E agora esse vazio que preenche esse quarto. Ele parece branco demais e deixa em carne viva a pergunta do que é que eu vim fazer nessa ilha que me parece cada vez mais deserta agora que você foi embora.
E você não imagina a falta que me faz o sorriso que você me devolvia a cada manhã. E aquele abraço longo, apertado e apressado naquela esquina qualquer. A vontade de virar um só e que o tempo parasse e eu me perdesse pra sempre no melhor lugar do mundo que é esse seu abraço.
E eu fico aqui, contabilizando xiszinhos no calendário da parede. Coração apertado, mas feliz. E a ponta da língua que não para de cantar a última música que ouvimos juntos: "Home is wherever I'm with you". Deus não poderia ter sido mais irônico.
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não me falta casa
só falta ela ser um lar
não me falta o tempo que passa
só não dá mais para tanto esperar
para os pássaros voltarem a cantar
e a nuvem desenhar um coração flechado
para o chão voltar a se deitar
e a chuva batucar no telhado
a casa é sua
por que não chega agora?
até o teto tá de ponta-cabeça porque você demora
a casa é sua
por que não chega logo?
é que nem o prego aguenta mais o peso desse relógio
[Arnaldo Antunes marcando sua presença no ano internacional da reflexão sobre a palavra "casa"].
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