sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Fim

E aí que esses Maias não sabiam era de nada. 

O fim do mundo já aconteceu faz tempo e ninguém percebeu que passou um arrastão na minha vida e levou tudo o que eu tinha; eu, minha poesia e tudo aquilo que eu era, e todo esse meu medo, metade dessa minha coragem, a minha vontade de ir embora e aquela certeza que tanto incomodava.

E foi aí que eu fiquei foi aqui, imóvel e muda, sorrindo ao seu lado.




"É o Amor,
Que veio como um tiro certo
No meu coração;
Que derrubou a base forte
Da minha paixão
E fez eu entender que a vida
É nada sem você".



Feliz tudo novo.



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Subceleb


Meus 37 segundos de fama, além de muitas e boas risadas, renderam umas toscas conclusões:


1) O Rio de Janeiro tem menos prestigio do que o Wando no coração do carioca. As piadas foram muitas, mas nada que se compare à homenagem que fiz ao poeta do amor há tempos atrás. É verdade que a piada antes era muito melhor.

2) Se a foto estiver boa, você parecer bem e seu braço estiver magro, seu dia de subcelebridade instantânea será repleto de elogios. Do alto dos meus degraus da fama (pff) eu penso que realmente isso de ser pseudofamosa deve viciar pessoas que no fundo só precisam de um carinho pra acalentar o ouvido.

3) O mais triste da vida de subcelebridade instantânea é que do mesmo jeito que vem, vai. Como você não tem nada a acrescentar através de uma foto, você é jogado no ostracismo sem dó e sem perdão. Seis da tarde sua foto deixou de ser notícia, as pessoas já não te ligam mais e sua vida fica feia e sem graça. Mais rápido do que tudo seu sorriso bobo de ontem passa a enrolar o peixe de amanhã.





4) Bem que o Braseiro poderia me dar alguma coisa em troca por essa foto. No mínimo, uma mesa vitalícia na varanda.

5) Hoje, no set de filmagem, em meio às piadas, comecei a reclamar que essa vida de ser famosa era muito cansativa, que eu não aguentava mais o assédio e estava pensando em contratar um empresário pra cuidar da minha carreira. Reparei uma troca de olhares e umas duas pessoas meio chocadas, com pena de mim. Coitados, eles ainda me levam muito à sério.

6) Pra terminar... Foi divertido, os mais próximos entenderam que era uma piada, os menos próximos devem ter mais o que fazer. E pelo menos o braço tá magro.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Pobres de nós


Socorro, estão morrendo os gênios.

Pouco a pouco os melhores de nós se cansam, se recusaram a participar da barbárie e decidem tomar um bom vinho no céu.

Vai ver o fim do mundo é isso: Uma vida sem Oscar, sem Saramago, sem Millôr.

Pobres de nós, mortais, que precisamos esperar pra apagar essa luz. Pobres de nós.

https://www.youtube.com/watch?v=OOfUYfvtaC4

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Sobre todo esse orgulho


fornaciari
s. 
1. sobrenome relativamente comum na Itália, principalmente nas regiões da Toscana e Emilia Romana. Traduzido para o português como "fazedores de fornos".

2. [Brasil, Informal] família unida, alegre, cheia de dificuldades mas que as enfrenta de frente e mata a vida no peito, na raça, aumentando ainda mais o orgulho de sermos quem somos.


 













Sabíamos que não ia ser fácil, mas eu nunca esperei menos de você do que ENCHER TODO MUNDO DE ORGULHO.
Te amo, irmã.

domingo, 11 de novembro de 2012

É isso

E nessa de sempre dar bola pras pessoas erradas, eu nunca tinha prestado atenção no Paulo Henriques Britto.

E aí ganhei esse poema de presente de uma amiga, assim, meio tapa na cara. Porque no fundo tudo o que precisamos é de uma emoção que nos cale a boca. 


"Então viver é isso,
é essa obrigação de ser feliz
a todo custo, mesmo que doa,
de amar alguma coisa, qualquer coisa,
uma causa, um corpo, o papel
em que se escreve,
a mão, a caneta até,
amar até a negação de amar,
mesmo que doa,
então viver é só
esse compromisso com a coisa,
esse contrato, esse cálculo
exato e preciso, esse vicio,
só isso".

sábado, 10 de novembro de 2012

Pobre Princesa


Hoje me peguei pensando na menina que passa pela rua com a roupa da Cinderella.

5 anos na cara e todo um mundo de decepções pela frente. A mãe que não tem pulso e deixa tudo para lá. A mãe cheia de sonhos, que veste a boneca com uma maldita roupa de princesa e amaldiçoa a vida da filha com a espera por um príncipe que nunca vai chegar.

Toda uma vida esperando por seu Príncipe Encantado.

E aí a menina cresce sem afirmar seu lugar no mundo a menos que seja através a presença do seu  homem. A vida da menina parada até que aconteça a transformação final; Até o momento em que ele chega e dá sentido a toda sua volta. Maldita Bela Adormecida, condenada a dormir para sempre esperando por aquele beijo. Tudo porque não sabem dizer não.

Eu observo sozinha a Princesa que tropeça tomando sorvete. Todos sorriem. Todos olham, mas só eu que vejo.

Tudo errado.

Pobre Princesa. Mal sabe ela o mundo de sapos que terá pela frente. Pobre Princesa. Maldito Walt Disney.

Pobre de mim


Eu tenho muito medo de ficar maluca.

Os que me cuidam afirmam que não, que pessoas como eu, obsessivamente controladoras, jamais alcançam a benção de chegar ao descompasso. Perder a compostura é para os imprudentes, para loucos e aventureiros que se jogam sem rede às custas de pessoas como eu, que chegaram bem mais cedo, armaram a rede e passaram a aguardar sentada, champagne na mão, a queda daqueles que se entregam.

Sempre vivi com passos calculados, ainda que repletos de ousadia. Cada salto sempre foi excessivamente planejado, arquitetado fria e lentamente para minimizar o impacto. Eu dou a volta ao mundo como quem vai à padaria porque me preparei para uma vida de aventuras. Como se possível fosse.

Pobre de mim.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Teorema

Ele fazia perguntas existenciais a um Deus que nem sabe se acredita. "Por que todas as coisas mais importantes estão relacionadas ao 2, se este é um número sem importância para esse mesmo Deus?"

Ela, ao seu lado, sorria. Deu uma resposta simplória. Mas no fundo ela sabia.

Sabia que as coisas se multiplicam por elas mesmas porque estamos todos a procura de algo que dê sentido àquilo que somos. Sempre a procura da sua cara metade, de algo que nos complete.

Porque é nos braços do nosso semelhante que nos reconhecemos como nós mesmos, afinal.

Ainda bem.






quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Fica?


Eu queria escrever uma coisa bem bonita pra você entender o que eu sinto. Queria te explicar que dúvida é essa que mora no fundo do meu olho até você entender que é por ela que ele brilha. Queria te dizer que hoje só consigo pensar no vinho que tomamos ontem, fazendo pouco caso pro furacão que ia embora. Recapitular tudo em que eu acreditei um dia pra você entender o porquê de todo esse medo que eu tenho. Queria aprender a contar os tijolos subindo - e daí se essa parede não é reta. Queria te dizer que o medo da solidão se afastou no dia em que eu parei de querer ir embora. Queria te dizer que não vou mais. Eu queria te dizer pra ficar. Eu queria que você topasse.


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Emanuel

Querido João,

Escrevo pra te dizer que não foi dessa vez.

Desculpa te contar isso assim, de sopetão, mas eu tava agoniada pensando que era melhor te falar isso logo pra acabar com as suas esperanças quanto a hoje à noite.

