domingo, 24 de abril de 2016

Respira! -que tá tudo bem

Nestes tempos de corrupção, aonde tenho vontade de cuspir 342 vezes, até minha saliva dizer chega, resolvi agir. Não se preocupem, não estou inventando uma máquina de cuspes, apenas resolvi perceber meu corpo e como ele reage a tudo que está a minha volta.

Entender o verdadeiro significado de estar aqui hoje, viva, fazendo parte deste mundo, desta cidade, do lugar que habito. E todos sabem que habitamos dentro de nós, esse corpo frágil que aos poucos vai acumulando energias de coisas boas e ruins que vivemos. Na verdade, acho que as energias que são acumuladas são as que, por alguma razão, ficam conosco como memória. Memória de corpo, sem o fluxo necessário para a expansão como universo... complicado?

Comecei a me escutar (feche os olhos, repire fundo, perceba o ar que entra, tire todos os pensamentos da cabeça, desligue-se dos sons externos) e descobri a energia sutil, algo que fica entre a pele que nos protege e os orgãos que nos fazem funcionar. Alma? Fluxo? Energia?

Não é algo que possa ser racionalizado, então não adianta muito pensar, apenas sentir. E é por isso tão difícil de colocar em palavras ou poder contar para alguém de forma clara e que não me achem "louca". Entendo que, para as pessoas começarem a relacionar o que escrevo como algo irracional, é difícil. Uma vez escrevi sobre a evolução dos seres vivos e cheguei a conclusão (totalmente particular) de que ter cérebro é algo pouco evoluído, porque  usamos da forma errada - os homens transformaram em algo involutivo e destrutivo. Ao invés de percebermos, através da razão, que temos esse corpo sutil que nos leva além, usamos nossos neurônios com coisas inúteis e desimportantes. E é nesse mesmo contexto que percebo que "os opostos se atraem" e são a mesma coisa: o que é bom, também é ruim na mesma proporção e é por isso que prazer e dor andam juntos, o certo e o errado só dependem do ponto de vista, de quem quiser achar o que bem entender.

E é assim que começo a querer sentir esse equilíbrio total para que o corpo funcione, sem energias acumuladas nas arestas. É por isso que medito, bebo água, faço yoga,  repiro, faço reiki, escuto música (de qualidade!), uso pedras,  roupas leves, como pouco (deveria cortar o glúten, a carne e a lactose) e gostaria de fazer todo tipo de ação que possa ajudar a equilibrar essa energia que vive dentro de mim e que me faz viver em harmonia também fora. Um espelho.

E é nesse contexto que acho que o mundo se divide em dois: os que dizem SIM e os que dizem NÃO!
Uma pena eu NÃO estar do lado dos que dizem SIM, por ser uma palavra mais harmônica e que não carrega raivas e rancores e que não ficará acumulado nos cantos da casa deste meu corpo.
Mas nesse momento preciso dizer não. Não ao capitalismo burro, aos políticos corruptos, não ao golpe, a todos aqueles que tentam deixar a balança em desequilíbrio: precisamos da horizontalidade para evoluir ou ficaremos aqui, num ciclo vicioso de decadência, acumulando energias que carregaremos pelo resto de nossa vida. Os que dizem sim, sim, sim! estão atualmente numa inversão de valores, e acho que nosso equilíbrio está ao avesso, e por isso esse pensamento que se vive melhor com MUITO - muito estress, um cancêr formando em seu estômago ou na sua cabeça. Porque é fácil dizer SIM. É difícil dizer não. Dói, custa caro (não estou falando em dinheiro) e talvez seja duro ter que dividir, viver aonde tudo é de todos, sem dono, sem escassez, apenas com abundância. Somos talvez o país mais rico e mais pobre do mundo. Porque nos deixamos roubar, e está tudo bem, porque moramos bem, comemos de tudo, temos escravos que nos servem (já que não temos tempo de cuidar dos nós e de nossos filhos) e temos a ilusão de que as crianças precisam de alguém para seguir e se fechar em quatro paredes para aprender. Entendo precisar de foco e concentração, de facilitadores que mostrarão caminhos possíveis para uma jornada, mas digo com toda certeza que uma cabeça arejada, com uma cachoeira e ar puro, ensina muito mais o que ela bem entender  do que o aprisionamento que a revolução industrial criou, mentes burras, formatadas, para criação de um capitalismo que nos separa ao invés de unir (poderia unir?)

Não sei se temos solução, se pensarmos que não somos únicos, fortes e estamos indo na mesma direção.
Queria deixar o peso do meu corpo, na mesa de um massagista, que tire todas as dores, impurezas, energias duras que carrego em  meus ombros.
Quero a leveza de poder perceber o sutil, no equilíbrio exato, com todos os chakras alinhados, num corpo com a força necessária para movimentar meus 50quilos, por músculos e órgãos que funcionem para sobrevivência em grupo. Não somos individuais, não devemos ser.
Quero viver entre homens que saibam usar a inteligência para o bem, ou que apenas pastem como vacas e não incomodem o mundo e o livre arbítrio. E que existam muitos "cristos" para lutar e que um dia o homem entenda o verdadeiro sentido da vida (explicar o inexplicável), sem crucificar, enforcar ou colocar na fogueira, sem poderes extremos para puxar a guilhotina, com a harmonia que precisamos para ser o AMOR, e que tenhamos a força e a coragem para chegarmos lá. Respira que tá tudo bem.

Por Beca Furtado

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