinar assim: da próxima vez, ou eu não conto que venho, ou vocês deixam eu comprar presentinhos (que adoro) pra QUEM EU QUISER e me pedem só coisas do free shop. tá?

pronto falei.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

where dreams are made of


- quanto tempo você pretende ficar aqui?

- oi? (eu nunca ouço as perguntas importantes)

- quanto tempo você pretende ficar aqui?

- ah, desculpa. 7 dias. até domingo.

- Ok. Bem vinda.

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e assim, com essa imigração ridícula, depois de 13 anos, voltei à Big Apple. não sei se foi a coleção de carimbos, se a cara estava boa ou se foi o fato de que eu estava bem feliz. tem momentos da vida em que as coisas simplesmente se encaixam.

cheguei trazendo de volta a neve e o frio, que já tinham abandonado a cidade. sim. eu finalmente vi a neve. fofa. linda. gelada.


pra contrariar o meu papel de viajante espertinha e descolada, já cheguei errando o metrô. e em vez de vir pro Brooklyn facinho, eu fui parar no meio de uma Lexington Ave fria e caótica. e nevava. muito. e aquelas pessoas estressadas no seu ir e vir. e eu parei. larguei a mala e comecei a pular na neve, mongoloide e feliz.

New York City. welcome back.

cheguei à casa da Cla Lyra depois de alguns percalços. matei as saudades dessa amiga tão querida. fofa a casa, com seus muitos roomates, 2 cachorros (Patty, fofura máxima, e Sam, meio blasé) e um gato que aparece de vez em quando.

fizemos a surpresa pra Cla Paiva, que não sabia que eu vinha. coitadinha, quase infartou. ficou parada me olhando, demorando a entender que era eu que estava ali. e aí resolveu matar o trabalho pras colegatudo poderem dar uma de caipira na cidade grande juntas. não antes de tomar um café da manhã OBESO como tudo nesse país deve ser, com direito a bagels, ovos, cookies. Jeová!

saimos as 3 mocinhas elegantes (até porque era meu 1o dia e resolvi pagar de bonita em vez de pagar de quentinha e MORRI de frio) e fomos passear na cidade. Macy´s, lojinha da NBS, Rockefeller Center. 5a avenida. claro. e aí sim, a gente entende que está em Nova Iorque.


chegamos à porta do Plaza com o objetivo de ir ao Central Park. e senti o pior frio da minha vida. depois descobri que estava, naquele momento, -5. oi? eu ouvi direito? ca-ra-lho. nunca senti aquilo. e querendo pagar de bonita pra foto. "passo frio, mas não passo vergonha". bem que as meninas disseram: "você tá querendo ficar bonita porque é o 1o dia. amanhã você vai querer ficar quentinha". mas ficou bonito o look, olha:


passamos na porta da incrível AppleStore de vidro, mas resolvi não ceder ainda. decidimos entrar na FAO - Big Piano is back!!!! - pra esquentar. desesperador. ok, não vou reclamar; eu queria brincar na neve. agora chega, Deus. pode ligar o termostato no 20.


andamos serepeles pela 5a avenida, uma lojinha aqui, outra ali. mais frio. todas, não só eu. resolvemos entrar no Starbucks e tomar um café pra esquentar. horas de papo bom, fofocas, risos e choros. que coisa boa estar com amigas tão queridas e assim, longe de casa, podendo ver a vida de longe, colocar os pensamentos em ordem, observar os probleminhas sobre outra ótima, vendo tudo em perspectiva. no fundo, é tudo tão pequeno, tão simples.

andamos até a Times Square brincando e rindo, com direito a dancinhas na rua, Claudinho e Buchecha, Desculpe, mas eu vou chorar. e elas falavam e riam, naquela urgência gostosa de ser feliz aqui e agora. como é bom estar de volta.


finalmente conheci o Steve, namorado-sangue-bom da Clarissa. totalmente integrado ao grupo. amei ele. que nos levou ao Bryant park pra ver a pista de patinação, onde tive a infeliz idéia de tirar as luvas pra fazer boneco de neve. em 3 minutos eu tive a certeza de que ia morrer de tanta dor nos dedos. nunca senti isso, que horror. é uma dor, mas uma dor, mas uma dor... mongol, eu, né? todo mundo sabia que meus dedos iam doer, mas ninguém me contou. assholes.



fomos então Joya, um tailandês incrível no Brooklyn. disparado o melhor de todos os tempos - e o melhor: super barato. comemos entradinhas de lula e cogumelos, um arroz com camarões, um ensopadinho de curry, vinho para todos e deu uns 12 dólares pra cada um num restaurante super charmosinho num bairro fofo.


saímos de lá tipo 11 da noite com a sensação de que eram 3 e um frio que nunca senti. o cérebro congelou e eu só sentia as pernas correndo loucamente em direção à casa, onde chegamos e descobrimos: a temperatura, naquele momento, era -8.


dormi embalada pelo frio, pelos pensamentos, pela alegria de estar de volta a mim mesma.

mais uma vez: como é bom estar de volta.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

white swan


e aqui seguimos, Isabella e eu, (nos primeiros) 30 dias depois. o ônus e o bônus, a dor e a delícia. ela e eu.

