sábado, 24 de dezembro de 2011

Então é Natal...


Eu sempre achei que eu não gostava de Natal.

Quer dizer: Mentira. Qual criança que não gosta de Natal? Nunca ouvi falar.

Mas faz tempo que eu passei dessa fase. Da época das rabanadas roubadas à beira da mesa e das nozes quebradas no canto da porta. Os primos correndo eufóricos pela sala. E a magia da árvore de Natal.

Era maravilhoso quando, mesmo já sabendo que Papai Noel não existe, a gente ainda não tinha noção da finitude das coisas. A doce impressão de que aquela boneca duraria para sempre. Nada era impermanente e eu acho que nunca fui tão feliz quanto eu era naquelas noites de Natal.

Me lembro de chegarmos sempre atrasados à casa da minha Tia Marília: Meu irmão, minha mãe e eu. Depois veio a Clara e ainda assim nunca conseguíamos chegar na hora. Da porta eu podia ouvir - e ouço agora, no andar de cima - a gargalhada dos meus primos.

Lembro também da primeira vez que ouvi a frase "Natal é uma data muito triste" e não pude na época entender porque. Não sabia ainda que essa é a hora da saudade. Porque quando a gente é criança estão sempre todos ali e, se por acaso a saudade bater, basta um abraço apertado pra saudade ir embora. Mas hoje, 32 anos nas costas, penso que há mais de 10 o Natal virou a ausência daquele abraço e se tornou o dia em que eu não tenho mais a minha avó na cadeira de balanço e o meu avô me amando incondicionalmente com aquele copo de vinho na mão.

O Natal perdeu a graça quando os primos cresceram e meus avós foram embora. E hoje aquele abraço era o único presente que eu queria e, que ironia, a única coisa que dinheiro nenhum pode comprar.

Por tudo isso, pensei que não gostava de Natal. Até hoje. Até eu decidir passar o Natal sozinha na fria e charmosa capital francesa. Vir pra cá foi a escolha pelo silêncio. O Natal da reflexão, dos rabiscos no caderno, o Natal dos queijos e vinhos, o Natal do facebook. Que idéia genial e idiota essa minha de passar o Natal sozinha na Europa. Dava tudo pra tocar agora a campainha do 203 e virar a melhor surpresa da noite. E dizer a cada uma daquelas pessoas o quanto as amo e perceber o quanto eu me importo com o Natal. Mas a verdade é que eu precisava da minha companhia - e só dela - nesse Natal.

Porque Natal é o renascimento, é a hora de avaliar as mudanças no ano que passou. Se preparar para um novo ciclo que começa em 7 dias. Esse foi o ano mais difícil da minha vida e talvez aquele em que eu mais tenha aprendido. E é preciso olhar pra dentro e assimilar todas as mudanças. E por isso, após 33 vezes ter passado o dia 24 na companhia das pessoas que verdadeiramente importam, eu resolvi concentrar todo o meu amor e dar de presente pra pessoa que é a mais importante no mundo pra mim: Eu mesma.

Feliz Natal, Luana.

Um comentário:

Michelle Chevrand disse...

Conhada, o final do texto ficou um pouco egocêntrico. Fora isso, achei lindo e até me emocionei um pouco. Por hora, eu ainda quebro as nozes no batente da porta. Sem mais.