terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

You make me smile with my heart


De repente ela percebeu que estava feliz. Olhou no relógio, suspirou e sorriu ao se dar conta de que era terça-feira, que fazia um dia bonito e que mais 4 luas haviam se passado desde que ela havia submergido pra puxar aquele último ar antes de mergulhar de novo. Mais um mês no meio de todos aqueles em que ela tinha resolvido acreditar outra vez.



Já estava tão acostumada a vestir aquela máscara triste que sentiu uma ponta de medo no meio daquele amor: Talvez nunca tivesse acreditado tanto. Como essa felicidade havia sido anunciada e que perigoso isso de conseguir tudo aquilo o que sempre quis. Chegava a dar vontade de que fosse mentira: Ao menos assim ela não perderia a razão, pensou.

Era tão simples e era tão bom. Lembrou da frase da Clarice. Não, que nem ela nem ninguém se engane, só se consegue a felicidade através de muito trabalho, mesmo. Talvez o amor fosse preciso ser bem difícil pra ser bonito. Não sei. Ela nunca se encaixaria num comercial de margarina, mas eram tão bonitas as canções, eram bonitas. Mesmo e justamente por terem tido que errar tanto antes de aprender a fazer o outro feliz. Desapegar da forma e valorizar o conteúdo: Só assim, então, ela seria feliz, bem feliz.

.muito.

Ah, se ela soubesse antes. Teria errado tão menos. E com certeza não estaria tão bom.





Bendito 433.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Você passa eu acho graça



E, do outro lado da rua, lá estava ele. Havia muita fumaça e muita purpurina no ar, mas eu reconheceria todo aquele medo até de olhos vendados no meio de uma chuva de granizo, afinal.

Parecia triste. Cansado. Como havia envelhecido - pensei. E de repente eu senti de volta nos ombros cada um dos longos 9 anos que nos separavam daquele dia tão bonito, nós dois aplaudindo de mãos dadas o pôr de sol à beira do Guaíba. Parece que foi anteontem: O mesmo olhar distante, o mesmo sorriso tímido, o mesmo medo de se envolver. E agora todo aquele cansaço.

Quanta ironia. Tantos anos depois - cinco, seis? - e lá estávamos nós outra vez naquela mesma esquina, embriagados de confete, serpentina e daquele bendito líquido azul. Separados pelo mesmo Cacique. Aquele que foi um dia tão triste e hoje eu estava tão feliz. Porque eu nunca me esqueceria que foi bem naquela esquina que eu resolvi tirar você de mim. Quanto tempo perdido, quanto tempo passou. Mas hoje, no encontro de Rio Branco com Rosário, só me restava assinar o óbito desse amor tão bonito, desse amor tão maldito.

Não deixei ele me ver. A partida do amor que nunca foi seria suficiente pra deixar aquela tristeza ir embora do meu peito. Porque de repente tudo fez sentido pra mim. Então Isabella virou todo aquele sentimento num gole só e resolveu ser de fato feliz, agora nos braços do seu [novo] amor. E sorriu ao se dar conta de que queria ficar naqueles novos braços por muitos - e muitos e muitos - outros carnavais. Que era dali que vinha aquele sorriso, aquele calor, aquele suspiro e, principalmente, que era dali que vinha toda aquela paz, o tal amor tranquilo que sua amiga sempre falou. Quem diria que era por ele que hoje ela deixaria a terça-feira ir embora para todo o sempre de dentro de mim.

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E, pensando na música que fizeram pr'aquele outro amor de verdade, ela sorriu.

"É você que tem
o colo que eu
deito e descanso
E é tão teu
Meu coração aflito e manso"

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- Essa sua fantasia é de Alice?

- Hã?

- Essa sua fantasia é de Alice?

- Como assim, meu querido? Pirou? É de Branca-de-neve, né?

- Ué, mas então cadê os 7 anões?

- Tão em casa, dormindo, que amanhã cedo tem bloco. Hoje eu vim com o queijo. Alí, ó, tocando no samba.

- Ué. Tá traindo os 7 anões com um queijo? Achei que você era Branca de Neve e não a Magali.

- Sabe como é, tem muita Minnie por aí, preciso ficar de olho.

- Larga ele e vem embora comigo.

- Ah, mas não vou mesmo. Eu nunca estive tão feliz :)

- Tá feliz mesmo? Vai até dispensar os 7 anões? Tô achando você uma Branca de Neve meio fajuta. Aposto que nem sabe o nome de todos eles.

- Claro que eu sei (e conta nos dedos): Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso... Peraí. Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso. Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso. Porra. Tô esquecendo de um anão. Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso. Gente, como pode, tô esquecendo de um anão.

- (risos)

- Pára de me zuar, porra. Mestre, Atchim, Dunga, Zangado, Soneca, Dengoso. Tá, desisto, vai. Qual que tá faltando?

- O "Feliz".

- [...]

- Minha filha, desculpa, mas acho que você tá precisando entrar pra análise.


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baseado em fatos reais.

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Aceita, gente. O carnaval acabou. Ou você aprende a ser feliz no dia a dia ou, como diria a plaquinha, leve o carnaval pra sua vida real.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Toda mulher hoje é um pouco viúva do Wando

Toda mulher se sente um pouco viúva no dia de hoje.

A viúva do Wando é a mulher tijucana que perdeu o seu amante, é a mulher [da] mordida, a mulher do esmalte vermelho descascado, a mulher dos quilinhos a mais, a lady na mesa e a louca na cama. A mulher do beijo doce e do puxão de cabelo. A Mulher Maravilha ansiosa pra que desamarrem o seu cinto mágico e desabotoem os botões do vestido dela. É aquela mulher chorando no canto da cama: Hoje, ela perdeu aquilo que ela nunca teve.

Porque só o Wando sabia como é que se deve tratar uma mulher. Como é que se faz a mulher se sentir a única, a mais gostosa, a mais especial. Como é que o cara ama e respeita a sua mulher pelo simples fato de que aquela ali é a mulher que ele tem. É com ela que ele fica feliz então ele vai fazê-la a mulher mais feliz do mundo todo dia. Porque, no fundo, o que toda mulher quer é um homem que a faça calar a boca.

Hoje chora o meu coração.
Hoje cada uma de nós queria ser aquela Moça.
Hoje toda viúva-negra se transforma em viúva-carmim.

Wando´s princess