Sei que você se esforçou, que você pensou em tudo, sei que deu o melhor de si. O que acontece é que esse seu papinho de folhetim já não mais me toca, entende? Você precisa entender que 2012 impôs à minha vida uma urgência que eu mesma ainda não sei direito como lidar. E eu fico com medo de que tudo o que a gente tem se perca, que quem a gente ama morra, que a humanidade de repente acabe. Eu vivo o 21 de dezembro todo dia desde que esse ano começou, então não consegui achar espaço dentro de mim mesma pra fingir que não está acontecendo nada e sentar confortavelmente em frente ao sofá, nove às dez, e esvaziar a cabeça assistindo você.

Eu não queria ser assim. Deus sabe que eu queria mais uma dessas meninas de vestido e bota que gasta o melhor do seu tempo e esbanja ignorância tentando decifrar quem, afinal, matou o Max. Queria eu conseguir me apegar a essas pequenezas diárias sem essa porra desse existencialismo que me corrói a alma. Maldito Peixes, maldito Escorpião. Maldito coração cheio de manias e vontades, querendo chupar logo o caroço da fruta pra entender de uma vez qual é o sentido dessa nossa vida.

Por isso, João, me desculpe, mas não vai dar pra gente se encontrar hoje, dia dezenove, depois do jornal. Hoje é aniversário do Vinícius e acho que só isso já é motivo pra eu celebrar o amor e a vida sem te dar o mínimo da minha atenção. Mas te desejo sorte, apesar.

Um beijo grande, apertado e urgente.
Luana

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

haikai

E naquela batalha eterna entre ser triste e cheia de palavras bonitas ou feliz sem nenhuma inspiração, ela botou a margarida no cabelo e pediu um sorvete de morango.

Um dia, sem dúvida, ela volta a dar as caras por aqui.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Noitofobia


É, Doutor.

Descobri o meu problema: Eu não sei mais fazer noitada.

Foi duro chegar a essa conclusão e eu demorei pra entender. Achei que era cansaço, pensei que tinha depressão. Ficava andando pelos cantos da festa fingindo acender o cigarro que há anos não fumo mais. Foi difícil de entender. Mas é pra isso que eu te pago, né? Pra entender as coisas que a gente não entende.

Acordo com minhas amigas me chamando pra sair e penso: Mas pra onde? Mas pra que? Quem vai? Quem toca? Como a gente vai? Como a gente volta? Uma overdose de problemas e eu só consigo me achar uma chata. E as minhas amigas pensam que virei evangélica. Ou maratonista. Eu digo que amanhã corro bem cedo eles acham que eu falo esperanto. Ou faço tricô, ou qualquer uma daquelas coisas sem sentido que a gente só faz pra convencer a gente mesmo - como preciso fosse ter razão pra gente ser quem a gente é. Mas a verdade é que a trilogia cerveja quente + banheiro sujo + táxi cheio só consegue me arremessar de volta à cama. E eu me encontro em tão boa companhia, sabe, Doutor, que por que diabos eu sairia daqui agora?

É isso. Acho que não sei mais. E começo a pensar que nunca soube. Que sempre estive muito mais pro Pequenas Empresas, Grandes Negócios, do que pro Supercine ou Tela Quente. Que eu nunca achei tão bom. Lembro menina de acordar bem cedo esperando meu avô pra ver o Globo Rural. Era uma hora só nossa. Eu e meu avô. Eu e meu amor. E é por isso que mudei. Ou nunca mudei. Acho que sempre fui assim. Sempre fui de dormir com o galo e acordar com as galinhas. Eu e meu complexo de Cinderella. Eu acho que acabo à meia-noite. Eu sofro de Noitofobia.

Eu me busco nas manhãs pra estar perto dele. Eu e ele.

Tá dormindo, Doutor?



quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Ela tá voltando


Tudo começou quando a gente tinha uns 3 anos. Eu lembro dela desde o início: A minha turma juntou com a dela e me pediram pra escolher uma coleguinha da turma nova pra dividir o cavalete. Ela sorriu pra mim e com ela eu fui.

Desde esse dia foi assim, ela sorrindo, eu indo e a gente dividindo tudo o que se pode haver. Cavaletes, amores, pequenas e grandes lições, todas as aulas matadas, as muitas das nossas inseguranças e os poucos dos nossos medos. Cada um dos suspiros. Desde esse dia foi assim.

Só que quando eu tinha uns 19 anos ela foi embora pra sempre. "Florianópolis é logo ali", diria ela. Era nada. Da noite pro dia a minha melhor amiga foi morar numa Servidão no fim do mundo. Um fim do mundo lindíssimo, mas a 1152 km de estar comigo no meu dia-a-dia. Era o melhor pra ela e eu conseguia ficar feliz, mas as fofocas ficariam mais difíceis e mais caras. Foi difícil, mas eu nunca, por nenhum momento nesses anos todos, senti que ela não estava ali comigo. Fomos gênias na arte de se fazer presente e continuamos a dividir: Risos e lágrimas, o bendito término, o primeiro carro, o último amor. 

Então combinamos que ia ser sempre assim. E sempre assim a gente riu de cada vez que eu pensei que aquele último era meu verdadeiro amor (#julifeelings). E sempre assim a gente riu de cada amnésia alcoólica que só ela era capaz de ter. E sempre assim a gente foi indo, se abraçando nos feriados, ela reclamando que eu nunca ia, eu não aguentando mais espera-la chegar. Ela não pode estar comigo quando meu avô se foi, eu não estava com ela na hora que o pai dela morreu. Foi triste mas triste já seria, e nunca estivemos tão juntas. Mais do que primas, mais do que irmãs. A gente tinha se escolhido nessa vida e a nossa vida então era assim.

Até que.

Até que ela teve a Valentina e tudo pra sempre mudou. A gente combinou que ia ser mãe junta, ela furou a fila e de repente tudo bem. Porque quando a Valentina nasceu as coisas passaram a ter um sentido maior ou não ter importância alguma. A vida da minha amiga foi iluminada por uma princesa linda, a mais bonita que há. E de rebarba a minha também. Porque nada mais importaria depois dali. Nascia uma menina linda e esperta que precisava da minha amiga pra ensinar as coisas da vida. 

Talvez ali ela me mostrasse então que eu já dispunha das ferramentas que precisava para viver. Eu era uma mulher feita. Minha melhor amiga tinha entrado na vida adulta e ficaria claro ali pra mim que eu não poderia ser pra sempre a Wendy e espirrar pirlimpimpim. Crescer era urgente e crescer era tão bom. E era importante criar raízes, estabelecer vínculos e, pela primeira vez na vida, parar de esperar pela felicidade e passar a sorrir de uma vez. Enfeitar o jardim. Foi isso. Sem querer, ela me mostrou que era preciso enfeitar o jardim.

:)

Só que há duas semanas a melhor notícia do mundo chegou. Depois de quinze anos fora, minha melhor amiga vai ficar pra sempre pertinho de mim. Só que só agora a ficha caiu. De tanto eu insistir, de tanto eu querer, de tanto eu apoiar, ela tomou a decisão mais corajosa que eu já vi e tá voltando pra casa.

Eu não sabia se ria ou chorava. A gente parou no tempo há 15 anos atrás. Ela namorava um boçal e eu queria namorar um igual. Tudo mudou só que agora eu quero ligar pra ela as sete da manhã pra saber onde é que a gente vai matar aula hoje. E não consigo parar que querer passear no Rio Sul pra "ver as modas". Não consigo parar de rir. E quero tudo. E não preciso de mais nada. E é assim que vai ser. Até que a morte nos separe. Até que.





Leva o chinelo pra sala de jantar
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar
Porque eu tô voltando



sábado, 25 de agosto de 2012

Reflexos


Ando reflexiva e, talvez por isso, silenciosa.

Não tem feito dias ruins, e nem poderiam, com o céu de brigadeiro que tem brindado a Cidade Maravilhosa nesses frescos dias de inverno.

Que mania chata essa sua de pensar que o silêncio tem que ser pesado. Eu tô aqui fazendo samba e amor até bem mais tarde e em silêncio. E em silêncio faz um ano que a gente sorri no mesmo caminho. Soft e em silêncio, porque já não era mais preciso cantar a felicidade aos quatro cantos.

Passou o verão, o outono e tem sido delicioso esse longo inverno. Primavera passada a gente mal se viu. Não vejo a hora de setembro chegar logo pra você colocar aquela tão sonhada margarida no meu cabelo.

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E, nessa reflexão silenciosa, chego a duas conclusões definitivas nessa vida.

A primeira é que você nunca vai conseguir ficar só com a parte boa, my dear. Ou você encara o pacote todo ou fica aí nesse seu casulo fingindo ser de fato feliz.

A segunda é que o amor existe há milhares de anos e é muita pretensão do Facebook pensar que tem alguma coisa a ver com isso.


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Demora não.



E de repente o calendário deu uma volta em torno de si mesmo. Já fazia um ano que aquela menina do vestido esvoaçante acordara decidida: Ia abrir de novo as janelas do seu coração. 

Num piscar de olhos, enquanto eu tirava a poeira das gavetas, já não fazia mais o menor sentido passar por essa vida que no fundo é tão boa, e acordar e dormir e ver a vida escorrer por entre os dedos se não fosse com você.

Quanto clichê, meu Deus, deve não ser. Mas a verdade é que fez-se mar no olhar daquela menina tão feliz ao perceber que não queria mais enfileirar todos aqueles vestidos que não eram enlaçados por aquele bentido paletó.

Fazia uma volta aquele calendário e a menina não se lembrava de ter sido mais feliz. Que perigo, gente, esse de se conseguir aquilo que tanto se quer. Que perigo, gente.


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E, numa dessas, me deparo com uma foto na internet.
É só uma foto. Mas que lágrima feliz.





Que perigo, gente.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Se quiser... Será?





Eu
você
o sol nascendo num dia bonito
esse café da manhã 
e uma sacada na Itália pra eu (não) ver os dias passarem ao seu lado.

No fundo, a gente precisa é de muito pouco pra ser feliz. 
Como se isso fosse possível, ri debochada menina da janela.

Então aqui sigo, de malas prontas.

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Ou no fundo a culpa de tudo isso seja da Xuxa.
Maldita hora em que aprendemos que tudo pode ser, só basta acreditar.

Ou talvez seja minha, que teimo, insisto, mas não acredito.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Seja


De repente, tudo nessa sala virou saudade de você.

Mesmo eu me transformei na tua ausência. Prendendo a respiração nos intervalos de você eu passo a tarde olhando pr'aquela porta por onde você não entra.

E como me dói a dor que eu sinto enquanto você não volta. Eu sou toda essa falta que você me faz e essa minha vontade de conseguir nunca mais te ter de volta.

E então eu tranco os meus olhos e tento te ter aqui comigo. Ouço a gota de chuva batendo no vidro e sinto o cheiro doce da tua pele contra a minha. O beijo apertado. O sorriso. De olhos fechados eu vejo o teu olho brilhando.

E penso que sou a menina que ri, a menina que dança, a menina que chora. Eu sou esse me pega pra você, eu sou não mais querer o que se quer: Eu sou toda essa confusão de sentimentos, eu sou o beijo roubado na chuva, a mão que acaricia de leve, eu sou esse roxo no braço. Eu sou esse sussurrar no ouvido, eu sou o seu sorriso de bom dia, eu sou tudo o que você não é, eu sou igual a você.


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Meu Deus, como é difícil ser eu.


sexta-feira, 22 de junho de 2012

Vara curta


- Pára.

- Hã?

- Pára.

- ... (Sorriso besta, filhodaputa)

- Tô falando sério. Pára com isso que você tá fazendo.

- Mas eu não tô fazendo nada...

- Então pára com isso que você não tá fazendo.


::


Para ler ouvindo:



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Sobre essa falta de ar

Se você soubesse
a
falta
que você me faz

não fazia.

domingo, 17 de junho de 2012

A dois passos do paraíso - o post mais longo do mundo


Sancho, "a praia mais bonita do Brasil", justificando o título

Demorei 33 anos pra chegar a Fernando de Noronha. Talvez por falta de dinheiro, planejamento ou objetivo, sempre adiei aquele maior dos meus sonhos "no Brasil".

Noronha é caro. Caro. Tudo é caro. Quase tudo chega de barco, a água é escassa, é preciso pagar a taxa do IBAMA, as pousadas são caríssimas, voar pra lá é mais caro do que ir à Europa. E, ainda assim, vale cada centavo.

Fomos com milhas, então, pra começarem a me odiar, voei pra Noronha por 35 reais por pessoa. Ok, raspei as milhas que tinha, mas, sinceramente, não conseguiria imaginar uma melhor forma de fazer isso. Consegui a ida e a volta por 10 mil milhas cada e acordei meu namorado com um presente de 12 de junho antecipado: amor, vamos pra Noronha? Eram 6 e meia da manhã e ele certamente ainda acha que eu sou maluca.

Não tínhamos muitos dias, afinal, a gente trabalha e não era, nem de longe, a melhor época pra tirar férias. Roubamos uns dias de um feriado, combinamos uma ausência de 3 dias no trabalho e lá fomos nós: Teríamos 4 dias inteiros em Fernando de Noronha. É pouco? É. Mas eu fiz tudo que eu queria muito e ainda mantive de pé a minha meta de não esgotar os lugares (e a mim mesma) numa única viagem: Eu tenho motivos pra voltar.

Ficamos numa hospedagem domiciliar. É um misto de pousada com albergue com casa da pessoa. Basicamente tínhamos um quarto com banheiro, frigobar e ar numa casinha fofa onde tínhamos a liberdade do albergue (pra cozinhar, se quiséssemos) com a delicadeza de estar na casa de alguém (e poder tomar banho na incrível ducha no meio do quintal, e poder conversar com os moradores da ilha pra entender como eles vivem, e viver uma vida real). Ficamos na Casa da Mirtes, na Floresta Velha, um dos melhores lugares pra ficar em Noronha porque é perto de tudo e não é no meio do burburinho. Meu plano era acordar cedo pra ir às praias e eu ia ficar péssima se tivesse uma barulheira na minha cabeça. A Mirtes é uma fofa, comadre de Fernanda Lima (vai entender) e a casa dela é um charme. Vale o contato: (81) 3619 1792.

Eu diria que existem 3 Noronhas. Uma é a verdadeira, das pessoas que moram lá, que vivem aquele dia dia com o bônus de ter as praias mais bonitas do Brasil e o ônus de viverem isoladas. De dependerem de barco pras coisas chegarem. De pagarem preços extorsivos por uma água e, ainda assim, serem as pessoas mais gente boa do mundo, sempre dispostas a dar uma boa dica, ainda que através de um pensamento um pouco confuso.


Reduto de Santana: Ruínas próximas à Vila dos Remédios.


