quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Preenchendo as lacunas


Ou vai ver tudo começa e termina num cadastro.
Comigo foi assim.
Numa ficha de hotel. 

Profissão? 

Putz. Não sei.
O que preencher na lacuna da profissão quando nenhum rótulo te basta? Publicitária? Produtora? Resolvedora de problemas? 

Foi um dia desses que eu vim pro mundo atrás dessa busca.
Porque foi desde que eu nasci que tô aqui tentando descobrir o que foi que eu vim aqui pra fazer.
Fiz a minha mala com um pouquinho de coragem, um computador, a minha caneta e uma pitada de brilho no olho. 


Foi por culpa de uma pergunta no hotel - o que foi afinal que você nasceu pra fazer? - que eu entendi a entrelinha. Eu não estava fazendo uma viagem, eu estava fazendo uma BUSCA. Destino: Sentido da Vida.



E, tomando um café ensolarado nessa manhã da Califórnia, eu me dou conta de que estamos sempre tentando preencher as lacunas da nossa vida. Às vezes, o que não sabemos é preencher o endereço: Eu tenho tanto amigo nômade dando a volta ao mundo que já não sabe mais onde fica sua casa. E quando o rótulo é o Estado Civil? Taí um rótulo dolorido de mudar.

E a gente vai seguir mudando de casa, de trabalho e de marido sem compreender que de nada adianta mudar a janela enquanto a gente não muda o olhar.




Somos 7 bilhões de lacunas. 


domingo, 23 de outubro de 2016

Aonde a gente morava era um lugar imensamente sem nomeação - Manoel de Barros

Sem mais, lembrei do Kiko, lembrei da Lu. Do meu pai,  dos meus irmãos. Pensei no Gabi e na minha infância.
Pensei na minha mãe no interior e todas as crianças que brincam de pés descalços.

Me embalei nesta quase música, pensando no mato, no mundo, na luz entrando na mata perto daquela cachoeira gelada. Atirei pedra na água pra ver se quicava. Nadei e gritei de frio no primeiro mergulho. Me esquentei com o sol, deitada na pedra.

Lembrei de Manoel de Barros que diz que desde o começo do mundo água e chão se amam e se entram amorosamente e se fecundam.

Invento pra me conhecer...

Na mata correndo ao sol raiar
pelado pintado num só brincar
Suspiro do vento a embalar
na folha deleita para sonhar

menino índio descobre o cantar
Do pássaro azul no céu a voar
cantar e voar
voar e (en)cantar

a rede de pesca para pescar
O arco e flecha para caçar
pés de moleque a saltitar
no brejo do rio a se banhar

menino do mato aprende a nadar
com peixe que pula do rio para o mar

nadar, para amar.
cantar
para o mar

no verde cerrado a luz a entrar
Um feixe sereno para esquentar
o encontro das águas vem iluminar

E o sol nos acolhe, pra nos saudar
Aquece o menino
Vem desabrochar

num voo a voar,
um peixe a nadar

Celeste arrebol a encantar
com sua beleza nos presentear
e o pássaro azul vem assoviar

mensageiro do ar
Vem menino amar

a vida e o mar...
a mata e o luar...

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

É PRIMAVERA!

Essa semana serve para refletir.

Semana em que ouvi anunciado o fim da Filosofia nas Universidades e a volta às aulas de Moral e Cívica, semana em que Temer foi a ONU e países latino americanos saíram em protesto ao ouvir seu nome. Mesma em que meu estado de origem comemora o 20 de setembro e as raízes gaudérias afloram.


Dias de pensar, de maneira ampla, nos imigrantes, nas eleições da Alemanha, até então aberta aos países que pedem ajuda. Nos vizinhos que chegam aos barrancos e vendem esfirras e óculos nas esquinas. No meu mundo particular: duas amigas que partem para se lançar ao mar, ao desconhecido mundo dos encontros consigo e de um horizonte de possibilidades. Momento  em que se alcança ao caminhar rumo a utopia, diria Galeano em suas sábias palavras.


Mas hoje, dia da primavera, há de florescer uma rosa vermelha em meu jardim. Dia em que as flores brotam e se fazem as mais exibidas da natureza.


Hoje, minha avó floresce aos seus oitenta e vários anos de vida. Uma vida que eu diria, bem vivida. De plantar raízes, desbravar cidades, trabalhar menina, de virar mulher política num Brasil de calças.


Escrevo aqui para te dar os parabéns, pela história de anos de luta e amor. Por ter chegado aonde estás hoje. Mulher forte, de unhas coloridas, saia amarela e colares que transbordam. Penso no pouco tempo de vida do Brasil, com seus mais de 500 anos de civilização (?) e te vejo na história, tentando construir este país, com possibilidades mais igualitárias. Utópico? Que bom que você tentou e fez sua caminhada.


Penso nas crianças mudas e telepáticas, nas domésticas, nas minorias, no analfabetismo, penso nos imigrantes. Somos todos seres HUMANOS iguais e com os mesmos direitos de vida.


Penso na nossa história, parida na dizimação de índios, na vinda de colonos igualmente imigrantes que chegaram aqui para desbravar. Porque impomos barreiras e tratamos nossos irmãos como quase lixos jogados embaixo da ponte com tanto a oferecer e tantas histórias pra contar.


Pouco falamos ou estudamos sobre a verdade que nos constitui. Um povo que lê quase nada (40% não lê livros e 30% nunca comprou um) e com 13 milhões de analfabetos. Será isso reflexo de nossa educação, ou uma questão política? Será que o Golpe de Estado que vivemos este ano é reflexo do nosso passado? Não existe governo corrupto em uma nação ética, disse o historiador brasileiro Leandro Karnal. Passamos por pouco tempo de história democrática do Brasil e ainda engatinhamos com as leis falhas da constituição.


Que orgulho saber vó, da sua coragem e que, com sua luta e fé (nunca esqueçamos dela) cresceu e criou a família que queria prover.


No livro Raízes do Brasil (1936) Sergio Buarque de Holanda descreve o povo brasileiro como cordial, que age com o coração e com o sentimento. Um livro que busca mostrar a identidade brasileira com conceitos de patrimonialismo e burocracias dos  novos tempos. Acho que aceitamos fácil ou simplesmente nos deixamos levar para conseguir suportar. Uma vida num país tão belo e proporcionalmente injusto.


