domingo, 27 de novembro de 2011

O quereres




Sabe, eu não queria ser assim. Eu sei que eu tenho coisas legais, tá, vai, todo mundo tem algo de que se orgulhar em si mesmo. Mas eu não queria ser exatamente assim como eu sou. Ou pelo menos não aos Domingos.

Eu não queria ser essa coisa frágil que se mostra forte. Queria que as pessoas me vissem como a princesa feliz, não como a fênix valente. Não queria mais guardar esse segredo. Malditas estrelas que não podiam estar em qualquer outro lugar do mundo naquele 15 de março. Mas tinha mesmo que ser assim e agora eu sou essa coisa que escorrega e aferroa, esse coração de maria-mole que se expõe com tanta bravura que afasta quem eu mais quero por perto. Maldito Peixes, maldito Escorpião.

Eu não queria acreditar tanto. Ou até queria, já nem sei mais. Mas eu não queria acreditar sempre. Trocava agora duas dessas minhas cicatrizes por meia pitada do cinismo daqueles que não conseguem mais achar que o amor é a coisa mais importante do mundo. Queria pensar que o que importa mesmo pra mim é a minha carreira, ou ter logo um filho, ou finalmente comprar meu apartamento. Eu não queria não estar nem aí pra cada uma dessas coisas, eu não queria estar aí só pra você. Eu não queria ter esse peso, eu não queria demandar toda essa atenção. Eu não queria saber contar o tempo em segundos.

Eu não queria que o relógio se arrastasse tanto. Eu não queria estar tão longe. Eu não queria que estivesse chegando o Natal. Eu não queria que esse ano tivesse começado. Eu não queria acreditar que esse ano só valeu a pena por ter [re]conhecido você. Eu não queria que você fosse o motivo da minha alegria porque eu não quero que minha alegria nunca mais vá embora de mim. Eu não queria ter essa visão além do alcance e essa mania de enxergar tudo o que vai dar errado lá na frente. Eu não queria que você lesse nada disso. Eu não queria que fosse Domingo, eu não queria que estivesse chovendo, eu não queria ter que levantar dessa cama, eu não queria nunca mais dormir nela sozinha. Eu não queria pensar tanto - abençoada seja a ignorância, maldita seja toda a falta que você me faz agora.

Nenhum comentário: