sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Patota de Cosme


Lembro como se fosse ontem. A gente esperava por esse dia quase tanto quanto se espera o Natal. Me sinto de novo uma daquelas crianças correndo pelas ruas, contando quantos saquinhos tinha conquistado. Comemorando o que tinha dentro deles. Adrenalina e açúcar, símbolos de uma infância feliz. 

25 anos depois, enfurnada nesse maldito computador, eu vivo perguntando por aí se sabem que dia é hoje. Eu nunca decoro, eu nunca sei o mês em que estamos, eu não consigo acompanhar o compasso das horas. 

Quando foi que os dias deixaram de ser momentos felizes e passaram a ser metas, eu não sei. Atravessamos o mês pensando no deadline sem nos darmos conta de que de repente é Cosme e Damião e que a vida pode ser doce.



Ano passado eu trabalhava numa empresa cuja dona sempre distribuia saquinhos de Cosme e Damião. Foi interessante passar pro outro lado e me entusiasmei ao imaginar o sorriso que eu colocaria no rosto daquelas crianças.

Atravessamos a Rocinha com 100 saquinhos na mala e me frustrei ao explicar a muitas crianças do que se tratava aquela festa. Não sei se o doce hoje em dia ficou muito fácil ou se não se fazem crianças como antigamente.

Sei que o meu saquinho eu guardei.

Um comentário:

nocaminhodonorte disse...

Pior é explicar a uma crianca e ela responder que a "religiao" nao permite. Putz! Crianca, gente!
De qualquer forma, acredite ou nao, sempre fui fa do doce de abobora.