Queria eu tentar entender um pouco mais sobre esta origem, sobre a tua, sobre a história que nos constrói. Estamos no momento de desabrochar, ainda num crepúsculo nascer do sol, tempos de florescer e nos tornar mais belos. Mas é difícil nascer, diria a borboleta em seu jardim. Tenho esperança, e disso me admiro. Por ver uma luz e sentir que o desgosto é grande, mas só por isso nos movimentamos e algo bom pode acontecer.


Talvez o tempo passe e só daqui há 20 anos a gente entenda este momento histórico que vivemos. Enquanto a sabedoria, mesmo sem aulas de filosofia, se apresenta no cotidiano e nos mostra o que realmente importa na vida. Um viva para os encontros, para os que lutam, para o amor e para minha vó que nasce hoje em mais um ciclo em torno do sol.


Porque é primavera e as rosas hão de brotar.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Voltar quase sempre é partir para um outro lugar


A mala fechada no canto da sala. Respira, dá o último gole no vinho que sobrou de ontem. Sorri lembrando cada coisa que aconteceu. Meu Deus, esses meses voaram. Respira fundo e sente no ar o inconfundível cheiro de jasmim das Laranjeiras que, como sempre, satisfeita sorri.

Pensando aqui, foi curioso que eu tenha passado esse tempo reaprendendo a namorar esse bairro onde tão feliz eu fui. Eu, que já não moro mais aqui, pude viver de novo a leveza daquela Luana lá de trás: A Luana do chorinho, do pedaço de manga oferecido na feira, do encontro com o amigo dono do cachorro no café da esquina.

A Luana que precisou se divorciar de uma cidade pra perceber o quanto ela precisava viver com o Rio um namorico temporário, de portão de embarque, aquele amor de verão em que a gente um dá pro outro tudo o que temos de melhor. Como naquela que eu escrevia no canto da agenda da escola que dizia que, quando a gente ama mesmo, a gente precisa deixar a pessoa ir embora.

Cidade Maravilhosa, meu bem: Como nos fez bem a coragem de abrir a relação.

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A vitrola da minha cabeça toca Samba do Amor, na voz da Teresa. E nessa hora eu lembro da frase que minha amiga insiste em dizer: "Um Homem nunca entra duas vezes num mesmo Rio".

Que bonito isso da gente poder voltar pra Casa, essa palavra cuja busca permeou cada minuto desse doismiledezesseis. Eu vou pra poder voltar, vou com um gostinho de felicidade tão genuína por todo amor que eu vivi aqui. Fui acolhida pelos meus, pelas minhas, por corações que pulsam junto ao meu em milhas ou em quilômetros.

Obrigada pelos abraços generosos e por todo o [muito] amor envolvido nesses mais de sessenta dias que eu passei aqui.

E hoje eu me despeço sabendo que vou leve, com o gosto na boca de missão cumprida. Foi difícil vir. Foi facílimo estar. E vai ser muito bom voltar.

Até loguinho.



(ouçam)


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Como acabar com os cabelos brancos


Hoje acabei me atrasando para o trabalho

Estava me penteando olhando pro espelho e vi ali
um 
dois
dez
novos fios de cabelo branco
que eu tenho a absoluta certeza de que há 2 meses já não estavam mais ali.

Nada contra os fios, que me dão sabedoria e a graça de quem bem sabe que 37 são os novos 27 - tamo aí, cada vez mais leve, dez anos colocando Saturno no bolso. 

Mas fato é que eles não estavam ali a agora estão.
Me atrasei por isso: De repente, me dei conta de que o mundo inteiro podia esperar pra eu parar pra pensar dias sim, dias não, estou aqui, sobrevivendo cheia de arranhão. 
Demorei porque, ao fechar os olhos pra agradecer cada um deles, acabei perdendo o relógio de vista.
E lembrei daquele texto de embalagem de xampú que acabei não escrevendo meses atrás: A melhor receita pra acabar com os cabelos brancos é mudar a forma que você vê o trabalho que você faz.

Às vezes, basta um novo olho.

Outras, é preciso matar o trabalho.

Foi isso.

Me atrasei. 
Não fui.
Não era eu. 

Eu era mesmo essa aqui.
Livre

E cheia de cabelo branco
Essa aqui, pé na porta. pé na estrada. pé de vento. 

Mão no leme, pé no furacão.
Mais uma vez 
Teimando em ser eu
Todo dia.

Ainda bem.

terça-feira, 5 de julho de 2016

O que você levaria para o fim do mundo?


CENA 1 / INT / NOITE


- Amor, acorda. Tá tocando o alarme de incêndio do prédio. Levanta agora,  que a gente tem que sair correndo daqui. Veste um casaco, que tá frio lá fora.

Não houve tempo para desnorteio. Levantei num pulo e a única coisa que fiz foi obedecer. Escolhi o casaco mais quente ~ nessas horas, recomenda-se estar preparada pra um frio polar ~ e enfiei correndo um tênis no pé.  Foram sete segundos, se muito. Abrimos a porta pro corredor. Nada. Somente um alarme ensurdecedor.

Olhei pra um lado, pro outro. Nada. Dei dois passos de volta pra casa, que eu que não vou sair assim. Bati o olho, vi no canto uma mochila. Enfiei correndo o meu computador. O outro. Nem pensei onde é que tava o carregador: Disso cuidamos depois. Mais seis segundos. Na saída, lembrei da maldita pasta - todo estrangeiro há de ter uma pasta com todos os documentos e mundo pode até pegar fogo, mas eu não vim até aqui para perder a minha identidade. Enfiei correndo a pasta na mochila entreaberta. Dois segundos a mais. Dois segundos a menos.

Saímos correndo de casa.

::

O que você levaria para o fim do mundo diz muito sobre a vida que você escolheu levar.

Esqueci cada um dos meus vestidos e toda essa maquiagem que eu teimo em continuar comprando.
Deixei pra trás todo o (pouco) dinheiro que eu tinha - inclusive o cartão do banco, que não teria sido nada mal lembrar.
Kiko se culpou por ter esquecido do cavaco, mas não pelas varas de pescar.

