segunda-feira, 9 de maio de 2011

além do que se vê


Não era amor.

Ela gostava mais do que tudo daquele moço de cima do palco; ouvia ele cantar aquelas palavras tão lindas e tão feitas pra ela que não entendia como tudo aquilo podia sair de uma boca tão desengonçada, tão feia, tão camisa-xadrez-velha-não-querendo- que-a-PUC-vá-embora. O moço barbudo de cima do palco fazia ela feliz como poucos, mas aquilo não era amor. Amor era o que ela sentia por aquele outro menino, cantando, sorrindo e lindo, ali do lado dela.

Não era amor, mas era uma coisa tão forte que ela sentia pulsar nela por dentro. Uma coisa de não deixar ela parar de sorrir e do olho brilhar; talvez ajudada pelo álcool, talvez até por outra coisa que o moço do palco nem desconfiava.

Ela só sabia que, no intervalo daquela música, parecia sentir cada um daqueles acordes tocando tão forte dentro daquele coração cansado. E então nada mais importava. Ali, naquele dia, naquele show, ela só conseguia sorrir, sentir o tempo parar e pensar que ela devia ser mesmo a menina mais feliz do mundo, aquela que estava no momento certo, no lugar certo, ouvindo cantar aquele que há anos fazia a perna dela tremer num misto de alegria, agonia e êxtase. Por esse não era amor, mas era tudo o que ela precisava.


E era por isso, sem saber se ela chorava ou se ria, que ela se revirava inteira naquela noite, sem conseguir ficar parada: Pra acreditar que tudo aquilo ali era mesmo real. E era. Mesmo que só por uma noite, ainda que só através de um olhar, mesmo que só durante aquele show. Ali, no meio de toda aquela alegria, daquela fumaça e daquela gente que não queria nunca mais parar de cantar, ela só conseguia ser feliz pra sempre e querer que aquele pra sempre não acabasse mais.

2 comentários:

Bruno Quintella disse...

Lindo, linda.
Um beijo.
<3

Vanessa disse...

que lindo!
música, amém.
marcelo, amém.
amor, amém.
tudo de bom pra você.