sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Emanuel

Querido João,

Escrevo pra te dizer que não foi dessa vez.

Desculpa te contar isso assim, de sopetão, mas eu tava agoniada pensando que era melhor te falar isso logo pra acabar com as suas esperanças quanto a hoje à noite.

Sei que você se esforçou, que você pensou em tudo, sei que deu o melhor de si. O que acontece é que esse seu papinho de folhetim já não mais me toca, entende? Você precisa entender que 2012 impôs à minha vida uma urgência que eu mesma ainda não sei direito como lidar. E eu fico com medo de que tudo o que a gente tem se perca, que quem a gente ama morra, que a humanidade de repente acabe. Eu vivo o 21 de dezembro todo dia desde que esse ano começou, então não consegui achar espaço dentro de mim mesma pra fingir que não está acontecendo nada e sentar confortavelmente em frente ao sofá, nove às dez, e esvaziar a cabeça assistindo você.

Eu não queria ser assim. Deus sabe que eu queria mais uma dessas meninas de vestido e bota que gasta o melhor do seu tempo e esbanja ignorância tentando decifrar quem, afinal, matou o Max. Queria eu conseguir me apegar a essas pequenezas diárias sem essa porra desse existencialismo que me corrói a alma. Maldito Peixes, maldito Escorpião. Maldito coração cheio de manias e vontades, querendo chupar logo o caroço da fruta pra entender de uma vez qual é o sentido dessa nossa vida.

Por isso, João, me desculpe, mas não vai dar pra gente se encontrar hoje, dia dezenove, depois do jornal. Hoje é aniversário do Vinícius e acho que só isso já é motivo pra eu celebrar o amor e a vida sem te dar o mínimo da minha atenção. Mas te desejo sorte, apesar.

Um beijo grande, apertado e urgente.
Luana

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