Dois computadores, todos os passaportes e o nosso amor. Ontem, isso foi tudo o que nos bastou.





PS: O suposto incêndio não foi nada além de uma boa história pra contar e dessa belíssima oportunidade de refletir sobre o que vamos levar daqui. 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Sobre aquela que passa, sobre aquele que senta



Na minha rua tem um mendigo.

Sem perceber, já estava eu começando mais um dia destilando todo o meu preconceito mundo afora.

Somos seres em construção. Me perdoe e me deixe recome
çar o dia. 

::

Na minha rua tem um cara que, ao que me parece, mora na rua. Ou, pelo menos, na minha rua tem um cara que, quando eu passo, está sempre lá. 

[sabe lá o que esse cara pensa de mim, essa mulher que, toda vez que ele senta, passa lá].

Pois acontece que todos os dias em que passo, e lá se vão 6 meses, eu vejo ele sentado ali. Às vezes ele está com um cachorro, às vezes tem um amigo do lado, mas sempre me dá bom dia daquele jeito malandro californiano e me pergunta como é que eu estou.

Eu sempre sorrio e respondo de volta. At
é que hoje passei o dia pensando naquele cara.

O que faz uma pessoa de trinta e poucos anos dar checkout desse mundo cão? Qual será a história daquele cara? O que será de tão grave que esse mundo fez com ele pra que ele tivesse forças pra, ainda que do jeito dele e ainda que diferente do meu, dizer que "foda-se cansei dessa porra toda e tô saindo fora dessa maluquice" ?







E atravessei a rua correndo pra não perder o ônibus que vai me levar ao meu trabalho, onde passarei oito horas do meu dia, cinco dias da minha semana vendendo minha alma, a minha criatividade e o que ainda me resta dos meus sonhos de juventude pra uma empresa que tem 220 mil pessoas fazendo exatamente a mesma coisa que eu nunca jamais em tempo algum esquecendo de bater meu ponto na hora conveniente para poder estar em dia com as minhas obrigações enquanto cidadã.

Porque, né, imagina, passar por uma humilhação dessas.






Cada um de nós está passando por uma batalha sobre a qual você não sabe nada a respeito. Seja gentil. Sempre.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Passando do ponto


Era uma sexta-feira de maio.

Fazia frio, apesar do sol, e a minha alma carioca insistia em errar o figurino, como sempre, em dias assim.

Olhei no relógio e vi que ainda me sobravam 20 minutos pro trabalho, tempo o suficiente pra eu pegar um cafe bem quente pra me aquecer nessa bela manhã de Primavera. Fiz sinal no ônibus, que não parou pra eu descer.

Xinguei duas gerações do maldito motorista e desci no ponto seguinte. Mindfulness, Luana, numa hora dessas. Fui caminhando pelas vielas desconhecidas do centro de San Francisco meio frustrada por ter perdido o café.

Foi então que um pensamento me veio. Eu nunca tinha estado ali e lá estava eu, 6 meses depois de pisar nessa cidade, vendo tudo pela primeira vez.

E me senti feliz por conseguir enxergar a beleza do novo. Me lembrar que, quando a gente acha que já sabe tudo, vem a vida e faz a gente perder o ponto. E que, como diria Clarice, "Perder-se tambem eh caminho" e vai ver só não estávamos distraídos o suficiente pra chegarmos naquele lugar que a gente nunca viu.

Vai ver a gente tinha deixado a vida escapar pelas mãos e virado refém de uma invenção tão sem sentido como o relógio de pulso. Vai ver está um dia bonito hoje. Vai ver a gente ainda tem salvação.
Vai ver meu coração ficou quentinho agora ao perceber de que finalmente, depois de tanta tormenta, meu barco entrou no prumo e o vento tá bom.




Vai vendo.

Por Luana




quinta-feira, 5 de maio de 2016

Precisamos de líderes, não de políticos


Hoje, dia em que Cunha foi afastado do poder e dia 11, dia em que Dilma talvez saia para Temer assumir, penso sobre a política e para que ela serve, afinal?

Nossas vidas estão sendo manipuladas pelas grandes empresas para destruir o planeta. Os pol
íticos que conhecemos, nesta bancada que não nos representa, estão lá por interesse, organizados por companhias que enriquecem a cada dia, a nossos custos. Ganhamos "dinheiros" ou um mero pedaço de papel para trocar por comida, moradia, lazer.

O que realmente precisamos é da troca, cultivar a terra, conhecer lugares, pessoas, o mundo. A consciência humana precisa mudar, para que o amanhã exista para nós. Vamos nos conectar com o nosso corpo. RESPIRA! E percebe.

Segundo Platão, primeiro devemos educar a alma através da música. E a seguir o corpo através da ginástica. Segundo os gregos a educação baseia-se na ginástica, na música e na poesia.

Eu diria para educarmos a alma através da respiração, escuta-la através da música e a seguir o corpo através do Yoga. Assim, diria que, para evoluir, como seres humanos, devemos nos conectar com isso, em coletivos com um mesmo propósito de sobrevivência e depois de felicidade plena. 

Acordamos todos os dias, para fazer as mesmas coisas, repetir tarefas e viver O MESMO. Que bom seria se pudéssemos nos ouvir mais, dançar mais, ler mais, plantar mais. E trocar, distribuir, presentear para vivermos o diferente, conhecer coisas novas, de maneira curiosa, que nos desperte para algo maior.

O planeta existe há bilhões de anos e continuará aqui. A Terra sempre encontra uma forma de se reinventar. O que sofre perigo é espécie humana

Portanto
vamos nos conectar para a mudança. Precisamos de líderes que possam comandar a transformação que estamos vivendo. Nao é mais a Era da Mudança: Estamos numa mudanca de Era. E vamos transformer tudo sem armas, sem ódio, sem guerra. Basta apenas querer e acreditar que UM NOVO mundo é possível.

Seja a diferença. Começa por você. AGORA.


