quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Casa




Levei 2 semanas pra escrever esse post.

Ou um mês.

Ou quase cinco anos.

Ou, no fim, a gente sempre leve 1 segundo pra escrever qualquer coisa; todo o resto será sempre uma preparação para o momento que vem a seguir.

A verdade é que chegamos à nossa CASA e nada pode ser uma razão mais forte do que isso pra esse blog voltar a fazer sentido por aqui.

Quase indo. Comecei a ir em 2008 quando comecei a rabiscar nesse caderno. Ou teria sido em 79, quando resolvi dar as caras por aqui? Mas a verdade é que 2015 foi o ano em que finalmente eu fui. E tudo aconteceu tão depressa que precisei prender a respiração bem forte pra não ser afogada por esse Tsunami emocional que foi 2015.


Casei. Foi lindo. É clichê dizer que foi o dia mais bonito da minha vida, mas a verdade é que foi um dia muito bonito na vida de todo mundo que estava ali. Foi um dia de se abraçar e sentir o amor que a gente sente, o amor que a gente gera, o amor que a gente tem pra dar. Foi muito bom.

Faria tudo de novo. Faremos em 5, faremos em 10. Parar pra celebrar e colher os frutos. Aliás, esse foi o tema do ano. Celebrar, receber, reconhecer e agradecer a colheita.

Em 2015 o Quase Indo virou livro. Foi bom colocar essa história para o mundo; acho que a gente merecia isso. Era um projeto antigo que da noite pro dia ganhou corpo. E, apesar dos quatro ou cinco errinhos que me mataram por dentro por uma revisão inadequada, o livro ficou lindo. E talvez essa seja a cara e a beleza da vida; se perceber bonita apesar das - ou justamente pelas - imperfeições. Ou vou preferir pensar assim de hoje em diante.


E, se estou aqui escrevendo esse texto duas semanas depois, foi porque 2015 é também o ano em que eu FUI. Vim morar em San Francisco com a cara, a coragem, um sobretudo e um grande amor. Tenho um grande amigo que diria que a vida nos dá algumas oportunidades de pegar a bola e dizer dá licença que agora sou eu que vou bater esse pênalti. Pois bem, 2015 foi um dia desses.

E a boa notícia é que rolou um ânimo pra voltar o blog com força total. Virar correspondente internacional de mim mesma, agora do lado de cá da Golden Gate - San Francisco é, a partir de agora, a minha nova "Casa". Então vamos descobrir o que a Califórnia tem de tão especial.

Mas, pensando aqui com os botões do meu sobretudo, o que é Casa, afinal? O lugar de cada um? Um lar? Um quadrado ou retângulo, predominantemente de madeira, delimitado geograficamente por 4 paredes pra onde a gente volta no final de cada dia?

E casamento? É morar dentro do outro? É mudar a alma de casa?

Pois que estamos casando muito por aqui. E o grande desafio desse Tsunami chamado 2015 vai ser então aprender a reconhecer e celebrar que todas as plantinhas deram fruto ao mesmo tempo. Então vamos à colheita. Vai ser bom. Vem me visitar.


"Esse privilégio de sentir-se em casa em qualquer lugar pertence apenas aos reis, às prostitutas e aos ladrões". Balzac





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