sexta-feira, 20 de maio de 2016

Passando do ponto


Era uma sexta-feira de maio.

Fazia frio, apesar do sol, e a minha alma carioca insistia em errar o figurino, como sempre, em dias assim.

Olhei no relógio e vi que ainda me sobravam 20 minutos pro trabalho, tempo o suficiente pra eu pegar um cafe bem quente pra me aquecer nessa bela manhã de Primavera. Fiz sinal no ônibus, que não parou pra eu descer.

Xinguei duas gerações do maldito motorista e desci no ponto seguinte. Mindfulness, Luana, numa hora dessas. Fui caminhando pelas vielas desconhecidas do centro de San Francisco meio frustrada por ter perdido o café.

Foi então que um pensamento me veio. Eu nunca tinha estado ali e lá estava eu, 6 meses depois de pisar nessa cidade, vendo tudo pela primeira vez.

E me senti feliz por conseguir enxergar a beleza do novo. Me lembrar que, quando a gente acha que já sabe tudo, vem a vida e faz a gente perder o ponto. E que, como diria Clarice, "Perder-se tambem eh caminho" e vai ver só não estávamos distraídos o suficiente pra chegarmos naquele lugar que a gente nunca viu.

Vai ver a gente tinha deixado a vida escapar pelas mãos e virado refém de uma invenção tão sem sentido como o relógio de pulso. Vai ver está um dia bonito hoje. Vai ver a gente ainda tem salvação.
Vai ver meu coração ficou quentinho agora ao perceber de que finalmente, depois de tanta tormenta, meu barco entrou no prumo e o vento tá bom.




Vai vendo.

Por Luana




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