A outra é a Noronha que conhecemos: Aproveitando tudo o que queríamos e gastando muito mais do que deveríamos, afinal, estávamos de férias. Mas conhecendo a população local, pegando dica, pegando carona, pegando ônibus. Comendo o que a gente queria comer, mas não necessariamente o que a gente TINHA QUE comer. Aliás, deixemos esse conceito pra lá: A viagem é sua e ninguém TEM QUE nada. Queríamos comer um bom peixe, comemos no Point da Cacimba, na Cacimba do Padre. Peixe muito fresco, um purê de aipim divino e uma cerveja geladíssima pra acompanhar. Queríamos comer Albacora, que é um peixe que meio que só tem lá (tem em outros lugares, mas é difícil). Comemos na forma de sushi no restaurante da pousada Vila del Mar. Delicioso e honesto, mas é preciso passar lá a tarde pra avisar o que você quer comer e marcar horário, porque o dono é o gerente é o garçon é o sushiman. Noronha made in Portugal. Mas delícia. E queríamos comer uma pizza que me havia sido recomendada pela amiguinha querida, a pizza da Na Moita. Uma delícia, não deixa nada a desejar a nenhuma boa pizza que já comi e custou R$ 46,00 pra duas pessoas (mais as cervejas, uns 70 reais a conta, o que, pra Noronha, é bem OK). A pizzaria é super romântica, no meio de um bosque no bairro do Trinta, com mesinhas à luz de vela. Dois defeitos: Não aceita cartão (justo) e não tem banheiro (inadmissível).

A outra é a Noronha dos Paulistas. Sim, eles invadiram Noronha. Ainda que tenhamos visto mais turistas nordestinos do que qualquer outra coisa, OS PAULISTAS chamam atenção. E não quero soar preconceituosa com isso. Eu tenho vários amigos de São Paulo e adoro tomar um bom chopp gelado e ser bem tratada pelos garçons. Mas os paulistas que invadiram Noronha não são, digamos assim, do tipo mais legal. Primeiro: Vi poucos paulistas na praia, mergulhando ou tomando um sol. Em Noronha. Estranho? Eu diria "bizarro". A galera acorda tarde porque saiu na noite anterior (e a noite em Noronha começa tarde). Pega o buggy, pára numa das praias mais lindas do mundo e... SENTA NO RESTAURANTE. Desculpe, mas... Não. Não dá pra entender.

Ok, cada um se diverte à sua maneira. Mas eu não posso aceitar que uma pessoa vá àquele lugar tão lindo só pra consumir. O mais lindo de Noronha é... Noronha. Passe o tempo inteiro dentro d'agua, né? Ou não: Não entre na água, deixe todos os peixinhos para mim (o post vai soar mal. Saco).

Minha primeira dica fundamental: Leve uma BOA máscara de mergulho, snorkel e pé de pato. É possível alugar as máscaras lá, mas nadadeira eu não vi. Se você tiver a sua, vai aproveitar muito mais, por muito mais tempo. Se joga e vai ver os peixinhos, as arraias, moréias, tartarugas (amor) e os tubarões. Sim, tubarões. Medo.

"Ai, meu Deus, a máscara dela já embaçou DE NOVO"

Desde o início eu deixei bem claro que EU NÃO QUERIA VER TUBARÃO. Tubarão pra mim é aquele bicho DO MAL que mata as pessoas no filme do Spielberg. Pois é. Só que não.

Noronha tem toda uma proposta de romper com essa imagem. Primeiro: Nunca houve um ataque de tubarão em Noronha. Tem muito peixe lá pra eles comerem antes de começarem a fazer dodói na gente. Segundo: Veja esse artigo aqui e descubra que é mais fácil morrer atacado por um hipopótamo do que por um tubarão. Terceiro: Cara, o tubarão tá lá, é a casa dele e ele a principio não faz nada. Se você ficar com medo, vai perder boa parte da viagem. Deixa o maluco lá, fica na tua e reza (técnica desenvolvida por mimmesma.com ao avistar o terceiro tubarão).

Vamos no dia-a-dia senão ninguém aguenta ler até o final:

1º dia: Chegamos às 4 da tarde. Tente sentar no lado esquerdo do avião na ida e no direito na volta, mas a vista lindíssima que você tem dura 2 segundos e não compensa o bate-boca dentro da aeronave com o povo querendo mudar de lugar. Amigos, vamos lá: Se todo mundo sentar do lado esquerdo, o avião cai, ok? Da próxima vez, marca o assento antes, fica a dica.

Não pagamos a taxa do IBAMA pela internet e não pegamos muita fila. O táxi aeroporto-casa custa 17 reais.

Deixamos as malas, demos oi, demos tchau e corremos pra praia do Cachorro, do Meio e da Conceição, que ficam perto da Vila dos Remédios (o centrinho) pra ver o pôr do sol. Mergulhamos, vi minha primeira tartaruga e comecei a entender o que estava por vir.

Amiga <3

Pôr do Sol no Duda Rei, na Conceição: e os 10 reais mais bem gastos numa cerveja em todos os tempos

Pôr do sol na Praia da Conceição, pra tatuar na retina.

Vínhamos de um vôo louco de 12 horas (obrigada, Gol), então comemos qualquer coisa e capotamos.


2º dia: Acordamos cedo, 7 e meia (6 e meia "no Brasil" rs) tamanha era a ansiedade pra "Ver Noronha". Resolvi começar pelo que eu mais queria ver, então fui direto na Praia do Sancho (a da foto lá de cima) que, desde o início da vida, eu sempre soube que seria minha praia preferida DA VIDA. Pegamos uma carona até a entrada do Sancho (tem placa e tem ônibus que passa de meia em meia hora), caminhamos uma meia hora e pronto. A vista é estonteante, a descida é medonha e a subida é de testar a asma de qualquer serumano. Mas é, sem dúvida, a praia mais bonita do Brasil.

Vejam bem a cor da água

A bizarra descida pra chegar à praia (e sair dela). Um horror, mas vale.

Saímos de lá e fomos à Baía dos Porcos, que é a praia imediatamente ao lado mas, pelo fato de a trilha estar fechada, te obriga a fazer um caminho enorme e desnecessário até lá. Daria pra ir nadando, mas e as nossas coisas? Um saco.

(Aliás, um à parte: a princípio não tem assalto em Noronha. Você pode mergulhar tranquilo e deixar as coisas na areia, devidamente guardadas na mochila. A principio. Eu fico meio tensa, mas... )

A Baía dos Porcos é tão linda como o Sancho (eu prefiro o sancho). Tem menos peixe, mas tem a vantagem de ser O CARTÃO POSTAL de Noronha. Imperdível, imperdível.

Demos muita sorte por termos chegado no dia certo. O mar de dentro (que tem as praias, na minha opinião, mais bonitas e sem dúvida melhores para o mergulho) estava uma piscina ... Ou um aquário, talvez. 4 dias depois entrou o maldito swell que subiu o mar e revirou tudo. Mas aí já estávamos indo embora. Coitado de quem chegou nesse dia. Fica então a nova dica de Noronha: Tente não ficar poucos dias, porque se você chegar num dia que o mar estiver revolto, fudeu. A menos que você seja um surfista e esteja me achando uma maluca.




Comemos por lá mesmo, na praia da Cacimba do Padre (que é depois desse morrinho). Peixe delicioso no Point da Cacimba por $55 para 2 se fartarem. Tinha umas opções mais caras, mas queríamos um peixinho frito e honesto. Estava divino. Cerveja (skol latinha) a $5.


Na verdade, o Point da Cacimba é o restaurante ao lado, mas não fiz fotos de lá.
Daí você immagina que o peixe estiva bom.