Se tiver 10 minutos para parar e refletir, use 1 para meditar: respire 10 vezes, longamente (dica do meu amigo João Cavalcanti), os outros 8, use para assistir esse vídeo. Mas um livre para você fazer o que quiser ;-)

Por Beca

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Canção do Exílio



Nasci em 15 de março de 1979, uma quinta-feira, dia da posse do Presidente Figueiredo, no apagar das luzes de uma Ditadura Militar que acabou no dia do meu aniversário de 6 anos.

Sempre mexeu muito comigo a questão da Ditadura e hoje sonhei com uma palavra: Pátria. 

E acordei me perguntando que sentimento é esse que nos faz voltar sempre pra casa, ainda que não entendamos muito o porquê. Que não reconheçamos mais os quadros na parede. Que não pertençamos mais nem lá, nem aqui e o nosso coração nos faça querer seguir sempre em frente, ignorando a redondisse da Terra que no final sempre vai nos levar pro lugar de onde viemos. 

Qual o sentido de uma fronteira física em tempos de amores líquidos e valores flexíveis? 

Como posso declarar amor à Pátria nessa sexta-feira de sol quando eu olho, olho e me envergonho de quase tudo que vem dela? Que pátria é essa que segue torturando uma mulher que deu o sangue em nome do seu País e de cada um que lá morava? Até quando segurar-se em seus ideais com tanta força que eles não escapem por entre os dedos? Até quando amar sem ser correspondida?

Quando eu era criança eu achava chiquérrimos aqueles que tinham sido exilados. Eu brincava de faz-de-conta e tinha certeza de que, se preciso fosse, pegaria em armas para lutar pelo meu País.

Hoje eu me sinto assim. Impotente por não poder salvar a minha Pátria ao mesmo tempo que entendendo que antes da gente se arrumar para salvar o mundo, é preciso que a gente vista a nossa capa vermelha e comece a salvando a gente mesma. E aí a gente percebe que pra conseguir a paz dentro de casa, pode ser preciso derrubar as paredes que ela tem.

Lembrei agora da minha Tia, que um dia me disse estar feliz por eleger uma Presidenta que dizia: "Fui torturada, e nunca entreguei os meus".

É isso. Pátria é onde estão os meus.


(Maria) Betânia
Please send me a letter
I wish to know things
Are getting better


Por Luana



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Como um filme pode mudar sua vida - indagações num domingo de chuva

E o debate começa depois do filme com os diretores Jorge Furtado e José Pedro Goulart. Grandes cineastas gaúchos que mudaram, de certa forma, minha vida.
Jorge começou falando que este filme, em 1986, mudou a deles.
Fico imaginando como, iniciado a abertura pós golpe, que O Dia em que Dorival Encarou a Guarda foi feito.
Estes dias escrevi sobre um palavrão que ouvi nas ruas, quando foi preciso gritar alto para tirar Collor do poder e que senti o poder da palavra ao cantar contra alguém acima de mim e de todos.
Lembro de assistir Dorival, talvez na mesma época em que vi Ilha das Flores. Eu tinha 9 anos.
As frases destes dois filmes me impactaram imensamente.
"Milico e Merda pra mim é a mesma coisaaaaa! - num grito alto e raivoso de um Negão deste tamanho!, que fomos descobrir que nem era tão alto assim e precisou de uma "três tabela"pra alcançar nas grades da cela carcerária e que lia histórias infantis com voz doce num programa de uma tv paulista.
Como, saindo deste momento importante, eles tiveram o culhão pra fazer um filme deste. Sabe aquela sensação de sair do cinema com a alma lavada, de ter se contorcido na cadeira e querer gritar ainda mais alto e cuspir junto com Dorival na cara dos que executam ordens sem saber o por que o fazem.
Um filme impecável, com diálogos perfeitos, uma decupagem de tirar o chapéu e atores escolhidos a dedo.
Que bom ter estes professores para minha formação.
Ilha das Flores, com seu primeiro lettering, em letras de um computador arcaico: Deus não existe. Não sei se lembro ou se me contaram que meu avô saiu da sessão assim que o filme começou...
Poder escrever sobre um momento político, e conseguir tirar sensações da plateia que se exalta, ri e aplaude de pé todos os diálogos é de uma sutileza e requinte que sempre vou lembrar.
Jorge ainda comentou que sua filha Alice um dia chegou em casa perguntando indignada se seus pais tinham vivido na Ditadura, ela chocada indagou: vocês viveram naquela época e não fizeram nada?? - Jorge pensativo: fizemos filmes.
Colocaria nesta mesma  lista o belo e imperdível Deu pra ti Anos 70. Um filme de Nelson Nadotti e Giba Assis Brasil, sobre juventude e tudo aquilo que vivemos neste momento de transformações internas e externas desta época. - saudosismos meu? Bairrismo portoalegrense? Uma identificação ou uma projeção do que fui ou queria ter sido?
Deu pra Ti Anos 70
Escrevo isso porque estou aqui, no momento político em que estamos vivendo, pensando nos belos filmes que deverão vir junto com esta revolta e insatisfação política dos dias de hoje.

Neste último Festival de Tiradentes tive a honra de assistir a estreia de Jovens Infelizes ou Um Homem que Grita Não É Um Urso que Dança, vencedor da Mostra Aurora (seção competitiva de longas-metragens) de Thiago B. Mendonça e fiquei feliz em poder estar naquela plateia, exaltada, com aquele tipo de filme que estava sendo mostrado e que, sem dúvida, era o melhor do festival.
Escrevo isso pensando que para alguma coisa boa deve servir este momento vergonhoso que estamos vivendo. Que seja para ir às ruas e gritar o que vem de dentro. Que a gente possa mostrar nas telas o que revolta e está entalado na garganta.

Escrevo apenas para dizer muito obrigada. Somos nós que mudamos com filmes como estes.
Fiquem aqui com Dorival, este homem que só queria tomar um banho, que deve ser visto e mostrado para todos aqueles que querem entender um pouco sobre o Brasil e seus 52% de negros que o habitam. Aproveite! - o deleite é de graça.
O Dia em que Dorival encarou a Guarda

domingo, 24 de abril de 2016

Respira! -que tá tudo bem

Nestes tempos de corrupção, aonde tenho vontade de cuspir 342 vezes, até minha saliva dizer chega, resolvi agir. Não se preocupem, não estou inventando uma máquina de cuspes, apenas resolvi perceber meu corpo e como ele reage a tudo que está a minha volta.

