sábado, 19 de dezembro de 2015

I DON'T KNOW


Começo digitando essas palavras num teclado geladíssimo de uma manhã fria e avassaladoramente bonita em San Francisco. Dias frios, céu azul. Adoro. 


I don't know certamente é uma das primeiras expressões que a gente aprende a falar em Inglês. 11 anos, a vida começando, e se não sabemos nada sobre nós mesmos que dirá saber como expressar esse sentimento numa lingua que não a nossa.

My name is Luana. I don't know what the fuck I am doing here.

Faz quase um mês que a gente chegou. Que fofo, vai fazer um mês justo no Natal - penso aqui sorrindo leve.  Eu e essa minha mania de encontrar a beleza em absolutamente todas as coisas.

Viver 6 horas atrás do Brasil é interessante. São 8 da manhã aqui e todo mundo já decidiu o que é que vai fazer nesse sábado. Eu decidi acordar lentamente e tomar um incrível café da manhã com um Sourdough que comprei anteontem na Tartine, ovinhos mexidos com queijo pra provar a mim mesma a legítima Fornaciari que sou, e o Pumpkin Spice indicado pela Roberta. WOW. A gente precisa de muito pouco pra ser feliz.



Falar isso é muito fácil quando se está em San Francisco, num apartamento com vista 180 graus pro mar do Pacífico. Mas, Jeová, como foi que ralamos pra chegar até aqui. Foram anos me preparando (10? 15? 20?) pros dois meses do Tsunami que foi pra gente se mudar. Hoje, 25 dias depois de botado o pé em San Francisco, acho que pela primeira vez eu sentei pra contemplar o mar. Vai ver o meu dia chegou.

Tenho enfrentado muito essa pergunta essa semana quando explico que viemos por conta do pós-doc do Kiko: Mas o que VOCÊ veio fazer aqui?


A maneira de responder essa pergunta depende muito do interlocutor. Às vezes respondo que vim dar suporte emocional. Outras respondo que vim tomar café. Ou digo que a idéia de vir pra cá foi minha (e daí se foi ou não, afinal?)

Essa semana eu resolvi dizer que estou apreciando a vista. 


Mas é um sabático? Mas você vai trabalhar? Mas vai continuar a sua carreira no Brasil? E você pretende voltar?

Respondo calmamente que sim. Sorrio procurando entender o medo, a surpresa, a inspiração e essa vontade que temos de ir atrás daquilo que nós somos. Foi isso. Vim até aqui entender o porquê.

Que mania é essa que a gente tem de colocar a nossa vida em caixas, afinal.

O ponto alto dessa semana foram duas boas conversas que tive sobre o sentido da vida. Uma delas foi com a Michelle, uma nova amiga maravilhosa e um dos grandes presentes de Natal. Ela teve forças pra suspender uma "bela" carreira nos EUA pra ir atrás do brilho no olho. Jogou tudo pro alto e foi cuidar do coração. Me disse que conhece pessoas que levam uma vida e não conseguem entender de onde é que vem paixão de cada um. Que ela levou 47 anos pra isso e que se eu, aos 36, tive a coragem de PARAR E PENSAR, que eu abrace esse vazio com todas as forças que eu tenho. Acolha e agradeça.




Pra fechar a semana ainda tive , tive um encontro extremamente inspirador com o Steven, que conheci no World Domination Summit. Entre cafés, confissões e vontade de rir e de chorar, falei de todos esses medos. Recebi de volta o dever de casa de assistir novamente o TED abaixo, dica que uma outra grande amiga, Roberta tinha me dado essa semana também... Então vai ver foi um sinal. Tomara que seja um sinal pra você também a ponto de você se dar conta de que merece dedicar 20 minutos da sua vida a assistir esse vídeo.


(coloque pra abrir no youtube e selecione legenda em Português, se achar melhor)

Steven largou tudo, vendeu a casa, guardou as coisas em 2 caixas e resolveu dar a volta ao mundo com um único objetivo na sua frente:

I DON'T KNOW.


"O vazio sempre nos engole. A questão é o que vamos fazer antes disso". Obrigada, Alex Castro, por definir. 


Um comentário:

Luciana Pecego disse...

Parabéns pelo Blog e por sua história linda de vida! E quanta sinceridade. vc passa nas palavras... Estou "quase indo" tbm! Mas tenho uma filha pequena e grandes dúvidas... Seria ótimo poder esclarecer algumas dúvidas minhas com vc :)