terça-feira, 20 de setembro de 2011

Paciente

Consultório médico, INT/DIA.
Segunda-feira, 9 am. Consulta marcada há 30 dias.
Secretária (mongolóide) e Paciente (Darth Vader)


"Senhora, eles não mandaram o seu preventivo"

"Como assim? Mas eu fiz dia 14 de junho"

"Pois é, é que às vezes eles não mandam" (a culpa é sempre do outro amiguinho)

"Bom, eu entendo, mas eu acho que vocês deveriam conferir se todos os exames do dia seguinte foram entregues... Ontem, não? (1a patada do dia)

"É que quem faz isso é a outra menina (rá). E ela esqueceu".

"Mas... Esqueceu desde 14 de junho?"

"Desculpa, Senhora. Mas volta amanhã que eles vão mandar hoje sem falta".

A paciente respira fundo. Quer resolver o problema. Prometeu a si mesma que, a partir de agora, tentaria ser uma pessoa mais tolerante.

"Tudo bem, eu volto amanhã". Esboça um sorriso e sai.

Dia seguinte.
Consultório médico, INT/DIA.
8:30 am.

A amiguinha olha pra paciente e imediatamente fica VERDE.

"Senhora, seu preventivo não chegou ainda (cara desesperada de quem esqueceu)"

A paciente sorri, senta e cruza os braços.

"Tudo bem, eu espero, ele vai chegar, eu tenho certeza" (debochada).

A Secretária se desespera. Outras pacientes se entreolham. Bafão. A mocinha liga pro laboratório.

"Senhora, o rapaz que analisa o seu exame ainda não chegou"

"Ué. Liga pra casa dele. Se ele não estiver em casa, liga pra casa da AVÓ dele." (A mão começa a ficar mais pesada)

"Senhora, eu não posso fazer nada, a culpa não é minha".

Rá. Era a deixa que faltava.

"Querida, veja bem. O meu trabalho às vezes é um inferno, também, olha, mais que o seu. Mas eu tenho um caderninho onde eu anoto tudo o que eu tenho pra fazer, porque, aí, eu não esqueço de nada, entende? A culpa não é sua, mas eu, no seu lugar, teria ligado umas CEM VEZES (a paciente praticamente grita, nesse momento, pra enfatizar quantas vezes a mongolóide da secretária deveria ter ligado) pro laboratório, até que eles me entregassem. Ou eu teria ido lá buscar. Ou teria dormido aqui, até resolver. Mas claro, CAMILLA, a culpa não é sua. Me diga, então: o que você acha que eu devo fazer?

"Volta amanhã que vai estar pronto"

"Pois é, você me disse isso ontem!"

"Mas amanhã vai estar, eu te garanto"

Quá-quá.

A paciente respira. Nunca um termo fez-se tão necessário: Paciente.

"Então faz assim, CAMILLA. Eu vou esperar você me ligar dizendo que o meu exame está aqui, e é bom mesmo que esteja. Porque eu não posso ser a maluca que todo mundo aqui nessa salinha acha que eu sou (constrangimento na salinha) em vão. Mas, veja bem, CAMILLA. 14 de junho. Vocês só podem estar de sacanagem. Se o meu exame não estiver aqui amanhã, eu vou tacar uma bomba na Unimed. Tudo bem? Tenha um bom dia"

Sorri e sai.

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