é que a gente vive tentando se equilibrar (na ponta do pé - Isabella sempre quis ser bailarina, afinal) na tênue linha que separa a intensidade do caos.

buscar a leveza com momentos de intensidade ou batalhar pelos momentos de leveza numa vida intensa? como conciliar duas características tão aparentemente contraditórias? do que não podemos abrir mão? que leveza é essa? e quão intensa a vida precisa (e pode) ser?

muitas perguntas para um domingo qualquer. melhor seria se fosse terça.


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é que ela sempre escolheu ser feliz à ter razão. e agora só queria mostrar que sabia ser bonita no pas de deux.

Clarice pós Braseiro

‎"minha alma tem o peso da luz.
tem o peso da música.
tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita.
tem o peso de uma lembrança.
tem o peso de uma saudade.
tem o peso de um olhar.
pesa como pesa uma ausência.
e a lágrima que não se chorou.
tem o imaterial peso da solidão no meio de outros."

Clarice

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

out of the box



Definetely.

mais pessoa

já que o Fernando Pessoa do post anterior agradou tanto, resolvi dividir esse aqui, que ganhei recentemente. é tão bom quando as coisas simplesmente se encaixam. e fazem todo o sentido.

"para além da curva da estrada
talvez haja um poço, e talvez um castelo,
e talvez apenas a continuação da estrada.
não sei nem pergunto.
enquanto vou na estrada antes da curva
só olho para a estrada antes da curva,
porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
de nada me serviria estar olhando para outro lado
e para aquilo que não vejo.
importemo-nos apenas com o lugar onde estamos.
há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.
se há alguém para além da curva da estrada,
esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.
essa é que é a estrada para eles.
se nós tivermos que chegar lá, quando lá chegarmos saberemos.
por ora só sabemos que lá não estamos.
aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva
há a estrada sem curva nenhuma."

Fernando Pessoa

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é que, no fundo, eu sei que depois da curva da estrada tem um pote de ouro. desculpa. eu simplesmente sei, como todas aquelas coisas que a gente simplesmente sabe.

sabe?


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Pessoa pra encantar a vida.


eu sei que tinha prometido que não ia encher vocês de poesia alheia, mas, no fundo, o que a gente quer é que a vida sempre nos pegue de surpresa nas manhãs de terça-feira.

"conta a lenda que dormia
uma Princesa encantada
a quem só despertaria
um Infante, que viria
de além do muro da estrada.

ele tinha que, tentado,
vencer o mal e o bem,
antes que, já libertado,
deixasse o caminho errado
por o que à Princesa vem.

a Princesa Adormecida,
se espera, dormindo espera,
sonha em morte a sua vida,
e orna-lhe a fronte esquecida,
verde, uma grinalda de hera.

longe o Infante, esforçado,
sem saber que intuito tem,
rompe o caminho fadado,
ele dela é ignorado,
ela para ele é ninguém.

mas cada um cumpre o destino
ela dormindo encantada,
ele buscando-a sem tino
pelo processo divino
que faz existir a estrada.

e, se bem que seja obscuro
tudo pela estrada fora,
e falso, ele vem seguro,
e vencendo estrada e muro,
chega onde em sono ela mora,

e, inda tonto do que houvera,
à cabeça, em maresia,
ergue a mão, e encontra hera,
e vê que ele mesmo era
a Princesa que dormia".

Fernando Pessoa, na medida, sempre.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

no caminho do bem


ando me perguntando porque é tão difícil, afinal, aceitar as decisões daquele que amamos, quando essas escolhas são completamente diferentes das nossas. como dói entender que determinadas decisões não nos cabem e que tem certos processos que cada um sabe a melhor forma de atravessar, mesmo. o desafio talvez seja justamente aceitar as diferenças daqueles que amamos, e que pretensão a nossa achar que já nascemos sabendo onde é que o calo do amiguinho aperta.

a gente sempre quer o bem. a gente erra tentando acertar. mas como é difícil entender aquilo que é diferente de nós. entender a dor e a delícia de cada um. ver que a vida muitas vezes não sai como a gente planejou. mas que pode haver poesia no imprevisto, beleza no inusitado.

e que, no fundo, estamos todos em busca da mesma coisa. que só pode ser feliz.




e quem disse que seria fácil?

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sejamos existencialistas, docemente existencialistas, afinal.

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foto, como sempre, observando

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

rapidinha


eu tenho um colchão inflável e todos os sonhos do mundo.