quarta-feira, 23 de março de 2016

Produzimos sonhos, viagens, filmes,

... e, de quebra, casais felizes e a mudança no mundo.


(na foto, Fábio e Roberta)

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Outro dia, numa dessas voltas pra descobrir o sentido da vida, me fizeram uma pergunta:

- Qual a sua arma secreta?

A gente sempre fica querendo responder tão bonito nessas horas como se a vida fosse uma eterna entrevista de emprego. Disse que eu era boa num monte de coisas. Não soube tangibilizar esse momento de tanta busca.

Acordei com essa foto e a ficha caiu pra mim.

Eu sempre tive o dom de conectar pessoas, e não acho que caiba modéstia aqui. Cada um é bom numa coisa, e eu sou péssima em ficar acordada de madrugada. Eu não sei me alongar direito. Não sei dirigir. Odeio esperar e minha memória já foi bem melhor.

Mas, olha... Vai ver eu sou mesmo ótima em colocar as pessoas certas em contato uma com as outras. Fico pensando que é uma coisa de olhar o próximo. Não há de ter sido a toa que eu tatuei no braço que a vida é a arte do encontro.

Ou vai ver mesmo eu sou uma apaixonada pelo amor.

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Era uma vez uma amiga, lá atrás, estava tendo um dia ruim. E era uma vez um outro amigo que estava vivendo um momento incrível. Eu tinha acabado de encontrar com ele em Vegas quando ela me ligou. Ele estava dando a volta ao mundo e ela estava vendo o mundo girar.

Nem tudo que acontece em Vegas fica em Vegas.

Eu só fiz o encontro acontecer. Eles foram lá e fizeram um filho.

Até hoje eles me agradecem por eu ter proporcionado o encontro dos dois quando, mal sabem eles, eu vejo essa foto e me sinto muito honrada de fazer parte dessa história. Vai ver ela já ia acontecer de qualquer maneira e eu só tive a chance de ser a fada-madrinha.

Vai ver chega uma hora da vida que a gente tem que pegar a bola e dizer pro mundo sair da frente que agora sou eu quem vou bater esse pênalti.

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Foi a segunda vez que eu tive uma oportunidade de fazer algo bonito assim. O primeiro casal segue junto, leve, lindo e feliz.

Vai ver eu sou mesmo boa nisso.

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Quem quer ser o próximo casal da Happiness Factory?



terça-feira, 15 de março de 2016

The time of my life


Portas em automático. Próxima parada: meu travesseiro.

Voltando pra casa depois de uma semana com alguma coisa sussurrando dentro de mim: Voltar é uma ilusão. Depois de passar 4 dias ouvindo que Life Will Never Be The Same, volto pra casa com a sensação de que meu cérebro talvez tenha sido reprogramado e se calhar eu nunca mais vou ser a mesma.

Como é bom voltar pra casa. Como é bom nunca mais voltar pra mesma casa. Que tal seria se continuássemos pulando sem parar até que a euforia se tornasse parte do nosso DNA? Seríamos capazes de fazer esse sangue pular nas veias até que o tique-taque desse meu coração cansado aprendesse a mudar seu compasso? Seria ele capaz de se curar sozinho? E será que eu consigo suportar essa cura?

São muitas as perguntas pulsando aqui e não poderia ser diferente depois de 50 horas de soco da cara, quebra de paradigmas, estado de excelência e a sensação de que sobrevivi a um terremoto 8.4 na Escala Richter. Fui chacoalhada pelo Why Guy. 

Why? What if?

Lembrei do meu professor de Filosofia que teimava em me dizer que as duas mais remotas e frequentes questões da Humanidade talvez sejam “Por que estamos aqui?” e “Para onde vamos?”. Hoje, só me resta triangular essa dúvida. “Como vamos aproveitar o caminho?”, eu poderia acrescentar.

Como eu posso transformar a forma que eu vejo o mundo e tornar mais bonito esse percurso que é meu e de cada uma dessas pessoas que eu vim pro mundo para amar?

E que horas que é a próxima sessão de massagem?


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37 anos em busca do sentido da MINHA vida e acordo hoje com uma única vontade pulsando em meu corpo: Contribuir ainda mais. Movimentar cada célula do meu corpo pra transformar o nosso mundo num lugar melhor de se viver.

E que venham os próximos 37.

domingo, 13 de março de 2016

É possível?