Fomos andando de praia em praia (amei a Praia do Bode, que ninguém dá muito valor mas é um charme) em direção ao Mirante do Boldró, onde rola um pôr do sol bem bonito, mas cheio demais pra mim.



3º dia: Resolvemos passar o dia nas praias do mar de fora, que são as praias voltadas pra África. Começamos pela Baía do Sueste, onde há mais tartarugas e mais tubarões. O aluguel do colete (5 reais) é obrigatório pras pessoas não mergulharem e pegarem nas tartarugas (o que é meio tentador, viu?). Estávamos felizes e contentes quando de repente eu vi um TROÇO passando voado do meu ladinho. 

- Cara, acho que vi um tubarão!!!!!!!!

- Putz, não acredito que eu perdi!

(Luana em pânico)

Continuamos nadando quando, de repente, lá estava ele. Mais de dois metros. Segurei a mão do meu namorado-instrutor-salva-vidas e, na boa? Você está a 300 metros da areia. Reza. E aproveita. Confesso que eu rezei bem mais do que aproveitei, porque esse negócio de tubarão REALMENTE não é pra mim. Me restava olhar pro céu e pensar na fragilidade da vida.

- Amor, você tá maluca? Tem um tubarão embaixo de você e você olha PRO CÉU? Se você tem medo, mais um motivo pra olhar pra ele, né? Tá maluca?

- Ué, você não disse que ele era bonzinho? Então. O que os olhos não vêem, o coração não sente.

Saímos de lá e fomos à Praia do Leão, uma das mais bonitas, na minha opinião. Aquele mar AZUL piscina e uma coisa bem mais roots. Não tinha ninguém, é você e Deus. Incrível, indescritível. Não foi minha preferida porque o mar é bem mais agitado e eu gosto de piscininha pra ver peixinho. Mas é muito bonita a praia, pelamordedeus.




De lá pegamos a BR363 (na verdade é a grande "rua" que liga todos os pontos de Noronha, tem 7km e é por onde o ônibus passa a cada meia hora) e fomos ao porto ver o Museu dos Tubarões. O museu é legal pra esclarecer as coisas e o lugar é bonito DEMAIS. O famoso e imperdível bolinho de Tubalhau, sinceramente, tem gosto de batata. OK, provei, mas não achei nada demais. Nesse dia não vimos o pôr do sol porque fomos fechar o mergulho do dia seguinte. Jantamos na Na Moita e apagamos cedo, cedo. Noronha faz isso.

Âncoras no Museu dos Tubarões



4º dia: Como mergulharíamos à tarde, resolvemos fazer um dia light, só indo à Praia do Cachorro de manhã.

O mergulho: Demorei pra mergulhar. Quer dizer, sempre fui um peixinho, estou sempre dentro d'agua, sempre brincando com snorkel e máscara. Mas a questão é que perfurei 2 vezes o tímpano e aí tinha aquela dúvida: "Quem já perfurou o tímpano pode mergulhar?". Nunca me responderam direito isso. Otorrinos e mergulhadores meio que não se responsabilizavam pelo meu mergulho, mas também não diziam: VOCÊ NÃO. E meu sonho sempre foi mergulhar em Noronha, então resolvi que se eu tivesse que sentir a maior dor do mundo, seria lá.

Fechamos com a Noronha Divers, que é uma dar 3 operadoras de mergulho que existem lá. A Atlantis, mais cara, parece ter uma estrutura melhor, mas achei meio impessoal, talvez. E, como senti confiança na Noronha Divers, não vi motivo pra fechar com outra. O mergulho era $300, estava na promoção por $250 (em dinheiro, no cartão era mais) e, como tínhamos a roupa de mergulho, pagamos $230. Com direito a ver arraias, moréia, todos os peixes do mundo, a maior lagosta da história, entrar em caverna e ver um tubarão tão perto, mas tão perto, e tão grande, mas tão grande, que se eu não morresse do ouvido, morria do coração.


 
O dia mais bonito do mundo


O dia acabou e eu não precisava de mais nada (além do Sushi incrível só com peixes de lá que comemos). Aliás, eu não precisava de mais Noronha. Ou precisava, porque teria sido legal passar uma semana descansando e aproveitando a ilha aos pouquinhos. Não pude ir ao Atalaia, que era algo que eu queria fazer, mas não estava me matando pra fazer. E a maré não deixou, não tinha horário no dia seguinte de manhã (voltaríamos à tarde). Ficou então pra próxima, junto com o Planasub que eu queria fazer, mas não fiz. Achei que era demais pra um ouvido tão delicado e que havia sido testado já. Deixei os dois pra próxima.

5º dia: Acaba sendo um dia meio corrido, porque você vai embora. Resolvemos voltar ao Sancho pra dar um tchau, mas o mar virou loucamente e a minha piscininha virou um Tsunami (na minha opinião dramática de quem tem medo e respeito pelo mar). Ficamos lá um pouco, fomos até o Mirante do Dois Irmãos (que estava fechado, mas sabe como é carioca, né? Tem que justificar a fama de abusado).




E foi assim que demos tchau à ilha que nunca mais, nunca mais, nunca mais sairá de dentro de mim.


Noronha e essa nossa mania de viver com o sorriso colado no rosto



terça-feira, 24 de abril de 2012

Ai de ti

Pobre de ti, infeliz, que não sofre.
Que não explode em choro, que não se coça inteira.
Ai de você que não se dói, ai de você que não se doa, ai de ti que não se deu.

Eu não trocava um minuto de toda essa minha dúvida por duas hora dessa sua psicologia de araque.

Graças a Deus tenho toda essa minha inquietação pra me incomodar a alma e, no último gole do meu vinho, oferecer a minha angústia a todo esse seu desespero.

Porque o que seria de Clarice se ela tivesse feito análise.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Eu te trairia ouvindo Los Hermanos


E de repente você entraria por aquela porta. Eu fitaria as gotas de chuva batendo na janela com meus olhos de cigana dissimulada enquanto você não voltava pra casa.

Você sentiria alguma coisa estranha no ar e eu negaria até a morte. Eu, que jurava que nunca ia te trair, eu nunca vou te trair, eu nunca vou te trair.

Você daria aquele último gole no meu vinho e tentaria decifrar o fundo do meu olho.

Havia alguma coisa estranha no ar e não saber quem ele era seria justamente o que ia te enlouquecer.

E eu negaria até a morte, jurando que só haveria você. Até que você pegaria meu ipod e olharia bem sério pra mim.

- Eu não acredito nisso, meu amor. A gente combinou.

E eu desviaria o olhar, com um riso nervoso, dizendo que não.

- Olha pra mim, porra. Me diz: você ouviu? Porra, Luana, a gente combinou.

- Eu não ouvi nada, eu já te disse. Eu nem encostei nesse iPod hoje. Você está ficando obsessivo com esse ciume. Eu, hein.

- Me dá aqui esse playlist que eu quero ver se você ouviu ou não.

- (Chorosa)

- E não vem se fazendo de vítima, não. A gente combinou que só ficaria junto se você deixasse esse barbudo pra lá. E é só eu virar as costas que você coloca ele aqui dentro de casa?

- (explosiva) Ah, cara, a culpa é sua, na boa. Eu sou assim, eu sempre fui assim, é assim que eu sou feliz. E você fica querendo que eu viva uma mentira. Eu era assim quando você se apaixonou. Você tá fazendo drama, eu acho que não tem nada demais.

- Cara, não acredito que você me traiu.

- Eu avisei que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde.