Entender o verdadeiro significado de estar aqui hoje, viva, fazendo parte deste mundo, desta cidade, do lugar que habito. E todos sabem que habitamos dentro de nós, esse corpo frágil que aos poucos vai acumulando energias de coisas boas e ruins que vivemos. Na verdade, acho que as energias que são acumuladas são as que, por alguma razão, ficam conosco como memória. Memória de corpo, sem o fluxo necessário para a expansão como universo... complicado?

Comecei a me escutar (feche os olhos, repire fundo, perceba o ar que entra, tire todos os pensamentos da cabeça, desligue-se dos sons externos) e descobri a energia sutil, algo que fica entre a pele que nos protege e os orgãos que nos fazem funcionar. Alma? Fluxo? Energia?

Não é algo que possa ser racionalizado, então não adianta muito pensar, apenas sentir. E é por isso tão difícil de colocar em palavras ou poder contar para alguém de forma clara e que não me achem "louca". Entendo que, para as pessoas começarem a relacionar o que escrevo como algo irracional, é difícil. Uma vez escrevi sobre a evolução dos seres vivos e cheguei a conclusão (totalmente particular) de que ter cérebro é algo pouco evoluído, porque  usamos da forma errada - os homens transformaram em algo involutivo e destrutivo. Ao invés de percebermos, através da razão, que temos esse corpo sutil que nos leva além, usamos nossos neurônios com coisas inúteis e desimportantes. E é nesse mesmo contexto que percebo que "os opostos se atraem" e são a mesma coisa: o que é bom, também é ruim na mesma proporção e é por isso que prazer e dor andam juntos, o certo e o errado só dependem do ponto de vista, de quem quiser achar o que bem entender.

E é assim que começo a querer sentir esse equilíbrio total para que o corpo funcione, sem energias acumuladas nas arestas. É por isso que medito, bebo água, faço yoga,  repiro, faço reiki, escuto música (de qualidade!), uso pedras,  roupas leves, como pouco (deveria cortar o glúten, a carne e a lactose) e gostaria de fazer todo tipo de ação que possa ajudar a equilibrar essa energia que vive dentro de mim e que me faz viver em harmonia também fora. Um espelho.

E é nesse contexto que acho que o mundo se divide em dois: os que dizem SIM e os que dizem NÃO!
Uma pena eu NÃO estar do lado dos que dizem SIM, por ser uma palavra mais harmônica e que não carrega raivas e rancores e que não ficará acumulado nos cantos da casa deste meu corpo.
Mas nesse momento preciso dizer não. Não ao capitalismo burro, aos políticos corruptos, não ao golpe, a todos aqueles que tentam deixar a balança em desequilíbrio: precisamos da horizontalidade para evoluir ou ficaremos aqui, num ciclo vicioso de decadência, acumulando energias que carregaremos pelo resto de nossa vida. Os que dizem sim, sim, sim! estão atualmente numa inversão de valores, e acho que nosso equilíbrio está ao avesso, e por isso esse pensamento que se vive melhor com MUITO - muito estress, um cancêr formando em seu estômago ou na sua cabeça. Porque é fácil dizer SIM. É difícil dizer não. Dói, custa caro (não estou falando em dinheiro) e talvez seja duro ter que dividir, viver aonde tudo é de todos, sem dono, sem escassez, apenas com abundância. Somos talvez o país mais rico e mais pobre do mundo. Porque nos deixamos roubar, e está tudo bem, porque moramos bem, comemos de tudo, temos escravos que nos servem (já que não temos tempo de cuidar dos nós e de nossos filhos) e temos a ilusão de que as crianças precisam de alguém para seguir e se fechar em quatro paredes para aprender. Entendo precisar de foco e concentração, de facilitadores que mostrarão caminhos possíveis para uma jornada, mas digo com toda certeza que uma cabeça arejada, com uma cachoeira e ar puro, ensina muito mais o que ela bem entender  do que o aprisionamento que a revolução industrial criou, mentes burras, formatadas, para criação de um capitalismo que nos separa ao invés de unir (poderia unir?)

Não sei se temos solução, se pensarmos que não somos únicos, fortes e estamos indo na mesma direção.
Queria deixar o peso do meu corpo, na mesa de um massagista, que tire todas as dores, impurezas, energias duras que carrego em  meus ombros.
Quero a leveza de poder perceber o sutil, no equilíbrio exato, com todos os chakras alinhados, num corpo com a força necessária para movimentar meus 50quilos, por músculos e órgãos que funcionem para sobrevivência em grupo. Não somos individuais, não devemos ser.
Quero viver entre homens que saibam usar a inteligência para o bem, ou que apenas pastem como vacas e não incomodem o mundo e o livre arbítrio. E que existam muitos "cristos" para lutar e que um dia o homem entenda o verdadeiro sentido da vida (explicar o inexplicável), sem crucificar, enforcar ou colocar na fogueira, sem poderes extremos para puxar a guilhotina, com a harmonia que precisamos para ser o AMOR, e que tenhamos a força e a coragem para chegarmos lá. Respira que tá tudo bem.

Por Beca Furtado

quarta-feira, 6 de abril de 2016

O mundo precisa de REIKI


Ficamos alguns dias sem postar porque estamos realmente passando por processos de mudança de vida. E, para isso, o virtual não cabe.

