quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Reset


Já fazia uns bons meses - mais da metade de um ano, contou - que ela entoava aquele mantra: Tudo é impermanente.

E pra se distrair ela calçava os seus pés de vento e colocava aquela música no ouvido. Que era sempre a mesma e, Deus, como ela queria mudar aquele tom.

Ela, cuja trilha sempre esteve mais pro Camelo do que pra Piaf, adorava aquele maldito iPod de tal maneira que uma vez precisou troca-lo 5 vezes até fazer a coisa andar. E agora ela se deparava de novo com aquele maldito botão travado no Hold. E não havia menu+pause+play que fizesse sua vida andar.

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Até que um dia ela perdeu toda a paciência que cabia nela e tacou aquela merda no chão, pegou de volta toda a sua alegria, sua liberdade, sua licença poética e foi ali do lado ser feliz.

Ainda que pra isso precise aprender a conviver com a função Shuffle.

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Abre essa porta
Que direito você tem de me privar?
Desse castelo que eu construí
Pra te guardar de todo mal
Desse universo que eu desenhei
Pra nós, pra nós

Abre essa porta
Não se faz de morta
Diz o que é que foi
Já que eu larguei tudo pra ti
Já que eu cerquei tudo ao redor
Abre essa porta, vai, por favor,
Que eu sou teu homem, viu?
Que eu sou teu homem, viu?

Cala essa boca, que isso é coisa pouca
Perto do que passei
Eu que lavei os teus lençóis
Sujos de tantas outras paixões
E ignorei as outras muitas, muitas

Vai, depois liga
Diz pra sua irmã passar
Que eu vou mandar
Tudo que é seu, que tem aqui
Tudo que eu não quero guardar
Que é pra esquecer de uma só vez
Que este castelo só me prendeu, viu?
Mas o universo hoje se expandiu
E aqui de dentro a porta se abriu.

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