- Luana, eu vou perguntar mais uma vez: Você ouviu Los Hermanos enquanto eu estava fora? Mas a gente não combinou que só ficaria junto se você não escutasse esse cara nunca mais? Putz, Lu, eu não acredito nisso. Eu não acredito que você fez isso mais uma vez.

sábado, 14 de abril de 2012

Clareia a minha vida, amor...


... no olhar.












Nada como a saudade pra colocar os nossos pensamentos em ordem.
Nada como as coisas em perspectiva.

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Ou ainda


"E ao amanhã a gente não diz
E ao coração que teima em bater
Avisa que é de se entregar o viver".

quarta-feira, 28 de março de 2012

E essa chuva agora

Vim pro trabalho hoje pensando tanto em você que chegou a doer minha alma.

Encostava a cabeça no vidro tentando prestar atenção na música bonita, mas tudo o que vinha era você. E eu transbordava os óculos escuros tentando não deixar o moço do meu lado perceber o choro contido que tanto me embrulhava o estômago.

Eu e essa minha mania de somatizar tanto. Eu só queria uma vida em paz em vez dessa minha mania de revirar em mim mesma as armas pra te matar aqui dentro.

E agora essa chuva misturada a toda essa saudade que me dói as juntas. Junta tudo e tudo dói sem você.

Eu e essa minha alergia a uma vida tranquila, como se a felicidade não passasse de uma doença auto-imune, uma bomba-relógio que teima em não explodir. Ainda.

Tic. Tac.

Porque seria tão mais fácil [se eu não fosse] assim.

Tic. Tac.

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Até que você chega com seu sorriso bobo e seu olhar tão sincero que eu me derreto inteira dentro desses seus lábios que me fizeram tanta, tanta falta enquanto você não estava aqui.

Vai ver eu não passo de um cachorro vira-lata.

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‎"Eu sofro de mimfobia, eu tenho medo de mim mesmo e me enfrento todo dia."

Millôr Fernandes, que se foi e hoje o céu chora.

sábado, 24 de março de 2012

Chá de saudade




Acordei as 3:19 da manhã com uma falta insuportável de você aqui do meu lado. E não há água, reza ou blog alheio que faça essa bendita saudade esse maldito tempo passar.

E me peguei pensando em tudo o que aconteceu nos últimos [12] meses. Esse turbilhão de emoções. Eu me agarrando no redemoinho, você me pescando pra fora de lá. A conversa fundamental com a amiga psicóloga: É preciso paciência para os ajustes, mas é preciso que você pare de desconstruir as coisas.

Levanto e faço um chá pra ver se páro de achar a minha cama tão grande. Eu, que nunca fui de dormir sozinha. E agora fico aqui, sozinha nessa noite de outono, rodando essa xícara quente na mão pra ver se passa essa minha teimosia em ficar pensando em você. No seu jeitinho de sorrir dormindo. Na sua mania de me puxar pra cada vez mais perto.

E só agora eu entendo meu ex: "Agora que eu consegui tudo o que eu queria, o meu único medo é de morrer". Eu, que nunca tinha sentido assim. Até hoje, com essa xícara de chá e todo esse medo nas mãos. E agora dei pra me pegar pensando nisso. Na minha vontade de ficar deitada ao seu lado, ombro com ombro, as mãos dadas esperando a lua cheia chegar. Na sua coragem de mergulhar tão fundo. E toda a minha vontade de que esse sentimento não passe pra que eu possa finalmente parar de querer ir embora.

Sinto uma coisa tão quente em mim agora que até me dou conta de que devo tomar o chá. Eu, que nunca lembro das coisas, apesar dessa coisa de eu nunca esquecer nada. Eu sou eu e o meu DDA, essas duas loucas lutando dentro desse meu peito que no fundo só quer descansar com alguma coisa que me aqueça a alma, por exemplo o chá. Eu e essa minha falta de vergonha na cara, essa coisa de não dar a mínima e nunca prestar atenção. Eu e essa minha mania eterna de nunca consertar as coisas, como a criança que desiste do brinquedo que não entende. Eu e essa minha coisa de fazer piada com aquilo que eu não tenho, como essa nova vontade que me deu de ficar bem velhinha com você. É preciso estabelecer vínculos, diria a tal da psicóloga. Perder esse seu medo de perder pra não perder já de saída. Aí então perceber que quando a gente alcança a felicidade a gente pode então ser tudo, até feliz.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Cuore




- O seu problema, Luana, é que você é toda coração, mas finge que não é. Se faz de durona pra esconder debaixo dessa carapaça aquilo que você tem de mais bonito. Como se precisasse se defender do mundo. Pobre de você, Luana.

- [...]

"Doravante, eu o sei e qualquer um o sabe.
O coração tem domicílio no peito.
Comigo a anatomia enlouqueceu

- Sou todo coração.
Em todas as partes pulsa".

[Maiakoviski]

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E aí, quando a pessoa é toda coração, ao ter o coração machucado, ela tem machucada toda uma pessoa.

sábado, 3 de março de 2012

Tão bem


Lavou o rosto com água muito fria e riu ao se lembrar que nunca soubera se enxugar bem. Pequenas piadas internas, joguinhos que ela curtia brincar com ela mesma.

Esfregou com força os olhos de cigana dissimulada e fitou a cara cansada no espelho. Eram dez horas da noite e em quinze dias ela faria trinta e três.

Sorriu e se achou bonita por trás de todo aquele cansaço. O Retorno de Saturno lhe pesara tanto que no fundo, no fundo, ela estava bem melhor agora do que aos vinte e sete. A maturidade tinha trazido a calma. Hoje ela se sentia mais leve, mais bonita, mais feliz.

O que incomodava era aquele "Senhora". Ela não era uma Senhora. Não tinha cabelo de Senhora, não tinha cara de Senhora. Mas tinham dado pra isso agora: Bom dia, Senhora, obrigada, Senhora. Ela corrigia perguntando o porquê de toda aquela reverência e o interlocutor, constrangido, explicava ser somente uma questão de respeito.

Que me desrespeitem, pois. Ignorem os cabelos brancos da minha franja.

Eram dez horas da noite e em quinze dias ela teria trinta e três.

Que bom.

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"E ela me faz tão bem
E ela me faz tão bem
Que eu também quero fazer isso por ela".


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

You make me smile with my heart


De repente ela percebeu que estava feliz. Olhou no relógio, suspirou e sorriu ao se dar conta de que era terça-feira, que fazia um dia bonito e que mais 4 luas haviam se passado desde que ela havia submergido pra puxar aquele último ar antes de mergulhar de novo. Mais um mês no meio de todos aqueles em que ela tinha resolvido acreditar outra vez.



Já estava tão acostumada a vestir aquela máscara triste que sentiu uma ponta de medo no meio daquele amor: Talvez nunca tivesse acreditado tanto. Como essa felicidade havia sido anunciada e que perigoso isso de conseguir tudo aquilo o que sempre quis. Chegava a dar vontade de que fosse mentira: Ao menos assim ela não perderia a razão, pensou.

Era tão simples e era tão bom. Lembrou da frase da Clarice. Não, que nem ela nem ninguém se engane, só se consegue a felicidade através de muito trabalho, mesmo. Talvez o amor fosse preciso ser bem difícil pra ser bonito. Não sei. Ela nunca se encaixaria num comercial de margarina, mas eram tão bonitas as canções, eram bonitas. Mesmo e justamente por terem tido que errar tanto antes de aprender a fazer o outro feliz. Desapegar da forma e valorizar o conteúdo: Só assim, então, ela seria feliz, bem feliz.

.muito.

Ah, se ela soubesse antes. Teria errado tão menos. E com certeza não estaria tão bom.





