segunda-feira, 7 de março de 2016

And the stars look very different today


Um dia, lá atrás, ouvi da Mari, uma amiga gaúcha querida: "Lu, tu vai ver. O que mais vai aparecer é gente querendo conversar contigo. Não passa um dia que eu não receba um convite pra falar da vida e tomar um café. Assim que você passar pro lado de lá, tu vai passar a inspirar as pessoas". (ou algo assim).

Anos se passaram, braços meio cansados de remar e me vejo, hoje, num dia em que tomei 3 cafés virtuais que fizeram toda a diferença na vida que eu quero ter. Cada um à sua maneira, todos foram fundamentais para a desconstrução do pensamento. Só por hoje.


Numa dessas conversas eu vim confirmar que um casal queridíssimo que eu conheci durante o pior trabalho da minha vida chegou à conclusão de viver uma vida com propósito podia ser pra eles também. Faz 7 anos que saí de uma empresa que sigo sem entender porque foi mesmo que eu entrei. Eles, bem mais resilientes que eu, continuaram lá; aprendendo, crescendo e sangrando até que se deram conta de que já tinha dado pra eles. Que se não pegassem a vida pelas mãos agora, isso não aconteceria nunca mais. Seguiriam numa vida "quase" em troca de uma possível aposentadoria no fim da vida.

Pra algumas pessoas isso basta. Pra mim nunca serviu e pelo visto pra eles também não. E foi aí que eles se jogaram. Sem rede. De mãos dadas. Resolveram conquistar o mundo começando pelo quintal de casa.

O que pode ser mais bonito do que isso, olha, eu não sei.

Tem gente que acha importante o contra-cheque no quadro da parede.
Tem gente que coleciona carro.

Não há nada errado em ser feliz do lado de lá. Mas a pessoa escolher viver uma vida mais ou menos em troca de uma falsa estabilidade, olha, é uma pena.

E, durante esse café cheio de sonhos e histórias pra contar, essa amiga me falou que se inspirava muito em mim. Não foi a primeira vez que me falaram isso, mas tem vezes que isso é tão bom de ouvir. Porque, lá atrás, essa mesma amiga foi quem me deu a mão no pior dia da minha carreira, arriscaria eu. Todo mundo tem um divisor de águas. Ela estava no meu e me acolheu quando eu só chorava.

Amiga: Tô te esperando do lado de fora. Que sorte a minha poder retribuir.

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Cantarolo aquela frase do Caetano e sorrio enquanto penso na dor e na delícia da gente ser o que é.

E respiro forte e feliz pensando que nunca estive tão longe de quem eu era ao mesmo tempo que nunca estive tão perto de onde quero estar.

Coloco um Bowie pra ouvir e lembro daquele vídeo tão lindo e tão feliz que eu vi quando ele morreu. Sinto pena de já ter visto o vídeo; seria tão bom sentir aquilo tudo pela primeira vez.

Resolvo que mereço só mais uma e, quando me dou conta, já estou vendo o vídeo pela terceira vez. Assisto e canto junto, leve e feliz, até que sinto o meu lado direito se arrepiar inteiro.

Então só me resta deixar as lágrimas rolarem. Vai ver é verdade mesmo: Precisamos passar por tudo aquilo que passamos pra que estejamos hoje no exato lugar em que a gente deveria estar. Estar aqui, hoje, sentada no fundo dessa sala é, pra mim, a única estadia possível.

E como é bom estar aqui.






Obrigada, Bowie, pelo ponto alto do meu dia. A verdade é que eu nunca tinha me sentido tão viva. Now it's time to leave the capsule if you dare.

E você? Já se arrepiou hoje?


Por Luana

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