Mas vamos lá, porque também é bom despertar e plantar uma sementinha, nem que de açaí (que acho bem pequena) nesse mundo tão desacreditado e sem escrúpulos dos dias de hoje.
Não sei se realmente vivo numa bolha, se estou conhecendo pessoas diferentes, se meus amigos são os melhores do mundo, se todas as alternativas estão corretas, ou se realmente o planeta está mudando, o Brasil está mudando e vejo uma luzinha no fim do túnel.
Sabemos que, em todos os momentos históricos mundiais, depois do grande apogeu e ápice das civilizações, sempre veio o declínio. Lembro bem dessa aula de história, e da corcunda do camelo - ou seria dromedário? - que chegava ao topo... e caía bruscamente tempos depois. Os anos passam, a linha do gráfico fica estável, e depois de um tempo os homens acordam, tomam um Nescau e começam a crescer de novo. Lembram das cidades arruinadas na Alemanha? Estão todas lá, lindonas, como a segunda maior economia do mundo, segurando com unhas e dentes a Europa e o EURO 4 por 1.
Houvi/li também sobre o momento do nosso país, em que somos jovens na história (já que os índios não contam), ainda naquela euforia adolescente, em que os hormônios a mil se multiplicam e atrapalham sensações e sentimentos que afloram e morrem rapidamente.
Será que conseguimos sobreviver ao caos, sendo tão jovens? Acho que nessa idade, ou cortamos os pulsos ou construímos uma força tamanha que saímos do buraco a escalada, desbravando o lado escuro da força, de pés descalços e feridas ainda não cicatrizadas.
Como eu acredito na força do amor e que meus amigos são f. pra caralho, acho que sobreviveremos. Pelo menos os que devem sobreviver. Deixe que os leões se devorem, que rodem a baiana em pleno planalto. A ditadura já existe, não precisamos de golpe pra saber disso.
Mas não é sobre isso que quero escrever.
Ontem ouvi um grande amigo falar sobre amor: o máximo a você chamar de AMOR é conhecer de fato aquela pessoa. Quando você diz: eu te conheço, é porque entendeu lá no fundo o significado do amor. E nesse mesmo dia ouvi de uma amiga querida à milhas: Conheço até o formato da tua unha. Poderia te desenhar agora, cada dobra do seu corpo. Acho que ela me ama.
Assim como sei de seu cabelo, de sua unha, de como pisa e como engasga com os olhos que lacrimejam e a boca que suavemente morde os lábios.

Escrevo tudo isso pra falar de reiki, ou tentar falar. Porque REI significa "divino" e KI que significa "energia vital". E que conheci esse tal de "reiki" um dia quando caminhava na minha arborizada rua de um Porto um pouco mais Alegre. E aquelas senhoras empostavam as mãos perto do corpo de outras desconhecidas que eram convidadas a sentar-se em cadeiras colocadas no meio da calçada. Eles ficavam ali por alguns minutos. As pessoas saíam felizes e ainda ganhavam uma plantinha em um vasinho.
O que era aquilo que acontecia ali, na minha rua, tão perto e tão longe de mim?
Mas saía alegre/satisfeita ao ver a imagem, e a lembro com um sorriso do canto da face. 
E os anos passaram, e minha casinha continua lá protegida e bem cuidada pela minha irmã e sua energia boa.
E cá estou eu no Rio de Janeiro quando essa força, sem eu mesmo saber muito bem por quê, me chama. E diz para eu estender as mãos e curar. Curar os amigos, os desconhecidos, ou mais próximos, os "a distância", os do outro lado do oceano. Eu imagino uma luz dourada, e faço os símbolos que aprendi, peço proteção, rezo, lembro da face, da unha, do corpo e protejo todos aqueles que necessitam deste cuidado.
E penso que o MUNDO precisa deste amor, de conhecer ao próximo. De saber de fato como as pessoas andam, além do bom dia, tão simples, e mesmo ignorado pela maioria nas filas, caixas de supermercado, elevador.
Quero saber como você está, se precisa de algo. Talvez um abraço?
Li esses dias sobre uma profissão, acho que na China, que se ganha muito bem para abraçar os ursos. Sim, os animais também precisam de carinho no momento do abandono. 
Assim como crianças, que, em orfanatos americanos, e mesmo no Brasil, pedem ajuda para pessoas que tem tempo e um abraço de doação. Cuidar do outro, carinho, afago: é apenas disso que o mundo precisa.
Ser pego no colo, ganhar um pouco de atenção e receber AMOR.
O que ando aprendendo no REIKI é que a energia do mundo, esse DEUS maior, existe na forma que você quiser imaginar e acreditar. E que apenas somos canalizadores dessa energia; para que venha a terra com força e ilumine os seres com a maior frequência que os cientistas possam medir. Sim, porque precisa ser comprovado em laboratório, para que todos acreditem.
Mas enquanto isso, vamos levantar as mãos, abraçar por mais de 10 segundos (experiências científicas comprovam que pessoas que são abraçadas por mais tempo, vivem mais felizes e morrem depois dos 100).
Sim, o mundo tem cura, e não é um papo de quem quer mudar o mundo, é um papo de quem já está mudando.
E começa aqui dentro. Um abraço? 

por Beca Furtado

quarta-feira, 23 de março de 2016

Produzimos sonhos, viagens, filmes,

... e, de quebra, casais felizes e a mudança no mundo.


(na foto, Fábio e Roberta)

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Outro dia, numa dessas voltas pra descobrir o sentido da vida, me fizeram uma pergunta:

- Qual a sua arma secreta?

A gente sempre fica querendo responder tão bonito nessas horas como se a vida fosse uma eterna entrevista de emprego. Disse que eu era boa num monte de coisas. Não soube tangibilizar esse momento de tanta busca.

Acordei com essa foto e a ficha caiu pra mim.

Eu sempre tive o dom de conectar pessoas, e não acho que caiba modéstia aqui. Cada um é bom numa coisa, e eu sou péssima em ficar acordada de madrugada. Eu não sei me alongar direito. Não sei dirigir. Odeio esperar e minha memória já foi bem melhor.

Mas, olha... Vai ver eu sou mesmo ótima em colocar as pessoas certas em contato uma com as outras. Fico pensando que é uma coisa de olhar o próximo. Não há de ter sido a toa que eu tatuei no braço que a vida é a arte do encontro.

Ou vai ver mesmo eu sou uma apaixonada pelo amor.

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Era uma vez uma amiga, lá atrás, estava tendo um dia ruim. E era uma vez um outro amigo que estava vivendo um momento incrível. Eu tinha acabado de encontrar com ele em Vegas quando ela me ligou. Ele estava dando a volta ao mundo e ela estava vendo o mundo girar.

Nem tudo que acontece em Vegas fica em Vegas.

Eu só fiz o encontro acontecer. Eles foram lá e fizeram um filho.