Bendito 433.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Você passa eu acho graça



E, do outro lado da rua, lá estava ele. Havia muita fumaça e muita purpurina no ar, mas eu reconheceria todo aquele medo até de olhos vendados no meio de uma chuva de granizo, afinal.

Parecia triste. Cansado. Como havia envelhecido - pensei. E de repente eu senti de volta nos ombros cada um dos longos 9 anos que nos separavam daquele dia tão bonito, nós dois aplaudindo de mãos dadas o pôr de sol à beira do Guaíba. Parece que foi anteontem: O mesmo olhar distante, o mesmo sorriso tímido, o mesmo medo de se envolver. E agora todo aquele cansaço.

Quanta ironia. Tantos anos depois - cinco, seis? - e lá estávamos nós outra vez naquela mesma esquina, embriagados de confete, serpentina e daquele bendito líquido azul. Separados pelo mesmo Cacique. Aquele que foi um dia tão triste e hoje eu estava tão feliz. Porque eu nunca me esqueceria que foi bem naquela esquina que eu resolvi tirar você de mim. Quanto tempo perdido, quanto tempo passou. Mas hoje, no encontro de Rio Branco com Rosário, só me restava assinar o óbito desse amor tão bonito, desse amor tão maldito.

Não deixei ele me ver. A partida do amor que nunca foi seria suficiente pra deixar aquela tristeza ir embora do meu peito. Porque de repente tudo fez sentido pra mim. Então Isabella virou todo aquele sentimento num gole só e resolveu ser de fato feliz, agora nos braços do seu [novo] amor. E sorriu ao se dar conta de que queria ficar naqueles novos braços por muitos - e muitos e muitos - outros carnavais. Que era dali que vinha aquele sorriso, aquele calor, aquele suspiro e, principalmente, que era dali que vinha toda aquela paz, o tal amor tranquilo que sua amiga sempre falou. Quem diria que era por ele que hoje ela deixaria a terça-feira ir embora para todo o sempre de dentro de mim.

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E, pensando na música que fizeram pr'aquele outro amor de verdade, ela sorriu.

"É você que tem
o colo que eu
deito e descanso
E é tão teu
Meu coração aflito e manso"

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- Essa sua fantasia é de Alice?

- Hã?

- Essa sua fantasia é de Alice?

- Como assim, meu querido? Pirou? É de Branca-de-neve, né?

- Ué, mas então cadê os 7 anões?

- Tão em casa, dormindo, que amanhã cedo tem bloco. Hoje eu vim com o queijo. Alí, ó, tocando no samba.

- Ué. Tá traindo os 7 anões com um queijo? Achei que você era Branca de Neve e não a Magali.

- Sabe como é, tem muita Minnie por aí, preciso ficar de olho.

- Larga ele e vem embora comigo.

- Ah, mas não vou mesmo. Eu nunca estive tão feliz :)

- Tá feliz mesmo? Vai até dispensar os 7 anões? Tô achando você uma Branca de Neve meio fajuta. Aposto que nem sabe o nome de todos eles.

- Claro que eu sei (e conta nos dedos): Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso... Peraí. Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso. Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso. Porra. Tô esquecendo de um anão. Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso. Gente, como pode, tô esquecendo de um anão.

- (risos)

- Pára de me zuar, porra. Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso. Tá, desisto, vai. Qual que tá faltando?

- O "Feliz".

- [...]

- Minha filha, desculpa, mas acho que você tá precisando entrar pra análise.


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baseado em fatos reais.

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Aceita, gente. O carnaval acabou. Ou você aprende a ser feliz no dia a dia ou, como diria a plaquinha, leve o carnaval pra sua vida real.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Toda mulher hoje é um pouco viúva do Wando

Toda mulher se sente um pouco viúva no dia de hoje.

A viúva do Wando é a mulher tijucana que perdeu o seu amante, é a mulher [da] mordida, a mulher do esmalte vermelho descascado, a mulher dos quilinhos a mais, a lady na mesa e a louca na cama. A mulher do beijo doce e do puxão de cabelo. A Mulher Maravilha ansiosa pra que desamarrem o seu cinto mágico e desabotoem os botões do vestido dela. É aquela mulher chorando no canto da cama: Hoje, ela perdeu aquilo que ela nunca teve.

Porque só o Wando sabia como é que se deve tratar uma mulher. Como é que se faz a mulher se sentir a única, a mais gostosa, a mais especial. Como é que o cara ama e respeita a sua mulher pelo simples fato de que aquela ali é a mulher que ele tem. É com ela que ele fica feliz então ele vai fazê-la a mulher mais feliz do mundo todo dia. Porque, no fundo, o que toda mulher quer é um homem que a faça calar a boca.

Hoje chora o meu coração.
Hoje cada uma de nós queria ser aquela Moça.
Hoje toda viúva-negra se transforma em viúva-carmim.

Wando´s princess

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sobre as coisas

5 da manhã e essa insônia que teima em não ir embora. Talvez seja a hora de começar a falar sobre isso.

Fui assaltada num trem na Europa. Tá, eu não queria contar isso assim, mas acho melhor contar de uma vez antes que isso vire um câncer.

Justo eu. Tão espertinha, garota carioca, 32 anos de praia. Essa é a graça da coisa. A única. Foi a pior experiência da minha vida e eu estou há 3 semanas matutando se escrevia sobre isso ou não. A minha vontade de que esse post ajude alguém me fez sentar hoje nessa cama, no meio da madrugada, olhos bem abertos, e pensar: tá, Luana, é hora de falar sobre isso.

4a vez na Europa. Cidadã Européia e manjando tudo de trens, vôos lowcost, albergues, mapas e timetables. "Justo eu, que trabalho com isso" (com isso o que, gente?). E a frase que eu mais ouvi nesses 20 dias foi: "Poderia acontecer com qualquer um". É. Mas eu não queria que tivesse acontecido comigo.

Resumindo: Eu estava no fim da viagem e "não dava mais pra pegar avião". A mala vai ficando pesada, eu tinha um passe de trem: Pra quê gastar tanto dinheiro com um vôo, e daí que eu vou cruzar meia Europa - eu tenho um passe de trem.

Priorizei os trens Eurostar, claro, mais pensando no conforto do que em qualquer outra coisa. São bem mais rápidos, são bem mais confortáveis. E assim eu fui, Paris-Milão, Milão-Roma. Tudo certo, aqueles trens lindos, aqueles trens incríveis. Eu ia passar 24 horas viajando, mas e daí? Eu tinha um passe de trem.

E daí que eu estava indo até a Calábria e no último trem não havia tempo para Eurostar. Ou havia, sei lá. Eu poderia ter ido no dia seguinte, dormido uma noite em Roma, mas eu não quis. Tinha tantos motivos pra chegar logo, já dormiria vários dias em Roma na volta. Fui fominha, estava exausta, eram 4 meses fora de casa pelos mais diversos motivos e eu queria voltar pro Brasil. E por isso eu resolvi ir logo e entrei naquele maldito trem Expresso. Que não tinha couchette. E eu viajaria 9 horas sentada, num trem desconfortável, à noite.

Falando assim eu me sinto uma idiota, mas muita gente teria feito o mesmo. Você está ali, a mala, a estação. Você quer ir embora. Você mora há 32 anos numa cidade perigosa, é fim de viagem e você simplesmente acha que é mulher maravilha. Quantas vezes eu já tinha lido sobre isso? Várias, mas nunca dei a menor importância. Carioca tem essa mania de pensar que já viu tudo. E aí começa uma sucessão de erros que poderiam acontecer com qualquer um. Mas não comigo.

