sábado, 24 de março de 2012

Chá de saudade




Acordei as 3:19 da manhã com uma falta insuportável de você aqui do meu lado. E não há água, reza ou blog alheio que faça essa bendita saudade esse maldito tempo passar.

E me peguei pensando em tudo o que aconteceu nos últimos [12] meses. Esse turbilhão de emoções. Eu me agarrando no redemoinho, você me pescando pra fora de lá. A conversa fundamental com a amiga psicóloga: É preciso paciência para os ajustes, mas é preciso que você pare de desconstruir as coisas.

Levanto e faço um chá pra ver se páro de achar a minha cama tão grande. Eu, que nunca fui de dormir sozinha. E agora fico aqui, sozinha nessa noite de outono, rodando essa xícara quente na mão pra ver se passa essa minha teimosia em ficar pensando em você. No seu jeitinho de sorrir dormindo. Na sua mania de me puxar pra cada vez mais perto.

E só agora eu entendo meu ex: "Agora que eu consegui tudo o que eu queria, o meu único medo é de morrer". Eu, que nunca tinha sentido assim. Até hoje, com essa xícara de chá e todo esse medo nas mãos. E agora dei pra me pegar pensando nisso. Na minha vontade de ficar deitada ao seu lado, ombro com ombro, as mãos dadas esperando a lua cheia chegar. Na sua coragem de mergulhar tão fundo. E toda a minha vontade de que esse sentimento não passe pra que eu possa finalmente parar de querer ir embora.

Sinto uma coisa tão quente em mim agora que até me dou conta de que devo tomar o chá. Eu, que nunca lembro das coisas, apesar dessa coisa de eu nunca esquecer nada. Eu sou eu e o meu DDA, essas duas loucas lutando dentro desse meu peito que no fundo só quer descansar com alguma coisa que me aqueça a alma, por exemplo o chá. Eu e essa minha falta de vergonha na cara, essa coisa de não dar a mínima e nunca prestar atenção. Eu e essa minha mania eterna de nunca consertar as coisas, como a criança que desiste do brinquedo que não entende. Eu e essa minha coisa de fazer piada com aquilo que eu não tenho, como essa nova vontade que me deu de ficar bem velhinha com você. É preciso estabelecer vínculos, diria a tal da psicóloga. Perder esse seu medo de perder pra não perder já de saída. Aí então perceber que quando a gente alcança a felicidade a gente pode então ser tudo, até feliz.

5 comentários:

Emanuele Lopes disse...

'Somos também aquilo que perdemos.'

Luana Fornaciari disse...

"Perder-se também é caminho". Clarice.

Vanessa disse...

essa imagem é uma puta inspiração.

Vanessa disse...

essa imagem é uma puta inspiração.

Marcel Gois disse...

História do que se tornou minha vida no último mês.