sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Um pouco mais de paciência


Outro dia minha mãe me contou que eu sempre quis ir embora. Eu tinha 5 anos, diz ela, e arrumava minha malinha pra dominar o mundo indo morar em Nova York.

Aos 19, passei uns meses morando na cidade. Deu tudo errado e voltei pra casa com o rabo entre as pernas. Mas é difícil ser infeliz em Nova York e não tinha mais volta; o bicho carpinteiro que faz a gente seguir viagem já tinha me picado há tempos atrás.

Quis o destino que mais de 20 anos depois do sonho inicial eu viesse morar em San Francisco, numa dessas peças que a vida prega na gente só pra deixar claro que relaxa, nada está sob controle. E hoje me vejo aqui, numa sexta-feira de fog, feliz da vida e certa de que a Califórnia nasceu pra mim.

Talvez a maior transformação na minha vida desde que fui em busca de uma vida com mais significado tenha sido finalmente ter um controle maior do meu TEMPO. Não é fácil e, definitivamente, nada barato. Mas eu acredito muito na teoria dos dois pés: Já que, graças a deus não nascemos uma árvore, se você não estiver feliz onde está, vire seu corpo 30º à esquerda, coloque seus pezinhos um após o outro, aponta pra fé e rema.




E quem diria que eu, que sempre estive de malas prontas pra dar a volta ao mundo assim que o tédio batesse na porta, mal sabia que o grande desafio seria aprender a ESTAR pro meu coração ter um pouco mais de calma.

Ainda falta tanto que sinto um misto de medo, preguiça, excitação e euforia ao pegar essa responsabilidade de ser feliz pela mão. Ainda que não saibamos muito bem do dia de amanhã - e quem é que está 100% certo, afinal?

E, vamos falar sério: Qual é A PIOR coisa que pode te acontecer caso você largue tudo pra ir atrás do seu sonho? Imaginou? Agora me conta: Você aguenta?

E viver uma vida um pouco medíocre, mas quase incrível? Por quantos minutos mais você consegue se enganar?

Lembro de uma projeto que pensamos lá atrás, Beca e eu, em que ouvimos uma frase que me tocou profundamente: "eu nunca trabalhei tanto e nunca tive tão pouco dinheiro na minha vida, mas eu nunca fui tão feliz!". Me deu um riso de canto de boca leve, cansado, dolorido e libertador.

Porque tem pessoas que atravessam a vida sem nunca mexer nesse vespeiro. Mas, meu amigo, uma vez que você coloca a maozinha lá, não dá pra esquecer tudo aquilo que se viu. É como uma grande uma amiga uma vez falou: Aquela vida que você levava antes virou uma estrada de areia movediça que vai se dissolvendo a cada passo que você dá em direção à vida que você quer ter. Podemos estar no meio do caminho, mas uma coisa é certa: Não estar mais numa vida que você não queria tem sabor de suco de manga colhida no pé.




É preciso muito foco, calma e de resto é inspira-expira com uma coragem que não te permita parar. Não é pra todo mundo, mas, se você leu até aqui, quem sabe também seja pra você.

"Somos poucos, mas estamos nos organizando", é o que dizemos por aqui.

E, quando se sentir perdido no meio de toda essa confusão, volta lá em cima e lê tudo de novo ouvindo isso aqui.

Por Luana

2 comentários:

mãe marilisse disse...

Oi Amor.
Você tem a capacidade de me tirar o fôlego, de me fazer rir/chorar com as coisas que "me diz".
Obrigada por ser essa filha que acorda cedo e sacode a mãe pro viver.
Assim vamos, assim somos.
Te li e ouvi Lenine até o final.
A vida é tão rara!...
Te amo.
<3

mãe marilisse disse...

te amo