terça-feira, 21 de maio de 2013

Lacuna

Eu não sei mais escrever.

Fico olhando essa página em branco, pensando no tanto que tenho a dizer, e só consigo pensar que não quero falar nada.

A verdade é que não quero mais reclamar do trânsito, do cansaço e da minha vontade de parar de trabalhar pra sempre.

Do quanto sinto saudades de nunca ter cuidado da minha horta. Hoje mesmo, de manhã, percebi que mais uma hortelã morreu e me senti a mais incompetente das donas-de-casa. A pessoa que não sabe cuidar de um vaso e toda toda querendo tomar conta da própria vida.

Sentei e tentei meditar, mas o canto dos passarinhos que eu nunca consigo parar pra ouvir me estourou os tímpanos. Um silêncio que me invadia a alma de um jeito que incomodou tanto que tiver que sair correndo, correndo, correndo, fone no ouvido, eu e Clarice, minha mais nova melhor amiga. Eu comecei a correr não foi pra ficar magra. É que eu não aguentava mais ficar aqui. Eu corro é pra parar de pensar. Sigo em frente porque é pra frente que se vai, mesmo sem ter nada pra falar.

Ou sem saber para onde vamos.

Ou sem saber de onde viemos.

Ou (sem ter a mais absoluta idéia de) qual o sentido dessa porra toda.

Maldito existencialismo que não me deixa aquietar o espírito.

Maldito silêncio que não pára de gritar no meu ouvido. Maldito peixes, maldito escorpião.




Fora isso, nada.

Um comentário:

Emanuele Lopes disse...

O silêncio é vazio e plenitude.