quarta-feira, 15 de março de 2017

3.8, quem diria.

Acordei num sobressalto. De repente, a vida deu mais uma volta em torno do sol e, dessa vez, a primeira em todos os anos que me lembro, eu tinha passado a meia-noite dormindo. Literalmente, I didn't see this coming.

O mais difícil de fazer aniversário longe de casa é não receber uma enxurrada de mensagens a meia-noite pra te lembrar a Primavera que chegou. Não tenho como não me sentir meio sozinha, mas nem seria justo cobrar; estou 5 horas à frente de casa e meus amigos estão todos espalhados por aí. A maturidade chega e a gente aprende que, pra quem o aniversário chegar, chegou. Estar junto não significa estar perto, ainda mais em tempos sombrios como os que vivemos hoje.

É estranho fazer 38. Nada contra a idade em si: Quanto mais o tempo passa, mais incrível eu vou me achando, desculpa aí te contar isso assim. Deus me livre da vida que eu vivia 10 anos atrás; Saturno batendo com tudo à minha porta, eu querendo conquistar o mundo sem dinheiro, solteira, trabalhando em algo que não me fazia bem. Eu era um poço de insegurança há 10 anos atrás. Como a maturidade me caiu como uma luva :)

Mas a verdade é que o tempo passa e eu cada vez menos me identifico com esses números que colocam aqui na minha frente. Como eu falava outro dia com uma grande amiga, o problema não é a idade, o problema é o Gabarito. Vivemos em busca de um ideal de Felicidade que sabe Deus de onde foi que a gente tirou, querendo tirar 10 em tudo sem prestar atenção na aula. A gente perde tanto tempo querendo ser a funcionária do ano em tudo sem perceber que as vezes aquele emprego nem serve mais pra você.

Se você não consegue acertar na prova, talvez seja a hora de mudar o Gabarito. Mudar as perguntas. Descobrir pra onde seu olho brilha. Parar de esperar o dia em que vai chegar a próxima viagem, aquele telefonema, passar o carnaval, ter logo o segundo filho ou um pouco mais de dinheiro na conta. Aos 38, se tem um conselho que eu posso dar pra você é: Vai do jeito que dá.


Por isso, ao acordar, em vez de perder meu tempo com as fotos alheias e invejar uma vida perfeita que eu já nem sei se serviria pra mim, resolvi esperar só mais 5 minutinhos pra não apenas agradecer, mas também reconhecer que a vida está tão boa quanto ela poderia estar. Ao contrário do que dizem por aí, o que o Universo te entrega, acredite, nada mais é do que tudo aquilo que você pede pra ele.

E que sigamos sabendo que temos muito a melhorar, mas certos de que a solução pode ser colocar os dois pezinhos na direção daquela mudança que a gente vive adiando por não termos as condições ideais, respirar fundo e se partir pra ação. Parar de colocar todas as desculpas do mundo na falta de tempo – de dinheiro, de companhia, de amor – e ir em busca da vida que a gente sempre sonhou. Menos cobrança, mais ação: Taí a minha receita de Felicidade hoje pra você.



“Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”. Galeano me desejando que, no próximo ano, eu consiga dar mais e mais voltas em torno de mim mesma.




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