segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

disseram que eu voltei americanizada


Dizem que tudo o que é bom dura pouco, né? E acabei achando a viagem meio curtinha demais. Ok, eram os 7 dias que eu tinha, havia toda uma felicidade a ser buscada aqui no mundo real... Mas fim de viagem sempre dá uma pontinha de dor no coração. Pelo menos pra mim.

Último dia de intensas emoções na Big Apple. Acordei cedo e fui encontrar a Cla Paiva para irmos ao Harlem assistir a uma missa Gospel, coisa que eu não consegui fazer há 13 anos atrás, quando estive em NYC. Naturalmente pegamos o metrô errado (na verdade era domingo e as linhas não funcionavam direito) e acabamos indo parar na 125th st, na meiuca do Harlem, 10 ruas acima de onde queríamos ir.

Estávamos em cima da hora então começamos a descer as quadras loucamente, pensando "porra, não acredito que vamos perder essa parada". Não dava tempo, eram quase 11:00 e íamos perder o programa. No meu último dia; que saco.

Até que eu parei na porta de uma igrejinha qualquer e falei: "Será, amiga, que a gente tenta aqui mesmo?". Nessa mesma hora uma senhorinha negra fofa com um casaco de pele chiquérrimo chegou perto de mim e disse: "C´mon in! You´re more than welcome here!". Nos olhamos e entramos.

E aí que a missa foi SUPER emocionante e me fez chorar copiosamente durante os hinos. Simples e especial, justamente como a vida deve ser. Passamos quase 2 horas na igreja (no final foi meio over e tivemos que fugir da missa sem fim). Chorei metade do tempo. Pela alegria de estar ali, pela tristeza pelos que não estavam, pelo já conhecido sentimento de realização por estar conseguindo realizar cada um dos meus sonhos, pelos difíceis momentos que passei, por cada uma das voltas por cima que eu dei. É a dor e a delícia, não tem jeito. Mas estar ali, naquela igrejinha tão fofolucha, eu e Cla, abraçando aqueles negões enormes e com aquele vozeirão que me diziam: "May the peace of God be with you" olhando no fundo do meu olho, realmente querendo que eu tivesse um pouco de toda aquela paz... Fez toda a diferença. Saímos de lá de alma e coração lavados.


(Momento recadinho: Manela, como quisemos que você estivesse aqui com a gente, morrendo de tanto chorar).

Fomos andar um pouco pelo Harlem, falando sobre vida, Deus, paz, amor. No fundo, é tudo uma coisa só. E aquele momento, naquela igreja inesperada, sem dúvida foi para me mostrar que às vezes a vida não sai exatamente como a gente planejou. Mas que pode haver a sua beleza no inesperado. E que a vida, definitivamente, é uma só. Pense bem em com que olhos você vai querer enxerga-la.

Descemos para o Rockefeller Center, porque eu queria ir à loja da NBC uma vez mais. E ficamos passeando por ali, comemos um cheeseburguer INCRIVEL no Five Guys, com direito a cogumelos e cebolas carameladas. Delícia, delícia.


Depois, pra gastar as calorias, andamos, andamos, andamos, me despedindo de Manhattan. E então fomos ao Brooklyn encontrar a Cla Lyra, afinal era meu último dia e queria aproveitar até o final. Passamos na loja do Daniel para nos despedirmos (que gente boa ele!) e ficamos ali passando pelas ruazinhas de Cobble Hill, rindo, falando besteira, já com saudades desses últimos momentos mulherzinha antes de pegar o táxi pro JFK.

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Foi fundamental ter vindo e vai ser muito bom voltar. E que venha então essa ofegante epidemia que se chamava Carnaval.


Um comentário:

Vanessa disse...

sanduba do five guys: realmente incrível.