Até hoje eles me agradecem por eu ter proporcionado o encontro dos dois quando, mal sabem eles, eu vejo essa foto e me sinto muito honrada de fazer parte dessa história. Vai ver ela já ia acontecer de qualquer maneira e eu só tive a chance de ser a fada-madrinha.

Vai ver chega uma hora da vida que a gente tem que pegar a bola e dizer pro mundo sair da frente que agora sou eu quem vou bater esse pênalti.

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Foi a segunda vez que eu tive uma oportunidade de fazer algo bonito assim. O primeiro casal segue junto, leve, lindo e feliz.

Vai ver eu sou mesmo boa nisso.

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Quem quer ser o próximo casal da Happiness Factory?



terça-feira, 15 de março de 2016

The time of my life


Portas em automático. Próxima parada: meu travesseiro.

Voltando pra casa depois de uma semana com alguma coisa sussurrando dentro de mim: Voltar é uma ilusão. Depois de passar 4 dias ouvindo que Life Will Never Be The Same, volto pra casa com a sensação de que meu cérebro talvez tenha sido reprogramado e se calhar eu nunca mais vou ser a mesma.

Como é bom voltar pra casa. Como é bom nunca mais voltar pra mesma casa. Que tal seria se continuássemos pulando sem parar até que a euforia se tornasse parte do nosso DNA? Seríamos capazes de fazer esse sangue pular nas veias até que o tique-taque desse meu coração cansado aprendesse a mudar seu compasso? Seria ele capaz de se curar sozinho? E será que eu consigo suportar essa cura?

São muitas as perguntas pulsando aqui e não poderia ser diferente depois de 50 horas de soco da cara, quebra de paradigmas, estado de excelência e a sensação de que sobrevivi a um terremoto 8.4 na Escala Richter. Fui chacoalhada pelo Why Guy. 

Why? What if?

Lembrei do meu professor de Filosofia que teimava em me dizer que as duas mais remotas e frequentes questões da Humanidade talvez sejam “Por que estamos aqui?” e “Para onde vamos?”. Hoje, só me resta triangular essa dúvida. “Como vamos aproveitar o caminho?”, eu poderia acrescentar.

Como eu posso transformar a forma que eu vejo o mundo e tornar mais bonito esse percurso que é meu e de cada uma dessas pessoas que eu vim pro mundo para amar?

E que horas que é a próxima sessão de massagem?


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37 anos em busca do sentido da MINHA vida e acordo hoje com uma única vontade pulsando em meu corpo: Contribuir ainda mais. Movimentar cada célula do meu corpo pra transformar o nosso mundo num lugar melhor de se viver.

E que venham os próximos 37.

domingo, 13 de março de 2016

É possível?

Sei que você está longe e preciso te contar sobre o Brasil.
Sim, muitas coisas estão mudando, não sei se para pior, espero que não. Ou para talvez dar coragem a todos, de diferentes graus de indignação, a gritar alto, sair às ruas, deixar esse lado meio brasileiro arrastado, meio malandro, de achar que tá tudo bem, de lado.
Lembro uma vez, aos 8 anos, quando me perguntaram, para um jornal da cidade- e se o Brasil entrasse em guerra, você lutaria? - e eu, sem pestanejar disse SIM. E lembro da minha raiva e força na pergunta que subiu meu corpo, numa vontade de defender minha pátria, de não querer que nada aconteça por aqui. Hoje não acredito em guerra, não quero armas de nenhum formato, mas certamente estaria à frente pra gritar alto sobre o que me deixa com nó na garganta.
E hoje tive vontade de tirar o mofo da bandeira, deixar quarar ao sol, pra colocar na janela.
E ali, vi uma assinatura forte, um autógrafo meio borrado, que lembro ter sido suado naquele dia de eleger um novo presidente.
Sim, querida amiga, o Brasil mudou. Eu mudei. Muitas coisas ruins aconteceram, mas muitas pessoas, agora, tem um teto ou um prato de comida na mesa.
Não te escrevo pra falar disso e sim da minha vontade hoje de transformar. De defender, de ir fundo, de querer fazer algo.
Ontem li o post do nosso amigo Tissot, no facebook, imaginando um mundo melhor- e se fossemos às ruas ajudar os outros? Imagina milhares saindo as ruas pra fazer o bem ao invés de defender o indefensável ou reclamar do imutável? Imagina que impacto e que mensagem seria dada aos políticos?
E se?
Sei de muita gente que tem saído sim às ruas para ajudar, Luana tem falado muito sobre o "voluntariado" no primeiro mundo. Pessoas que realmente fazem, com força física ou dinheiro. Não importa, apenas tomam as rédeas da própria vida e decidem, por livre e espontânea vontade dar apoio,  transformar a vida, ou pelo menos deixar menos desigual na balança.
Tudo isso pra dizer que minhas mãos estão formigando, pensando que DE VERDADE: podemos fazer diferente.
Olha todas as escolas e "não escolas" novas que estão surgindo. Pais que não aceitam mais esse formato moldado de até então e crianças ocupando a frente e mostrando o que querem de verdade  aprender com a vida que nos é dada.
Olha pra toda essa nova economia, horizontal, que surge aos quatro cantos.
Olha pra essas novas comunidades sustentáveis que muitos já vivem - o lixo não existe.
Essa comunicação através da internet que ganha força, se usada de maneira sábia.
A espiritualidade e tudo que muitos vem buscando pra se tornarem melhores ou pelo menos sem tanto peso ou sem tanta CULPA.
Olha pra beleza deste país, de tantas chacinas e encantos mil. Como não querer lutar?
Precisamos mudar, pelas nossas mãos, fazendo o bem. E isso não é um "papinho"de ONG, como muitos acreditam. E sei que não somos poucos e que queremos muito, juntos, um país melhor.
Precisamos gritar, se for preciso, mas sempre de mãos dadas, por um novo mundo possível.
Vamos?
Eu acredito.

por Beca

segunda-feira, 7 de março de 2016

And the stars look very different today


Um dia, lá atrás, ouvi da Mari, uma amiga gaúcha querida: "Lu, tu vai ver. O que mais vai aparecer é gente querendo conversar contigo. Não passa um dia que eu não receba um convite pra falar da vida e tomar um café. Assim que você passar pro lado de lá, tu vai passar a inspirar as pessoas". (ou algo assim).

