quinta-feira, 31 de março de 2011

fanta zero




Foi de repente.

O jeito que ele olhou pra ela naquele dia qualquer, por exemplo terça
Aquela mãozinha despretensiosa na coxa dela enquanto ele dirigia
O abraço que demorava cada vez mais, querendo tanto virar um só
A primeira vez que ele a chamou de "meu amor" assim, meio sem querer
Aquela frase do Camelo pra arrancar o sorriso no meio da tarde
A florzinha que ele arrancou do pé antes que ela visse
A outra florzinha que ele deu pra trocar a que tinha morrido
A primeira vez que eles dormiram abraçados a noite inteira
Cada uma daquelas garrafas de vinho que eles não queriam que acabassem
O jeito que ele imitava ela falando no telefone baixinho
O sorriso que ele não podia mais esconder
O brilho nos olhos que ela já não queria mais evitar
O fato dele nunca deixar ela andar do lado dos carros na rua
Cada vez que ele pegava ela olhando pra ele e, inseguro, perguntava "o que foi?"
A mão na cintura pra demarcar que ela era dele [e ela era]
Aquele beijo demorado, molhado, apertado, suado
O seu olhar verde com desejo de urgência
E aquela vontade arrebatadora de que o felizes para sempre começasse já.

Mas no que ele ganhou mesmo foi na fanta zero. Que ele colocou na geladeira só porque sabia que ela tanto gostava.

segunda-feira, 28 de março de 2011

sufoco ou sossego?


Qual o melhor refrão pra trilha sonora da sua vida?




"E até quem me vê lendo o jornal
na fila do pão, sabe que eu te encontrei.
E ninguém dirá que é tarde demais
que é tão diferente assim
do nosso amor a gente é que sabe, pequena"

sexta-feira, 25 de março de 2011

alteração de status


Ando pensando que no fundo estamos todos em busca da mesma coisa: Encontrar sentido nessa vida, ser feliz pra sempre, que os momentos que importam mantenham a sua graça e que tenhamos alguém bem legal do nosso lado pra nos dar carinho e aquela maozinha durante o percurso.

E, não mais que de repente, devemos entender que não existe fórmula mágica para alcançar a nossa felicidade. Então, que cada um encontre o seu jeitinho pra chegar lá. E, claro, fica tudo bem mais bonito se tivermos o Caio F. pra iluminar nossos pensamentos durante essa caminhada.

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. mas o que tinha, era seu".

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De repente a gente se dá conta de que assim pode ser melhor ainda. E passa a querer só que a metade da laranja seja cada dia mais suculenta. Mais do que nunca, eu quero acertar.

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Sim, o post era só pra colocar o texto lindo. Ainda que na marra, um dia a gente aprende.

quarta-feira, 23 de março de 2011

depois daquela van

E a vida vai virando o que era pra ser depois.
Depois daquele e-mail
Depois daquela van
Depois daquela música
Depois daquele arrepio
Depois daquele beijo
Depois daquele telefonema
Depois daquele suco
Depois daquela tapioca
Depois daquele sábado
Depois daquele carnaval
Depois daquele choro
Depois daquela conversa
Depois daquela ida
Depois daquela volta

sexta-feira, 18 de março de 2011

mmmm



Achei esses escritos num caderninho de outrora. de um filme, "A Via Láctea" talvez.

"O olhar, a palavra
e o fato que eu te amo
tudo está em movimento
Basta avançar para viver
seguir em linha reta
em direção a tudo o que amamos"

segunda-feira, 14 de março de 2011

papel picado




Ela sempre teve essa mania de gostar de coisas antigas. O cheiro da sopa da vó. O sapatinho guardado da boneca da infância. Aquele velho telefone preto que nunca funcionou. A delicadeza áspera da camisa do avô. O relógio antigo no canto da parede, como que parado no tempo, um par de anos atrás. As cartas de amor.

Gostava de escrever as tais cartas, como tudo que nos lembra que a nostalgia quase sempre faz bem. Daquela textura do papel roçando na mão, e das palavras surgindo como num passe de mágica. A forma com que escolhia cada uma delas, e aqueles desenhos surgindo na folha. O carinho dentro da carta. E o infinito desejo de ler e reler uma carta bem escrita, pra sentir de novo o que da primeira vez se sentiu. Como se fosse possível voltar aquele suspiro no tempo.

Ela tinha mania de viver o passado. Herança de uma infância feliz, cheia de sonhos e cada uma das suas possibilidades. Foi antes de teimarem em dizer que, pra gente se dar bem nessa vida, não se pode criar tantas expectativas. Coisa de gente machucada, e ela sente muito que tenha doído tanto, mas era o seu sonho e ela que decida o quanto se queria sonhar. E que ele acreditasse e sonhasse junto, porque ela cresceu se enamorando de cada um deles e se tem um direito que a gente deve ter nessa vida é esse: O direito de sonhar. Ainda que o castelo seja de areia. E que ninguém duvide, e que ninguém desfaça.

Cresceu embalada pelo Walt Disney. E aí que ela queria que um dia o príncipe descobrisse que a princesa era ela e que os dois vivessem um tão sonhado conto de fadas. Ainda que fosse um desses modernos, cheios de chegadas, partidas, pulos e lágrimas. Ela só queria era ser a moça contente que passeia numa ruela de uma cidade qualquer, talvez Lisboa, talvez Paris; Uma coisa assim vestido esvoaçante, e que o moço descesse do cavalo só pra colocar uma margarida no cabelo perfeito da moça feliz. Ela só queria ser feliz da vida pelo menos mais uma vez, por mais que esse "só" pareça ingênuo. Ela ainda acredita tanto que a vida é simples e como a gente complica as coisas dessa vida, meu Deus.

Mas ela queria que o moço do cavalo entendesse que espontaneidade não se cobra. E que ele soubesse preservar com cuidado cada um daqueles momentos de paixão do dia do vestido florido. Que ele fosse um príncipe bravo e valente e puxasse pra fora o seu melhor lado, e que os dois caminhassem juntos, ombro a ombro, correndo contra o vento de mãos dadas, sem conseguir tirar aquele sorriso colado no canto da boca.

Queria isso, e que ainda fosse leve. era muito? Não pra ela. Ela queria junto fazer ser leve. porque de repente o ar ficou escuro e tudo pesou. Até ela. Que só queria a margarida de Paris. Ela queria ser a Amélie e ele cismou com essa coisa Almódovar. Dois personagens da mesma história. A mesma cena em paisagens tão diferentes.

E foi por isso que aquela carta nunca chegou.

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Foto: observando.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pensamento do dia



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Ou quase isso.

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