terça-feira, 1 de março de 2016

Economia do Tempo

Um sol de rachar lá fora, uma moleza maior do que se é comum nesses dias quentes que assolam o Rio 40graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos. Será que é dengue? Zica? Chicungunya?
São 6 da manhã e o dia começa quente.
Passei o final de semana na malemolência do corpo e com a cabeça fervilhando com os mais variados pensamentos. Projetos para serem escritos: falar sobre Mariana? Música? Crianças índigo? Educação? Sobre um novo mundo possível? Pessoas invisíveis? Arte.
Ir ao cinema com meu filho, dar um mergulho no mar. E ver GAL.
Gal, minha gente, é F. pra caralhooooooo! Que força de mulher. Quando crescer quero ser Gal, porque Betânia, eu já sou! ;-)
Mas tudo isso pra dizer que li sobre paciência e fico aqui pensando em milhões de assuntos para discorrer.
E aí saio cedo pela rua e vejo não uma, mas cinco mulheres, negras, carregando seus filhos a tira colo, todos dormindo, talvez sendo levados para creches ou para alguém cuidar, para provavelmente irem trabalhar e ficar longe, durante todo o dia, de seus guris.
O que será que será, o que será que me dá.
Numa vontade sem tamanho de ajudar.
E aí penso no Gabriel, nesse mundo cruel, e na vida dura.
E penso nas coisas boas também, e me irrito muito com a maneira BURRA de ganhar dinheiro, se o que precisamos é de AMOR.
Me travo um pouco pra escrever, desanimada, neste sol que arrefece.
E aí vem a chuva forte e derruba tudo, e o calor se vai e o que fica: o pensamento sobre o tempo e sobre ter paciência. E que eu deveria ter ouvido minha mãe, sobre levar o guarda-chuvas.
Caminhando pelas Laranjeiras, essa que já falei no post anterior, me deparo com o Paginário, uma arte nos muros, de páginas coladas, aleatórias, de pessoas que querem dizer algo ou apenas deixar um pedaço de livro que gostou de ler, para ser compartilhado.
Paro, mesmo com a chuva molhando meu cabelo, e leio sobre a Economia do Tempo: "...aproveita todas as horas; serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente. Enquanto adiamos, a vida se vai. Todas as coisas, Lucílio, nos são alheias; só o tempo é nosso."
E aqui, deixo minha deixa. Vou lá passear na chuva, aproveitar o tempo que me resta neste findar de dia, para dançar na poça, cantar para a lua cheia que chega e desfrutar do tempo precioso que temos. Porque a vida é HOJE, um frame, uma fotografia, a luz. Respira, que já passou!
Pega teu filho no colo e rodopia, brinca de amarelinha e ensina pra ele a sorrir, mesmo em dias de chuva.

Por Beca

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