Anos se passaram, braços meio cansados de remar e me vejo, hoje, num dia em que tomei 3 cafés virtuais que fizeram toda a diferença na vida que eu quero ter. Cada um à sua maneira, todos foram fundamentais para a desconstrução do pensamento. Só por hoje.


Numa dessas conversas eu vim confirmar que um casal queridíssimo que eu conheci durante o pior trabalho da minha vida chegou à conclusão de viver uma vida com propósito podia ser pra eles também. Faz 7 anos que saí de uma empresa que sigo sem entender porque foi mesmo que eu entrei. Eles, bem mais resilientes que eu, continuaram lá; aprendendo, crescendo e sangrando até que se deram conta de que já tinha dado pra eles. Que se não pegassem a vida pelas mãos agora, isso não aconteceria nunca mais. Seguiriam numa vida "quase" em troca de uma possível aposentadoria no fim da vida.

Pra algumas pessoas isso basta. Pra mim nunca serviu e pelo visto pra eles também não. E foi aí que eles se jogaram. Sem rede. De mãos dadas. Resolveram conquistar o mundo começando pelo quintal de casa.

O que pode ser mais bonito do que isso, olha, eu não sei.

Tem gente que acha importante o contra-cheque no quadro da parede.
Tem gente que coleciona carro.

Não há nada errado em ser feliz do lado de lá. Mas a pessoa escolher viver uma vida mais ou menos em troca de uma falsa estabilidade, olha, é uma pena.

E, durante esse café cheio de sonhos e histórias pra contar, essa amiga me falou que se inspirava muito em mim. Não foi a primeira vez que me falaram isso, mas tem vezes que isso é tão bom de ouvir. Porque, lá atrás, essa mesma amiga foi quem me deu a mão no pior dia da minha carreira, arriscaria eu. Todo mundo tem um divisor de águas. Ela estava no meu e me acolheu quando eu só chorava.

Amiga: Tô te esperando do lado de fora. Que sorte a minha poder retribuir.

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Cantarolo aquela frase do Caetano e sorrio enquanto penso na dor e na delícia da gente ser o que é.

E respiro forte e feliz pensando que nunca estive tão longe de quem eu era ao mesmo tempo que nunca estive tão perto de onde quero estar.

Coloco um Bowie pra ouvir e lembro daquele vídeo tão lindo e tão feliz que eu vi quando ele morreu. Sinto pena de já ter visto o vídeo; seria tão bom sentir aquilo tudo pela primeira vez.

Resolvo que mereço só mais uma e, quando me dou conta, já estou vendo o vídeo pela terceira vez. Assisto e canto junto, leve e feliz, até que sinto o meu lado direito se arrepiar inteiro.

Então só me resta deixar as lágrimas rolarem. Vai ver é verdade mesmo: Precisamos passar por tudo aquilo que passamos pra que estejamos hoje no exato lugar em que a gente deveria estar. Estar aqui, hoje, sentada no fundo dessa sala é, pra mim, a única estadia possível.

E como é bom estar aqui.






Obrigada, Bowie, pelo ponto alto do meu dia. A verdade é que eu nunca tinha me sentido tão viva. Now it's time to leave the capsule if you dare.

E você? Já se arrepiou hoje?


Por Luana

terça-feira, 1 de março de 2016

Economia do Tempo

Um sol de rachar lá fora, uma moleza maior do que se é comum nesses dias quentes que assolam o Rio 40graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos. Será que é dengue? Zica? Chicungunya?
São 6 da manhã e o dia começa quente.
Passei o final de semana na malemolência do corpo e com a cabeça fervilhando com os mais variados pensamentos. Projetos para serem escritos: falar sobre Mariana? Música? Crianças índigo? Educação? Sobre um novo mundo possível? Pessoas invisíveis? Arte.
Ir ao cinema com meu filho, dar um mergulho no mar. E ver GAL.
Gal, minha gente, é F. pra caralhooooooo! Que força de mulher. Quando crescer quero ser Gal, porque Betânia, eu já sou! ;-)
Mas tudo isso pra dizer que li sobre paciência e fico aqui pensando em milhões de assuntos para discorrer.
E aí saio cedo pela rua e vejo não uma, mas cinco mulheres, negras, carregando seus filhos a tira colo, todos dormindo, talvez sendo levados para creches ou para alguém cuidar, para provavelmente irem trabalhar e ficar longe, durante todo o dia, de seus guris.
O que será que será, o que será que me dá.
Numa vontade sem tamanho de ajudar.
E aí penso no Gabriel, nesse mundo cruel, e na vida dura.
E penso nas coisas boas também, e me irrito muito com a maneira BURRA de ganhar dinheiro, se o que precisamos é de AMOR.
Me travo um pouco pra escrever, desanimada, neste sol que arrefece.
E aí vem a chuva forte e derruba tudo, e o calor se vai e o que fica: o pensamento sobre o tempo e sobre ter paciência. E que eu deveria ter ouvido minha mãe, sobre levar o guarda-chuvas.
Caminhando pelas Laranjeiras, essa que já falei no post anterior, me deparo com o Paginário, uma arte nos muros, de páginas coladas, aleatórias, de pessoas que querem dizer algo ou apenas deixar um pedaço de livro que gostou de ler, para ser compartilhado.
Paro, mesmo com a chuva molhando meu cabelo, e leio sobre a Economia do Tempo: "...aproveita todas as horas; serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente. Enquanto adiamos, a vida se vai. Todas as coisas, Lucílio, nos são alheias; só o tempo é nosso."
E aqui, deixo minha deixa. Vou lá passear na chuva, aproveitar o tempo que me resta neste findar de dia, para dançar na poça, cantar para a lua cheia que chega e desfrutar do tempo precioso que temos. Porque a vida é HOJE, um frame, uma fotografia, a luz. Respira, que já passou!
Pega teu filho no colo e rodopia, brinca de amarelinha e ensina pra ele a sorrir, mesmo em dias de chuva.

Por Beca