quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Comédias da vida privada





9 pm, o interfone toca.

- Tá esperando alguém?

- Tô esperando um amigo meu, deve ser ele, vou atender.

Uma voz feminina fala do outro lado.

- Oi, é aqui que está hospedado o Esteban?

Era.

- É. Mas ele não tá. Viajou 2 dias.

- É, eu sei. Pode dar uma chegadinha aqui embaixo?

Fudeu, pensei. O amigo gringo viajou pra Buzios, fez merda e de repente morreu. Merda. Por que esse tipo de coisa acontece comigo? Passam aqueles filminhos na nossa cabeça: eu nem sei o nome da sua mãe. Como é que eu resolvo isso? Até que seria bem interessante voltar à Cidade do México, mas, assim?

O elevador que demora demais. Tic tac.

Cheguei na portaria e vi 2 meninas, uns 25 anos, cabelão e roupitcha.

- Oi. O que houve com o Esteban?

- Então. Desculpa te fazer descer assim.

- Tudo bem. O que houve com o Esteban?

- Então. A gente ficou.

Arregalo o olho. Não tô acreditando.

- E aí ele não tem meu telefone. E se ele quiser me ligar, e se ele quiser me ver? Ele foi mesmo pra Búzios? Sabe quando ele vai embora do Brasil?

Caralho. Não tô acreditando.

- Querida, eu achei que ele tinha morrido. Não interfona assim pra pessoa, que você assusta.

- Ah, foi mal, é que eu não sabia o que fazer. Você é mulher, me ajuda, estou desesperada. Vim da Tijuca até aqui. Olha só como eu tô.

Pego na mão dela. Gelada. E começo a rir.

- Gente do céu, mas mulher é muito burra mesmo, né? Que foi? Apaixonou?

- Ai, cara, ele é tão lindo, né? E aí minha amiga veio comigo pra eu não estar sozinha aqui, porque eu não sabia o que ia encontrar.

- Ah, claro. Entendo. Eu podia ter uma 45 na minha bolsa. E você, hein, amiga? Nem pra dar uns conselhos bons pra ela. Como assim vocês vieram até aqui procurar um cara???? Piraram? E se ele fosse meu namorado? Já pensou?

- Pensei, mas se ele fosse seu namorado ele não teria me dito que estava hospedado aqui. Eu acho.

Coitada. Tá precisando viver mais um bocadinho pra aprender sobre homens. Mas whatever; era só meu amigo, mesmo, azar o dele.

- Tá, mas e aí? Preciso sair, tô esperando uma pessoa.

- Então. Eu queria deixar meu telefone pra ele. Dizer pra ele me ligar. Eu preciso MUITO vê-lo antes dele ir.

- Querida, veja bem: ele não vai CASAR com você, ok?

- É, eu sei, mas nunca vivi isso. Me ajuda?

- Ué. Escreve o bilhete que eu entrego.

- É que eu não falo a língua dele. Aliás, eu não entendi nada do que ele fala. Só que ele estava hospedado aqui. Escreve pra mim?

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Lição #1: Se estivesse numa novela do Maneco, era fake.

Lição #2: Homens não fazem a menor idéia do que a gente é capaz de fazer.

Lição #3: Se algum dia eu chegar a esse ponto, peloamordedeus, não deixa eu tocar o interfone e pode me internar.




4 comentários:

Marcelinha disse...

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

É sério?

Ai, gente. Quanta boludice nesses genes XX, né? O que mais me entristece é a CERTEZA de que todas nós já fizemos ou pensamos em fazer algo assim alguma vez na vida. Credo.

Michelle Chevrand disse...

Ela não leu a Bíblia.

Birá disse...

Leu sim, mas só o apocalipse.

Sempre Viva! disse...

Ahahahahahahahahahahahaha!!! Ahahahahahahahaha!!! Ahahahahaha! O Uirá está 100% certo! Ahahahahahaha! Não consigo parar de rir!