terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

where dreams are made of


- quanto tempo você pretende ficar aqui?

- oi? (eu nunca ouço as perguntas importantes)

- quanto tempo você pretende ficar aqui?

- ah, desculpa. 7 dias. até domingo.

- Ok. Bem vinda.

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e assim, com essa imigração ridícula, depois de 13 anos, voltei à Big Apple. não sei se foi a coleção de carimbos, se a cara estava boa ou se foi o fato de que eu estava bem feliz. tem momentos da vida em que as coisas simplesmente se encaixam.

cheguei trazendo de volta a neve e o frio, que já tinham abandonado a cidade. sim. eu finalmente vi a neve. fofa. linda. gelada.


pra contrariar o meu papel de viajante espertinha e descolada, já cheguei errando o metrô. e em vez de vir pro Brooklyn facinho, eu fui parar no meio de uma Lexington Ave fria e caótica. e nevava. muito. e aquelas pessoas estressadas no seu ir e vir. e eu parei. larguei a mala e comecei a pular na neve, mongoloide e feliz.

New York City. welcome back.

cheguei à casa da Cla Lyra depois de alguns percalços. matei as saudades dessa amiga tão querida. fofa a casa, com seus muitos roomates, 2 cachorros (Patty, fofura máxima, e Sam, meio blasé) e um gato que aparece de vez em quando.

fizemos a surpresa pra Cla Paiva, que não sabia que eu vinha. coitadinha, quase infartou. ficou parada me olhando, demorando a entender que era eu que estava ali. e aí resolveu matar o trabalho pras colegatudo poderem dar uma de caipira na cidade grande juntas. não antes de tomar um café da manhã OBESO como tudo nesse país deve ser, com direito a bagels, ovos, cookies. Jeová!

saimos as 3 mocinhas elegantes (até porque era meu 1o dia e resolvi pagar de bonita em vez de pagar de quentinha e MORRI de frio) e fomos passear na cidade. Macy´s, lojinha da NBS, Rockefeller Center. 5a avenida. claro. e aí sim, a gente entende que está em Nova Iorque.


chegamos à porta do Plaza com o objetivo de ir ao Central Park. e senti o pior frio da minha vida. depois descobri que estava, naquele momento, -5. oi? eu ouvi direito? ca-ra-lho. nunca senti aquilo. e querendo pagar de bonita pra foto. "passo frio, mas não passo vergonha". bem que as meninas disseram: "você tá querendo ficar bonita porque é o 1o dia. amanhã você vai querer ficar quentinha". mas ficou bonito o look, olha:


passamos na porta da incrível AppleStore de vidro, mas resolvi não ceder ainda. decidimos entrar na FAO - Big Piano is back!!!! - pra esquentar. desesperador. ok, não vou reclamar; eu queria brincar na neve. agora chega, Deus. pode ligar o termostato no 20.


andamos serepeles pela 5a avenida, uma lojinha aqui, outra ali. mais frio. todas, não só eu. resolvemos entrar no Starbucks e tomar um café pra esquentar. horas de papo bom, fofocas, risos e choros. que coisa boa estar com amigas tão queridas e assim, longe de casa, podendo ver a vida de longe, colocar os pensamentos em ordem, observar os probleminhas sobre outra ótima, vendo tudo em perspectiva. no fundo, é tudo tão pequeno, tão simples.

andamos até a Times Square brincando e rindo, com direito a dancinhas na rua, Claudinho e Buchecha, Desculpe, mas eu vou chorar. e elas falavam e riam, naquela urgência gostosa de ser feliz aqui e agora. como é bom estar de volta.


finalmente conheci o Steve, namorado-sangue-bom da Clarissa. totalmente integrado ao grupo. amei ele. que nos levou ao Bryant park pra ver a pista de patinação, onde tive a infeliz idéia de tirar as luvas pra fazer boneco de neve. em 3 minutos eu tive a certeza de que ia morrer de tanta dor nos dedos. nunca senti isso, que horror. é uma dor, mas uma dor, mas uma dor... mongol, eu, né? todo mundo sabia que meus dedos iam doer, mas ninguém me contou. assholes.



fomos então Joya, um tailandês incrível no Brooklyn. disparado o melhor de todos os tempos - e o melhor: super barato. comemos entradinhas de lula e cogumelos, um arroz com camarões, um ensopadinho de curry, vinho para todos e deu uns 12 dólares pra cada um num restaurante super charmosinho num bairro fofo.


saímos de lá tipo 11 da noite com a sensação de que eram 3 e um frio que nunca senti. o cérebro congelou e eu só sentia as pernas correndo loucamente em direção à casa, onde chegamos e descobrimos: a temperatura, naquele momento, era -8.


dormi embalada pelo frio, pelos pensamentos, pela alegria de estar de volta a mim mesma.

mais uma vez: como é bom estar de volta.

2 comentários:

bruno_fiuza disse...

http://www.youtube.com/watch?v=tCvnGxfBfiw&feature=related

Sempre Viva! disse...

Aaaahhhhh mais e mais vontade de estar aí!