quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Voltar quase sempre é partir para um outro lugar


A mala fechada no canto da sala. Respira, dá o último gole no vinho que sobrou de ontem. Sorri lembrando cada coisa que aconteceu. Meu Deus, esses meses voaram. Respira fundo e sente no ar o inconfundível cheiro de jasmim das Laranjeiras que, como sempre, satisfeita sorri.

Pensando aqui, foi curioso que eu tenha passado esse tempo reaprendendo a namorar esse bairro onde tão feliz eu fui. Eu, que já não moro mais aqui, pude viver de novo a leveza daquela Luana lá de trás: A Luana do chorinho, do pedaço de manga oferecido na feira, do encontro com o amigo dono do cachorro no café da esquina.

A Luana que precisou se divorciar de uma cidade pra perceber o quanto ela precisava viver com o Rio um namorico temporário, de portão de embarque, aquele amor de verão em que a gente um dá pro outro tudo o que temos de melhor. Como naquela que eu escrevia no canto da agenda da escola que dizia que, quando a gente ama mesmo, a gente precisa deixar a pessoa ir embora.

Cidade Maravilhosa, meu bem: Como nos fez bem a coragem de abrir a relação.

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A vitrola da minha cabeça toca Samba do Amor, na voz da Teresa. E nessa hora eu lembro da frase que minha amiga insiste em dizer: "Um Homem nunca entra duas vezes num mesmo Rio".

Que bonito isso da gente poder voltar pra Casa, essa palavra cuja busca permeou cada minuto desse doismiledezesseis. Eu vou pra poder voltar, vou com um gostinho de felicidade tão genuína por todo amor que eu vivi aqui. Fui acolhida pelos meus, pelas minhas, por corações que pulsam junto ao meu em milhas ou em quilômetros.

Obrigada pelos abraços generosos e por todo o [muito] amor envolvido nesses mais de sessenta dias que eu passei aqui.

E hoje eu me despeço sabendo que vou leve, com o gosto na boca de missão cumprida. Foi difícil vir. Foi facílimo estar. E vai ser muito bom voltar.

Até loguinho.



(ouçam)


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