terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Qual Paris?


2 semanas em Paris.

Ontem foi Dia dos Namorados na Cidade Mais Romântica do Mundo. Mas... Onde estará essa cidade?

Eu sempre sonhei que esse dia ia chegar. O cenário não era exatamente esse, mas o Quase Indo foi criado numa viagem ao Velho Mundo. Eu vinha em busca de um passaporte italiano e do meu direito de sonhar. De lá pra cá, tudo foi construção. Namorei, terminei, ri, chorei, casei, passei um ano em San Francisco e finalmente cheguei a Paris.

Uma cidade fria, confusa, opressiva... E linda.
[Como pode ser tão linda no meio de todo esse caos, ó Paris?]

Parei pra contar e essa é 5a vez que eu ponho os pés aqui - dessa vez, pra ficar um pouco mais. Vim atrás da daquela cidade que eu sonhei lá atrás: A Paris da Belle Époque, da Amelie, dos cadeados pela Ponte.



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Quando tudo é expectativa, tudo gera frustração. Viemos atrás da Paris da Amélie e caímos na porta de entrada (e saída?) de um mundo que parece não estar indo nada bem.

Seria possível reduzir essa cidade a uma boa baguette, um bom queijo e uma boa garrafa de vinho? Será que ainda dá tempo de voltar à Paris dos anos 20, existencialista, apaixonada e eterna? Seria Paris a cidade de todos aqueles filmes de amor que a gente vive assistindo na infância, construindo um ideal de Amor Romântico que não vamos atingir jamais? Haveria espaço para os poetas de calcada que assobiam pra moça que suspira bonita e ama baixinho, feliz pra sempre enquanto vira o ultimo gole desapressado do seu café? Haverá tempo ainda para que essa moça seja eu?

Ou terá Paris sido intoxicada pela fumaça do cigarro que ela insiste em fumar, pela presença ostensiva da sua Polícia e pelo suor sagrado dos imigrantes que vieram aqui buscar todos aqueles anos que lhes foram roubados pela França?

Qual é a sua Paris?

Pra mim, quinze dias foram tempo suficiente pra mudar pra sempre esse meu olhar; sobre a cidade, sobre o mundo que vivemos hoje e, principalmente, sobre o que foi que eu vim fazer aqui.

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Os dias passam frios e atravessamos todos eles resolvendo os desafios que aparecem, um a um. A gente tem todo um ideal romântico de largar tudo e ir morar na Europa, fazer queijos e beber vinho. E aí?

O que fazer quando você chega exatamente no lugar onde você sempre sonhou?

Você passa a vida toda em busca de um sonho e quando chega nele a vida é pagar boleto e correr atrás do Metrô. Bom, pelo menos, tenho agora 14 linhas de Metrô só pra mim.

E, por mais difícil que o inverno seja, meu coração de Amélie sabe que vai tudo dar certo lá na frente. Enquanto esse dia não chega, nós sempre teremos Paris.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Esvaziando a mala


Talvez o maior erro que você possa cometer ao se mudar pra um lugar completamente diferente daquele onde você cresceu seja a quantidade enorme de expectativas que vamos acumulando com o passar dos anos.


Manter a bagagem cada vez mais leve, como me disse uma amiga minha. Como eu pude me esquecer disso?




Toda expectativa gera frustração, acho que li isso naquele livro que eu esqueci no canto do quarto onde eu já nem moro mais. E a verdade é que os primeiros dias em um país cuja língua você não fala bem podem ser bastante desafiadores. A burocracia que te enlouquece, o frio que te corta a alma... E o relógio que não para de girar. Pequenas demandas vão se acumulando pelas paredes e quando você se dá conta a vida virou uma avalanche de problemas que você não consegue resolver. É o banco que não te deixa abrir conta sem comprovante de residência. É apartamento que não quer ser alugado se você não tiver conta no banco. Você não consegue respirar e de repente começa a sonhar com Férias de tudo isso.

Peraí. 
Férias? Das Férias? 
Pára tudo. É hora de respirar. 

Hora de dar uma volta pelas ruas da (segunda) cidade mais bonita do mundo e lembrar o que foi que eu vim fazer aqui. De voltar os olhos pra beleza arquitetônica, de sentar leve pra tomar um café. De curtir o falar baixo, de flanar por Paris sem pressa e degustar a vida como quem come o amor aos bocados. Hora de abrir um bom vinho, comer um bom queijo e rir da vida enquanto observa o ritmo lento do casal de velhinhos que atravessa a rua. 


É hora de agradecer, respirar e seguir. 




Venceremos. Vincerò.





(a pele fica uma merda, mas o cabelo, pra variar, fica espetacular...)