Sei que você está longe e preciso te contar sobre o Brasil.
Sim, muitas coisas estão mudando, não sei se para pior, espero que não. Ou para talvez dar coragem a todos, de diferentes graus de indignação, a gritar alto, sair às ruas, deixar esse lado meio brasileiro arrastado, meio malandro, de achar que tá tudo bem, de lado.
Lembro uma vez, aos 8 anos, quando me perguntaram, para um jornal da cidade- e se o Brasil entrasse em guerra, você lutaria? - e eu, sem pestanejar disse SIM. E lembro da minha raiva e força na pergunta que subiu meu corpo, numa vontade de defender minha pátria, de não querer que nada aconteça por aqui. Hoje não acredito em guerra, não quero armas de nenhum formato, mas certamente estaria à frente pra gritar alto sobre o que me deixa com nó na garganta.
E hoje tive vontade de tirar o mofo da bandeira, deixar quarar ao sol, pra colocar na janela.
E ali, vi uma assinatura forte, um autógrafo meio borrado, que lembro ter sido suado naquele dia de eleger um novo presidente.
Sim, querida amiga, o Brasil mudou. Eu mudei. Muitas coisas ruins aconteceram, mas muitas pessoas, agora, tem um teto ou um prato de comida na mesa.
Não te escrevo pra falar disso e sim da minha vontade hoje de transformar. De defender, de ir fundo, de querer fazer algo.
Ontem li o post do nosso amigo Tissot, no facebook, imaginando um mundo melhor- e se fossemos às ruas ajudar os outros? Imagina milhares saindo as ruas pra fazer o bem ao invés de defender o indefensável ou reclamar do imutável? Imagina que impacto e que mensagem seria dada aos políticos?
E se?
Sei de muita gente que tem saído sim às ruas para ajudar, Luana tem falado muito sobre o "voluntariado" no primeiro mundo. Pessoas que realmente fazem, com força física ou dinheiro. Não importa, apenas tomam as rédeas da própria vida e decidem, por livre e espontânea vontade dar apoio,  transformar a vida, ou pelo menos deixar menos desigual na balança.
Tudo isso pra dizer que minhas mãos estão formigando, pensando que DE VERDADE: podemos fazer diferente.
Olha todas as escolas e "não escolas" novas que estão surgindo. Pais que não aceitam mais esse formato moldado de até então e crianças ocupando a frente e mostrando o que querem de verdade  aprender com a vida que nos é dada.
Olha pra toda essa nova economia, horizontal, que surge aos quatro cantos.
Olha pra essas novas comunidades sustentáveis que muitos já vivem - o lixo não existe.
Essa comunicação através da internet que ganha força, se usada de maneira sábia.
A espiritualidade e tudo que muitos vem buscando pra se tornarem melhores ou pelo menos sem tanto peso ou sem tanta CULPA.
Olha pra beleza deste país, de tantas chacinas e encantos mil. Como não querer lutar?
Precisamos mudar, pelas nossas mãos, fazendo o bem. E isso não é um "papinho"de ONG, como muitos acreditam. E sei que não somos poucos e que queremos muito, juntos, um país melhor.
Precisamos gritar, se for preciso, mas sempre de mãos dadas, por um novo mundo possível.
Vamos?
Eu acredito.

por Beca

segunda-feira, 7 de março de 2016

And the stars look very different today


Um dia, lá atrás, ouvi da Mari, uma amiga gaúcha querida: "Lu, tu vai ver. O que mais vai aparecer é gente querendo conversar contigo. Não passa um dia que eu não receba um convite pra falar da vida e tomar um café. Assim que você passar pro lado de lá, tu vai passar a inspirar as pessoas". (ou algo assim).

Anos se passaram, braços meio cansados de remar e me vejo, hoje, num dia em que tomei 3 cafés virtuais que fizeram toda a diferença na vida que eu quero ter. Cada um à sua maneira, todos foram fundamentais para a desconstrução do pensamento. Só por hoje.


Numa dessas conversas eu vim confirmar que um casal queridíssimo que eu conheci durante o pior trabalho da minha vida chegou à conclusão de viver uma vida com propósito podia ser pra eles também. Faz 7 anos que saí de uma empresa que sigo sem entender porque foi mesmo que eu entrei. Eles, bem mais resilientes que eu, continuaram lá; aprendendo, crescendo e sangrando até que se deram conta de que já tinha dado pra eles. Que se não pegassem a vida pelas mãos agora, isso não aconteceria nunca mais. Seguiriam numa vida "quase" em troca de uma possível aposentadoria no fim da vida.

Pra algumas pessoas isso basta. Pra mim nunca serviu e pelo visto pra eles também não. E foi aí que eles se jogaram. Sem rede. De mãos dadas. Resolveram conquistar o mundo começando pelo quintal de casa.

O que pode ser mais bonito do que isso, olha, eu não sei.

Tem gente que acha importante o contra-cheque no quadro da parede.
Tem gente que coleciona carro.