Eu fico pensando que o problema de quando você está aprendendo a dirigir não é quando você começa, mas justamente quando você adquire um pouquinho de confiança e pensa que já sabe - é aí que você bate. E aí que eu já estava na minha 4a viagem pelo Velho Mundo, tinha visto tanta coisa e, na boa, eu não sou uma idiota. Mas estava com muitas coisas de valor na mesma mochila. Que eu estava abraçada. Até a hora que eu dormi e a mochila não estava mais.

Eu não dou mole, eu sou bastante espertinha e eu não ostento nada. Eu nem tenho nada pra ostentar. Pois é, mas ali eu tinha. E perdi tudo o que eu tinha - ou tudo o que eu tinha de valor.

Acordar num trem no sul da Itália sozinha e se dar conta de que perdeu tudo é uma sensação que eu não recomendo a ninguém. Nem o meu pior inimigo merece experimentar tamanha solidão. E é por isso que eu escrevo, porque eu me dei conta de que ainda não tirei isso de mim. Porque acordo assustada. Porque não posso perder a fé nas pessoas. Porque eu fico virando e revirando cada minuto daquele dia tentando entender o que eu poderia ter feito de diferente. Eu poderia não ter entrado naquele trem. Só isso.

E de repente eu me vi sem passaporte e sem dinheiro nenhum num país que eu tento sentir que é meu, mas mal falo a língua. Nem no meu pior pesadelo eu conseguiria me ver assim. E nunca na minha vida eu me senti tão só. E não aguento mais me culpar por isso, ainda que eu saiba que eu não tive culpa, que eu dei azar de ter um ladrão no meu vagão. E eu sei quem foi e eu espero que seja quem eu acho que foi, porque eu quero que esse filho da puta morra. E eu não queria me sentir assim, queria deixar esse sentimento ir embora, mas eu ainda não consigo.

São coisas. E eu sou tão pouco apegada às coisas. Mas eram as minhas coisas. Era tudo o que eu tinha de valor. E eu sei que vou comprar tudo de volta. Mas eram as minhas coisas. Computador, câmera, ipod, passe de trem, dinheiro e passaporte. Quem viaja sem isso? Justo naquele dia eu esqueci de colocar a bolsinha do passaporte na cintura. E aí que estava num trem bizarro e não quis expôr a bolsinha ali. Poderia ter ido no banheiro colocar. Volta a história de quem está aprendendo a dirigir.

São coisas. Coisas vêm e coisas vão. Eu nunca pensei diferente. Mas estar sozinha num país estranho sem nenhum dinheiro pra comprar uma água faz você entender quem e o que você verdadeiramente tem. E parte de mim entende que no fundo foi importante passar por isso pra me reconectar comigo mesma, com os meus e com aquilo que verdadeiramente importa. Entender porque eu tenho um blog que se chama quaseindo e pensar até onde eu vou nessa minha vontade de entender quem eu sou. E acho que eu descobri. Então, o que são coisas? Eu perdi as minhas coisas, meu ex-namorado perdeu o pai, pessoas queridas perdem o filho. O que são coisas? São nada. Agora eu consigo ver que nada disso importa pra mim.

E quando eu mais precisei eu pude entender quem eu de fato tinha. Entender qual era a minha retaguarda. Eu nunca me senti tão sozinha, mas em nenhum momento eu me senti desamparada. Nos primeiros 30 segundos em que eu tive acesso à internet, tudo se resolveu. E uso esse post pra agradecer à Michelle, essa irmã que a vida me deu. Com ela a vida ficou mais divertida e, depois dessa, mais segura.

Além disso, no momento em que eu mais precisei, eu conheci pessoas incríveis, que me deram o colo e me deram a mão. "As grandes almas sempre se encontram" ou a vida é a arte do encontro, certo? Eu nunca poderei agradecer o suficiente aos dois. Pessoas que te conhecem quando você não tem nada pra oferecer além de toda a sua tristeza e toda a sua desilusão. Toda a ajuda que eu tive - emocional, principalmente, porque o $ pouco importa - foi fundamental pra eu não enlouquecer.

Eu não contei isso antes porque não dava pra mim. Mas a verdade é que minha família e meus amigos foram a minha retaguarda emocional, que é o que importa. Segurar pra não cair. Porque o resto, eu nunca pensei que não ia resolver. Volto a dizer: eu me senti sozinha, mas nunca me senti desamparada. Entendi o que eu tinha, entendi o que eu não tinha e entendi o que eu ainda não tinha, mas precisaria ter. Basta colocar a cabeça na linha reta, respirar fundo e fazer o que tem que ser feito. Em poucas horas, graças ao Western Union, ao meu pai e à minha Conhada, eu estava com $ na mão.

O passaporte foi pior. O consulado brasileiro em Roma é um lixo. Um telefone que ninguém atende, um email que ninguém responde. Eu estava sozinha, sem passaporte e sem $ nenhum. No sul da Itália. Sou uma cidadã de bem, pago os meus impostos em dia pra sustentar a farra do boi que é a vida consular fora do Brasil. E até hoje não responderam meu email.

Ainda fico um pouco triste porque minha viagem foi tão linda. Encontrei e conheci pessoas incríveis. Comi, rezei e amei. Não aprendi a esquiar, mas bebi vinhos tão bons. E ficou essa coisa pesada e agressiva no final que vai fazer essa viagem sempre ser "a viagem em que eu perdi todas as minhas coisas". Mas fica a experiência, né? E é isso aí: São coisas. Coisas vem e coisas vão. Nada disso importa pra mim, ainda que fossem as minhas coisas (e as minhas músicas, e as minhas fotos)... Hoje vejo que precisei chegar até aqui pra entender isso.

E vai passar.
A tristeza e as coisas.
Nunca a minha retaguarda.
E nunca a minha gratidão.

Por isso, meninas, cuidado. Sim, meninas, porque com a gente é sempre pior. Não relaxem. E não entrem nesse trem.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Côncavo e convexo

Eu morro de medo de que o mundo acabe.

Pensei em mil formas de te contar isso de um jeito mais bonito, mas a verdade é essa: Eu entro em pânico cada vez que eu penso que podemos estar chegando ao fim.

Leio tudo sobre os Maias e seu fatídico 21 de dezembro, Nostradamus, bomba atômica e relógio do apocalipse. Sinto uma mistura de medo e excitação ao pensar que cada uma daquelas vezes poderia ter sido a última e que toda essa nossa insegurança não passa mesmo de uma grande bobagem. Me dá vontade de sair correndo e te arrancar um beijo no meio da chuva. Sorrir de um jeito que eu pareça linda e suspirar tudo isso que você guarda no peito. Não dormir e acordar ao seu lado, daquele jeito que a gente combinou. E esperar o fim do mundo vendo enroscar as nossas meias, tomando Danete e [te] fazendo cafuné.

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E aí me deparei com essa fofíssima matéria aqui que me deixou pensando. São essas as 5 coisas que as pessoas mais se arrependem antes de morrer:

1. Não de ter tido a coragem de viver uma vida fiel a si mesmo em vez de atender as expectativas dos outros.

2. Ter trabalhado demais.

3. Não ter tido a coragem de expressar os sentimentos.

4. Ter passado menos tempo do que deveria com os amigos.

5. Não ter permitido a si mesmo ser mais feliz.

Soco no estômago, meu bem.

Depois dessa, só me resta pensar que o mais sensato a fazer seria a gente ser feliz pra sempre a partir de amanhã, antes que o amanhã acabe.

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Faltam 8 dias pra amanhã.