domingo, 23 de outubro de 2016

Aonde a gente morava era um lugar imensamente sem nomeação - Manoel de Barros

Sem mais, lembrei do Kiko, lembrei da Lu. Do meu pai,  dos meus irmãos. Pensei no Gabi e na minha infância.
Pensei na minha mãe no interior e todas as crianças que brincam de pés descalços.

Me embalei nesta quase música, pensando no mato, no mundo, na luz entrando na mata perto daquela cachoeira gelada. Atirei pedra na água pra ver se quicava. Nadei e gritei de frio no primeiro mergulho. Me esquentei com o sol, deitada na pedra.

Lembrei de Manoel de Barros que diz que desde o começo do mundo água e chão se amam e se entram amorosamente e se fecundam.

Invento pra me conhecer...

Na mata correndo ao sol raiar
pelado pintado num só brincar
Suspiro do vento a embalar
na folha deleita para sonhar

menino índio descobre o cantar
Do pássaro azul no céu a voar
cantar e voar
voar e (en)cantar

a rede de pesca para pescar
O arco e flecha para caçar
pés de moleque a saltitar
no brejo do rio a se banhar

menino do mato aprende a nadar
com peixe que pula do rio para o mar

nadar, para amar.
cantar
para o mar

no verde cerrado a luz a entrar
Um feixe sereno para esquentar
o encontro das águas vem iluminar

E o sol nos acolhe, pra nos saudar
Aquece o menino
Vem desabrochar

num voo a voar,
um peixe a nadar

Celeste arrebol a encantar
com sua beleza nos presentear
e o pássaro azul vem assoviar

mensageiro do ar
Vem menino amar

a vida e o mar...
a mata e o luar...

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