Não há nada errado em ser feliz do lado de lá. Mas a pessoa escolher viver uma vida mais ou menos em troca de uma falsa estabilidade, olha, é uma pena.

E, durante esse café cheio de sonhos e histórias pra contar, essa amiga me falou que se inspirava muito em mim. Não foi a primeira vez que me falaram isso, mas tem vezes que isso é tão bom de ouvir. Porque, lá atrás, essa mesma amiga foi quem me deu a mão no pior dia da minha carreira, arriscaria eu. Todo mundo tem um divisor de águas. Ela estava no meu e me acolheu quando eu só chorava.

Amiga: Tô te esperando do lado de fora. Que sorte a minha poder retribuir.

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Cantarolo aquela frase do Caetano e sorrio enquanto penso na dor e na delícia da gente ser o que é.

E respiro forte e feliz pensando que nunca estive tão longe de quem eu era ao mesmo tempo que nunca estive tão perto de onde quero estar.

Coloco um Bowie pra ouvir e lembro daquele vídeo tão lindo e tão feliz que eu vi quando ele morreu. Sinto pena de já ter visto o vídeo; seria tão bom sentir aquilo tudo pela primeira vez.

Resolvo que mereço só mais uma e, quando me dou conta, já estou vendo o vídeo pela terceira vez. Assisto e canto junto, leve e feliz, até que sinto o meu lado direito se arrepiar inteiro.

Então só me resta deixar as lágrimas rolarem. Vai ver é verdade mesmo: Precisamos passar por tudo aquilo que passamos pra que estejamos hoje no exato lugar em que a gente deveria estar. Estar aqui, hoje, sentada no fundo dessa sala é, pra mim, a única estadia possível.

E como é bom estar aqui.






Obrigada, Bowie, pelo ponto alto do meu dia. A verdade é que eu nunca tinha me sentido tão viva. Now it's time to leave the capsule if you dare.

E você? Já se arrepiou hoje?


Por Luana

terça-feira, 1 de março de 2016

Economia do Tempo

Um sol de rachar lá fora, uma moleza maior do que se é comum nesses dias quentes que assolam o Rio 40graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos. Será que é dengue? Zica? Chicungunya?
São 6 da manhã e o dia começa quente.
Passei o final de semana na malemolência do corpo e com a cabeça fervilhando com os mais variados pensamentos. Projetos para serem escritos: falar sobre Mariana? Música? Crianças índigo? Educação? Sobre um novo mundo possível? Pessoas invisíveis? Arte.
Ir ao cinema com meu filho, dar um mergulho no mar. E ver GAL.
Gal, minha gente, é F. pra caralhooooooo! Que força de mulher. Quando crescer quero ser Gal, porque Betânia, eu já sou! ;-)
Mas tudo isso pra dizer que li sobre paciência e fico aqui pensando em milhões de assuntos para discorrer.
E aí saio cedo pela rua e vejo não uma, mas cinco mulheres, negras, carregando seus filhos a tira colo, todos dormindo, talvez sendo levados para creches ou para alguém cuidar, para provavelmente irem trabalhar e ficar longe, durante todo o dia, de seus guris.
O que será que será, o que será que me dá.
Numa vontade sem tamanho de ajudar.
E aí penso no Gabriel, nesse mundo cruel, e na vida dura.
E penso nas coisas boas também, e me irrito muito com a maneira BURRA de ganhar dinheiro, se o que precisamos é de AMOR.
Me travo um pouco pra escrever, desanimada, neste sol que arrefece.
E aí vem a chuva forte e derruba tudo, e o calor se vai e o que fica: o pensamento sobre o tempo e sobre ter paciência. E que eu deveria ter ouvido minha mãe, sobre levar o guarda-chuvas.
Caminhando pelas Laranjeiras, essa que já falei no post anterior, me deparo com o Paginário, uma arte nos muros, de páginas coladas, aleatórias, de pessoas que querem dizer algo ou apenas deixar um pedaço de livro que gostou de ler, para ser compartilhado.
Paro, mesmo com a chuva molhando meu cabelo, e leio sobre a Economia do Tempo: "...aproveita todas as horas; serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente. Enquanto adiamos, a vida se vai. Todas as coisas, Lucílio, nos são alheias; só o tempo é nosso."
E aqui, deixo minha deixa. Vou lá passear na chuva, aproveitar o tempo que me resta neste findar de dia, para dançar na poça, cantar para a lua cheia que chega e desfrutar do tempo precioso que temos. Porque a vida é HOJE, um frame, uma fotografia, a luz. Respira, que já passou!
Pega teu filho no colo e rodopia, brinca de amarelinha e ensina pra ele a sorrir, mesmo em dias de chuva.

Por Beca